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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A Holanda e a ambição de Mark Rutte

Vale a pena olhar para a Holanda. É um país que funciona bem, disciplinado, que sabe tratar de si e dos seus interesses nacionais, sem descurar o desempenho de um papel positivo na construção europeia.

Vejamos alguns dados.

A dívida pública holandesa representa 52,4% do PIB nacional. Este é um valor que está dentro do limite autorizado para os países da zona euro, o famoso tecto dos 60%.

A taxa de desemprego situa-se nos 3,4%. Ou seja, existe uma situação próxima do pleno emprego. Por isso, o mercado de trabalho tem cerca de um milhão de ofertas de emprego por preencher. É verdade que a língua – uma língua difícil para quem não venha do mundo germânico – é um obstáculo à imigração. Mas as oportunidades existem.

Os rendimentos das famílias continuam a aumentar, de ano para ano. Uma das razões tem que ver com uma carga tributária relativamente moderada. Não existe na Holanda uma cultura governativa de caça aos rendimentos dos cidadãos, ao contrário do que se verifica em Portugal e noutros Estados da União Europeia. Estados em que em vez de se procurar criar riqueza acabam por restringir a criatividade das pessoas. A outra razão deriva de um sistema de negociação de convenções colectivas de trabalho bem organizado, realista e inspirado na ética do bem-estar colectivo.

Uma das ameaças mais sérias, a curto prazo, para a economia holandesa seria um Brexit sem acordo. O Reino Unido é o segundo parceiro comercial da Holanda. O Primeiro-Ministro Mark Rutte está consciente desse risco. Tem mantido um diálogo com as principais associações económicas do seu país, para além dos contactos frequentes que estabelece com as instituições em Bruxelas e com os principais líderes europeus. Mark Rutte é, aliás, um candidato a ter em conta, nas negociações que começarão em breve, relativas aos principais cargos em Bruxelas. Tem andado a mexer-se nesse sentido. E tem apoios.

 

 

A fragilidade em que vivemos

Este ano, o governo francês vai contrair empréstimos junto dos mercados de capitais da ordem dos 200 mil milhões de euros, ou seja, quase tanto como o total da dívida pública portuguesa, que se situa agora nos 245 mil milhões de euros. É verdade que a dívida pública francesa está na casa dos 2 300 mil milhões de euros – cerca de 100% do PIB do país – e a portuguesa representa 121% do nosso PIB. Proporcionalmente, a França encontra-se num patamar mais razoável, embora a sua dívida seja enorme em valores absolutos.

A taxa de juro que o governo francês pensa pagar é da ordem dos 0,35%.

Para além do endividamento do Estado, as grandes empresas que integram o índice da bolsa de Paris – o chamado CAC 40 – estão igualmente endividadas até aos cabelos.

O que se passa em França – e em Portugal ou na Itália, que é um caso especialmente preocupante – acontece também em muitos outros países da Europa e fora da Europa, com os Estados Unidos e o Japão à cabeça. Tudo isto provoca uma grande fragilidade ao nível global. E um grau de instabilidade que pode levar a uma crise económica e social de grandes proporções, bem como a conflitos geopolíticos de elevado risco.

O que vai salvando a coisa é o baixo valor das taxas de juro, no caso das economias mais desenvolvidas. Qualquer subida das taxas poderá acarretar a falência de partes do sistema. Ou mesmo, mais.

Não queremos más notícias

A má notícia de hoje diz respeito aos juros da dívida pública portuguesa. Estão à beira dos 4%. É um valor que deveria começar a inquietar. Pelo menos, a dar que falar. Mas a verdade é que nesta altura do ano, as preocupações são outras.

Bom ano, com muita descontracção.                                                                          

Deixar passar a enxurrada grega

Acabo de ver a entrevista que o ministro das finanças grego deu à BBC ontem ao fim do dia, depois dos mal-entendidos durante a conferência de imprensa com o presidente do Eurogrupo. O ministro diz que, afinal, está disposto para discutir com a troika, mas não quer a continuação do programa actual. Declara, igualmente, que é a favor das privatizações, incluindo a do porto de Pireus. Mas terão que ser feitas de outro modo. E assim sucessivamente. A entrevista é como pôr água na fervura, uma tentativa de acalmar os ânimos.

Acho bem. Tem havido muito ruído à volta da Grécia. É altura de serenar e de pensar a sério nos problemas – imensos – que o novo governo terá que enfrentar. Sem tempo para grandes folgas, que a situação é urgente.

E do outro lado, no resto da Europa, convirá igualmente deixar correr a enxurrada. Nunca é bom intervir quando a torrente está no seu máximo. Só complica. Até porque este lado tem o tempo a seu favor. O que é, nestes dias que correm, um luxo.

A notação da dívida pública portuguesa: uma questão premente

Portugal tem, neste momento, todas as condições para se poder financiar nos mercados de capitais a taxas de juro relativamente baixas. Com uma reserva de tesouraria de cerca de 16 mil milhões de euros, o que equivale a 10% do PIB, existe neste momento uma folga suficiente. Por outro lado, os mercados de capitais têm actualmente recursos excedentários que andam à procura de aplicações. A maior dificuldade reside no facto das agências de notação continuarem a classificar a dívida pública portuguesa a um nível bastante problemático, o que torna impossível a compra de papel do Estado português por parte dos melhores fundos de investimento. Infelizmente, o debate público sobre a dívida tem ignorado a importância da notação. Ora, é aí que há um enorme trabalho que tem que ser feito.

Um exemplo que faz reflectir

O México emitiu esta semana dívida pública a 100 anos. Sim, com um prazo de 100 anos. Ou seja, pediu emprestados mil milhões de libras e durante uma eternidade só terá que pagar a taxa de juro, que neste caso foi fixada em 5,75%. Já havia feito o mesmo com obrigações de Estado em dólares americanos. Com um sucesso idêntico.

 

Aqui está uma maneira hábil de financiar o Estado, com base nos mercados internacionais, sem onerar em demasiado as finanças públicas. É uma espécie de “reestruturação” da dívida, mas que não precisa de dizer o seu nome.

Vamos ao que interessa

Os juros a 10 anos chegaram hoje aos 7,235%.

 

Este é valor que Portugal terá que pagar, se for aos mercados neste momento. É uma mensagem forte sobre a falta de confiança da comunidade internacional na nossa capacidade em sair da crise financeira em que nos encontramos.

 

Diz-nos, também, que um segundo resgate, com condições duras, é, para já, considerado inevitável.

 

Junte-se a isto a posição do Eurogrupo e de Bruxelas. Ambos disseram claramente que a meta dos 4% para o défice das finanças públicas, em 2014, é para cumprir.

 

As indicações não podem ser mais claras. Do lado de fora, não haverá grandes folgas nem contemplações.

 

Este é, pois, um assunto de importância estratégica, que deveria estar no centro do debate nacional, na mira dos dirigentes políticos.

 

Mas, não está.

 

Uns fingem que não vêem. Outros, são de facto, tapados e não enxergam mesmo.

 

Pesadelos italianos

O jornal italiano Corriere de la Sera revela que a Itália comprou menos carros novos em Agosto. A quebra, que é de mais de 20% em comparação com o mesmo mês de 2011, confirmou uma tendência para a baixa que se iniciou há nove meses. Neste momento, vendem-se tantos veículos novos como se vendiam em 1964. 

 

Este é um indicador importante. Outro indicador mostra que os fundos e os investidores estrangeiros têm vindo a sair da dívida pública italiana. Hoje apenas 30% dessa dívida está em mãos estrangeiras. Só que 30% representam 492 mil milhões de euros, um montante astronómico. Se a dívida da Itália entrar em derrapagem, o impacto externo será, por isso, enorme. Mas será ainda maior para o povo italiano. O total da dívida pública do pais é agora estimado em 1 648 mil milhões de euros. Há, assim, muitas razões, milhares de milhões de razões, para que haja muita gente por essa UE fora profundamente preocupada. 

A espiral

Várias empresas públicas estão com a corda na garganta, no que diz respeito ao pagamento de salários. Em Setembro, ainda conseguiram crédito junto dos bancos. Mas um ou outro banco já começou a dizer que não há dinheiro disponível para mais. Que é preciso cortar nas despesas e reestruturar as empresas em causa. A Carris de Lisboa é um dos exemplos. 

 

Por outro lado, fica-se com a impressão que muitos, aqui na nossa terra, ainda não entenderam a gravidade da situação económica do país. Tenho estado a pensar, por isso, que talvez o meu próximo texto para a Visão devesse dar exemplos de outras crises, que vi, noutros cantos do mundo, e das consequências que arrastaram consigo. Talvez uma crónica desse tipo ajude a perceber o efeito vórtex que uma situação como a actual encerra.

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