Portugal é grande quando abre horizontes

27
Jun 19

A agenda do próximo Presidente da Comissão Europeia deveria dar uma importância maior às questões do meio ambiente e do clima, da paz e da segurança nas diferentes vizinhanças da UE, bem como ao desenvolvimento económico e social dos Estados membros e à segurança dos cidadãos.

Isso passaria por um esforço mais intenso, quer internamente quer no exterior, na aplicação do acordo de Paris sobre o clima. Também significaria um aprofundamento da diplomacia comum. Igualmente, tratar-se-ia de conseguir chegar a mercado único, no espaço europeu, em matérias de telecomunicações, banca e transportes, incluindo a ferrovia. E, finalmente, a prossecução passo a passo de um programa de defesa e de segurança.

Tratar-se-ia de uma agenda ambiciosa, mas realista e suficientemente clara. Mostrar-se-ia, assim, aos cidadãos europeus o que significa uma União Europeia. A qual, a título simbólico, porém altamente significativo, deveria pôr em cima da mesa a possibilidade de um passaporte único, que reconhecesse as várias nações, mas que investiria na criação de uma cidadania comum e partilhada.

 

publicado por victorangelo às 10:51

17
Mai 19

O meu post de ontem sobre a Europa da defesa foi lido como um ataque directo a alguns comentadores habituais da nossa praça. Não pode ser. Deveria ser visto, isso sim, como uma crítica sobre a maneira como a questão tem estado a ser analisada.

Ataques pessoais não fazem parte do meu estilo nem cabem nestas páginas.

E não diz respeito apenas ao que se escreve e diz em Portugal. Infelizmente, a questão da defesa europeia é muito mal tratada em vários jornais e televisões dos Estados membros. O tema dos 2% do PIB é, na maioria dos casos, o aspecto central por onde esses comentadores pegam no assunto. Ora, mesmo isso, tem muito que se lhe diga. Pode-se gastar 2% do PIB nacional em rubricas erradas ou secundárias para a defesa do país. Veja-se o que se passa na Grécia, onde uma boa parte do dinheiro gasto com as forças armadas se destina ao financiamento de pensões de reforma ou para comprar tanques que servirão para combater uma guerra do estilo do século XX.

publicado por victorangelo às 21:02

07
Mai 19

O diário belga “La Libre” é um jornal moderado e respeitado. Organiza frequentemente inquéritos de opinião junto dos seus leitores. Os resultados desses inquéritos são vistos com atenção pela classe política e por quem se ocupa de seguir a opinião pública belga.

Levou agora a cabo um sobre a questão da criação de umas forças armadas europeias. A pergunta era muito clara : deve-se criar um corpo militar europeu comum em substituição das forças nacionais?

Responderam cerca de 8000 leitores. Destes, 49% disse que sim, sem mais, sem hesitação. Também disseram que sim, mas sem pôr termo ou acabar com as forças armadas nacionais, 35% dos inquiridos. Apenas 13,3% por cento se opôs, disse que não à ideia de um “exército europeu”.

Curiosamente, os sem-opinião foram apenas 3%.

Em simultâneo, noto que é no Partido Socialista, nos Ecologistas e em outros movimentos do centro-esquerda da Bélgica que encontro uma posição clara de apoio a um projecto comum de defesa.

Convém reflectir sobre estes números. E lembrar que a questão de defesa é antes de tudo uma questão de opinião pública, ou seja, um tema essencialmente político.

publicado por victorangelo às 16:34

07
Abr 19

Ontem deixei aqui um breve texto sobre as grandes questões que afectam a existência da NATO, nesta altura de celebração dos seus 70 anos de existência. Fi-lo, em parte, porque havia lido o que se escrevera nos dias recentes sobre esse aniversário.

O lido podia ser agrupado em dois campos.

O dos apologistas da NATO, por dever ou por outras razões, que não discernam qualquer tipo de problema importante que possa pôr em causa a Organização. É o clube dos rosados, tudo são rosas.

E havia, por outro lado, o campo dos “históricos”, que há falta de melhor, leram uns textos sobre o passado da NATO e resolveram escrever sobre esses factos, sem compreender os desafios presentes e as grandes interrogações de agora e de amanhã. É o clube dos sebentas, que lê tudo nos livros e nos jornais dos outros.

A minha escrita baseia-se na experiência que tive ao longo da década corrente, depois de vir de um outro tipo de estrutura organizacional. E pretende apenas sistematizar os desafios e chamar a atenção para a necessidade de um visão europeia sobre as nossas responsabilidades em matéria de defesa e também de segurança. É um convite à reflexão, tendo em conta as diferentes dimensões do assunto.

publicado por victorangelo às 15:57

06
Abr 19

Esta semana, a OTAN/NATO chegou aos 70. Depois de uma certa deriva, no seguimento do fim da guerra-fria e das missões problemáticas nos Balcãs e no Afeganistão, e de uma intervenção controversa na Líbia, que dividiu a organização, tem conseguido, nos últimos anos, realizar algumas transformações estruturais importantes e adaptar-se a novas realidades.

Restam, todavia, vários desafios. Deixo aqui um resumo desses desafios, sem entrar em pormenores que dariam pano para muitas mangas.

Um deles tem que ver com as contradições que existem, aparentes ou latentes, entre a visão americana da Aliança Atlântica e das questões militares, proposta pelo Presidente Donald Trump, e a maneira europeia de encarar as Forças Armadas.

Outra, relaciona-se com a questão turca. A Turquia de Erdogan, e de quem o apoia, levanta muitas interrogações. Fala-se disso nos corredores da Organização e em em voz disfarçada, mas ninguém tem a coragem de formular a questão essencial: a Turquia ainda cabe na NATO?

A terceira zona nebulosa relaciona-se com a Rússia. Existem, nas salas onde essas coisas se discutem, duas ou três maneiras de ver esse relacionamento. Mas não há uma linha estratégica clara, para além de uma certa posição de força. Ora, este é um tema fundamental para uma boa parte dos aliados. Essa agenda não pode ser definida apenas pelos generais.

A quarta área de indefinição é sistematicamente varrida para debaixo do tapete. Trata-se de determinar que papel devem desempenhar as Forças Armadas em matéria de segurança, quando uma boa parte das ameaças que hoje surgem na Europa são da esfera das polícias, da inteligência, e não do domínio militar.

A quinta inquietude respeita à falta de direcção política da Aliança. A maioria dos ministros da Defesa são pesos-pluma. Não têm bagagem suficiente para dar uma direcção política à NATO e às questões de defesa. Também não conseguem influenciar as prioridades políticas ao nível das suas próprias nações. Fingem que decidem, quando se sentam à mesa em Bruxelas, mas na verdade navegam ao sabor dos interesses militares e das indústrias de defesa.

Tudo isto merece um outro tipo de atenção. E gente à altura, ao nível da governação e das grandes opções.

 

publicado por victorangelo às 20:33

23
Abr 18

A França participou nas represálias conta a Síria com três fragatas. Destas, apenas uma conseguiu disparar os seus mísseis. As duas outras não estavam em condições operacionais de fogo. Os disparos tiveram que ser abortados.

Este foi mais um exemplo dos problemas que encontramos actualmente ao nível de certas forças de defesa europeias.

publicado por victorangelo às 11:27

11
Mar 17

Não há defesa comum sem que se defina primeiro uma política e uma estratégia que sejam subscritas por todos os Estados interessados. É por aí que se deve começar. Chega-se a um acordo quanto às ameaças externas, definem-se os objectivos políticos que devem ser alcançados e desenha-se o plano estratégico que deverá definir o quadro operacional que permita atingir os desígnios políticos. Depois, cabe a cada um dos Estados membros decidir como se deve reorganizar de modo a inserir-se no todo.

Falar apenas de orçamentos, de missões conjuntas ao nível do terreno ou de coordenação nas compras de equipamento soa bem, não é mau mas não leva a um esforço comum de defesa.

publicado por victorangelo às 20:48

22
Fev 17

Os três temas dos meus comentários desta semana na Rádio Macau estão no título do blog.

O programa foi muito bem recebido. As opiniões expressas são tidas como saindo das linhas usuais de comentários sobre estas coisas, em que os comentadores andam todos a repetir os que outros já disseram.

Magazine Europa (21 de Fevereiro de 2017)

publicado por victorangelo às 15:48

20
Fev 17

Ando por aí a dizer que o debate sobre as despesas de defesa da Europa não se pode limitar a um indicador apenas.

É verdade que os estados-membros da NATO, a começar pelos europeus, se comprometeram na Cimeira de 2014 no País de Gales a aumentar os orçamentos públicos destinados à defesa, de modo a atingirem o montante de 2% do PIB nacional. Gradualmente, aliás, tendo como horizonte o ano 2024.

Atenção, porém!

Esta percentagem é um valor indicativo, uma ordem de grandeza que serve de referência política ao nível do secretariado da NATO. Neste momento, apenas os EUA, o Reino Unido, a Grécia, a Estónia e a Polónia atingem esse patamar. Mas a percentagem não chega. É preciso que a estrutura das despesas tenha em conta as necessidades actuais das forças armadas, tendo em conta os novos tipos de ameaças e a ênfase relativa que deve ser dada a cada dimensão da defesa. Gastar dinheiro com estruturas inadequadas, quadros conceptuais errados e meios obsoletos é mero desperdício. Uma parte importante do debate terá que passar por essa análise da estrutura das despesas.

 

publicado por victorangelo às 11:24

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