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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Isolar os Estalinistas e os tolos

Não quero pensar no que seria o nosso país se fosse governado pelos que apoiam – ou simplesmente desculpam – a agressão russa contra a Ucrânia. Para que isso nunca possa acontecer, é preciso denunciar o perigo para a democracia que essa gente representa – são os estalinistas e os fascistas dos nossos dias – e criar um cordão sanitário político à sua volta. Qualquer aliança política com eles deve ser firmemente combatida. Quem aparecer a propor esse tipo de aliança é um mero tolo ou então, um oportunista que não olha a meios para controlar o poder.

Os nossos imbecis

Na Rússia profunda, completamente dominada pela propaganda imposta pelo Kremlin, é fácil perceber que a etiqueta ou a acusação de se ser “nazi” é algo muito mau. É a memória histórica a funcionar. Não se sabe o que significa exactamente, para além da associação com o regime de Hitler e os milhões de mortos que este provocou.

Por isso, Vladimir Putin diz que a liderança ucraniana é “nazi”. É a pior coisa que poderia ser, na lembrança russa. “Nazi” nada mais significa, neste momento, do que “inimigo a abater”. E justifica-se assim a guerra de agressão contra o povo ucraniano.

Aqui entre nós, os idiotas e os neoestalinistas engoliram a expressão sem dizer ai nem ui! Como têm um vasto acesso à informação, coisa que na Rússia fascista de Putin não é possível, os nossos putinistas dão provas de uma enorme e genuína imbecilidade. Além de mostrarem as suas tendências para apoiar uma ditadura, caso tivessem oportunidade para o fazer.

Traição

Enquanto cidadão da União Europeia e democrata, não posso ser neutral em relação ao regime de Vladimir Putin. Trata-se de uma ameaça real para a nossa segurança. A agressão contra a Ucrânia e as declarações de Putin, Lavrov e outros mostram a verdadeira natureza do regime. A repressão interna, contra o povo russo, também o mostra.

Nestas circunstâncias, não só não se pode ser neutral como é igualmente importante fazer tudo o que seja possível para enfraquecer Putin e os seus.

Quem no nosso país ou na nossa parte da Europa apoia ou tenta justificar o regime de Putin não entende o que está em jogo. Ou então, prefere alinhar-se, durante esta crise tão perigosa, com o inimigo. A isso chama-se traição.  

Parabéns, Emmanuel Macron e muita sabedoria

Vista de onde me situo, não sendo francês, considero a vitória de Emmanuel Macron uma excelente notícia para a Europa. Macron sabe que o reforço da União Europeia é um objectivo estratégico essencial e que a contribuição da França é indispensável.

Não foi uma vitória fácil, depois de cinco anos de mandato que conheceram várias crises: os enormes desafios migratórios, o relacionamento conflituoso com a América de Donald Trump, a pandemia, nos últimos dois anos, e o confronto com a Rússia de Vladimir Putin. Tudo isso teve um impacto enorme na política interna francesa, na economia e nas condições de vida, bem como na criação de profundas fracturas sociais e culturais.

Até ao último momento, fiquei na dúvida sobre o que poderia ser o resultado desta eleição. As imensas complexidades que a sociedade francesa – e outras, na Europa – vive preocupam-me. E não sabia que impacto poderiam ter nas escolhas eleitorais.

Vivemos um período de incertezas e de confusão ideológica. Não o reconhecer, parece-me um erro significativo. As lideranças precisam de tratar estas questões com uma coragem e clareza que têm faltado. Veremos que tipo de segundo mandato Emmanuel Macron irá desempenhar.

Entretanto, desejo-lhe os maiores êxitos e a compreensão que este é um tempo que exige a construção de consensos.

Crimes de guerra e sondagens para enganar o freguês

Nada justifica a prática de crimes de guerra. Nem os erros do passado, nem a doutrina de Monroe, nem os crimes praticados por outros, nem uma só vírgula das grandes teorias estratégicas. Só um tolo ou um criminoso podem tentar justificar o injustificável.

Por outro lado, falando de sondagens de opinião e de percentagens de apoio, quero ser claro. Todas as sondagens em regimes ditatoriais traduzem a manipulação da informação, a censura e o medo da repressão. Conheci casos em que os ditadores ganhavam eleições com mais de 80% dos votos, e pouco tempo depois, quando eram derrubados, tinham o país todo na rua a festejar e a pedir a morte do ditador, que pouco tempo antes estava convencido – ou procurava convencer o seu povo – que tinha o apoio de quase todos.

O que escrevo e o que é lido

Um texto como o que ontem publiquei no Diário de Notícias é escrito com todo o cuidado, palavra a palavra. Depois, o que demorou horas até chegar à versão publicável é lido a correr por muitos dos leitores. Por isso, recebo comentários, mesmo os mais favoráveis, que mostram que a leitura foi feita de modo apressado. Tiram conclusões que não estão no texto ou que não decorrem do que foi escrito.

Ontem por exemplo, as mensagens principais eram claras: é preciso alargar as sanções a todas as áreas estratégicas que tenham que ver com o financiamento do aparelho militar russo e do cerne do regime; Vladimir Putin não pode fazer parte de uma Europa pacífica e cooperante; cabe à população russa democratizar o seu sistema político; a ajuda militar à Ucrânia é legítima e muito urgente; trata-se de criar as condições para que a sua legítima defesa seja efectiva; a unidade das posições europeias é uma questão fundamental; o risco de uma confrontação armada entre a Rússia e a nossa parte da Europa é elevado.

Não se trata de defender posições belicistas. Também não é uma questão de pessimismo. É, isso sim, realismo e defesa dos valores essenciais em matéria de relações entre os Estados.  

Reflexões e movimento

https://www.dn.pt/opiniao/que-urgencias-trazem-joe-biden-a-europa-14710869.html

Link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

Não se trata de simples análises. São reflexões orientadas para a acção política. 

Eis a versão integral do texto de hoje: 

Que urgências trazem Joe Biden à Europa?

Victor Ângelo

 

O presidente norte-americano está na Europa, a título excecional e urgente, o que mostra bem a gravidade da crise atual, causada pela política retrógrada, criminosa e imperialista de Vladimir Putin. Independentemente dos resultados das reuniões em que Joe Biden participou, na NATO, no G7 e no Conselho Europeu, vejo na sua deslocação três objetivos centrais, que procuram responder ao contínuo agravamento da situação na Europa.

Trata-se, primeiro, de enviar uma mensagem cristalina sobre o empenho dos EUA na defesa dos seus aliados europeus. Este aviso é particularmente relevante no momento em que se começa a ouvir em Moscovo uma retórica hostil contra a Polónia. Dmitry Medvedev publicou esta semana um ataque frontal contra a liderança política desse país – e estas coisas não acontecem por acaso. Fazem geralmente parte de um plano de confrontação, que, numa fase inicial, procura criar desassossego no seio da população visada, minar a autoridade da sua classe política e, simultaneamente, formatar a própria opinião pública russa. Assim, a deslocação de Biden a Varsóvia, após Bruxelas, faz parte da mensagem americana. Pensar que Putin exclui a hipótese de entrar num conflito armado contra um país da UE, ou mesmo da NATO, seria um misto de ingenuidade e imprevidência. Estamos, infelizmente, numa espiral em que tudo pode acontecer. O guarda-chuva americano precisa de ser recordado de modo evidente. A visita de Biden serve, antes do mais, esse propósito.

Um segundo objetivo está seguramente relacionado com o aprofundamento das sanções contra a Rússia, procurando, ao mesmo tempo, olhos nos olhos, evitar dissensões entre os líderes europeus. O tema, nomeadamente no que respeita ao gás e petróleo, é muito sensível. Vários países europeus têm expressado fortes reservas, para não dizer oposição, a uma possível suspensão das importações energéticas. Há dias, o chanceler alemão voltou a afirmar que uma medida dessas provocaria uma recessão profunda em toda a Europa. Mas agora, com Putin a decidir que essas importações terão de ser pagas em rublos, ao câmbio que ele quiser fixar, o embargo passa a ser uma questão premente. Só pode haver um aceleramento nesse sentido.

Trinta dias depois do início da agressão militar e de escalada crescente dos atos de guerra, a aprovação de um novo pacote de sanções de grande alcance não pode ser escamoteada. Os europeus têm de aceitar que o risco vindo do Kremlin é muito elevado e não diz apenas respeito à Ucrânia. É fundamental enfraquecer ao máximo a economia que alimenta a máquina de guerra russa. Isso acarretará naturalmente custos para nós. Mas o custo maior, crescente e permanente, é a manutenção de Putin no poder. Ao ponto a que as coisas chegaram, torna-se cada vez mais difícil imaginar um futuro de paz na Europa, paredes meias com o regime russo atual. A nossa convivência pacífica passa pela democratização da Rússia, algo que cabe aos seus cidadãos resolver.

Um terceiro objetivo relaciona-se com a necessidade de acelerar a ajuda material ao esforço de defesa ucraniano. Os EUA acabam de aprovar um montante de mil milhões de dólares em equipamento e armamento defensivo. Essa assistência precisa da facilitação dos europeus para poder chegar tão rapidamente quanto possível ao seu destino. Além disso, deve ser acompanhada de meios adicionais, provenientes dos países europeus. Na véspera dos encontros de Bruxelas, a UE anunciou uma contribuição militar adicional de 500 mil milhões de euros. A disponibilização de tudo isto é extremamente urgente. A resistência aos invasores, que é uma ato de legítima defesa, faz-se com coragem e com meios sofisticados.  

Custa-me ter de escrever um texto assim. Mas há que ser claro: existe, repito, um risco de confrontação armada na nossa parte da Europa. Para o evitar, é preciso prestar um apoio sem reservas à Ucrânia, sermos estratégicos, e firmes, nas nossas respostas económicas, financeiras e políticas contra Putin e estar prontos para aceitar sacrifícios. Em resumo, o momento exige visão, realismo, determinação, subtileza, verdade e disponibilidade de meios.    

Alexei Navalny, um russo exemplar

Admiro a coragem de Alexei Navalny, o mais conhecido opositor do ditador Vladimir Putin. Penso que Putin também o deve ter em grande preço, ou seja, parece reconhecer que se trata de um oponente de peso. Por isso procurou envená-lo no ano passado. E depois, arranjou maneira de  o mandar para a prisão, por razões absolutamente estapafúrdias. Hoje, arranjou maneira de aumentar o seu encarceramento de mais nove anos.

Um regime que trata assim a oposição política é cruel e nada tem de ver com os valores da democracia e do respeito pelas pessoas e os seus direitos fundamentais.

Acabar com o regime de Putin

A agressão russa contra o povo da Ucrânia atingiu hoje um nível ainda mais horrendo. Estamos agora na fase dos crimes de guerra em série e da destruição em massa de bairros urbanos. Mariupol ficará na história como a Guernica da era contemporânea. E a destruição urbana será vista como uma repetição dos crimes praticados pelos russos na Síria e na Chechénia.

Esta nova fase exige medidas drásticas, do ponto de vista económico e financeiro, contra a Rússia. Pede igualmente que se insista junto dos grandes países do mundo para que condenem os crimes que estão a ser praticados na Ucrânia.

É possível que medidas económicas e financeiras não sejam suficientes. A exigência absoluta já não é apenas fazer parar a guerra. Os actos praticados pelo regime de Vladimir Putin mostram que é preciso acabar com esse regime, que representa um perigo excepcional, por causa do armamento nuclear, para a paz e a segurança da Europa e de outras nações, bem para além do espaço europeu.   

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