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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Um verão diferente

Este é período do ano em que costumo fazer as malas para passar uma ou duas semanas com as filhas e as suas famílias. Desta vez, porém, uma parte da família não pode viajar, por constrangimentos ligados à pandemia e à obrigação de quarentena. Parece estranho, mas tudo é diferente este ano. A dois dias do fim do mês, poucos são os que estão a fazer planos para Agosto. Sobretudo na parte da Europa onde a minha filha mais velha circula e vive. A incerteza paralisa as pessoas. E a economia, obviamente. Sobretudo a das pequenas empresas, dos serviços e do turismo, ou seja, sectores que são fundamentais para o emprego e os rendimentos de muitas famílias.

A situação continua a ser muito grave

Os números de infectados pela pandemia estão de novo a subir, em vários países europeus. Estes surtos têm levado à adopção de medidas de controlo e a decisões sobre quarentenas que não estão a ser bem recebidas pelas populações. No Reino Unido, por exemplo, as alterações de um dia para o outro, no que diz respeito à necessidade de quarentenas, tem baralhado as pessoas, afectado os mercados financeiros e criado novas dificuldades para áreas importantes da economia. Também provocam tensões políticas entre Londres e outras capitais europeias.

A verdade é que a pandemia continua activa e que a prudência deve ser a linha mestra a guiar a actuação de cada um de nós. É igualmente verdade que os impactos ao nível económico e psicológico são enormes. Estamos a entrar num processo de ruína, para muitas empresas. A duração da crise torna a recuperação muito mais difícil. E acabará por ter uma influência muito negativa nas finanças públicas e na solvabilidade do sistema bancário. Os bancos estão a acumular créditos incobráveis. As garantias desses créditos são projectos inacabados e impossíveis de transformar em dinheiro.  

Ao nível psicológico, preocupa-me sobremaneira as crianças que não podem ir à escola e que estão isoladas nas suas habitações, com pouco ou nenhum contacto com outras crianças das suas idades.

Temos que estar cientes que o choque é enorme e que vai demorar um tempo longo para poder ser absorvido. Assim, quanto mais responsáveis e cuidadosos formos no nosso dia a dia e nas nossas actividades sociais melhor. É a contribuição que se espera de cada um.

Notas actuais

Quem parte de férias, em vários sítios da Europa – para já, não são muitos os que partem, nem estão a sair para muito longe, que este ano está tudo de pantanas e as coisas podem mudar de um momento para o outro – tende a esquecer-se que existe uma pandemia. Por isso, os números dos infectados estão de novo a subir. Os governos não querem ordenar um novo confinamento geral. Mas estão preocupados. Vamos assistir a um apertar das regras e a confinamentos localizados.

Por outro lado, é cada vez mais evidente que o choque económico é muito profundo. A recuperação vai demorar muito tempo. Isto significa que será preciso encontrar maneira de responder às dificuldades que muitas famílias terão que enfrentar. Ou seja, estamos a falar de programas sociais que exigirão recursos financeiros extremamente elevados. Esta foi uma das conclusões a que chegaram hoje, nos Estados Unidos, muitos dos membros do Congresso. Foi igualmente a preocupação subjacente durante a cimeira dos líderes europeus em Bruxelas.

E quando se diz que vai demorar muito tempo para recuperar ninguém ousa ser mais preciso. O horizonte temporal poderá ser de anos.

Refletir sobre a imagem que temos

O Primeiro-Ministro encontrou-se hoje, em Haia, com o seu homólogo holandês, Mark Rutte. Foi uma boa iniciativa, tendo em conta as divergências que existem entre ambos, no que respeita à aprovação e às modalidades de execução do plano de emergência e de recuperação europeu.

Pelo que sei, a reunião apenas permitiu a cada uma das partes expressar a posição respectiva. Não houve acordo como também me parece que não o haverá, na cimeira que terá lugar em Bruxelas, no final desta semana. A imensidão da crise pôs a nu as fracturas que existem na União Europeia, no que respeita ao modelo de governação e às atitudes perante o modo de funcionamento de certos Estados. Para Mark Rutte e outros, nós funcionamos mal, temos uma administração ineficiente e cara, para o que faz.

Uma posição assim deveria fazer-nos pensar, em vez de se ter uma reacção à flor da pele. Por que será que somos vistos desse modo? Pensar nessa questão ajudar-nos-ia mais do que dar uns pulos de indignação.

É preciso formular um plano coerente

Vários países europeus já elaboraram um plano económico de recuperação e de transição. Não ficaram à espera da aprovação dos fundos e das modalidades propostas pela Comissão Europeia. Definiram as suas prioridades e aprovaram somas colossais para financiar as prioridades identificadas. Uma análise rápida desses planos mostra quais são os sectores considerados como merecendo uma atenção muito especial. São os chamados sectores estratégicos. Vejo seis, que aparecem de uma maneira ou outra na visão do futuro: a promoção da economia digital, o reforço da segurança cibernética, a modernização dos sistemas de educação, a expansão dos serviços de saúde pública, a revolução energética e a facilitação da mobilidade dos cidadãos, dos produtos industriais e dos serviços.

Os Estados membros que já definiram esses planos de acção colocaram-se na linha da frente. Para além dos recursos próprios, irão ser dos primeiros a beneficiar dos fundos europeus que venham a ser aprovados. Os outros, incluindo Portugal, andam a fazer politiquices em vez de planeamento. Confundem reuniões, incluindo as de alto nível, com a necessidade de definir políticas de retoma e de transformação. Esquecem-se, também, que sem planos coerentes não haverá acesso à nova facilidade europeia de financiamento.

Será que é difícil de compreender como se deve trabalhar, quando se trata de obter recursos excepcionais, susceptíveis de dar a volta à crise económica?

 

Os britânicos e a nossa maneira de tratar destas coisas

A decisão tomada ontem pelo governo britânico exclui Portugal da lista dos chamados “países seguros”, em matéria de contágio. É óbvio que essa exclusão tem um impacto muito forte sobre a imagem do nosso país e os sectores económicos dependentes do turismo. Afasta os viajantes que viriam do Reino Unido e não só. Nestes tempos de grandes medos, a decisão acaba por afectar outros potenciais turistas, noutros mercados europeus.

A verdade é que o país, visto no seu conjunto, e é assim que as coisas se decidem quando olhadas de longe, não está bem. Os indicadores mostram um nível de contágio elevado. Foi isso que levou os britânicos a decidir como o fizeram. Assim, as reacções oficiais ou de gente com poder institucional aqui na nossa terra não me parecem ter sido adequadas. Foram demasiado emocionais e violentas. Patrioteiras, diria o outro...

Não é assim que se faz política, num caso como este. Eu teria simplesmente expressado o desapontamento e acrescentado que tudo seria feito, incluindo junto do governo britânico, para explicar melhor a situação portuguesa e obter uma mudança na apreciação. E ficava por aí.

O semestre de Angela Merkel

A Alemanha de Angela Merkel vai estar à frente da União Europeia neste segundo semestre do ano, que hoje começa. Esta é certamente uma boa notícia para quem acredita no projecto comum e sabe quais são as grandes dificuldades que o mesmo enfrenta. A Europa está numa crise única, 75 anos após o fim da guerra, que fora, obviamente, um outro período de grande perturbação.

As crises dividem as pessoas, os países e as relações entre os Estados, mesmo entre os aliados. A Chanceler terá que encontrar meios para resolver as fracturas que existem no seio da União. Essa é uma das tarefas mais urgentes. É a sobrevivência do projecto comum que está em jogo. Juntam-se a ela a negociação com os britânicos, as tensões com os americanos, os conflitos com os russos e os turcos, a problemática do relacionamento com a China, e tudo o resto, que inclui a Síria, a Líbia, o Sahel, as migrações e o clima.

 Não faltam problemas para resolver. Têm faltado liderança e coragem política. É nesses domínios que espero ver algum movimento. Angela Merkel vai ter que marcar a agenda, exercer uma presidência activa. Creio que o fará, na medida em que esta presidência surge nas vésperas da sua saída da cena política – prevista para o próximo ano – e que uma das suas preocupações deverá ser a de deixar um legado europeu durável.

Vamos começar o semestre com alguma pitada de optimismo, coisa difícil de arranjar nestes tempos bem complicados.

Esta crise é a sério

O Primeiro-Ministro britânico anunciou hoje que o governo irá investir muito dinheiro em obras públicas, com uma especial referência a hospitais, escolas e estradas. Não sei donde virá esse dinheiro, tendo presente o grau de endividamento das contas públicas do país.

 Reflectindo sobre esse anúncio, é claro que Boris Johnson quer mostrar que Reino Unido não ficará atrás dos investimentos que irão ser feitos no quadro da União Europeia, também em resposta ao impacto da pandemia. Por outro lado, obras públicas são uma velha receita quando há uma crise económica muito profunda. É isso que ele está igualmente a revelar, que isto é a sério E que se trata de uma crise que está para durar. Como também será o caso na União Europeia.

Estamos, na verdade, perante um desafio enorme. O caminho proposto pela Comissão Europeia parece-me mais adequado do que a ideia de obras públicas. É uma aposta na modernização da economia, na transformação da pegada ecológica, na biotecnologia, no reforço dos sistemas de saúde. Terá menos cimento do que o plano de Johnson, mas mais ciência e inovação. E assenta na dinâmica empresarial. Mas tem que avançar rapidamente. A aprovação do plano europeu tem que ser feita na cimeira de julho, sem falta. Foi isso que, indirectamente, Johnson nos veio lembrar.

Uma governação grosseira e populista

Em matéria de pandemia, passámos de cavalo para burro. Os países europeus mantêm as portas fechadas e não deixam entrar os residentes em Portugal. E não permitem que os seus nacionais venham de férias ao nosso país. Isto significa, pura e simplesmente, que a estação turística deste Verão terá que ser feita com a prata da casa. O impacto disso na economia nacional é significativo. Com o descontrolo que levou ao aumento dos contágios, ficamos todos a perder. A pandemia não se controla com retórica política. Andar a fingir que estamos na linha da frente, como tem sido o hábito de quem tem o poder, só engana quem é tolo. Neste caso da covid, a imagem de um país é feita com factos e dados, não depende da conversa cor de rosa. Também não resiste a um palrar superficial, que fala de nós como se fossemos os melhores do mundo, tudo para alegrar os bacocos que somos. 

Compreender a situação ou fazer de tolo

Ontem escrevi umas breves linhas sobre o impacto da covid na economia, na nossa e na global. Pensei que não seria necessário socorrer-me de muitas palavras para transmitir a mensagem que as perspectivas económicas são dramáticas, de modo directo para uns e por ricochete, com o tempo, para todos. Tudo o que possa contribuir para a expansão da pandemia e o contágio é mau, quer do ponto de vista da saúde quer da economia. Por isso, as medidas que o governo se viu obrigado a adoptar hoje, relativas à grande Lisboa – a Área Metropolitana – são justificadas. Se há algo a dizer, é que pecam pela circunspecção. O governo não quis dar um sinal de alarme, quando na realidade existe uma situação que é potencialmente preocupante. A intenção é a de responder mas sem afastar os possíveis turistas. O problema é que, lá fora, Lisboa já é notícia. Num dos principais diários belgas, aparece mesmo na primeira página.

Isto mostra que está em jogo a possibilidade de alguma recuperação da economia a curto e médio prazo. Também significa que há quem não entenda isso e adopte comportamentos de risco. Festas e multidões nos centros de bricolage, por exemplo. Temos, ainda, os técnicos das leis, que nos falam de procedimentos, quando nos deveriam dizer que estamos numa situação em que o interesse nacional está comprometido e que eles, enquanto letrados nos enredos jurídicos, só podem dar o apoio às medidas – modestas – que o governo decidiu tomar. Enquanto vozes públicas, deveriam ser dos primeiros a contribuir para a educação cívica e não para a confusão procedimental.

Foi isso, aliás, o que disse ao meu afilhado, que é doutor em leis e faz anos este Sábado. A sua intenção era a de organizar, em sua casa, um jantar para a família e alguns amigos. Falámos sobre esse plano. E concluímos que vamos fazer uma festa das grandes, que ele entra na categoria dos 50. Mas, cada um em sua casa e à frente do computador. Não haverá bolo de aniversário, porque servir um fatia pela internet não é fácil. Cada membro da família e convidado arranja um pastel de nata e um copo de qualquer coisa, canta-se os parabéns pelo cabo e estaremos todos juntos, com muita alegria, e certos que o virtual é melhor do que uma cama de cuidados intensivos ou um contágio que nos estrague o pouco de economia que ainda nos resta.

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