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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Assim vamos andando

O Banco Central Europeu vai desempenhar um papel fundamental no financiamento da recuperação económica dos Estados membros. Ao anunciar que comprará toda a dívida que venha a ser emitida por cada Estado, diz-nos que não há razão para preocupações com o investimento público, incluindo nos países mais seriamente afectados pela imensa crise que resulta da epidemia de Covid-19. E para quem se tenha esquecido, quero lembrar que o BCE é uma instituição da União Europeia e que este benefício se aplica aos países da zona euro. Vale a pena estar nessa zona.

Os Estados da União que ainda estão fora da zona euro vão precisar de um mecanismo de ajuda especificamente desenhado para eles. Será aí que a questão da solidariedade se porá de modo mais concreto.

Entretanto, quem quer ganhar pontos na cena interna vai dizendo umas coisas violentas e ameaçadoras sobre o futuro da União. É uma das linhas políticas que está a dar.

Criticar é mais fácil do que procurar entendimentos. O entendimento significa que se compreende os contrangimentos de cada parte. Tal como António Costa tem que ter em conta o que pensam os portugueses, outros líderes têm que responder perante as suas opiniões públicas. São assim o xadrez europeu e o jogo democrático. A isso, juntam-se preconceitos e ideias feitas, que devem ser combatidos, não à traulitada mas sim na base do diálogo e do respeito por cada um dos povos que estão neste mesmo projecto. Quem respeita os outros tem todo o poder para pedir respeito para com os seus. Quem perde as estribeiras arrisca-se a cair do cavalo.

E há por aí muita gente pronta para cair do cavalo. Os comentários que tenho lido sobre os “coronabonds” mostram-no. Mostram mesmo gente que passou toda a sua vida na diplomacia, nas altas esferas, e que agora, já jubilados, são tão etc, etc, etc, como os outros, que tiveram uma vida mais terra a terra. Não me meto com eles, seria um erro, mas não posso deixar de dizer que as grandes crises revelam o que vai na alma e na cabeça de muita gente. O bom e o menos bom, vem muita coisa à superfície.  

 

Inquietações e confiança

Voltando à questão da liderança, que é fundamental neste momento de grande crise, o verdadeiro líder percebe a gravidade da situação mas tem que saber projectar uma réstia de esperança. No seu íntimo, vive um turbilhão de ansiedades e de incertezas. No exterior, a sua pessoa pública tem que mostrar um equilíbrio entre as inquietações e o optimismo.

A declaração de um estado de emergência tem as suas justificações. Mas assusta ainda mais uma boa parte da população. E como escrevi ontem, o medo é mau conselheiro. Deve haver consciência da importância da ameaça, mas não pode haver pânico. Uma das grandes tarefas da liderança política é fazer baixar o nível do pânico. As pessoas devem responder ao que se lhes pede, não por razões de medo cego, mas sim porque um cidadão responsável só pode comportar-se assim.

Hoje, para além da ameaça pandémica, existe uma outra, que lhe é paralela: a ameaça do desmoronamento económico. Esse risco é agora evidente. Tem proporções inimagináveis. E toca a todos, às grandes multinacionais e ao empresário individual. Ou seja, mina inteiramente o tecido económico e coloca uma boa parte dos trabalhadores na precariedade. Os governos – e é sobre isso que o líder deverá falar – terão que por a máquina de fazer notas a trabalhar a todo o vapor. Tinta e papel são a matéria-prima da recuperação.

 

 

Ainda estamos em crise?

Gastei a tarde toda a planificar a minha próxima viagem de carro de Bruxelas a Lisboa. Queria passar pela Normandia e ficar um fim de tarde e uma noite em São Sebastião, no País Basco. Para além do trabalho que tive, que não foi pouco, apercebi-me que os principais hotéis em França e no Norte de Espanha, nos últimos dias deste mês, já estão esgotados. Mesmo os mais caros, como o famoso Maria Cristina, em São Sebastião, que pede por uma noite, nesta estação que ainda não é a mais cara, quase 800 euros.

Nunca tinha encontrado tantas dificuldades de marcação. Fiquei, por isso, a matutar se ainda haverá crise, por esses cantos da Europa.

Um futuro que não se quer ver

Estes encontros anuais dos ministros das Finanças, que têm sempre lugar nesta altura do calendário em Washington, no FMI, são conhecidos com as Reuniões da Primavera. A de 2015 terminou hoje. E pelo que sei, com três grandes preocupações globais, a esconderem-se por detrás das palavras dos comunicados oficiais: a fragilidade da recuperação económica, após a crise que vem de 2007-8; os grandes desequilíbrios de crescimento, ou seja, a desigualdade em termos de performance económica, quando se compara as diferentes regiões do globo; e as altas taxas de desemprego, em muitas e variadas partes do mundo.

A estas três inquietações junta-se, na nossa velha Europa, a questão da Grécia. As negociações com o governo grego estão praticamente num ponto morto. A UE, o Banco Central Europeu, o FMI e os principais credores repetiram, ainda hoje, que a bola está no campo grego. Que cabe ao governo de Atenas propor um programa que possa ser considerado credível. E acrescentam que uma declaração de insolvência teria consequências imprevisíveis.

Não será bem assim. Nestas coisas, é sempre possível desenhar um modelo que extrapole e clarifique as consequências mais prováveis. E esse modelo já existe. Tem-se uma ideia clara do que poderá acontecer se a insolvência vier a acontecer. Não se tem é coragem de olhar a sério para o futuro que o modelo nos deixa antever. Ora, governar passa por se ter a coragem de preparar os riscos futuros.

 

Uma crise de longo curso

Um banco – ING, parece-me importante dizer qual é o banco, sem que isso seja entendido como qualquer tipo de publicidade disfarçada – interrogou estes dias os seus clientes, na Bélgica, sobre a crise económica. A sondagem pode não ser perfeita, do ponto de vista técnico. Mas é claramente indicativa da opinião dominante num país da UE que tem um nível de vida acima da média. Assim, 82% dos respondentes disseram pensar que a crise ainda vai durar dois anos, no mínimo. Isto revela que quase todos pensam que até agora não há luz ao fundo do túnel. Manifestam, por isso, uma preocupação de longo termo, para uma situação que já dura há mais ou menos seis anos. Apenas 12% acredita que a crise estará ultrapassada dentro de dois anos. E, mais interessante, só 4% dos inquiridos vê a crise como já estando resolvida, neste momento em que vivemos.

Estes números deveriam guiar o discurso político. Quer ao nível nacional quer ao nível europeu. Penso, no entanto, que as mensagens vindas dos dirigentes partidários e das instituições estão muito longe de responder à inquietação de mais 80 e tal por cento dos cidadãos. Os discursos vão num sentido e o desassossego dos eleitores vai noutro.

Uma Europa que se encolhe

De regresso aos círculos europeus, depois de uma longa viagem, noto que o pouco de boa vontade que ainda restava, no que diz respeito à crise económica que define a situação nalguns dos países da UE, Portugal incluído, mirrou bastante nas últimas semanas. Há hoje menos paciência para tentar compreender o que se passa em Portugal, por exemplo, e ainda menos quando se tenta falar de novos pacotes, de medidas de ajuda, de reestruturações, de coesão europeia.

 

Na véspera de eleições, os cidadãos do centro da Europa não querem ouvir falar de solidariedade para com os “países periféricos”. Quando muito, haverá algum interesse pela Ucrânia e a sua possível associação à UE. Esse interesse terá que ver com duas coisas: uma certa admiração pela coragem dos que passaram muitas semanas na praça Maidan; e um certo desagrado em relação a Putin, ao que ele poderá representar como vestígio da Guerra Fria e da ameaça que as memórias colectivas ainda associam à Rússia.

Estar atento

A rentrée inicia-se de uma maneira curiosa. Neste início de Setembro, quem olha para o nosso país, a partir do exterior, vê duas coisas: uma certa serenidade, depois de um Verão que havia começado mal, do ponto de vista da instabilidade política; e um início de recuperação económica, graças à habilidade e criatividade de muitos dos portugueses.

 

Como recomeço das actividades, não é mau. Mas quando se entra mais a fundo no assunto, os de fora continuam a pensar que a classe política portuguesa é incapaz de – ou seja, não quer – levar a cabo as grandes medidas de reforma estrutural, quer ao nível do Estado quer ainda das grandes empresas do sector público. E pensam também que as tensões políticas continuarão a agravar-se nos próximos 12 meses.

 

Instados a dar uma opinião sobre a necessidade de um segundo resgate, acham que será necessário mas temem que certos parceiros europeus não aceitem que tal aconteça. Para esses parceiros, o esforço terá de vir de dentro, do lado de Portugal.

 

Bancos coxos

Os bancos portugueses estão numa situação periclitante. Os resultados negativos do primeiro semestre, que agora estão a vir a público, são apenas uma indicação do estado calamitoso em que a banca nacional se encontra. Cada novo anúncio de resultados revela, caso a caso, prejuízos de centenas de milhões.

A verdade é que não há actividade económica digna desse nome, sem contar com o crédito mal parado e as dívidas incobráveis.

 

Por outro lado, o negócio de comprar obrigações e títulos do tesouro portugueses aumenta a fragilidade estrutural da banca nacional, por se tratar de operações que são, tecnicamente, de alto risco. Mesmo que isso permita recolher uns juros interessantes, no curto prazo, a verdade é que os bancos internacionais acham que não revela boa gestão comprar dívida soberana de países como Portugal e olham para os bancos que o fazem como sendo imprudentes. Quer dizer, bancos com os quais não é conveniente fazer transacções de peso.

 

 

Estremoz

Almocei em Estremoz, numa passagem rápida pela cidade. No restaurante cinco estrelas com preço de duas estrelas éramos dois na sala. Disseram-me que à noite haverá mais gente. Assim o espero. É que a economia não pode estar parada nem continuar a fingir que turbina.

 

Ao fim e ao cabo, é a economia que conta. Será difícil entender isso? 

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