Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

O povo de Myanmar é um exemplo de coragem

Os cidadãos de Myanmar, sobretudo os mais jovens, continuam diariamente a dar-nos lições de coragem. Apesar das balas da polícia e dos militares, e das detenções em grande número, o povo está nas ruas das principais cidades, para dizer não à ditadura militar. As plataformas sociais desempenham um papel fundamental em matéria de informação e de mobilização. É, igualmente, através delas que o mundo sabe o que se está a passar no país.

Entretanto, na reunião do Quad de ontem – escrevi sobre essa reunião na minha coluna do Diário de Notícias – a condenação do golpe de Estado foi frouxa. A Índia e o Japão opuseram-se a uma condenação directa dos militares birmaneses. Foi mais um ponto fraco na grande diplomacia internacional. Assim se perde a credibilidade.

O povo heróico de Myanmar

A situação em Myanmar piorou bastante nestes últimos dias. Agora, a polícia e os militares atiram a matar. E publicam vídeos nas plataformas sociais com ameaças de morte contra os manifestantes. Apesar disso, a população continua a vir para as ruas e a expressar a sua oposição ao golpe militar. A coragem que mostram é exemplar. Merecem todo o apoio que lhes possa ser dado. Por isso, sugiro que a União Europeia se reúna com os líderes da região (ASEAN) e procure saber qual é a sua opinião sobre as acções que os europeus poderão tomar, em concerto com esses países, para aumentar a pressão sobre os generais golpistas. Esta é uma oportunidade que temos de mostrar que não agimos sem consultar os países da região.

Singapura, que é o maior investidor estrangeiro em Myanmar, já disse claramente que o golpe é inaceitável. É uma posição clara e muito importante.

Entretanto, a China está a perder terreno em Myanmar. Uma grande parte dos manifestantes considera que Beijing apoia os militares. Essa percepção não ajuda em nada os interesses chineses. Anteriormente já havia bastante relutância em aceitar os colossais investimentos vindos da China. No futuro, a relutância passará a ser resistência. Uma das dimensões que está a resultar da presente situação é um enorme desenvolvimento do orgulho nacionalista birmanês. Ora, um dos alvos tradicionais do nacionalismo nesse país é a China.

A extrema-direita alemã

A decisão dos serviços secretos alemães de colocar o partido da extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) sob vigilância, por ser um perigo para a democracia e a constituição, é histórica.

O partido irá utilizar os mecanismos judiciais para contestar esta decisão. Mas, a verdade é que a decisão foi tomada e tem um impacto importante junto do eleitorado alemão. Terá ainda a vantagem de colocar o AfD de sobreaviso. Mas penso que irá tentar aproveitar a decisão para se fazer de vítima.

Veremos qual será o próximo capítulo.

Joe Biden e o Príncipe saudita

A administração Biden, no seguimento do relatório da CIA sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, decidiu esta sexta-feira banir 76 adjuntos do Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, proibindo-os de entrar nos Estados Unidos. Mas não tomou nenhuma medida contra o Príncipe, embora tenha ficado claramente estabelecido que o crime foi cometido por ordem sua. Esta decisão pode ter uma explicação geopolítica e espero escrever sobre ela nos próximos dias. Mas tem um custo político enorme no que respeita à credibilidade do Presidente Biden. Precisa de ser vista desse ponto de vista também. Como também deve ser considerada sob o prisma da ética e dos direitos humanos.

Na realidade, o comportamento criminoso de bin Salman é apenas uma dimensão de um regime que é inaceitável – como vários outros – no mundo actual. Esta é uma discussão que continua em aberto: como tratar regimes anacrónicos, violentos e desumanos.

Dizem-nos que amanhã haverá uma comunicação complementar sobre o caso. Veremos o que Washington nos irá dizer. Será certamente algo que merecerá uma reflexão a sério.  

Fazer recuar os generais

Fico muito emocionado quando vejo as centenas de milhares de pessoas que se manifestam nas ruas de Myanmar contra a ditadura militar. E admiro a coragem das pessoas, gentes de todas as idades e de todas as condições sociais, das mais diversas etnias que compõem o complexo mosaico de nações que é Myanmar. Tenho acompanhado a história dos últimos dez anos, mais ou menos ano, e sei que os generais desse país não são gente para ter estados de alma. A tragédia que aconteceu aos rohingya, sobretudo a partir de 2017, mostra claramente a brutalidade e a disciplina de ferro que são os pilares das forças armadas do país. A comunidade internacional pouco pode contra eles. Mas é importante que continue, diariamente, a mostrar uma solidariedade inequívoca para com o povo birmanês. A presença maciça nas ruas têm feito recuar os generais. É fundamental que esse recuo não tenha tréguas.

Uma página na história norte-americana

Como era de esperar, o Senado norte-americano não reuniu um número suficiente de votos para condenar o antigo presidente, que era obviamente culpado de instigação à violência e à subversão da ordem democrática. Os acontecimentos de 6 de janeiro e todo o cenário de falsidades e i insurreição que fora criado antes tiveram um responsável.

Independentemente do julgamento partidário de hoje, ficará o julgamento da história. Esse não será suave. E fica ainda aberta a possibilidade de procedimentos criminais contra o ex-presidente. Esta última possibilidade é muito real. Creio que acontecerá.

O voto de hoje fecha um capítulo. Mas não encerra um processo de responsabilização. Antes pelo contrário. Creio que deixou a porta claramente aberta para que tal venha a acontecer.

Joe Biden e a sua política externa

Disse agora à Antena 1 que o discurso sobre política externa do Presidente Biden foi excelente. Define claramente quais são as grandes linhas, com uma referência especial às questões da democracia, da resolução de conflitos por via de negociações, à promoção dos direitos humanos. Também é claro em relação à China, à Rússia e, ao suspender o apoio à ofensiva militar da Arábia Saudita contra o Iémen, abre a porta às negociações e permite a ajuda humanitária que tanta falta faz.

Temas, preocupações e alegrias

Se me meter em conversas em que se discutem temas que nos entristecem ou nos pintam uma sociedade à deriva, fico perdido. Estou a pensar nos temas da ineficiência, da manipulação da opinião pública, da corrupção, da ausência de punição para os criminosos com dinheiro e apoios políticos, dos compadrios, e agora – parece que está na moda – da formação de um governo de unidade nacional – não entendo bem o que isso quer dizer nem onde os seus proponentes querem chegar. Não sei o suficiente sobre o nosso quotidiano, depois de quarenta e dois anos de ausência, para me intrometer nesses debates. Mas reconheço a validade dessas questões. E a necessidade de as discutir de uma forma calibrada e sem manchas de clubite partidária.

Entretanto, ao fim do dia, tive duas boas notícias.

Uma, respeitante ao Conselho de Segurança da ONU, que aprovou uma declaração muito clara contra os militares golpistas em Myanmar. No essencial, é-lhes dito que isso de golpes é algo que não é aceitável no mundo de hoje. Foi uma declaração que me surpreendeu pela positiva. E digo isso no artigo que acabo de escrever para o Diário de Notícias de amanhã.

A outra foi o discurso de Joe Biden sobre política externa. Enunciou uma política clara, baseada na diplomacia com princípios e no respeito por todos os membros da comunidade internacional que se conduzam de modo democrático e que promovam os direitos humanos das suas populações. Ouvir o que ele disse fez-me perguntar a mim próprio se ele e Trump vivem no mesmo país. De um lado, temos uma atitude coerente e positiva. Do outro, era a política do imprevisto e do egoísmo nacionalista. A diferença entre um tipo de América e o outro é simplesmente colossal.

 

Alexei Navalny

Alexei Navalny foi hoje condenado a dois anos e oito meses de prisão efectiva. A condenação teve como justificação o não cumprimento da regra da sua liberdade condicional, que o obrigava a apresentar-se regularmente à polícia. Como foi envenenado por agentes do regime, esteve ausente em tratamento durante vários meses. E por isso, impossibilitado de cumprir a condicionalidade.

Para além do drama pessoal, da escandalosa falta de independência do sistema judicial, da tirania e do espírito de vingança de Vladimir Putin, há um aspecto que queria aqui partilhar. Algo que sublinhei esta tarde, numa conversa sobre o assunto. O poder russo não acusou Alexei Navalny de ser um agente de forças estrangeiras. Aí, o regime foi verdadeiro. Navalny é um patriota. Representa a população russa que está farta da corrupção e do autoritarismo de Putin.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D