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Crescemos quando abrimos horizontes

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A equipa da fraude

Creio perceber que vários dirigentes europeus já atingiram o ponto de saturação no que respeita a Donald Trump e aos seus. A palhaçada que foi a conferência de imprensa de hoje, em que o advogado de Trump, Rudy Giuliani, meteu os pés pelas mãos, descreveu uma conspiração que não consegue provar e acabou com a tinta do cabelo a correr-lhe pela cara abaixo e a manchar a sua camisa branca, foi uma ilustração do ridículo, da loucura e da maldade que anima essa gente. Há fraude, sim senhor, e eles, Trump, Giuliani e companhia são a fraude.  

Para completar o dia, os europeus olharam com estupefacção para a visita do evangélico Mike Pompeo a territórios que Israel ocupou. E pensaram que já é mais do que tempo para ver esta gente fora do poder. Como decidido, aliás, pelo povo americano, que votou maioritariamente por Joe Biden.

O Presidente está positivo

Disse a um par de amigos americanos, democratas de gema, que seria um erro não antecipar que o Presidente Trump fará um aproveitamento eleitoral da sua infecção com covid. Irá certamente recuperar nos próximos dias e aproveitar essa recuperação para reafirmar que é uma pessoa forte e fisicamente mais apta para o exercício das funções presidenciais do que Joe Biden. O campo democrata tem que ter uma resposta pronta para esta nova faceta da campanha. Entretanto, ficou já claro que a notícia da infecção fez desaparecer dos meios de comunicação social todas as referências negativas às intervenções desastrosas e inaceitáveis que Donald Trump proferiu durante o debate de terça-feira.

Falar verdade e com clareza

O mundo está hoje mais instável, inseguro e pobre. Não me refiro apenas à epidemia de Covid-19. Falo de uma situação que resulta da má liderança dos personagens de maior importância na cena internacional. E neste momento, o foco das atenções está centrado no Presidente norte-americano. É a actualidade do que se está a passar no seu grande país que dita o sentido da atenção internacional.

Donald Trump é um perigo para os Estados Unidos e para o mundo. Trata-se de um megalómano sem cultura nem valores, que vê o mundo a preto e branco. Ou se está com ele, a apoiá-lo cegamente, e isso é considerado normal, ou se está contra, abrindo-se assim as portas a todo o tipo de ataques, a todas as tentativas de esmagamento. Contrariamente aos líderes positivos, o Presidente Trump não pensa em termos de inclusão e de alargamento do círculo. Reage, isso sim, como um político feroz e ditatorial.

Enquanto europeus, temos pouco que dizer sobre o que está a acontecer nos Estados Unidos. O racismo, a brutalidade, a exclusão social, o desespero, a falta de respeito pelas oposições, são factos reais que os cidadãos americanos terão que resolver. Uma parte desses cidadãos acha que a força, a discriminação, o individualismo extremo e a indiferença social são os pilares da sociedade. São esses que constituem os alicerces eleitorais de Donald Trump. Do outro lado da barreira, encontramos muita gente que pensa em termos democráticos e solidários. Só podemos esperar que votem em Novembro e que o seu candidato substitua Donald Trump.

Mas quando olhamos para a cena internacional, temos imenso para dizer contra as opções que o Presidente americano tem tomado. E enquanto aliados nominais dos Estados Unidos, o nosso nível de preocupações aumenta de modo muito marcado. Este é um aliado que não está na mesma frequência de ondas em que nós nos encontramos. Não há sintonia. Entre os nossos, que estão em posições de poder, ninguém quer falar disso, abertamente. Mas este é um segredo público, uma máscara política que nada esconde. Existe muita preocupação. E muita esperança que o  personagem saia de cena no início do próximo ano.

Eu aconselharia prudência. É possível que desapareça do mapa, como também é possível que seja reeleito. Por isso, parece-me ter chegado a altura de falar mais abertamente sobre o assunto para dizer, acima de tudo, que estamos em desacordo e muito preocupados.

Donald Trump e nós

Donald Trump completa agora três anos de presidência. Por coincidência, o processo da sua eventual destituição começa amanhã no Senado. É quase certo que não será destituído, porque não há uma maioria suficiente para que isso possa acontecer. O clima político está profundamente radicalizado. Os senadores irão votar com base em posições partidárias e não terão em conta o mérito ou desmérito dos argumentos contra o Presidente. Donald Trump continuará na Casa Branca e irá tentar tirar um imenso proveito político da tentativa de destituição. Saberá fazê-lo, não tenho dúvidas.

Será o candidato oficial do seu partido nas presidenciais de Novembro. Olho para o lado oposto, para quem possa ser o possível contendor vindo do Partido Democrata, e não vejo quem possua a genica suficiente para ameaçar a reeleição de Donald Trump. Olho também para o panorama político que existe agora nos Estados Unidos e fico ainda mais convencido das dificuldades que qualquer um dos possíveis candidatos democratas terá que enfrentar.

Donald Trump tem aprofundado as fracturas existentes na sociedade americana. Vai continuar a fazê-lo. Sabe jogar nesse tabuleiro, que é o tabuleiro da divisão e do antagonismo. Fala e pensa como muitos dos cidadãos falam e pensam, cidadãos que vêem as mudanças sociais e o mundo como ameaças aos seus interesses. Quando existe medo do futuro, o homem forte, com voz grossa e frases brutais, tem imensas hipóteses de ser escutado. É, à partida, um ganhador.

Os americanos decidirão. Mas essa decisão tem um impacto bem maior do que o limitado pelas fronteiras dos Estados Unidos.

O meu conselho, para quem tem responsabilidades políticas na Europa, é muito directo. Contados a partir de hoje, são mais cinco anos de imprevisibilidade à moda de Donald Trump. A resposta europeia deve passar por um reforço da unidade no seio da UE e por um afastamento discreto, que não diga o seu nome, mas determinado, da política americana. Quanto mais depressa isso acontecer, quanto mais fortes nos tornarmos, mais resguardados estaremos das surpresas que Donald Trump nos poderá criar.

 

 

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