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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

O texto desta semana no Diário de Notícias

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/08-ago-2020/questionar-a-obsessao-securitaria-12503101.html

O texto que publiquei no DN de sábado, 8 de agosto, já está com acesso livre.

Deixo-vos o link acima. E desejo-vos boa leitura. E peço que o comentem, se vos for possível. 

A ameaça que está no nosso seio

O maior perigo para uma organização não vem de fora, da competição ou dos adversários. A experiência mostra que, na maior parte das vezes, a verdadeira ameaça é a interna. Não será bem um Cavalo de Tróia, mas não andará geograficamente longe. Por isso, em matéria de defesa da Europa, haverá que repensar o assunto com muita seriedade.

Ainda sobre a Conferência de Munique

Mike Pompeo discursou hoje na Conferência de Munique sobre a Segurança. No meu blog em inglês https://victorangeloviews.blogspot.com/2020/02/the-munich-conference-and-european-views.html faço um comentário sobre a sua intervenção e o estado das relações entre a Europa e a Administração de Donald Trump.

Pompeo é um orador com muita presença. Mas a verdade é que o seu discurso não convenceu os europeus. A Europa olha para a América de Trump, Pompeo e dos outros da mesma série, com uma perplexidade enorme. E o que se passou hoje em Munique, a recepção bem-educada mas fria que a assistência deu às palavras vindas do outro lado do Atlântico, mostrou que as linhas que já foram paralelas estão agora em divergência.

Para além das lições que mencionam no meu texto em inglês, ficou bem claro que a Europa tem que definir uma posição clara e autónoma perante as grandes questões da paz e da segurança. No passado, isso significava uma aliança muito estreita com os Estados Unidos. A linha de orientação para o futuro terá que assentar num processo crescente de autonomia. Uma ligação demasiado estreita poderá significar, num futuro que se prevê de grandes tensões globais, um arrastamento para tomar parte num conflito que não será no nosso interesse.  

 

 

O coronavírus e a ordem internacional

A reflexão sobre as questões geoestratégicas anda muitas vezes atrás dos acontecimentos. O inesperado passa a dominar a agenda internacional e com grande impacto. Quem trabalha na área da previsão dos problemas futuros fica a fazer figura de parvo. E quem está de fora ganha a impressão que os especialistas da geopolítica são uns meros contadores de cenários irreais. Uns académicos desligados da realidade.

Temos agora o caso do coronavírus. Um problema local, numa cidade da China, transformou-se, em pouco tempo, num desafio global e num factor de desestabilização de partes importantes do tecido internacional. Mostrou, igualmente, que um vírus sanitário tem o poder de alterar aspectos significativos da ordem internacional. Ora, vírus podem ser produzidos em laboratórios – sejamos claros que não será o caso do coronavírus – e depois ser utilizados como uma arma biológica.

Temos aqui algo de hipotético – a produção de um vírus para fins ofensivos. Mas poderá vir a acontecer. Depois, com o mundo interconectado que agora temos, com viajantes em todos os sentidos e a toda a hora, assistiríamos à sua propagação mundial, bem para além do alvo inicialmente visado.

Este seria um tipo de conflito fora dos manuais clássicos. A verdade é que os conflitos tenderão, a partir do que já acontece, a ser cada vez menos ao nível do míssil contra míssil. Isso é uma concepção do passado, que ainda faz sonhar alguns ditadores e justificar um determinado tipo de despesas militares. As disputas entre países ganharão outras formas. Algumas poderão ter a sua fonte de inspiração no que começou em Wuhan.

 

NATO aos 70: desafios de um mundo novo

https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/victor-angelo/uma-estranha-festa-de-aniversario--11588995.html

Acima vos deixo o link para o texto de opinião que publico no Diário de Notícias. Nessa escrita, levanto algumas questões menos ortodoxas, no seguimento da celebração dos 70 anos da NATO.

Faço-o num estilo diferente do que me é habitual. Que acham dessa maneira de escrever? A preocupação foi a de não chover no molhado, de fugir ao que muitos dos outros dizem e repetem.

Debater a defesa comum

Com a cimeira de Londres à porta, a 3 e 4 de dezembro, tem-se escrito e falado um pouco mais sobre a NATO. Pena é que o debate, entre nós, tenha muita parra e pouca uva. Enchem-se colunas a repetir factos conhecidos, mas há uma carência evidente, quando se trata de questionar as nossas mentes sobre as dimensões estratégicas e os cenários prováveis, neste início da terceira década do Século XXI, em matéria de defesa do nosso espaço geopolítico. Sobretudo, quando se pensa na Europa Ocidental, um espaço que abarca, no essencial, as questões de defesa mútua dos países da UE.

A indefinição começa com a nossa incapacidade para chegar a um acordo sobre quais são as ameaças vitais que devem merecer uma atenção prioritária. A Aliança só faz sentido se houver um entendimento sobre o grau de perigo e de probabilidade dessas ameaças, bem como sobre a maneira de se precaver ou de lhes responder. Mais ainda, é necessário voltar ao conceito de respostas integradas, uma maneira multifacetada de responder a ameaças que há muito que deixaram de ser apenas convencionais. Pensar apenas em termos militares quando os ataques podem ser multidimensionais, e resultar de uma combinação de instrumentos de poder, é um erro. Procurou-se corrigir esse erro no início desta década. Estive ligado a esse processo durante vários anos. Vi, com o tempo, que os promotores de uma visão integrada da defesa foram cedendo terreno. Hoje, posso dizer que perderam essa batalha. Ganharam, de novo, os generais da velha escola, sobretudo os que tinham ligações mais íntimas com a velha tradição prussiana de ver a resolução dos conflitos. E tudo isto à margem da intervenção dos políticos, que, em matéria de defesa comum, só sabem cantar as velhas canções de um coro de outrora.

Aliás, um dos problemas mais sérios é o da falta de direcção política. É por aí que o Presidente Macron, Annegret Kramp-Karrenbauer e outros deveriam iniciar a reforma que tanta falta faz. Também é por aí que se deve entrar no debate que queremos fazer.

 

Tancos sob o prisma da política

A parte “justiça” do caso de Tancos não deve, na verdade, ser comentada. Um número de indivíduos foi constituído arguido, acusados de vários crimes. Cabe agora à administração da Justiça tratar desses casos, um a um. A única observação que se poderá fazer é para rogar que os processos avancem rapidamente, tendo em conta a natureza dos crimes imputados e o tipo de instituição que está no centro da questão. Certos brados são uma ilusão, reconheço, mas devem ser feitos, apesar de tudo.

Mas existe uma parte política, que não pode ser escondida por detrás do biombo da justiça. Essa parte levanta muitas interrogações. Devem ser esclarecidas. A lista dessas interrogações inclui: a responsabilidade política; o funcionamento e a circulação da informação nos órgãos de soberania directamente ligados ao assunto; a responsabilidade militar, de quem mandava e estava na linha de comando; a performance, a disciplina e a motivação de algumas secções do Exército, o que isso implica e exige como medidas de correcção; o sistema de valores que impera em certos círculos com autoridade e que terá levado alguns dos arguidos a pensar que o caso seria abafado pelos grandes do reino.

Só estas questões já dariam pano para muitas mangas, se houvesse uma vida partidária capaz de ir além do nevoeiro mental.

Defesa nacional: banalidades e falta de visão estratégica

Um texto de banalidades e de generalidades não responde às preocupações do sector da defesa nacional. Medidas pontuais, por muitas que sejam, também não respondem. Na realidade, um texto assim mostra que não há visão, não há uma definição clara do papel e das funções das Forças Armadas no presente e, sobretudo, na década que se segue. Há apenas um tratamento avulso de certas questões. E uma tentativa de passar a responsabilidade para as altas patentes, sacudindo-a do capote do poder político.

Falta, por outro lado, a questão cidadã, ou seja, a maneira como se pretende que os cidadãos vejam as Forças Armadas. A defesa nacional não é apenas uma matéria militar. Tem que se basear no apoio e na compreensão dos cidadãos. Sem essa vertente estar resolvida, o definhamento e a contínua percepção da irrelevância dos militares, tal como é entendida por muitos dos portugueses, irão continuar.

Temos aqui um debate que há muito que está por fazer.

Ouvir as Forças Armadas

Nos últimos dias, a crise que as Forças Armadas portuguesas atravessam há anos voltou aos cabeçalhos da comunicação social. E uma vez mais, se notou duas coisas, por parte dos políticos. Primeiro, que não há serenidade no tratamento da questão. Segundo, que não existe uma visão estratégica sobre o que devem ser as Forças Armadas de hoje e do futuro. Assim não vamos lá.

A defesa é um dos pilares da Nação e os elementos das Forças Armadas devem devem ser respeitados. A primeira fase do respeito passa por incluí-los, de forma activa e séria, não a fazer de conta, na definição do conceito e da organização da defesa nacional.

Inteligência Artificial e Ciberespaço

A Plataforma de Associações da Sociedade Civil (PASC) e a Associação para a Promoção e o Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI) querem que eu e mais três especialistas - eles são os especialistas nessas coisas da Sociedade da Informação e da Inteligência Artificial - respondemos às cinco questões enumeradas mais abaixo.

Não é nada fácil. Iremos falar disso no dia 11 de Julho às 17:00 horas na Quinta do Bom Nome, em Carnide, Lisboa. Mas não sei se sairei dessa sessão - que é pública, pode lá vir quem se inscrever - com bom nome...

Mas que é uma excelente iniciativa conjunta da PASC e da APDSI,  isso sim.

Dizem eles: A inteligência artificial está a alterar o equilíbrio de poder no ciber e no geo-espaço e é necessário responder a novos desafios:
- Quais os pressupostos da política e da soberania dos estados, dentro e fora das fronteiras nacionais?
- Será que as atuais alianças internacionais sobreviverão?
- Será que irão surgir novas soberanias no ciberespaço?
- Quem vai governar a Internet e mandar em todos nós?
- Qual o papel da cidadania num contexto de transformação digital e nestes novos espaços de poder?

Que direi eu?

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