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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A passo de caracol, com resignação

Uma das minhas vizinhas contou-me hoje que a sua mãe faleceu na semana passada por causa da pandemia. Faria 79 anos por estes dias. Esteve internada um pouco mais de uma semana no hospital aqui do bairro, o S. Francisco de Xavier. Internada é uma maneira de falar, pois passou mais tempo num dos corredores do que na enfermaria, por razões de sobrelotação.

Vi na maneira de me contar o acontecimento um certo grau de fatalidade. Aconteceu. Foi a covid-19. E pronto, como se morrer tivesse passado a fazer parte dos dias de agora.

A verdade é que os números diários são assustadores. E que a campanha de vacinação não é campanha nenhuma. 82 mil vacinados até agora faz pensar num ritmo de caracol. Como se isso não fosse a tarefa mais urgente que o serviço público deveria ter pela frente.

Os próprios candidatos à presidência passam ao lado desta urgência. Parecem não ter entendido que o nosso mundo mudou.

A nossa falta de coragem política

O Presidente da República e o Governo não tiveram a coragem política necessária para impor um Natal com restrições. Quando esta questão é levantada, escondem-se por detrás dos partidos políticos, que foram consultados, e mais e mais, e até queriam mais rédea solta. Mas a responsabilidade da governação não cabe aos dirigentes dos partidos. E também não é desculpa dizer que se contava com o bom senso dos portugueses.

A Bélgica, que tem um número de habitantes semelhante ao nosso, restringiu ao máximo os encontros de Natal. Está agora com menos de 2 mil novas contaminações diárias. Um número muito inferior ao que contabilizamos em Portugal, neste momento.

Uma campanha que não o é

Uma campanha de interesse nacional exige uma mobilização excepcional de meios. As razões são fáceis de entender: por ser vital para a protecção da saúde e a salvaguarda da vida dos cidadãos e por ser essencial para a restauração das actividades económicas.

Assim deveria ser com a campanha de vacinação contra a covid que agora deu o primeiro passo.

Mas aparentemente não está a ser tratada coma prioridade que deveria ter. Não vemos, como acontece noutros países da União Europeia, nenhuma logística especial a ser erguida. A decisão de pôr os centros de saúde no centro da campanha não inspira confiança alguma. Alguns desses centros pouco mais são do que vãos de escada, sem condições, sobrelotados, com funcionários que não têm mãos a medir, mesmo quando se trata de um funcionamento de rotina.

Pessoas de idade avançada, com mais de 75 anos, ao fazerem a simulação de quando poderá chegar a sua vez, receberam como resposta que serão vacinadas a partir de abril… Ou seja, um dia, no futuro longínquo, já depois do inverno e se tiverem sorte, que o vírus anda por aí aos pulos.

Acho surpreendente que os candidatos à eleição presidencial não façam cavalo de batalha deste tema. Há aqui, por parte do governo, uma muito séria falta de sentido de urgência. Um candidato presidencial não pode ignorar essa falha.

 

Um Rio com pouca corrente

A maneira como Rui Rio reagiu à nova sondagem do Expresso, que dá o seu PSD em queda acentuada, revela um cinismo parvo e um sentido de humor a que falta o bom senso. Em resumo, não revela inteligência política.

Na realidade, a reacção que tornou pública ajuda a perceber a razão da baixa da popularidade do PSD: não tem um líder à altura.

Numa altura em que o governo de António Costa atravessa várias tempestades – o Ministro Cabrita, o SEF, a mortalidade excepcionalmente elevada por causa da Covid-19, a falta de preparação para a campanha de vacinação, a imprecisão da agenda económica de recuperação, a TAP, a candidatura de Ana Gomes e as divisões que provoca no interior do PS, etc, etc – o líder do principal partido da oposição anda no Twitter a fazer comentários tontos. Para além de não conseguir agarrar o momento para mostrar que tem ideias, planos e uma visão para o país. Uma visão que é, todavia, bem necessária, na sequência dos vários impactos da pandemia sobre a sociedade portuguesa e também porque a governação tem sido uma governação pela rama, às apalpadelas e sem rumo certo.

Natal em Agosto

Nesta altura de coronavírus intenso, os serviços tomam todos os cuidados para evitar que o presidente seja contagiado. Mas foi. Emmanuel Macron apanhou o vírus, apesar de todas as precauções. A lição que se tira é simples: a pouco mais de uma semana do Natal, estamos num pico de contágios. É preciso muito cuidado. Este Natal não pode ser mais do que um dia como os outros, sem reuniões de família, sem celebrações de grupo. Espero que a mensagem seja bem compreendida por todos. Se assim for, pode-se marcar um natal alternativo para agosto do próximo ano.

Os dias cinzentos

Em Portugal, os números diários de óbitos por causa da Covid-19 são muito altos, muito preocupantes. Se tivermos em consideração o número total de habitantes, estamos com valores absolutos mais elevados do que na Alemanha, por exemplo. Ora, a Alemanha acaba de tomar todo um conjunto de medidas de contenção, por um período de várias semanas. O período inclui o Natal e o Ano Novo. As reuniões de família e as festas estão proibidas. Entretanto, o país já preparou toda a infra-estrutura necessária para a gigantesca campanha de vacinação que tem pela frente.

Por aqui, parece haver uma certa despreocupação.

Os próprios candidatos às presidenciais andam longe do assunto. Discutem e discorrem sobre insignificâncias e deixam passar os temas da pandemia e da vacinação entre as malhas das suas redes miúdas. Ainda não soube de um candidato que valesse o tempo que lhe foi dado pelas televisões. Voar baixinho é a norma. Ninguém se lembra que as águias voam a uma certa altitude e só mergulham no assunto, num voo picado, quando a presa vale a pena.

A vacina e a logística

A primeira campanha de vacinação começou hoje no Reino Unido. Creio que é importante sublinhar esse facto. Como também se deve dizer claramente que este tipo de exercícios são extremamente complexos e irão demorar muito tempo até estarem completados. Para além disso, é fundamental combater o cepticismo. Haverá muita voz que se irá levantar contra a vacina. A essas vozes convirá responder com serenidade e com uma explicação clara do processo que levou à aprovação das vacinas.

O que não me parece bem é que não se esteja a preparar a logística necessária para a vacinação em massa e num período de tempo tão curto quanto possível. Essa deveria ser uma das grandes prioridades do momento. E poderia ser acelerada se utilizasse a capacidade logística das Forças Armadas para organizar os locais de vacinação.

A vacina que não está disponível

Hoje fui à farmácia aqui ao lado. Durante as apresentações, a farmacêutica ficou a saber que eu vivera até há pouco na Bélgica. E falámos da vacina da gripe. Que está disponível em qualquer farmácia de um qualquer bairro, no canto mais escondido da Bélgica. Aqui, não há. Ela já nem se lembrava há quanto tempo tem essa gaveta vazia.

Fiquei a pensar se o sistema não consegue pôr à disposição dos cidadãos uma vacina tão básica como a da gripe, que irá acontecer com a disponibilidade da vacina contra o coronavírus?

Pensar nessa pergunta – e tendo em conta as exigências de conservação que a vacina exige – deixou-me em pânico. Quero acreditar na eficiência do nosso sistema, é verdade. Mas a questão da gripe deixa-me com a tensão alta.

Talvez seja melhor apostar numa boa reserva de máscaras…

Boris é o melhor

O nosso amigo Boris Johnson parece estar em competição com o nosso muito amado Vladimir Putin no que respeita ao lançamento do programa de vacinação contra a covid-19. Cada um quer ser o primeiro a começar as picadelas.

Um dos ministros de Boris disse no parlamento de Westminster que o Reino Unido está numa posição mais avançada do que a União Europeia graças ao Brexit. Nada mau como aproveitamento político, diria quem sabe dessas coisas.

Penso, no entanto, que Boris não deve ter gostado do comentário feito pelo Dr. Anthony Fauci, a sumidade americana nesta matéria, que disse que os britânicos encurtaram a maratona para poder chegar primeiro. Ou seja, aprovaram a vacina sem seguir os protocolos científicos habituais. Este comentário deixaria Boris envergonhado se ele soubesse o que é vergonha.

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