Portugal é grande quando abre horizontes

20
Jun 16

Brexit 

A campanha à volta do referendo tem sido muito dura e extrema. Era de esperar que assim fosse. Um referendo divide o eleitorado entre o Sim e o Não, sem as matizes e as hesitações que se encontram nas eleições partidárias. Por outro lado, um dos partidos mais visíveis na campanha para o referendo é o UKIP – UK Independence Party –, um partido xenófobo radical. Tem sido uma voz forte na campanha. As divisões dentro do Partido Conservador também levaram a um exagero de posições, já que cada lado procurou dramatizar o que estava em causa. 

O assassinato de Jo Cox exemplificou, de modo trágico, a violência verbal a que temos assistido. Mas não pode ser visto como uma falha da cultura política britânica. O que é na verdade uma derrapagem da cultura política do Reino Unido é a xenofobia, o ataque contra os direitos dos imigrantes, o menosprezar de outros europeus, sobretudo os provenientes de países mais pobres. 

Os resultados do referendo poderão de algum modo ser influenciados pelo homicídio de Jo Cox por um tresloucado apoiante do Brexit. Mas não sei se isso será suficiente para inverter a tendência que dá a vitória aos que querem a Grã-Bretanha fora da UE. Também não sei se as sondagens estão correctas. As casas de apostas pensam que as sondagens não estão a reflectir o que possa vir a acontecer. 

Economia

Os argumentos económicos começam agora a ter um pouco mais peso, a merecer mais atenção por parte do eleitorado.

Cerca de 50% das exportações britânicas vão para a UE.

Cerca de 7% das exportações da UE vão para o Reino Unido.

Para o RU, o comércio com a UE representa 3 vezes o que é feito com os EUA, 9 vezes o que tem lugar com a China, 42 vezes mais do que o comércio com a Austrália. 

Libra pode desvalorizar 15% em relação ao USD. 

As bolsas já estão a perder valor, mesmo antes do referendo. 

Frankfurt e Luxemburgo poderão ganhar mais relevo enquanto centros financeiros. Mas não vai ser de imediato. Estas coisas, que são altamente especializadas, levam tempo a ser transferidas. Seria, se acontecesse, uma transferência progressiva, que demoraria três a cinco anos, pelo menos. 

Não creio que haja vontade política, na EU, para dificultar, para tornar mais complicada as actividades de Londres nos mercados financeiros europeus. A preferência é a de não mudar radicalmente o sistema financeiro tal como tem existido até agora.           

É provável, no entanto, que as exportações britânicas para a Europa sejam penalizadas com novas taxas. 

Impacto político

 

Na Holanda, na Dinamarca, certamente, que poderão pensar em organizar os seus próprios referendos.

No reforço dos movimentos populistas, nomeadamente em França, na Alemanha, na Hungria e na Polónia.

No entanto, uma vitória do Brexit não será o início do fim.

publicado por victorangelo às 08:54

29
Jan 16

Não estou de acordo com a chamada “lei das joias”, adoptada pelo parlamento da Dinamarca e que permite confiscar bens aos candidatos à imigração e ao refúgio, se esses bens estiveram acima do limite de 1340 euros. É uma lei inútil, do ponto de vista financeiro, uma transgressão dos direitos básicos das pessoas, impossível de aplicar, do ponto de vista da polícia, e politicamente incorrecta, até pelos estragos que acarreta à imagem externa do país. A Dinamarca é e tem sido um país generoso, em termos de ajuda internacional, incluindo no que respeita à concessão de asilo. Mas sai mal desta fotografia. Muito mal.

E em termos de desencorajamento, não vai ser por aí que se evitará novas chegadas em massa à Dinamarca.

Também me parece pouco propositado ver os deputados portugueses aprovar uma moção de censura aos seus colegas dinamarqueses. Não cabe à Assembleia da República dar lições de moral aos outros parlamentos nacionais dos Estados membros da UE. Sobretudo nós, que não temos nem uma parte ínfima dos desafios de imigração que a Dinamarca enfrenta e que do ponto de vista da ajuda internacional estamos numa divisão muito mais tacanha.

Numa Europa cada vez mais dividida e à beira de fracturas profundas, toda a prudência é pouca.

A Assembleia da República pode e deve debater o que se passa na Europa. Mas com um mínimo de respeito pelas circunstâncias de cada país. Ou então começa a aprovar moções a torto e a direito, que da Rússia ao Atlântico problemas não faltam.

 

publicado por victorangelo às 21:10

04
Jan 16

Este novo ano foi anunciado com preocupação. E está a começar de modo preocupante.

O xadrez de crises no Médio Oriente está hoje mais complicado e imprevisível. A confrontação entre a Arábia Saudita e o Irão passou para um nível mais arriscado. E tem um impacto em toda a região, sobretudo na Síria, no Iraque e no Iémen. Mais a Oriente, as tensões entre a Índia e o Paquistão ganharam um novo impulso, com o ataque que acaba de ter lugar contra uma base da aviação indiana, na zona de fronteira com o país rival. Ainda mais a Leste, a rivalidade marítima entre a China e o Vietname agravou-se este fim-de-semana.

Na Europa, a questão das migrações levou a Suécia a adoptar medidas de controlo fronteiriço em relação a quem vem da Dinamarca por terra. Esta, por sua vez, apertou hoje as verificações na fronteira com a Alemanha. Fala-se de Schengen e dos riscos em que este acordo fundamental para a construção europeia se encontra. Talvez haja um certo exagero quanto ao futuro de Schengen, uma morte anunciada prematuramente, mas a verdade é que não surgiram ainda medidas comunitárias que nos tranquilizem.

E do lado russo, a retórica continua a não ser das melhores. As cabeças de quem manda em Moscovo continuam a ver as relações com a Europa e os Estados Unidos à moda da Guerra Fria. Ora, essa época já passou. Do lado Ocidental, já são poucos os que sabem o que isso queria dizer.

Quanto aos mercados, as bolsas entraram em 2016 com quedas acentuadas. Por causa da China, que está a crescer menos do que o previsto, e também por motivo das incertezas geopolíticas. Curiosamente, foi o mercado de acções alemão que mais perdeu, no conjunto da Europa. A razão é clara: as empresas alemãs estão em boa medida dependentes das suas exportações para a China.

Vai ser um ano com muito pano para mangas.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:46

25
Out 14

Creio que já aqui escrevi sobre o aeroporto de Copenhaga. Estive lá uma vez mais e foi de novo um prazer. O trânsito é fácil e eficiente, a parte principal da aerogare é um imenso centro comercial, com muitas lojas interessantes, as pessoas têm um ar limpo e feliz. Copenhaga é uma excelente opção em termos de trânsito entre aviões. Faz esquecer a calamidade que é transitar por Amesterdão. E traz-nos uma visão da Escandinávia cosmopolita, arejada e dinâmica.

publicado por victorangelo às 16:53

10
Set 12

Quero registar que os seguintes países da UE emitem actualmente dívida pública com uma taxa de juro negativa, ou seja, os mercados acabam por pagar para lhes emprestar dinheiro:

 

- Alemanha

 

- Bélgica

 

- Dinamarca

 

- França 

 

- Holanda

 

Ou seja, vivemos na verdade numa União Europeia a velocidades variáveis. É possível manter uma União se não existirem mecanismos compensatórios entre os Estados?

publicado por victorangelo às 22:25

twitter
Novembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

12
15
16

17
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO