Portugal é grande quando abre horizontes

18
Out 19

O diálogo continua a ser, na política e no quotidiano das pessoas, a melhor receita para resolver problemas e criar as condições necessárias para a paz social. Dito isto, reconheço que o busílis da questão é a falta de vontade para dialogar. Essa ausência tem muito que ver com o facto de que o sistema educativo e a prática social não nos prepararam para o debate de ideias, de modo construtivo. A nossa tendência é para que acreditemos mais na força e na intimidação do que nas soluções negociadas. Sendo assim, quem detém o poder deverá sentir que tem a obrigação de promover o diálogo. A verdadeira liderança manifesta-se e afirma-se quando, apesar de ter o controlo da força, consegue estabelecer plataformas de negociação. Liderar, no mundo de agora, significa saber criar mecanismos de consulta, de debate e de consenso.

publicado por victorangelo às 19:37

14
Jul 19

Acho bem que se procure debater as questões do racismo e da xenofobia. O debate de ideias faz parte das sociedades democráticas. Uns entrarão nele com muita paixão, outros de um modo mais frio, mas todos têm direito a dar a sua opinião, desde que essa não incite ao ódio e à violência física. E que evite a difamação pessoal.

E já agora, aproveitando a onda, por que não se discute a questão do civismo, da educação cidadã? Quando olha à minha volta, parece-me importante que tal aconteça. É um dos maiores défices da sociedade portuguesa. Muitos dos outros problemas, incluindo o relacionado com as diferentes manifestações de racismo, começam por criar raízes num terreno parco e falho de civismo.

Vamos debater o nosso problema de civismo?

publicado por victorangelo às 21:46

21
Mai 19

Nesta altura pré-eleitoral, uma das perguntas que aparece em cima de algumas mesas tem que ver com o significado da democracia. Que queremos dizer, quando se fala na democracia que se pratica nos países europeus?

Para mim, democracia é a procura de inclusão, de consensos entre diferentes correntes de opinião, bem como um processo de construção de equilíbrios entre os interesses de várias camadas sociais. É, ao nível do quotidiano, um exercício permanente de comunicação clara e construtiva.

A democracia deve ser praticada pela positiva.

Não se trata de tentar excluir os outros. Não é uma espécie de guerra civil. Não pode ser um concurso de propostas demagógicas. Nem uma campanha de insultos.

Quem pratica a política pela negativa tem nos seus genes o embrião comum dos ditadores. E há muitos, em potência, por aí.

publicado por victorangelo às 14:49

03
Mar 19

Na sua qualidade de dirigente do partido, o senhor – ou, a senhora – pode explicar-me, em três simples linhas, qual é a agenda política que propõe aos cidadãos?

E já agora, numa só frase curta e directa, diga-me por favor qual é a principal diferença entre essa sua agenda e as que parecem definir os partidos políticos vizinhos?

publicado por victorangelo às 09:31

02
Mar 19

Escrevo muitas destas palavras com um lápis. É um truque. Ou, talvez apenas, uma ilusão. Mas, conta. Ajuda-me a ter sempre presente que tudo é precário, que pode ser apagado facilmente ou mudar de tom. Sobretudo quando se trata de coisas políticas.

publicado por victorangelo às 12:13

08
Fev 19

A impressão que fica da classe política portuguesa é negativa. A imagem que persiste é que os políticos não se interessam pelos problemas que preenchem o quotidiano da maioria das pessoas, que não têm a base moral necessária para se ocuparem do bem comum. E os poucos que procuram ir mais além do que os seus interesses pessoais fazem-no de uma maneira superficial, sem ouvir os cidadãos nem ter em conta as diversas dimensões que definem as questões de agora. Falta à nossa elite política algo que é fundamental na vida: a credibilidade.

publicado por victorangelo às 17:27

04
Fev 19

O problema central que mina a classe política portuguesa actual resume-se em poucas palavras: perdeu a confiança da maioria dos eleitores!

Não há confiança, não se acredita.

Sem confiança nos dirigentes políticos, não há esperança num futuro melhor. Passamos então a viver numa atmosfera onde reina a indiferença perante as causas comuns, o cinismo e, em muitos casos, o desespero.

publicado por victorangelo às 17:29

25
Jan 19

A intolerância e o sectarismo são os dois pilares do debate político em Portugal.

Debate-se para atacar. Raramente é para encontrar posições comuns. Isto é próprio das discussões de paróquia, ou de capoeira, das querelas entre caciques. Expressa bem o narcisismo intelectual que caracteriza muitas das nossas personagens públicas. E a falta de profundidade, de substância e de ideais verdadeiramente patrióticos e progressistas.

O resto é tolice.

publicado por victorangelo às 08:53

06
Abr 18

Por que digo, quando se fala sobre o tema, que a democracia portuguesa é fraca?

A resposta completa daria para uma tese académica. Uma tese que deveria começar por analisar a maneira como funcionam os partidos políticos em Portugal. Incluindo, muito especialmente, o modo como são seleccionados os dirigentes, os quadros políticos e as pessoas escolhidas para assumir lugares públicos. A vida interna dos partidos tem muito mais que ver com a intriga e os golpes do que com a capacidade e a qualidade dos protagonistas.

Depois, seria preciso discutir o papel bastante medíocre que a comunicação social desempenha em termos do debate público e do interesse geral. Sobretudo, os canais abertos de televisão. São uma lástima, que empobrece a compreensão dos problemas que são os nossos e em nada contribui para o enriquecimento cívico dos cidadãos. Ainda, para além das televisões, acrescentaria que a imprensa com um mínimo de qualidade tem hoje um alcance francamente limitado. Os jornais de referência não tocam as pessoas. São folheados por meia dúzia de fiéis e nada mais.

Seguir-se-ia uma avaliação da nossa sociedade civil. Encontraríamos aí algum dinamismo e boas vontades, mas também muito fogo de vista e pouco mais. E a grande fraqueza de termos uma sociedade civil com recursos financeiros miseráveis e, por isso, muito dependente dos dinheiros públicos, que dizer da política e dos partidos.

publicado por victorangelo às 17:25

11
Jul 17

Sou um telespectador acidental, no que respeita aos canais de televisão portugueses. Por várias razões, mas sobretudo pela má qualidade do que se mostra nos nossos ecrãs. Assim, mesmo quando me encontro em Portugal, passo ao lado.

Ontem, num momento de acaso, caí no debate que a RTP 1 chama “Prós e Contras”. Discutia-se Tancos, as Forças Armadas e os diferentes níveis de responsabilidade.

Dos presentes, apenas os dois generais sabiam da poda. O resto era conversa, académica, livresca ou simplesmente fora da substância. Confrangedor. Metiam-se os pés pelas mãos e confundiam-se conceitos básicos. Incluindo, como já vem sendo costume, defesa como se fosse segurança e vice-versa.

Para cúmulo, a moderadora mostrou uma vez mais o pouco jeito que tem para animar discussões que ultrapassem os temas de lana-caprina.

 

publicado por victorangelo às 22:10

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