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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

O jogo do Presidente Erdogan sai furado

A Turquia entendeu, nas últimas 24 horas, que se Vladimir Putin tiver que escolher, a decisão será a favor de Bachar al-Assad. Sem hesitações, quando o fundamental está em jogo, o Presidente russo apoia o lado sírio e deixa cair a aliança de conveniência que tem com Recep Tayyip Erdogan.

Como já o disse noutras ocasiões recentes, Assad e Putin acreditam numa solução militar. Por isso, prepararam planos e iniciaram, em Dezembro passado, uma ofensiva contra os vários grupos rebeldes que se refugiaram na única região possível, a província de Idlib. Essa campanha tem estado a ser executada progressivamente, sem dó nem piedade. Criou uma vasto movimento de deslocados – serão, nessa província, quase um milhão de pessoas em necessidade humanitária absoluta. Entretanto, Erdogan resolveu meter a colher na disputa. Esta é uma zona de fronteira com a Turquia. Não será a que tem maior interesse estratégico, mas é o refúgio de vários grupos armados próximos dos interesses de Ankara. Assim, Erdogan estabeleceu uma dúzia de posições militares turcas em Idlib, em território que não é dele. Foi uma dessas bases e a coluna de reabastecimento que foram alvo de ataques aéreos ontem. Atacaram os sírios e morreram mais de três dezenas de soldados turcos.

O Presidente turco aprendeu também, para lá da questão de saber para que lado penderia Putin, que o espaço aéreo nessa zona é controlado inteiramente pelos russos. Ora, tacticamente, isso acarreta uma fraqueza fatal. Os turcos não conseguem defender as suas tropas destacadas no terreno sem ter um mínimo de capacidade operacional aérea. Não a têm.

Erdogan pode contar com o apoio de um comunicado oficial e de uma conferência de imprensa da NATO. Conta, igualmente, com as “notícias” que a comunicação social turca favorável ao regime publica. Por exemplo, essa comunicação social “lançou” hoje dezenas de mísseis e “matou” mil e tal militares sírios, no que foi apresentado com um acto de retaliação do Presidente turco. “Notícias” assim são para consumo interno, mas não avançam a causa turca na Síria de um só milímetro.

Erdogan vai ter que retirar as suas tropas de Idlib. Não pode continuar a ter baixas e mais baixas. E prevejo que acabe por abrir as portas da sua fronteira aos deslocados sírios de Idlib. Com os novos refugiados irão também os combatentes rebeldes, alguns deles fundamentalistas. A multidão fará passar despercebidas essas fugas.

A questão aqui é a de saber se esses combatentes ficarão, depois, na Turquia ou se se dispersarão por outros países. A resposta mais provável é a da dispersão em direcção ao espaço europeu. Esta possibilidade aumenta o nível de risco de terrorismo na Europa.

Entretanto, hoje, a Rússia deslocou para a região duas fragatas com equipamento bélico capaz de dissuadir quem precisar de ser dissuadido. Ao controlo do ar junta-se a força marítima.

O Presidente Erdogan fica assim com uma ideia mais clara do tabuleiro de xadrez em que os russos se movem. Pode, igualmente, aproveitar esta oportunidade para perceber que a política que tem seguido leva ao isolamento do seu país, que é o contrário do resultado que ele ambicionava.

 

 

 

 

 

 

 

 

Crises e respostas humanitárias

A capacidade de gestão de crises, bem como a capacidade de resposta rápida às crises humanitárias, são duas áreas em que a fraqueza das instituições europeias é bem clara. Tratam-se, no entanto, de matérias comunitárias, em que uma actuação conjunta faz sentido.

O encómio da palavra

 

Ouvi bons discursos, durante a minha visita de hoje a Farchana e Hadjer Hadid, a dois passos da fronteira do Chade com o Sudão. Duas zonas de violência, de massas de refugiados e de deslocados, duas zonas em que o controlo das nossas forças começa a ganhar forma. No meio de tanta secura, foi bom escutar um par de discursos elegantes, bem estruturados, de improviso, mas cheios de significado. Palavras ditas bem e com equilíbrio ajudam a resolver os problemas. Afinal, o ser humano é um animal que precisa de comunicar.

 

E em política, a elegância da palavra justa é uma arte que aprecio.

Terras sem fim

 

Copyright V. Ângelo

 

Passo uma boa parte do meu tempo dentro desta máquina. Não consigo explicar a relação que tenho com este Learjet, sinto-me apenas obrigado a utilizá-lo. Rentabilizar, talvez seja essa a palavra.

 

As Nações Unidas, ao colocarem à disposição pessoal de gente como eu um brinquedo deste tipo,  eu que decida o quero fazer com este bicho muito rápido e muito prestigiante,  encontraram a maneira mais eficaz de nos escravizar. Quando se tem um jet à porta de casa, quem diz que não a todo o tipo de deslocações?

 

Sinto-me um escravo deste pássaro metálico.

 

E dos helicópteros.

 

Ontem e hoje, passei a minha vida fechado nestas coisas. Voámos para Birao, passámos a noite na tenda que já revelei neste espaço, depois fomos de helico, esta manhã, para Haraze-Mangueigne e para Daha, zonas de refugiados, e já ao fim do dia, voltámos a Birao, voando sobre a parte desértica da RCA, numa zona infestada de rebeldes, para seguir depois para N'Djaména.

 

No voo de regresso, até os meus polícias morriam de sono.

 

Há quem diga que temos uma vida invejável. Que andamos por sítios onde mais ninguém, vindo de fora, põe os pés. Talvez. Não há, de facto, muita gente que ande por estas terras onde os tiros são o meio de comunicação mais usual. Mas o que me faz inveja, quando estou cansado como hoje, depois de muito andar, de falar com funcionários jovens das ONGs e da ONU, que vivem no meio de cobras, às dezenas, nas camas, nos lençóis, debaixo da mesa, nos corredores, nas latrinas, animais estranhos que congelam o sangue dos mais bravos, é a paz de alma que os meus amigos possuem, aí, pelas terras do Norte do mundo, quando se perdem nos shopping centres e nos Ikeas e pensam que os problemas do mundo são os definidos pelos Sócrates, Louçãs, Portas, Jerónimos e uns senhores de um partido que vive à deriva. Sem contar os alegres e mais, os sombrios do cavaco seco.

 

Permitam-me, por favor, que me sinta um pouco diferente, esta noite.

De luto

 

A tragédia que o Haiti está a viver toca-nos muito. Tenho, na minha Missão, vários funcionários de nacionalidade haitiana. Estão como que paralisados, o choque foi demasiado grande. A nossa equipa de aconselhamento psicológico, um pequeno conjunto de especialistas que está muito habituado a lidar com traumas violentos, em zonas de conflito, tem estado em contacto com os colegas que ficaram mais fragilizados.

 

O chefe da Missão da ONU no Haiti, Hédi Annabi, um velho colega meu, e o seu adjunto, o Luís da Costa, outro conhecido de muitos anos, continuam desaparecidos. Estavam, mais o Comandante da Força Militar da ONU, o Comissário da Polícia (UNPOL) e outros colegas seniores, numa reunião com uma delegação chinesa. Receia-se que tenham, todos, perdido a vida.

 

O destino é o que é. O General Gerardo Chaumont, um homem bom, argentino e com muita experiência em matéria de segurança, antigo comandante-geral adjunto da Gendarmeria Argentina, trabalhou um ano e meio comigo no Chade. Em finais de Dezembro, resolveu aceitar a sua transferência para a Missão no Haiti. Por ser mais perto de Buenos Aires. Queriam que fosse directamente de N'Djaména para Port-au-Prince. Se tivesse acedido, teria morrido ontem. Mas, não. Disse que só começaria as suas novas funções em Fevereiro. Quando o fizer, encontrará um Haiti destruído e à deriva.

 

Estes são tempos que nos interpelam. 

 

As organizações humanitárias face à insegurança

 

O tema do meu escrito de hoje na revista Visão centra-se nas questões de segurança nas terras hostis do Sahel, incluindo na fronteira com o Darfur.

 

A minha tese é que certas organizações não-governamentais não estão a perceber a natureza dos riscos que existem nessa região. Agem como se a insegurança tivesse motivação política. E falam, a torto e a direito, da neutralidade que é preciso manter.

 

Mas a verdade é que não se trata de conflitos políticos. São actos de banditismo, de criminalidade pura e dura. Ameaças concretas contra as populações e contra os agentes humanitários. As Nações Unidas têm duas grandes operações de segurança na zona, a MINUAD. no Darfur, e a MINURCAT, no Chade e na República Centro-africana. Ambas têm como mandato proteger as organizações humanitárias, os refugiados e deslocados, bem como as populações locais, que são presas fáceis dos homens armados.

 

Ser protegido pela ONU não faz perder a neutralidade nem a independência das organizações. E permite continuar o trabalho de assistência, salvando muitas vidas em perigo.

 

O texto está disponível no sítio da Visão:

 

http://aeiou.visao.pt/preocupacoes-desabafos-e-recados=f537366

 

Muito agradecido fico pela leitura. E por um ou outro comentário que queiram fazer. Não há medo das polémicas, nesta maneira de estar na vida.

 

 

Um sem parar

 

A minha escrita diária tem sido prejudicada pelas muitas viagens em que ando metido.

 

Acabo de passar uns dias ao Sol, nas terras quentes da fronteira com o Sudão. Levei comigo um pequeno grupo de embaixadores. Pessoas importantes, representando os grandes da cena internacional. Gostaram da volta. Estiveram em campos de refugiados e em áreas ocupadas por deslocados internos, viram as ONG em acção, as Nações Unidas e os nossos soldados e polícias. Aperceberam-se de que o ano agrícola foi mau. A maior parte das espigas ficaram secas, a meio caminho da germinação. Nem vale a pena proceder à sua colheita. Vamos ter um período de fome, dentro de pouco tempo. Uma crise humanitária que se irá juntar à de segurança.

 

Viram muita miséria. O embaixador chinês, que acaba de chegar a África, nem queria acreditar.

 

Os problemas, aqui por estas terras, nunca faltam.

 

 

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