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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A mensagem de Ano Novo

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República vale a pena ser ouvida. Breve, vai directamente às grandes preocupações que Marcelo Rebelo de Sousa vê perfilarem-se em 2020. A saúde, a segurança, a coesão e a inclusão sociais, a ênfase numa sociedade baseada no conhecimento e,ainda, a questão do investimento.

Por detrás das palavras, o Presidente diz-nos que o Sistema Nacional de Saúde está com muitas dificuldades e que a segurança das pessoas não é tão boa como certos arautos do poder nos querem fazer acreditar – e eu, que sei um pouco de segurança, continuo a pensar que o país tem um grau de insegurança que merece mais atenção. Também nos lembra que as desigualdades sociais e a pobreza são uma realidade nacional, que a economia precisa de mais competências e de mais, bem mais, investimentos, públicos e privados.

Estas prioridade não nos podem fazer esquecer outras. Mas já seria óptimo se, neste ano que agora começa, se começasse a dar-lhes mais atenção.

 

 

As elites e o povo

Muitos dos nossos concidadãos sentem-se frustrados. É um facto que a frustração não é um sentimento novo. O que pode ser considerado novo é a expressão pública dessa sensibilidade, que através das plataformas sociais quer ainda na praça pública, nas manifestações de rua.

São sonhos que não se realizam, opiniões que ninguém parece querer ouvir, críticas e sugestões a que não se dá peso, mesmo, nalguns casos, invejas que não se sublimam. Sem esquecer o drama que muitos enfrentam, quando o mês parece ter chegado ao fim quando ainda faltam tantos dias para o completar.

Estes sentimentos explicam em boa medida os populismos, os radicalismos, os movimentos do tipo Coletes Amarelos.

A classe política não tem sabido responder a estas desilusões e às angústias que lhe estão associadas. Os políticos vivem em mundos à parte, nos círculos que as elites formam. Movem-se na órbita de outros políticos, de jornalistas e de gente das empresas. Todos têm vários interesses em comum, que se satisfazem em circuito fechado. E todos eles partilham a mesma falta de sintonia e de conexão com os cidadãos anónimos, bem como a convicção de que são mais inteligentes e mais vivos que o resto da população.

É isso que deve mudar.

Temos que falar da Europa pela positiva

Seria um risco enorme se a opinião pública europeia deixasse de entender a UE como um projecto de cooperação entre os Estados membros, indispensável para salvaguardar os valores que regem a nossa vida colectiva e para garantir a continuação da nossa prosperidade. Se a UE passasse a ser vista como um mero espaço de viagens sem passaporte ou, pior ainda, como uma burocracia sem alma, apenas capaz de satisfazer certos oportunismos políticos e ambições pessoais, entraríamos então num processo de destruição a prazo da unidade europeia. E perderíamos todos, excepto os nossos inimigos exteriores.

Responder com clareza ao terrorismo

 

            Contra o jogo do pânico

            Victor Angelo

 

 

            É um exagero considerar os atentados terroristas dos últimos tempos como “a maior e pior crise da Europa”. A verdade é que os povos europeus têm sabido responder a esses crimes hediondos com dignidade e sentido de equilíbrio. Ficam chocados, desaprovam veementemente, reconhecem a gravidade desses atos, pedem que se faça mais e melhor em termos da segurança interna, mas não perdem por isso as estribeiras nem se escondem em casa. Por isso não é correto afirmar, como muitos analistas o estão a fazer, que se vive agora debaixo de um medo generalizado.

            É perigoso propagar esse tipo de alarmismos, por muito bem-intencionados que os seus autores o sejam. Ao fazê-lo, estão a fazer o jogo que interessa aos terroristas, o jogo do pânico. E estarão igualmente a preparar os trilhos que os extremistas de direita e outros movimentos xenófobos irão transformar em autoestradas. Depois, será só acelerar, para chegar mais depressa a uma situação de ameaça às liberdades e para pôr violentamente em causa a coexistência social e étnica em que temos vivido. A Europa conjuga-se no plural. Mas os ultranacionalistas não gostam disso e irão aproveitar todas as oportunidades para justificar as suas campanhas contra os “estrangeiros”, os que vieram de fora ou parecem diferentes.

            O discurso irresponsável e superficial sobre o medo tem igualmente o condão de nos fazer esquecer os verdadeiros problemas que desassossegam de facto uma boa fatia da população europeia. Refiro-me às preocupações com a precariedade em matéria de emprego e à insegurança económica. Para os desempregados de longa duração de França – 10,5% da população ativa – bem como para as famílias alemãs que vivem ao nível do salário mínimo ou com rendimentos precários – à volta de 12,5 milhões de alemães estão abaixo da linha da pobreza – as ansiedades que contam são outras e bem claras. Estes dois exemplos repetem-se noutras partes da UE. E lembram-nos a importância e a prioridade que deve ser dada à luta contra o desemprego e a exclusão social. E á promoção do crescimento económico. 

            Outro imenso problema que passou para a lista dos esquecidos é o da imigração. Ora, as chegadas ao sul da Itália através do mar dão uma boa ideia de um desafio que não pára: 22 500 pessoas só em junho. A maioria veio da Nigéria e de outros países da África Ocidental. Ou seja, são pura e simplesmente gente desesperada, jovens à procura de um modo de vida na Europa. A questão da imigração continua à espera de uma política europeia coerente. Também aguarda que se defina uma nova estratégia de ajuda ao desenvolvimento que faça sentido e seja atual. E nestas coisas também convém ser claro. A culpa da indefinição cabe aos estados membros, que não se entendem sobre um assunto premente e que tem implicações estruturais sobre o presente e o futuro.

            Não há duas sem três. Assim, deve-se mencionar um outro problema de grande impacto: os ataques sem descanso que certos políticos em certas capitais estão a fazer às instituições europeias e ao projeto comum. Dirigentes de meia-tigela, peritos em intriga política e na manipulação dos eleitores, gente de visões caseiras e oportunistas, descobriram que malhar nas instituições comuns dá popularidade e permite sacudir a água do capote. E fazem-no sabendo perfeitamente que isso compromete o nosso futuro coletivo, um futuro que só pode ser ambicioso se for europeu.

            Estas são as grandes questões. Não podemos perder o foco. Nem esquecer que há que combater a ansiedade, e os fazedores de medo, e promover a serenidade. Quanto aos terroristas, deixemos as polícias fazer o trabalho que é o seu.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

O folhetim televisivo

Sarcasmo à parte, faz-me na verdade pena ver tanta boa cabeça a discutir uma questão como a do futuro da RTP sem ter em conta várias coisas: 

 

1. Que é preciso definir o que se entende por serviço público de televisão, na segunda década do século XXI.

 

2. Que não se conhece a posição do governo, que se tem mantido surdo e mudo sobre o assunto.

 

3. Que se desconhece o que irá acontecer à RTP África e à Internacional.

 

4. Que o debate ocupa todo o espaço de discussão disponível, por isso interessar às diferentes cadeias de televisão existentes.

 

5. Que há muito mais para discutir, no que respeita ao futuro de Portugal.

 

6. Que muito disto não passa de uma manobra de diversão.

 

7. Que falta muita serenidade e substância no debate público, quer em relação a este assunto quer em geral.

 

E a lengalenga continua.

Sobre as elites

Dizia ontem a um general português que as forças armadas e a igreja são as únicas instituições em Portugal que têm conhecido alguma renovação das elites. Muitos jovens pobres mas inteligentes conseguiram ir longe, por essas vias. Foram as únicas que permitiram estudar sem ser os pais a comportar com o custo da educação.

 

Mas são vias de promoção de rapazes, apenas. E as elites que criam têm profundas raízes rurais, na maioria dos casos, mentalidades de aldeia. Noutros casos, menos, os quadros de referência dessas pessoas são os ligados à pobreza suburbana, a uma atitude de subserviência perante o poder económico, inspiradas na filosofia de vida "do que é preciso é a gente ir-se safando". São, na verdade, elites viradas para o passado e para a obediência, mais do que para o futuro e a imaginação. 

 

As elites políticas, essas, renovam-se com muito mais dificuldade. Tem havido pouca mobilidade. As elites provenientes da pequeníssima aristocracia rural, habituada a rendas e às ideias conservadoras, continuam no poder. Nalguns casos, através de rebentos mais jovens, mas que são tão paroquiais na sua maneira de entender o mundo como o eram os seus pais.  

 

A universidade já não produz elites. Cria massas de gente mal preparada. E alguns compadrios, aqui e acolá. 

O futuro já começou

Volto a escrever, na Visão que hoje foi posta à venda, sobre as grandes questões do futuro.

 

Mas também acrescento um parágrafo sobre Portugal e a sua falta de vistas largas.

 

Vejam, por favor, o site: 

 

http://aeiou.visao.pt/vistas-largas=f633846 

 

Dois leitores já comentaram o texto, com muita pertinência.

 

Quem mais vai acrescentar umas palavras de reflexão?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Métodos policiais

Os tumultos e as pilhagens que se têm verificado, nos últimos dias, em Londres e noutros centros urbanos do Reino Unido, mostram que é preciso repensar as tácticas da Polícia britânica.

 

A Polícia está muito bem equipada em termos de câmaras electrónicas, de investigação e inteligência, mas não tem preparação suficiente em matéria de violência urbana, quando esta é perpetrada por bandos com grande mobilidade e muita agressividade. Também precisa de rever as regras de utilização da força, de modo a dar mais poder de intervenção aos agentes que são destacados para a rua, em resposta às acções de grupos violentos. 

 

A definição do que se deve entender por acções preventivas e de desencorajamento também precisa de ser actualizada.

A Europa e o seu meteorito

A Grécia é, esta noite, um rastilho que ninguém tem a coragem de apagar.

 

Ora, só encarando o assunto de frente --o país está falido, não tem dinheiro nem para o petróleo, como se dizia em Évora, quando eu era menino e moço -- é que se poderá resolver o imbróglio. Quando se está numa situação dessas, ou se consegue mais empréstimos ou reduz-se o consumo e as despesas, sem esquecer que as dívidas aos credores deixam de poder ser pagas a tempo e horas. Mas quem pode emprestar dinheiro, novos fundos, a quem não tem nenhuma hipótese de o reembolsar, no futuro previsível? A não ser que seja por motivos políticos. Aqui a política seria, no entanto, um adiar por uns meses, não muitos, do problema. 

 

50% da população grega, entrevistada por sondagem nas últimas horas, pensa que a situação não é tão grave como a pintam. Que não deveria ser necessário agravar as medidas de austeridade. Não sei se assim é. O que é verdade é que a maioria das medidas aprovadas pelo governo, há um ano, ainda está por efectivar. Esta constatação não permitiria, noutros cantos do mundo, ter acesso a mais empréstimos.

 

Mas, na Europa, vive-se num planeta à parte. Só que a realidade é como um meteorito que se preparar para entrar em choque com esse planeta, nos momentos que se seguem.

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