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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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O perigo fascista

Cerca de 10 mil extremistas de direita juntaram-se hoje no centro de Viena para protestar contra o governo, que é conservador e de direita, diga-se, contra a imposição do uso de máscaras e contra o confinamento.

Foi uma manifestação que mostrou claramente que as ameaças à democracia representativa estão a ganhar força. Tratou-se de mais um exemplo de como os ultras e as diversas correntes antissistema e neofascistas se preparam para explorar a crise que estamos a viver na Europa. Com o tempo e se não forem travados, estes grupos acabarão por representar um perigo muito sério para as liberdades no espaço europeu.

O infame Trump

Ontem fiz o que milhões fizeram: passei horas a ver o desenrolar dos acontecimentos em Washington. E a perguntar a mim próprio como foi possível deixar acontecer o que aconteceu. Os serviços de polícia dos EUA têm uma enorme capacidade em matéria de análise de informações. Não me conseguirão convencer que o ataque ao Capitólio foi uma surpresa. Qualquer medíocre analista, sabendo o que o infame Donald Trump preparava há dias, poderia prever que haveria confusão à volta do Congresso, durante a cerimónia de confirmação de Joe Biden. E, com base nessa análise, centenas, mesmo milhares de polícias e guardas nacionais, seriam de imediato mobilizados, antecipadamente, para proteger a cerimónia.

Nada disso aconteceu. Os rufias e os primários, radicais de todo o género, puderam invadir o edifício e atacar um processo democrático. Com a bênção e o incitamento do fulano que ainda está na Casa Branca.

Um crime, uma vergonha, um prenúncio do que poderá acontecer no futuro.

Trump precisa de ser destituido de imediato e investigado. Essa será a única maneira de lavar a mancha que ontem ficou no tecido democrático norte-americano.

As ditaduras saudita e chinesa

Como o tenho escrito várias e repetidas vezes, considero o respeito e a protecção dos direitos humanos de cada cidadão uma obrigação fundamental de um Estado democrático. Para mim, esta questão é uma prioridade política.

Por isso, sinto-me profundamente indignado com as sentenças que foram hoje decretadas contra duas mulheres excepcionalmente corajosas.

Na Arábia Saudita, a activista dos direitos humanos Loujain al-Hathloul, uma jovem de 31 anos de idade, foi hoje arbitrariamente condenada a cerca de seis anos de prisão efectiva. Tem sido uma voz incómoda e o regime não perdoa.

Na China, Zhang Zhan, de 37 anos, jornalista independente, recebeu uma sentença que a fechará quatro anos numa prisão, por ter feito reportagens sobre o início da pandemia em Wuhan, sem passar pelos canais da censura oficial.

Já sabíamos, é claro, que ambos os regimes são ditatoriais. Mas isso não deve ser uma desculpa para que fiquemos silenciosos. É essencial reagir perante cada novo caso. Cada violação da liberdade individual, de cada um de nós, é um drama.

Uma governação com duas verdades opostas

A minha coluna de ontem no Diário de Notícias tinha como destinatários todos aqueles que na União Europeia querem desligar ajuda financeira da prática de um estado de Direito. As principais críticas que fiz diziam respeito aos dirigentes da Polónia, da Hungria e da Eslovénia. Mas nas entrelinhas ia mais longe. O primeiro-ministro português tem sido ambíguo nesta matéria. Quando se trata do consumo interno, não hesita em afirmar que orçamentos e valores democráticos devem ir a par e passo. Nas reuniões em Bruxelas, é muito menos taxativo. Dá mesmo a impressão, às vezes, que está mais próximo da posição defendida por Viktor Orbán, o primeiro-ministro húngaro, do que daqueles que vêem o futuro da Europa como uma comunidade de valores.

O meu texto tinha isso em linha de conta.

E hoje o jornal Público revela que assim parece ser. Num trabalho intitulado “Portugal criticou no Conselho o mecanismo de defesa do Estado de direito” fica a imagem de um governo com duas caras. No segredo das cimeiras, põe-se ao lado dos polacos, húngaros e companhia.Na praça pública, declara que é a favor da posição da Comissão Europeia, que não quer ver os fundos desligados da boa prática democrática.

Eu, mais eu e ainda eu

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/21-nov-2020/narciso-ou-a-fragilidade-das-democracias-13053846.html?target=conteudo_fechado

Este é o link para o texto que publico esta semana na edição de hoje em papel do Diário de Notícias. 

Escrevo sobre o narcisismo de Donald Trump, sobre a democracia e sobre a falta de equilíbrio de poderes quando as Assembleias da República estão decoradas com os servis fiéis dos líderes partidários. 

 

A equipa da fraude

Creio perceber que vários dirigentes europeus já atingiram o ponto de saturação no que respeita a Donald Trump e aos seus. A palhaçada que foi a conferência de imprensa de hoje, em que o advogado de Trump, Rudy Giuliani, meteu os pés pelas mãos, descreveu uma conspiração que não consegue provar e acabou com a tinta do cabelo a correr-lhe pela cara abaixo e a manchar a sua camisa branca, foi uma ilustração do ridículo, da loucura e da maldade que anima essa gente. Há fraude, sim senhor, e eles, Trump, Giuliani e companhia são a fraude.  

Para completar o dia, os europeus olharam com estupefacção para a visita do evangélico Mike Pompeo a territórios que Israel ocupou. E pensaram que já é mais do que tempo para ver esta gente fora do poder. Como decidido, aliás, pelo povo americano, que votou maioritariamente por Joe Biden.

Uma nova ambição para a União Europeia

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/14-nov-2020/uma-europa-mais-arrojada-13030013.html

Este é o link para o meu texto desta semana no Diário de Notícias, edição em papel de 14 de Novembro de 2020.

A política externa europeia

O meu texto de hoje no Diário de Notícias, edição semanal em papel, é sobre a parceria entre a União Europeia e os EUA de Joe Biden. Na realidade, é mais sobre a UE e sobre a coerência da sua política interna e o impacto dessa coerência sobre as relações externas. No essencial, escrevo sobre os valores em que deve assentar a democracia europeia e sobre a necessidade de haver uma política externa mais forte do que a actual.

Logo que o link esteja disponível, colocá-lo-ei aqui.

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