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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Festejar em tempos de isolamento

O plano, formulado no início do ano, era estar hoje em Omã. Numa espécie de reunião de família, com as filhas e o resto do pessoal. Para marcar a data. Mas um plano é um plano e a covid é uma realidade. Com a pandemia é muito difícil fazer planos. Assim, o dia decorreu com um de cada lado, à distância. No nosso caso, a única diferença é que o almoço teve lugar na sala nobre da casa e não na varanda ou no canto específico da cozinha. Comer na sala foi uma espécie de manguito educado que fizemos à pandemia. Também aí houve uma alteração de planos. Inicialmente, a intenção era a de ir almoçar ao restaurante fino aqui do bairro, junto à água. Venceu a inércia que a pandemia nos traz. Ficámos em casa. Entretanto tinha comprado dois belos linguados para o almoço. O rapaz da peixaria garantiu-me que eram selvagens. Sim, disse selvagens. Pensei que, se assim era, seria uma boa maneira de ter um almoço mais perto da natureza, aquela que nos faz esquecer as pandemias. E linguado grelhado, empurrado pela goela abaixo graças ao champanhe produzido por um nosso conhecido, numa pequena quinta familiar no coração da região de Champagne, e mini pimentos no forno, foi a única companhia que tivemos para o almoço.

O momento e os dias que se seguem

A pandemia está, de novo, a paralisar a Europa. E estamos apenas no início do Outono. O que temos pela frente, nas próximas semanas e nos meses que se seguirão, é a continuação do abrandamento das actividades económicas, com vários sectores fechados ou a funcionar a lume muito ténue, com a saúde pública a ser incapaz de responder aos múltiplos desafios, bem como a um agravamento das crises psicológicas e mentais. Sem esquecer os riscos de crise política. A pandemia acabará por minar a credibilidade de muitos governos. Se eu estivesse no poder, daria uma atenção muito especial a esse risco. Numa situação de grande complexidade, é preciso manter uma liderança clara e saber falar aos cidadãos. Estamos num daqueles momentos em que a comunicação bem feita é essencial.

A pandemia e os seus custos políticos

A pandemia volta a ser a preocupação número um dos governos europeus. Temos a questão da saúde pública. Temos igualmente a dimensão económica e a insegurança que provoca no dia-a-dia das famílias. Temos ainda a dimensão política. Vários governos parecem não ter uma resposta credível e eficaz.Navegam ao acaso. E isso tem custos políticos importantes. Para quem está no poder, essa dimensão é particularmente importante.

 

O Presidente está positivo

Disse a um par de amigos americanos, democratas de gema, que seria um erro não antecipar que o Presidente Trump fará um aproveitamento eleitoral da sua infecção com covid. Irá certamente recuperar nos próximos dias e aproveitar essa recuperação para reafirmar que é uma pessoa forte e fisicamente mais apta para o exercício das funções presidenciais do que Joe Biden. O campo democrata tem que ter uma resposta pronta para esta nova faceta da campanha. Entretanto, ficou já claro que a notícia da infecção fez desaparecer dos meios de comunicação social todas as referências negativas às intervenções desastrosas e inaceitáveis que Donald Trump proferiu durante o debate de terça-feira.

A tempestade

Dia de tempestade nos mercados financeiros.

Primeiro, por causa dos novos números da pandemia. O Outono ainda não chegou, mas os casos estão a crescer muito rapidamente. Os próximos seis meses vão ser muito problemáticos. O impacto sobre a saúde pública e sobre vários sectores económicos será enorme. O endividamento de muitas famílias e dos estados deverá atingir proporções inéditas e prolongadas. A experiência recente mostrou que os dirigentes políticos não têm uma linha de resposta coerente e coordenada. Assistir-se-á, de novo, a ziguezagues e a medidas que tratam a crise à maneira antiga, levantando as pontes levadiças e trancando as portas de cada nação ou de parte da nação.

Segundo, por causa das práticas de certos grandes bancos globais. Os casos já eram do conhecimento das autoridades financeiras há alguns anos. O consórcio de jornalistas de investigação conseguiu ter acesso aos registos das autoridades e divulgou todo um conjunto de acções ilegais de transferências de capitais de origem duvidosa – vindos da droga, da corrupção na Rússia, na Ucrânia e em vários países menos desenvolvidos. É verdade que essas práticas passaram a ser mais difíceis nos últimos três ou quatro anos. Há mais controlos, internos e externos. Mas aconteceram até então e foram levadas a cabo por instituições bancárias muito conhecidas e de grande peso nos mercados de capitais. Londres foi uma das praças que mais lavou.

As regras do plano de resiliência

As subvenções que serão atribuídas pela Comissão Europeia nos anos 2021 e 2022, no quadro do Plano de Recuperação e Resiliência, o plano Covid, diria eu, foram dadas a conhecer em Bruxelas. A fatia maior irá para a Itália: 44, mil milhões de euros. Segue-se a Espanha, com 43,5 mil milhões, a França com 22,7, a Polónia com 18,9, a Alemanha com 15,2, a Grécia com 12,6 e a Roménia com 9,5 mil milhões de euros. Depois vem Portugal, com 9,1 mil milhões.

A maneira como estes fundos irão ser gastos vai ser seguida de modo atento pelos países chamados “frugais”. Qualquer derrapagem servirá de pretexto para parar as subvenções. Rigor na gestão vai ser uma das preocupações a que Bruxelas deverá estar atenta. Por outro lado, a aprovação dos projectos nacionais deverá ter em conta que as prioridades deverão estar nas áreas das tecnologias renováveis e da energia limpa, no apoio aos transportes duráveis, à banda larga de grande débito e na digitalização dos serviços públicos. Os projectos que englobem mais de um estado-membro também serão considerados com interesse.

O plano de cada país beneficiário deve prever o investimento de cerca de 37% dos fundos em projectos ligados ao combate às alterações climáticas e 20% no domínio da economia numérica. Cada plano deve demonstrar que está virado para o futuro e não para a ressurreição de velhos projectos que têm estado nas gavetas públicas há anos. Terá, ainda, que identificar claramente as principais vulnerabilidades nacionais e propor medidas que as corrijam.

Não vai ser um exercício fácil. E também não creio que a Comissão esteja pronta para fechar os olhos. Por detrás dos olhos de Bruxelas, estarão os de Mark Rutte e dos seus amigos.

O discurso europeu

O Estado da União Europeia, ou seja, o discurso que Ursula von der Leyen proferiu ontem no Parlamento Europeu é longo, mas vale a pena ler. A Presidente da Comissão Europeia fez uma análise positiva e progressista das várias questões que afectam a União Europeia e apresentou um programa de trabalho que deverá contribuir para o aprofundamento da agenda comum. As referências à economia digital e tecnológica, ao pacto verde, à soberania industrial da Europa, à cooperação em matéria de saúde pública, aos rendimentos mínimos, ao futuro dos Balcãs como parte do espaço europeu, à imigração, etc, bem como as observações sobre a Rússia, a China e os Estados Unidos são no essencial correctas. O problema estará na sua implementação. Primeiro, vários destes temas têm estado em cima da mesa há muito tempo, sem que haja acordo. Segundo, apesar da clara referência que faz aos valores europeus, a verdade é que estes valores não são entendidos da mesma maneira pelos diversos líderes europeus. Entre outros, Viktor Orbán poderá explicar-nos as razões de tais diferenças. Terceiro, ainda não saímos da crise provocada pela pandemia. O discurso deveria reconhecer esse facto e sugerir algumas medidas que tratassem da urgência que temos em frente de nós. Deveria, pelo menos, apelar a uma maior coordenação entre os Estados membros, para que se evitasse o que tem acontecido até agora, em que cada um decide à sua maneira, sem consultar o resto dos membros nem mesmo os vizinhos do lado. Quarto, Von der Leyen não menciona os perigos que existem no que respeita à continuação do projecto europeu. Ora, esses perigos são hoje mais reais do que nunca. Precisam que se fale deles com realismo. Creio que está aí o ponto mais fraco da sua intervenção. Não reconhecer que existem linhas de fractura muito fortes é um erro grave.

A responsabilidade cívica

As medidas de contingência anunciadas ontem pelo governo têm como fundamento uma previsão do agravamento do estado da pandemia. Creio que convém ser claro sobre essa tendência. Como também me parece importante que se continue a apelar para o sentido cívico dos cidadãos. Várias das medidas serão difíceis de executar se não houver boa vontade cidadã. Creio ser fundamental sublinhar essa dimensão, pedir que cada um de nós assuma um comportamento responsável. Essa deve ser, também, a mensagem que o governo precisa de manter actual.

O turista de cabelos brancos

Durante a caminhada desta manhã, que faz parte da minha rotina, vi pela primeira vez este verão dois ou três pequenos grupos de turistas do tipo “reformados”. Até agora, o pouco que se via era gente jovem ou relativamente nova. Os da chamada terceira idade não apareciam. Medo do vírus? Provavelmente. Mas hoje apareceram. Veremos se isso volta a acontecer nos próximos dias. Como me disse o meu amigo proprietário de um restaurante que se situa perto dos “pastéis”, essa categoria de turistas tem mais massa do que os jovens. Talvez. Mas a verdade é que as indicações que tenho, de outras partes da Europa, é que todos estão muito agarrados à carteira. O consumo não é o que era. E os mais velhos têm, muitas vezes, que ajudar financeiramente os mais novos. E vem aí o inverno, os invernos, diria, que as nuvens parecem ser muitas, grossas e de vários tipos.  

 

Tempos de pânico

Hoje, a pandemia deixou-me novamente em pânico. Já havia acontecido o mesmo na semana passada. Estava numa das esplanadas do Centro Comercial dos Olivais, bem no coração do edifício mas ao ar livre, a tomar um café com um jornalista sénior de uma das rádios nacionais. Havia um vento forte. E quando me preparava para me ir embora, através dos corredores do Centro, descobri que a minha máscara tinha voado com o vento, para parte desconhecida. Fiquei fora de jogo, sem saber como sair dali. Senti-me completamente desestabilizado. Depois de muito reflectir, o jornalista amigo descobriu na sua mochila uma máscara nova. Eu sempre achei que as mochilas dos jornalistas são uma caixa de surpresas. Estava safo.

O pânico de hoje foi semelhante. Saí do carro, entreguei as chaves a quem entrava em casa e fui a pé ao supermercado do quarteirão. Comprei duas ou três urgências e dirigi-me para a fila da caixa. A fila estava demorada, a ficar cada vez mais longa, com gente à frente e atrás de mim. De repente, notei que não tinha trazido máscara. Que andara por ali, a descoberto. Entrei em parafuso, com a sensação de estar nu. A jovem da caixa iria reagir e chamar o segurança, o mesmo segurança que estava a brincar com o telefone quando eu entrei na loja. Só tinha uma solução. Deixar as compras no lugar e ir à procura da prateleira das máscaras. Descobri uma difícil de colocar, com uns atilhos complicados. Mas serviu. Lá fui para a caixa, com a máscara metade atada. Expliquei à empregada que era uma compra que tinha que ser incluída na conta. Ela olhou para mim, com um ar estranho e disse-me, tenha calma e acabe de colocar a máscara como deve ser.

Isto das máscaras dá-nos a volta à cabeça.

 

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