Portugal é grande quando abre horizontes

23
Ago 19

Estamos nas vésperas da cimeira de 2019 do G7. A burguesa cidade litoral que é Biarritz deve estar em pé de guerra, com seguranças por toda a parte. Vai ser um fim de semana infernal, para as gentes locais, que os banhistas já devem ter deixado as praias, e as ondas do surf, bem conhecidas que são, e voltado para as suas terras de origem.

Uma das perguntas que mais surge, nos meios que analisam estas reuniões de alto nível, é se o G7 ainda serve para alguma coisa.

O encontro do ano passado, que teve lugar no Canadá, foi um desastre. Tudo se resumiu a uma questão: o comunicado final fora ou não aprovado pelo Presidente Trump? Este é aliás um dos problemas destas reuniões. Depois de meses de preparação, o resumo que fica é uma linha ou duas, um cabeçalho na comunicação social e pouco mais.

Agora, com o Presidente dos EUA a jogar num campo com balizas que mudam de um momento para o outro, o valor destas cimeiras é ainda mais contestado.

O anfitrião deste ano diz que sim, que vale a pena, como seria de esperar. Acrescenta, todavia, que não haverá um comunicado final, para que se não perca tempo a discutir vírgulas e a rasurar certas palavras. Não me parece mal, como ideia, embora fosse importante ouvir uma declaração conjunta sobre dois ou três temas quentes, como por exemplo, o que se passa na Amazónia.

Também sou dos que pensam que, sem esperar muito destas cimeiras, elas são importantes. Os líderes que estarão à mesa, com excepção dos que estão em fim de percurso, como é o caso de Giuseppe Conte ou talvez de Justin Trudeau, são gente com muito poder. Nos seus países e nas relações internacionais. Parece-me melhor que se encontrem e confrontem à volta de uns acepipes, que partilhem tempo e momentos, que isto das relações entre as pessoas tem muito que ver com o estar-se junto, do que deixar cada um no seu canto, sem um mínimo de diálogo com os seus pares.

A Rússia não estará representada, mas o tema ocupará um lugar importante nas conversas. Há quem pense que é altura de voltar a trazer Vladimir Putin para a mesa do G7, de fazer renascer das cinzas o G8. Creio que uma decisão dessas enviaria uma mensagem negativa. O G7 pode não ter grande impacto, mas é, apesar de tudo, uma reunião das democracias mais ricas. Vladimir Putin não é um democrata, não respeita as regras da liberdade de expressão e de oposição. Por isso, ressuscitar o G8 seria uma afronta que se faria aos que lutam pela liberdade na Rússia.

Há, no entanto, o risco que no próximo ano, o Presidente Putin possa ser convidado. O anfitrião da cimeira de 2020 é um admirador do autocrata de Moscovo. Ou não fosse o anfitrião o sempre em pé Donald Trump.

publicado por victorangelo às 16:33

19
Ago 19

Greta Thunberg está algures no Atlântico, a navegar em direcção à cidade de Nova Iorque. A travessia é acompanhada por um simbolismo muito forte. O veleiro que a transporta é neutro no que respeita à emissão de carbono. As grandes causas precisam de símbolos fortes. Greta sabe-o.

Falar de Greta Thunberg permite-me acrescentar que a nova geração, os mais novos, poderão mudar muitas coisas e transformar o mundo que nós construímos de modo insustentável, embora convencidos que estávamos no bom caminho. Tenho falado com vários jovens e vejo que são diferentes, mais generosos e menos egoístas do que nós. E isso dá-me uma certa esperança.

Para além de Greta, temos Emma Gonzalez nos Estados Unidos, Joshua Wong em Hong Kong, Malala Yousafzai no Paquistão e um pouco por toda a parte, Aruna De Wever na Bélgica, Trisha Shetty na Índia, a pró-democracia activista Lyubov Sobol na Rússia e tantos outros jovens que, através de movimentos de cidadania, estão na frente de combate por um mundo melhor.

Neste dia em que se celebra a causa humanitária, lembrar o papel dos jovens é refrescante e animador.

publicado por victorangelo às 22:14

10
Ago 19

Neste estranho sábado de Agosto, noto duas observações.

O maior partido da oposição – o PSD – não tem uma linha clara sobre a greve dos camionistas de combustível. O comunicado oficial que publicou sobre o assunto tem a clareza própria de quem não sabe o que dizer ou fazer. É um comunicado mal cozido em águas de bacalhau. Nada propõe de concreto, para além do adiamento da acção sindical para depois das eleições legislativas de Outubro e de uma vaga referência a uma mediação com “mais recato”, por parte do governo. É assinado por um dos vice-presidentes, quando deveria ser assumido abertamente pelo presidente do partido, dado o impacto estratégico desta greve.

Talvez alguém pudesse lembrar a Rui Rio que situações como estas definem a qualidade da liderança.

Mas isto de liderança é outra conversa.

A segunda observação refere-se à posição de apoio que vários sindicatos anunciaram. Não seria de esperar outra coisa, apresso-me a acrescentar. Mas também digo que há aqui matéria para reflexão sobre a maneira de agir de uma parte do movimento sindical português. Sobre os direitos e os deveres dos sindicatos, sobre a subordinação das reivindicações sectoriais aos interesses estratégicos nacionais, sobre a politização do movimento, o respeito das instituições e das autoridades legitimamente constituídas, e assim sucessivamente.

A liberdade exige uma visão madura e equilibrada da democracia. O debate desta equação parece estar por fazer, conforme nos lembram os sindicatos agora apoiantes.

 

publicado por victorangelo às 22:14

31
Jul 19

Volto ao assunto da corrupção do poder político. Para pedir que não se aceite a ideia que corruptos, são eles todos. Na verdade, houve quem reagisse assim ao meu escrito precedente, quem pensasse que isto de se andar na política é sempre por mero interesse pessoal. E, com base nisso, desculpasse ou minimizasse o que se tem conhecido nos tempos recentes.

Não creio que essa seja uma maneira certa de ver a coisa pública. Mais. Penso que se deve combater a ideia. A liderança política, no país que queremos ter, deve ser impoluta e tem que estar acima de qualquer suspeita. Por outro lado, as instituições devem ter mecanismos de controlo e auditoria capazes de funcionar e de impedir possíveis desvios. Quando tal não acontecer, o sistema de responsabilização e de penalização tem que ser ágil e capaz de cortar a direito.

Há uma questão de valores em Portugal, de oportunismo, de abuso de poder e aproveitamento pessoal do que é de todos. Há, igualmente, um combate político possível, que tenha os valores da dedicação à causa pública, da probidade e do exemplo como estandartes. Quero acreditar nisso.

publicado por victorangelo às 22:14

29
Jul 19

Na governação de um país, abuso de poder e corrupção são dois males muito frequentes. O combate político deve dar uma atenção muito especial a essas duas questões, que minam a democracia e a moral cívica de uma nação. Fechar os olhos é um erro colossal. Dizer que roubam mas fazem, é burrice de quem não vê as consequências de um regime que apodrece.

publicado por victorangelo às 23:39

23
Jun 19

Erdogan perdeu a eleição para a presidência do município de Istambul.

Essa derrota tem um significado muito profundo. O Presidente turco precisava de ganhar essa metrópole altamente simbólica. Fez tudo para o conseguir, incluindo pressão sobre a Comissão Eleitoral. Por isso, a Comissão anulou a eleição precedente, que havia tido lugar em Maio, e que fora ganha pelo candidato da oposição, Ekrem İmamoğlu, por uma margem relativamente pequena.

Desta vez, İmamoğlu venceu de modo convincente. Por uma grande diferença. Mas, atenção. Erdogan vai tentar fazer-lhe a vida negra. Erdogan não quer rivais, não aceita derrotas. Nisso, é como os seus pares, os outros líderes autoritários que por aí andam.

publicado por victorangelo às 20:02

15
Jun 19

No meu blog em inglês, escrevo hoje sobre a situação no Sudão e as razões que fazem a UE ficar calada. Os militares sudaneses são amigos de amigos nossos...

http://victorangeloviews.blogspot.com

publicado por victorangelo às 20:57

09
Jun 19

Estive em Myanmar, entre o último post que aqui deixei e o de agora. A razão da minha estada era tentar perceber o que se passa no país e ver quais são as aberturas possíveis, em termos de resolução de alguns dos conflitos existentes nesse país.

Havia visitado Myanmar, com mais tempo, em 2015. Quatro anos depois, vi uma situação profundamente complexa e pouca paz no horizonte. Também notei progresso na frente económica.

Aung San Suu Kyi, a líder civil do país, Prémio Nobel da Paz em 1991 e Prémio Sakharov da UE em 1990, perdeu uma parte do apoio popular de que dispunha na altura, mas continua a ser, de longe, a personalidade que mais pesa na política nacional, para além dos generais. Na frente internacional, Suu Kyi está cada vez mais dependente da China e dos chineses de Hong Kong, Singapura, Taiwan ou mesmo, dos da Tailândia.

As próximas eleições gerais terão lugar em finais do próximo ano. A Comissão Eleitoral é muito frágil.

Para além das aparências, a última palavra, sobretudo em caso de crise, pertence aos chefes das Forças Armadas. Em especial ao comandante supremo, o General Sénior Min Aung Hlaing. Estabelecer um diálogo político com ele e os seus é fundamental para a resolução, passo a passo, dos inúmeros conflitos que Myanmar vive, incluindo a questão muito conhecida dos Rohingyas.

publicado por victorangelo às 17:17

28
Mai 19

É preciso compreender as razões que estão por detrás de uma taxa de abstenção eleitoral tão elevada como foi a deste domingo.

A abstenção é, em grande medida, um acto político. Mesmo quando se trata de indiferença. Por isso, é fundamental olhar para essa questão com seriedade e objectividade. Um referência ligeira, sem profundidade, apenas crítica, não nos leva muito longe. Não contribui para dar resposta ao problema.

E o comentário jocoso é pura parvoíce.

Existem várias pistas que devem ser exploradas. A falta de credibilidade dos dirigentes políticos. A qualidade dos cabeças de lista e dos candidatos em geral. O nível dos debates e a escolha de temas que estão longe das preocupações das pessoas. O sentimento que muitos têm que a sua voz não conta, que os políticos não lhes prestam atenção. A falta de clareza sobre o que significa, para cada um de nós, a União Europeia.

Também haverá que ver se as listas eleitorais estão actualizadas.

A democracia constrói-se com todos. A participação é essencial. Quando falha, há que entender os motivos.

publicado por victorangelo às 20:43

23
Mai 19

A possibilidade de uma eleição directa pelos cidadãos europeus do Presidente da Comissão Europeia é uma ideia que faz medo a muitos chefes de Estado e de governo. Terá, mais tarde ou mais cedo e se o projecto europeu quiser avançar, que ser discutida um dia.

E essa discussão deverá também considerar a fusão dos dois cargos de topo: juntar as funções de Presidente da Comissão às de Presidente do Conselho Europeu. Passaria a haver um só número de telefone, quando o Presidente russo ou americano quissesse telefonar para Bruxelas.

Isso sim, daria um sentimento de maior unidade ao projecto comum. Aumentaria a visibilidade da União, dar-lhe uma cara, uma personalidade. Significaria mais força.

publicado por victorangelo às 21:40

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