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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Cooperar com África

Hoje falo para uma audiência lusófona sobre África, a cooperação e o futuro. É um tema delicado, quando o orador não é um africano. Mesmo no meu caso, que passei 29 anos da minha carreira nesse continente ou a tratar de assuntos com ele directamente relacionados. É ainda mais delicado por causa da guerra de ideias que existe entre os chamados afro-pessimistas e os optimistas. Mesmo falando de dados concretos, é fácil cair-se nos enredos que essa discussão encerra.

É, no entanto, uma polémica que deve considerar que cada país tem os seus problemas e as suas potencialidades. Comparar o Gana com o vizinho Burkina Faso, ou o Ruanda com o país irmão que é o Burundi, seria comparar o dia e a noite.

Procurarei abordar seis temas. O que deve ser a cooperação nesta década. A diversidade do continente africano e os desafios que cada região enfrenta. As mudanças estruturais necessárias, o impacto da pandemia da Covid-19 e a questão das lideranças. A União Europeia e a China: dois grande actores externos. A integração regional. África no sistema multilateral, incluindo numa futura reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Na realidade, os temas são sobretudo interrogações. Nos dias de hoje, há muitas. O debate mostrará se temos ideias claras. E, certamente, irá continuar.

 

Os europeus perante as migrações vindas de outras culturas

https://www.dn.pt/opiniao/a-europa-a-deriva-no-mar-das-migracoes--13473410.html

O link abre a minha crónica de hoje - desta semana - no Diário de Notícias. Volto a escrever sobre um tema que parece não ter solução, no contexto europeu: as migrações internacionais com destino à Europa. 

Cito o último parágrafo do texto que escrevi, mas aconselho a leitura completa da minha reflexão,

Já vimos que o mar não é barreira suficiente para quem está desesperado ou sonha com uma vida melhor. Mas como a intenção de quem manda é a de travar movimentos populacionais que parecem ameaçadores, a Europa irá mais longe. Irá despejar fortunas nos países que têm o potencial de nos enviar novas levas de migrantes - como já está a acontecer com a Turquia. É a aposta do pau e da cenoura. Ora, nesses países, os poderosos ficam sistematicamente com a cenoura, e os pobres e os fracos levam sempre com o pau. Por isso, muitos procuram fugir para a Europa.

Desafios

"Creio que o drama pandémico preparou uma boa parte dos cidadãos para um novo tipo de consciência no que respeita à sua relação com os outros e a natureza. Penso que nos tornou mais comedidos nas nossas ambições. Estamos perante a possibilidade de renovar a prática política. Essa é a principal conclusão que tiro da situação presente. É igualmente a linha que orienta a minha visão do futuro. Fazer política amanhã terá de significar que se luta continuamente pelos direitos humanos, pela democratização, pela lisura na gestão pública e por mais solidariedade. Há que tirar partido da maturidade adquirida durante este período de choque. Se assim acontecer, ganha a credibilidade da política, cimenta-se a cooperação multilateral e estaremos em melhor posição para encarar aqueles que considero os três maiores desafios globais da década: a luta contra a pobreza, a defesa da liberdade e a regeneração do ambiente, a começar pela mitigação das alterações climáticas."

Parágrafo extraído do texto que publico hoje no Diário de Notícias. O texto completo ainda não está disponível na net. 

75 anos ao serviço da paz e das pessoas

O 75º aniversário das Nações Unidas celebra-se hoje. Tenho visto, por toda a parte, manifestações de apreço pelo trabalho da organização. Ainda bem, pois a ONU é um actor indispensável nos domínios da procura da paz, do desenvolvimento, dos direitos humanos e da assistência humanitária. Estes são os quatro pilares do sistema, que é igualmente formado por toda uma série de agências especializadas, que tratam de todas as facetas das relações internacionais.

Pessoalmente, tive a sorte de trabalhar 32 anos na ONU, nos campos do desenvolvimento, da coordenação humanitária e da paz e segurança. Como fui representante da ONU durante uma boa parte dos meus anos de serviço, acabei por trabalhar com a grande maioria das agências, ao nível político e da coordenação, embora não ao nível técnico. Foi uma experiência profissional única. Encontrei, ao longo dos anos, algumas das melhores inteligências bem como estrategas excepcionais.

 

Homenagem aos humanitários executados no Niger

Queria deixar aqui uma homenagem aos seis jovens trabalhadores humanitários, membros da ACTED, uma ONG francesa que opera em vários países em crise, e aos dois acompanhantes nigerianos (Niger) que este domingo foram barbaramente assassinados por terroristas islamistas, a cerca de uma hora de carro de Niamey. Infelizmente, esta zona do Sahel, que compreende vários países, está cada vez mais ameaçada pelo terrorismo. As forças armadas e de segurança desses países não conseguem assegurar a segurança dessa vasta área, apesar da assistência militar francesa, norte-americana e de outros países europeus. A execução destas oito pessoas a sangue-frio veio tornar ainda mais difícil a presença de organizações internacionais na região. A pobreza e a falta de perspectivas são cada vez mais reais. Sem apoio externo, sem economia, sem segurança, o Sahel só pode ir de mal a pior.

Ficar para trás

Por estupidez ou para fazer um jogo barato e enganador, há por aí quem diga que certos Estados membros têm como modelo de união monetária uma Europa de desigualdades, com níveis económicos diferentes. É falso.

Que existem diferenças, é um facto. Mas o objectivo tem sido, nomeadamente através dos fundos de coesão e outros, a promoção da convergência económica e social. Nalguns casos, a convergência ganha terreno. Por exemplo, na República Checa ou em Espanha. Noutros, ainda há muito caminho para percorrer. Para esses, com o tempo, o atraso acumula-se e em vez de haver convergência, há, isso sim, divergência. O que acaba por provocar novas tensões entre os Estados e dá espaço aos que têm como postura criticar a União Europeia, por tudo e por nada. Mas, quem é responsável por se deixar ficar para trás?

Março de 2020

Foi um mês de Março devastador. Ficará na história.

Abril será muito difícil, a situação poder-se-á complicar muito mais. Mas também poderá ser um mês de transição, de progressivo controlo da crise. As grandes incógnitas têm que ver com o que poderá vir a acontecer nos países em desenvolvimento, em particular no Continente Africano, e nos campos de refugiados. Aqui, nestes casos, será preciso ouvir a voz das Nações Unidas e mobilizar a ajuda internacional. Tanto quanto possível, o que não vai ser fácil. É fundamental que se fale disso.

A Cimeira da União Africana

Começou a Cimeira da União Africana, um encontro anual que não deve ser ignorado. O Presidente da Comissão Africana, Moussa Faki, um Chadiano de grande valor, de quem sou amigo e por quem tenho um grande respeito, fez um excelente diagnóstico dos principais problemas que o Continente enfrenta. Referiu-se, nomeadamente, às acções terroristas no Sahel, na Bacia do Lago Chade e no Corno de África. Lamentou, igualmente, que se tenha estado a assistir a uma proliferação dos conflitos entre comunidades. E pôs a acento tónico na procura da paz e na criação de oportunidades para a juventude africana.

A União Europeia esteve bem representada neste dia de abertura. Foi importante ver  Charles Michel e Ursula von der Leyen em Addis Ababa. Espero que os seus conselheiros lhes tenham dito que vale a pena trabalhar em cooperação com Moussa Faki. Este é o último ano do mandato de Moussa Faki e o primeiro dos dirigentes europeus. Há que aproveitar o tempo disponível.

O nosso quadro mental está obsoleto

Apercebi-me há pouco que estamos prestes a entrar na terceira década do Século XXI. O passo seguinte foi ficar pasmado ao reconhecer que continuamos a pensar e a falar de política como o fazíamos nos anos 70 ou 80 do século passado. Isto, apesar das enormes mudanças que entretanto ocorreram e dos desafios completamente diferentes que agora temos que enfrentar.

A Europa e África: preparar uma nova fase

Defendo que nova política da União Europeia em relação a África esteja intimamente ligada à resolução de três grandes questões.

Primeira questão: a segurança e a estabilização da zona do Sahel e da África Ocidental. Numa fase inicial, tratar-se de travar a tendência actual, que vai no sentido da deterioração. Em simultâneo, será necessário criar uma capacidade de resposta endógena, que neste momento não existe. Na fase seguinte, o foco da atenção deve estar numa resposta integrada, que veja a segurança pela perspectiva dos cidadãos e não apenas dos Estados.

Segunda questão: regularizar o fenómeno migratório, em particular o que se dirige para o Continente Europeu. A pressão demográfica continuará a alimentar os movimentos migratórios, quer no interior do Continente Africano quer para o exterior, sobretudo na direcção da Europa. Por várias razões, é fundamental estabelecer mecanismos que tenham em conta a estabilidade dos recebedores de migrantes bem como os direitos de quem procura uma vida melhor.

Terceira questão: a promoção de uma governação legítima e responsável. A democracia e a luta contra a corrupção no seio das estruturas oficiais são dois aspectos marcantes nesta área. Necessitam de um diálogo franco, de incentivos e condicionalismos.

Estes temas são centrais para que a agenda de cooperação possa ter um impacto transformador. Permitirão focalizar as acções de cooperação entre as partes, definir as prioridades programáticas e justificar, perante a opinião pública europeia, os recursos e a atenção que será dada, nos próximos anos, a África.

Para além da concentração temática, é essencial procurar sinergias entre as intervenções europeias e as provenientes de outras partes do mundo, incluindo da China. Poderá não ser uma tarefa fácil, mas isso não será razão para a deixar de lado. Também haverá que estabelecer parcerias especiais com os países do Continente Africano que têm um poder de alavanca no desenvolvimento de outros.

 

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