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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Tomar a iniciativa sem demoras

Escrevo no blog irmão deste, no que é produzido em língua inglesa, sobre o que penso poder ser a resposta iraniana ao assassinato do General Qassem Soleimani. A minha leitura do que vou sabendo diz-me que a opção preferida pelos iranianos seria a antiga prática de um olho por um olho. Ou seja, uma acção, que seria levada a cabo por um grupo exterior ao Irão, mas afiliado à máquina externa iraniana, e que visaria uma alta personalidade americana.

Claro que essa decisão seria um erro muito sério. Levaria, de imediato, a uma retaliação massiva e convencional, por parte dos americanos. Os Estados Unidos estão preparados para esse tipo de represália. Abriria, assim, as portas a uma crise de grandes proporções.

Tem que se evitar uma situação deste género. No blog, sugiro que a liderança europeia se engaje sem demoras num processo de aproximação entre as duas partes. Charles Michel poderia tentar fazê-lo, Ou Angela Merkel.

Esse processo faria, de imediato, baixar a tensão que tem estado a aumentar. E teria hipóteses, desde que permitisse a ambos os lados uma saída sem humilhação. Deve ser tentado sem mais demoras.

Sobre a crise

Certos intelectuais continuam a tentar explicar as mudanças políticas que se vivem nalguns países europeus com uma longa referência à “crise dos sistemas financeiros”. Mas, não se percebe bem que crise é essa.

Sim, assistimos, nalguns países, incluindo no nosso, a graves problemas relacionados com a dívida pública e o impacto que tiveram sobre a situação económica, a doméstica e a da vizinhança. Sim, vimos vários bancos em dificuldades, aqui, na Grécia, em Itália, Chipre, etc, mesmo no Reino Unido. Sabemos, todavia, que na base desses problemas estavam más decisões de gestão, créditos atribuídos por razões políticas e amizades corruptas, para além dos desafios resultantes de um crescimento económico negativo ou anémico. Sim, fomos testemunhas da expansão e da globalização dos mercados financeiros, de uma penetração muito significativa de capitais estrangeiros nas economias europeias, de uma concorrência de um novo tipo, de proporções nunca vistas.

Tudo isso provocou e continua a causar instabilidade e, nalguns casos, grandes rupturas nos sistemas financeiros. E temos mais tempestades à vista: o Brexit sem acordo, a confrontação comercial entre os Estados Unidos e outras grandes economias, a dívida pública italiana, ou ainda, o possível colapso de um par de grandes bancos bem como a revolução que a Inteligência Artificial irá ocasionar. Com a internacionalização dos mercados de capitais e a rapidez dos fluxos financeiros, uma gripe num sítio pode facilmente transformar-se numa pneumonia mais além, nas economias frágeis e dependentes do exterior.

É evidente que estes fenómenos criam insegurança e grandes receios. Muitos cidadãos têm medo e sentem-se impotentes . E quando olham para o poder político, para o funcionamento das instituições, não ficam tranquilos. Em muitos casos, os mais fracos não vêem na liderança política quem se interesse verdadeiramente pelas suas preocupações. Antes pelo contrário. Os políticos parecem andar num outro planeta. E quando se aproximam, soam a falso, dir-se-ia que lhes falta a sinceridade. O empenho.

É aí que encontramos as chamadas crises políticas. Os movimentos de radicalização. O baralhar das cartas e o aparecimento de outros ases, nem sempre da melhor cepa. E assim, o edifício político, que as nossas democracias europeias foram construindo, passa a enfrentar grandes tremores e parece estar prestes a desabar. Por isso se fala tanto de crise política.

Na verdade, é a questão da representatividade que está em jogo. O debate deve começar por essa questão. Quem nos representa e como?

 

Do Brasil e da América Latina

As incríveis trapalhadas da Presidente Dilma Rousseff e de Lula da Silva têm um impacto muito negativo sobre a imagem internacional do Brasil. E, por tabela, sobre a da América Latina.

A verdade é que vários países do Sul do continente americano conhecem convulsões políticas de monta. As profundas divisões sociais têm-se traduzido em sérias crises políticas e em muita demagogia. E na América Central impera a violência e as violações dos direitos humanos. Entretanto, a pobreza e a falta de esperança ficam por resolver.

A imagem que temos tem muito de positivo

Tem-se falado muito e repetidamente da imagem externa do nosso país. Muitas vezes, apenas para dizer que a imagem não é boa e que tem tendência para ir de mal a pior. Há uma espécie de prazer masoquista nessa maneira de encarar a questão. Nalguns casos, até parece uma prova de inteligência: quem fala nessas coisas acha-se mais vivo que os outros.

 

É verdade que nalguns círculos a imagem não é das melhores. Mas, no conjunto, a minha experiência e os meus contactos com círculos exteriores levam-me a dizer que existem muitos aspectos positivos associados à nossa imagem no estrangeiro.

 

 A grande maioria dos nossos emigrantes, portugueses espalhados por muitos recantos do mundo, dá provas de grande capacidade e muita aplicação ao trabalho. São, além disso, gente pacífica e respeitadora das leis das terras que os acolhem. Funcionam como um bom espelho de todos nós. Por outro lado, alguns conseguiram distinção e nome, nas áreas profissionais e artísticas em que se inserem. Temos, lá fora, excelentes cientistas, gestores, académicos, quadros de alto nível e outros. E criativos de renome.

 

Mas mais ainda. Apesar da crise e dos sacríficos dos últimos anos, os portugueses que ficaram em Portugal têm dado mostras impares de resiliência e de paciência. A mensagem que transmitem para o exterior é muito clara: não nos deixamos vencer pelas dificuldades. Ou, dito de outra maneira, estamos a demonstrar que a crise não significa perder as estribeiras e cair no caos. Há crise, procuram-se soluções!

 

E este tipo de postura é muito apreciado por quem reconhece que o país tem valor. Sim, pelos amigos estrangeiros, que continuam a ter uma imagem positiva de nós. Há que não esquecer essa realidade.

 

 

É possível!

Leio nas palavras de amigos um aprofundar do desânimo em relação à situação em que se encontra o nosso país. E um sentimento de impossibilidade como quem não tem poder para alterar o curso dos eventos. Tudo isto acompanhado de uma fúria silenciosa, dirigida sobretudo para os que estão na governação.  Como se tivesse deixado de haver esperança. São sinais de uma crise nacional muito séria. Não o reconhecer seria um erro grave. Mas não podemos ficar apenas pelo reconhecimento de que existe uma crise. É preciso resolvê-la. E a solução passa por todos nós e pelas nossas circunstâncias. Estas incluem a nossa presença no euro e na Europa. Quem advoga a saída, está equivocado. Fora da EU e do euro, ficaríamos mais isolados, menos atraentes em termos de investimento, mais entregues às elites tradicionais do nosso país, que são, em geral, uma desgraça. O desafio é o de dar a volta à crise dentro do euro e da Europa. Aproveitando, é verdade, as nossas relações com outras partes do mundo, incluindo Angola, Moçambique, Brasil, a América do Sul e o Norte de África, Marrocos, sobretudo. É um desafio possível. É tudo uma questão de liderança política e de mobilização dos nossos esforços e do nosso saber. Olhando para a frente e não para trás. 

Os tolos e os criminosos

Voltando ao tema de ontem, o da loucura perigosa que diz “não pagaremos!”, queria acrescentar uma nota mais. Sobre uma falácia perigosa, que é a da “ida ao mercado”, à procura de fundos, fora dos empréstimos da Tróica.

 

Com a dívida pública portuguesa classificada como “especulativa” – “lixo” na linguagem mais comum – pelas agências de notação, os únicos a ir ao mercado connosco, para adquirir títulos do Estado português, serão os investidores de fundos especulativos, do tipo comprar hoje para vender amanhã.

 

Os investidores institucionais, de longo prazo, como os fundos de pensões e os bancos não estão autorizados por norma a comprar dívida pública como a nossa, tipo “lixo”. E não o fazem, sobretudo depois das experiências da Grécia e de Chipre. Mais. Estatutariamente, pelas regras dos investimentos institucionais, têm que se desfazer rapidamente dos títulos de dívida portuguesa de que ainda possam ser detentores. É isso que têm estado a fazer nos últimos tempos. Chama-se a isso deixar de estar exposto ao risco que Portugal representa. Que é considerado enorme.

 

Ou seja, a ida aos mercados, enquanto as coisas não mudarem, fará pouco sentido. Pode ser apresentada pelo governo como um sucesso. Mas não o será, se não for acompanhada por uma revisão da nossa notação. Estranho que ninguém responda isso ao governo.

 

Que fique bem claro, então, que as nossas necessidades de financiamento de médio e longo prazo estão dependentes da nossa relação com a Tróica. Que deve ser firme e, ao mesmo tempo, previsível e feita com seriedade.

 

Quem diz, “não pagaremos!”, não sabe o que diz ou então, como disse ontem e repito hoje, é um incendiário. E todos os incendiários são criminosos.

 

 

Ideias irresponsáveis e incendiárias

Corre por aí a ideia que “quando não há dinheiro, não se paga”.

 

É verdade que quando alguém deixa de ter meios deixa igualmente de poder pagar as suas dívidas ou empréstimos. Também se sabe quais são as consequências de uma situação dessas, em termos de acesso a novos créditos e outros aspectos da vida quotidiana, que impliquem transacções em dinheiro e pagamentos.  

 

Neste caso, o melhor é negociar com os credores e conseguir um reescalonamento da dívida, mesmo tentar um perdão total ou parcial. Ou, para quem tem uma tia rica no Brasil, pedir à velha que abra os cordões à bolsa. Só que, tias no Mato Grosso, há poucas e os sobrinhos são muitos.

 

Um país – Portugal, por exemplo – não é exactamente comparável à vida de uma família. Sou, aliás, dos que se opõem a que se compare um país e as suas contas públicas à situação de uma família tipo. Mas, neste caso, um certo paralelismo seria possível. Se Portugal não tem dinheiro para pagar as suas obrigações – sobretudo as externas – a melhor resposta é a de negociar. Nunca seria a de dizer que não paga. A decisão de não pagar, tomada unilateralmente, levaria à insolvência internacional, à exclusão do país de toda uma série de mecanismos financeiros e comerciais internacionais. Seriamos tratados como um estado pária.

 

Por isso, quem anda por aí a dizer que não devemos pagar, pura e simplesmente, só pode dizê-lo para radicalizar ainda mais um ambiente que já está a ferver. Se, ainda por cima de tudo, for uma pessoa grande a dizê-lo, temos que responder sem hesitações que assim não iremos mais longe do que ao caos generalizado.  

Um desafio excepcional

No seguimento do que escrevi ontem, queria deixar claro que não compreendo a euforia politica que a decisão do Tribunal Constitucional tem criado, nalguns sectores da nossa opinião pública.

 

A decisão, cujos méritos não ponho em causa, tornou claro que existe uma profunda crise política em Portugal. O governo ficou com uma autoridade fortemente abalada. A oposição, por seu turno, e por si só, não parece ser alternativa. Mas, mais importante, vamos ter que encontrar argumentos de peso para que possamos ter uma negociação efectiva com os representantes dos nossos credores, numa altura em que a nossa economia não responde, a opinião pública não aceita as reformas do Estado que são necessárias, e as receitas fiscais ficam muito aquém das despesas que esperamos o governo faça.

 

Tudo isto num contexto europeu que é muito pouco flexível, numa altura francamente desfavorável, em que quem decide, na Europa, não está disposto a fazer concessões. Antes pelo contrário. Quem manda pensa que chegou a hora da verdade, das clarificações, da separação do trigo do joio, de refundação da Europa.

 

Ou seja, estamos, isso sim, a viver uma crise nacional profunda. Que não se compadece com euforias. Nem com ligeirezas. Nem clubismos. Nem ódios pessoais. Exige, sim, um vasto movimento de unidade e muita chama patriótica. Como também pede gente firme, que seja capaz de falar com a Europa de maneira que possamos ser ouvidos.

 

O oposto da euforia não é ansiedade. A verdadeira alternativa passa pela mobilização de todos nós. 

Na imprensa internacional, mas de modo incompleto

As manifestações de rua que marcaram a tarde deste Sábado em Portugal foram assunto importante nas notícias europeias. A imprensa internacional sublinhou o grande número de participantes e as razões que levaram as pessoas à rua. Deviam também ter posto em evidência o civismo com que tudo decorreu.  

Grandes números

Foram hoje conhecidos os resultados da mais recente sondagem sobre a vida política espanhola, realizada pelo prestigiado Centro de Investigaciones Sociológicas de Madrid. No que respeita a Mariano Rajoy, 82% dos inquiridos afirma ter muito pouca ou nenhuma confiança nele. Ora, o inquérito foi feito antes de ser conhecido o escândalo financeiro que o implica, justificadamente ou não, isso ainda não se sabe. Qual seria o valor hoje?

 

Alfredo Pérez Rubalcaba, líder do PSOE e da Oposição, aparece com um resultado ainda pior: 88% de gente sem ou com muito pouco confiança na sua pessoa.

 

São valores que não nos podem deixar indiferentes. Mostram uma situação que não é exclusiva de Espanha. Por aqui, não se anda muito longe deste tipo de falta de credibilidade. A classe política tradicional é chão que já deu uvas.

 

Onde nos leva tudo isto: à renovação das elites ou ao aparecimento de demagogos? Francamente, gostaria de acreditar que a resposta estaria na primeira destas duas hipóteses. Ficaria mais tranquilo. 

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