Portugal é grande quando abre horizontes

13
Dez 19

Boris Johnson ganhou as eleições legislativas britânicas. De uma maneira clara, seja qual for o prisma de análise dos resultados. Tem o poder nas mãos, de modo absoluto. É ele quem manda, no governo e no Parlamento. E isso poderá continuar assim, nos próximos quatro ou cinco anos de mandato. O que mostra que um líder forte, na chamada democracia britânica, usufrui de um nível incontestável de autoridade. Os outros poderão dizer o que entenderem, fazer o barulho que quiserem, no Parlamento ou fora dele. Mas quem manda é o Primeiro-Ministro, quando esse lugar é ocupado por uma personalidade como Johnson e, por outro lado, quando dispõe de uma maioria muito folgada, em Westminster.

Para além do Brexit, Boris Johnson irá propor uma série de medidas, incluindo uma que reduza o poder do Tribunal Supremo, que limite a sua capacidade de controlar os abusos de poder vindos da Primatura ou do Parlamento. Também aqui fica claro que a democracia de que se fala é mais cosmética do que uma beleza política de facto.

Boris Johnson ganhou porque soube mostrar determinação, clareza, foco e repetir constantemente as mesmas três ou quatro mensagens-chave. Prometeu a Lua e mais um ilusão, mas evitou prometer um catálogo sem fim de medidas, que por serem muito diversas, perdem-se na cabeça dos eleitores e arruínam a sua credibilidade. Mas ganhou, acima de tudo, por ter sabido bater a tecla do Brexit. A opinião pública estava farta do tema, das divisões que acarretava. Votar em Johnson significaria fechar esse capítulo.

Agora que tem o poder nas mãos, Boris Johnson poderá tentar a via da moderação. Sabe que essa é a única maneira de manter o reino unido. Terá, nomeadamente, que mostrar resultados na Escócia. Mas, não será fácil. O processo de desintegração do Reino Unido – agora com maiusculas – aprofundou-se com as eleições de ontem.

Do lado europeu, há que manter uma posição que mostre interesse na continuação de uma relação privilegiada com Londres e Boris Johnson. Creio que assim acontecerá.

publicado por victorangelo às 21:10

26
Nov 19

Apercebi-me há pouco que estamos prestes a entrar na terceira década do Século XXI. O passo seguinte foi ficar pasmado ao reconhecer que continuamos a pensar e a falar de política como o fazíamos nos anos 70 ou 80 do século passado. Isto, apesar das enormes mudanças que entretanto ocorreram e dos desafios completamente diferentes que agora temos que enfrentar.

publicado por victorangelo às 19:17

19
Nov 19

Estamos a assistir a abusos sistemáticos do poder político. Mesmo em países com regimes democráticos. Essa é uma das dimensões da crise das democracias, um facto novo e verdadeiro..

O abuso do poder é claro. Uma vez eleitos, os líderes comportam-se de modo inaceitável. Como se estivessem acima das leis e de cada um de nós.

Uns, agem como se a sua eleição lhes permitisse um nível de autoridade absoluto, acima do normal funcionamento das instituições. Comportam-se como uma espécie de ditadores com cores democratas. A sua legitimidade é apresentada como sendo superior à usufruída pelas outras instituições da governação. Outros, aproveitam o poder para criar uma base populista. A posição que ocupam é permanentemente usada para alienar as massas populares, para mentir e criar ameaças e medos que não têm razão de existir mas que servem como base de consolidação do seu poder pessoal. É uma maneira moderna de dar um sentido divino ao seu papel de governantes.

Se os outros pilares da governação não conseguem responder a estas usurpações do poder – e a verdade é que o não conseguem, basta ver como os parlamentos se transformam em meras caixas de ressonância –, a resposta terá que vir da comunicação social e dos movimentos de cidadania. Mas esses líderes abusadores sabem que esse risco existe, que a contestação poderá provir dessas bandas. Por isso, tentam corromper uma parte da comunicação social. E há sempre quem, nos jornais e nas televisões, esteja pronto para desempenhar o papel de defensor intransigente de quem está no poder. Tentam, igualmente, criar barreiras que dificultem a acção das associações de cidadãos.

Nem sempre o conseguem. O que me faz dizer que, nesta altura de ataques directos ao bom funcionamento dos regimes democráticos, é indispensável dar força e asas aos cidadãos e às suas organizações. Uma cidadania activa, esclarecida e robusta torna uma nação mais livre e mais coesa. Deste modo, a resolução da crise da democracia passa pelo dinamização das associações da sociedade civil.

publicado por victorangelo às 22:51

14
Nov 19

Custa-me ver gente amiga politicamente fanática. Falo de amigos que andaram pelos bancos das universidades, fizeram boas carreiras profissionais, venceram, mais ou menos, na vida, mas que são excessivos e desvairados, quando se trata da política. Sobretudo quando se faz uma pontinha de crítica ao partido com o qual se identificam. Ficam fora de si. E fazem-me pensar que a política é algo de profundamente emotivo, que pouco tem que ver com a direcção mais correcta que deve ser dada à vida colectiva de um povo. Esses meus amigos lembram-me, então, que a política tem que ser ganha nos corações dos eleitores, não simplesmente nas suas mentes. Por isso, a narrativa tem que ter calor e alma, para poder ganhar o âmago de cada eleitor. Um discurso político meramente cerebral não leva muito longe. Fazer política e ganhar votos exigem uma grande proximidade e empatia com uma boa parte da população. A política é sobre o mel, não é sobre o vinagre.

 

publicado por victorangelo às 20:19

13
Nov 19

Continuamos a olhar para a política com uma lente clubista. Os do meu clube são bons, os outros são uma desgraça. Esta maneira de ver não leva o país, qualquer país, muito longe. Serve apenas para dividir os cidadãos, criar clivagens destruidoras e empurrar as grandes questões para as margens, lá onde aterram todos os problemas que nunca mais encontram solução. A política deixa então de ser uma procura permanente de equilíbrios entre os diversos interesses que compõem a sociedade. Transforma-se num campo de batalha, onde hoje ganham uns, amanhã outros, num carrossel que gira sobre si mesmo.

O verdadeiro líder político é aquele que consegue fazer alianças, sobretudo agora, nas nossas sociedades cada vez mais fragmentadas. Governar sem apoios amplos é deixar de lado uma parte significativa do eleitorado. É a imposição de posições meramente ideológicas num contexto que exige respostas amplas e tão consensuais quanto possível.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:38

08
Nov 19

Na Europa a que também pertencemos, o dia 9 de Novembro é uma data especial. Marca o fim do Muro de Berlim, o início da queda dos regimes comunistas ditatoriais do Leste da Europa, a libertação dos povos, bem como o ponto de arranque do processo que levaria à unificação da Alemanha e, mais tarde, ao aprofundamento do projecto europeu.

Talvez não tenha, para muitos dos portugueses, um significado especial – já passaram trinta anos e uma boa parte da nossa população é demasiado jovem para poder ter vivido, ou lembrar, esse período da história europeia. Mas no centro do nosso Continente, em especial nos países que outrora se situavam para além da Cortina de Ferro, a data tem um significado muito especial. Soa a liberdade, que é uma das aspirações mais nobres das pessoas.

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:44

21
Out 19

Não podemos ser a favor de um Estado de Direito e, em simultâneo, pensar que a política está acima das leis, das regras jurídicas e dos mecanismos de administração da justiça. A política deve ser feita dentro de um quadro legal claramente definido. E os políticos têm que estar conscientes que, se pisam a linha da ilegalidade, deverão ter que prestar contas. Essa prestação de contas far-se-á perante juízes devidamente mandatados para o fazer. Quando isso acontece, não se poderá falar de judicialização da política. Dever-se-á, isso sim, dar graças ao sistema que temos, que permite colocar perante um juiz um político que, de uma maneira ou outra, abusou do mandato democrático que lhe foi concedido.

Tudo isto pressupõe, como é fácil de entender, que existe uma magistratura independente, competente e auto-disciplinadora. Para a saúde da democracia, é fundamental que os juízes tenham um estatuto que os proteja, uma preparação adequada e mecanismos próprios para limpar, no seu seio, o trigo do joio.

 

 

publicado por victorangelo às 19:39

20
Out 19

Quando o vizinho da porta ao lado tem problemas muito sérios em casa, a prudência aconselha a que não nos metamos no assunto. Excepto, claro, se o vizinho pedir ajuda ou se for um caso de vida ou de morte.

Esta deve ser a posição do governo português no que respeita à Espanha e aos problemas que existem na Catalunha. Trata-se de uma situação extremamente complexa, para a qual os vizinhos terão que encontrar a melhor solução, no quadro das leis e das regras da democracia que existem no país.

A Espanha é um Estado de direito, um país democrático e uma sociedade complexa, tão complexa como o mostrou a Guerra Civil de há 80 anos. Meter uma colher externa numa das questões mais sensíveis do tecido político espanhol exigiria igualmente uma imparcialidade total. É essa imparcialidade que não descortino nas análises e nos comentários que por aí se fazem.

publicado por victorangelo às 20:21

07
Out 19

Todo o gato sapato comentou os resultados das eleições. E quase todos disseram a mesma coisa, sobre quem ganhou, quem perdeu e sobre quem entrou no Parlamento pela primeira vez. Pouco haverá a acrescentar, excepto para dizer que, na verdade, quem venceu este acto eleitoral foram os cidadãos que se deslocaram às Assembleias de Voto e participaram. Ganharam e mostraram um bom nível de maturidade democrática. Penso ser bom sublinhar essa dimensão.

publicado por victorangelo às 21:41

06
Out 19

É uma parvoíce intelectual, para além de ser um chavão frequentemente repetido, falar na “desintegração do Ocidente”. Qual desintegração, qual carapuça! E o Ocidente, fica aonde? Começa após o quintal de Vladimir Putin e termina à porta de Donald Trump? E passa ao lado das ruas sem flores onde moram Marine Le Pen ou Matteo Salvini?

“Ocidente” é um conceito impreciso e ultrapassado.

O que se passa, isso sim, é a afirmação da pluralidade das culturas humanas. Passámos a reconhecer que estamos agora num mundo em que a diversidade é reconhecida, se afirma e ganha força. E somos convidados a aceitar que o percurso para o futuro não deverá ser feito com base numa perspectiva imperial, que tentaria impor uma certa maneira de estar e de ver a vida. Também não poderá assentar num confronto entre civilizações.

A afirmação de outras culturas é o resultado de um desenvolvimento mais equilibrado do mundo. A sua pujança traduz, na melhor das hipóteses, optimismo e vitalidade económica, noutras, um certo tipo de revanchismo ou, simplesmente, desagravo, depois de uma longa história de humilhações e de escárnio. De uma maneira ou outra, trata-se de uma realidade que deve ser vista como positiva e enriquecedora.

Olhemos em frente, é o que também gosto de sugerir. O futuro só terá paz e progresso se for construído a partir do entendimento, da compreensão entre as várias culturas e da cooperação entre sistemas de valores que poderão ser divergentes em vários aspectos mas que deverão coincidir quando se tratar de questões fundamentais. Destas, sublinho duas, que considero prioritárias e deverão ser os pilares da nossa casa comum: o respeito pela dignidade de cada indivíduo e o esforço comum pela conservação da natureza e do meio ambiente.

 

publicado por victorangelo às 16:41

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