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Crescemos quando abrimos horizontes

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Joe Biden anda pelo Médio Oriente

https://www.dn.pt/opiniao/joe-biden-o-medio-oriente-e-a-coerencia-em-politica-15019740.html

Assim escrevo no Diário de Notícias de hoje. E a quem pensa o contrário, esclareço que não comparo a minha escrita com outras. Cada um tem o seu estilo, os seus temas preferidos, a sua interpretação do que pode significar escrever para um público diverso e, em geral, bem informado. Há espaço para todos. 

Cito apenas umas linhas do meu texto de hoje. 

"Uma visita que não traz qualquer tipo de resposta à questão palestiniana, ao obscurantismo e à crueldade do regime saudita, ou à contenção da ameaça iraniana, só pode ser notada pela negativa."

Hoje, errei publicamente na minha análise

Num directo para o noticiário das 18:00 horas da RTP 3, disse, entre muitas outras coisas, que estava convencido que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, iria continuar a vetar a entrada da Suécia e da Finlândia para a NATO. E expliquei as razões.

Uma hora e meia depois, o Secretário-Geral da NATO anunciou que a Turquia, a Suécia e a Finlândia haviam chegado a um acordo e que o veto havia desaparecido. Ou seja, a minha análise estava errada.

Foi, na verdade, uma surpresa. Não apenas para mim. Para todos os que não estavam no âmago das negociações. Até o meu “amigo Boris” foi apanhado de surpresa, por exemplo.

Para além da surpresa, existem outras preocupações. Nomeadamente sobre a possibilidade de ver deportados para a Turquia certos oponentes entretanto refugiados na Suécia.

Terei que voltar, por causa dessas preocupações, ao assunto. Espero que da próxima vez não erre, não seja desmentido por acontecimentos de última hora.

Os EUA face à China

Antony Blinken lembrou hoje que a rivalidade que conta é a que existe entre os EUA e a China. As suas palavras, pronunciadas num discurso formal na George Washington University, revelam qual é a política da Administração Biden em relação à China. E que esta é a prioridade absoluta em matéria de política externa.

O lema é que a China se tornou “mais repressiva na cena doméstica e mais agressiva na internacional”.

A questão uigure ocupa uma posição central, quando se fala da repressão interna. Ainda esta semana foi objecto de revelações que mostram a extensão e a violência do problema. Mas não se trata apenas da violação dos direitos humanos dessa etnia. Hong Kong, a vigilância apertada dos cidadãos chineses, são dois outros exemplos.  

Em matéria externa, uma das grandes preocupações diz respeito ao controlo e ocupação do Mar do Sul da China. A outra é a aliança com o regime de Vladimir Putin.

Mas a política americana em relação à China tem vários pontos fracos. É fundamental que Washington os reconheça e corrija. Só assim estará numa posição mais firme.

Alexei Navalny, um russo exemplar

Admiro a coragem de Alexei Navalny, o mais conhecido opositor do ditador Vladimir Putin. Penso que Putin também o deve ter em grande preço, ou seja, parece reconhecer que se trata de um oponente de peso. Por isso procurou envená-lo no ano passado. E depois, arranjou maneira de  o mandar para a prisão, por razões absolutamente estapafúrdias. Hoje, arranjou maneira de aumentar o seu encarceramento de mais nove anos.

Um regime que trata assim a oposição política é cruel e nada tem de ver com os valores da democracia e do respeito pelas pessoas e os seus direitos fundamentais.

Nota sobre a nova ordem internacional

O paradigma geoestratégico mudou. O conflito deixou de ser sobre zonas de influência. Essa era a concepção que nos vinha dos tempos da Guerra Fria. Hoje já não justifica nada, já não pode servir como motivo para intervir nos assuntos internos de outros Estados. Agora o que conta é a defesa dos direitos humanos, das liberdades fundamentais e dos sistemas democráticos. A geoestratégia tem agora uma dimensão humana. Já não se trata apenas de defender o Estado e o regime. A preocupação agora é com as pessoas, a sua segurança individual e colectiva, a sua integridade física e espiritual. As alianças entre Estados têm de assentar em princípios e valores éticos, que respeitem os cidadãos e lhes permitam ser criativos, livres e uma vivência tranquila, sem medos e sem hipocrisias. 

 

A China não apoia a Rússia no caso da Ucrânia

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, falou ontem aos participantes na conferência de Munique através de uma ligação vídeo. Uma parte importante da sua intervenção foi sobre a situação na Ucrânia. Repetiu a posição chinesa, que segue fundamentalmente duas linhas: o respeito pela soberania e a integridade territorial da Ucrânia; e a preocupação de mostrar que a China não está alinhada com qualquer uma das partes. Na realidade, no que diz respeito à Ucrânia, a China não quer de modo algum ser vista como defendendo a posição russa.

Só há alinhamento com a Rússia na parte respeitante à NATO. Mas é um alinhamento muito subtil, na medida em que assenta na afirmação que é necessário ter em conta as legítimas preocupações de segurança da Rússia.

Também teve que responder uma pergunta sobre a situação das populações da etnia uigur na região autónoma de Xinjiang. Aí a novidade foi ter anunciado que a China está a preparar uma visita de Michelle Bachelet, a Alta-Comissária da ONU para os direitos humanos. António Guterres havia recentemente sugerido uma missão desse tipo e aparentemente parte chinesa está a considerar essa hipótese. É evidente que uma visita de Bachelet terá que ser totalmente credível, em termos de liberdade de movimentos e dos contactos. Ora, isso não é fácil.

O génio de Charlie Chaplin e a sua luta pela democracia

Passei o serão a rever o filme de Charlie Chaplin “The Great Dictator” (1940).

É uma peça genial que deveria ser obrigatório ver e discutir nas aulas de cidadania.

Passados mais de 80 anos, as abordagens feitas no filme, e em particular o discurso final do “ditador”, são de uma grande pertinência. Uma decisão dessas – passar a fazer parte do programa educativo das novas gerações – estaria em consonância com o facto da Biblioteca  do Congresso dos Estados Unidos ter considerado “O Grande Ditador” “uma obra cultural, histórica e esteticamente significante”.

Escrever nas vésperas de Natal serve para quê?

Hoje publiquei o meu texto semanal, no Diário de Notícias. Trata-se de mais uma reflexão sobre as coisas de agora, os grandes perigos que ameaçam a paz, a estabilidade e a vida das pessoas.

O link que se segue permite uma leitura do texto. É verdade que este não é um serão para grandes leituras. Mas haverá certamente quem se interesse, amanhã, depois das festas, por uma reflexão deste tipo.

https://www.dn.pt/opiniao/paz-dignidade-igualdade-planeta-14436960.html

Mesmo os ditadores dizem que são pela democracia

https://www.dn.pt/opiniao/somos-todos-pela-democracia--14373788.html

Este é o link para o meu texto desta semana na edição de hoje do Diário de Notícias. Trata-se de um comentário sobre a iniciativa que o Presidente Joe Biden tomou de convocar uma cimeira internacional sobre o reforço da democracia em várias partes do globo, incluindo nos Estados Unidos. 

Cito de seguida um parágrafo do meu texto.

"Uma reunião deste género é, no entanto, uma grande encrenca. A lista dos excluídos vai dar tanto que falar como os temas em debate. A ONU tem 193 estados-membros. Biden convidou cerca de 110. Na UE, Viktor Orbán ficou de fora, dando assim um argumento de peso a quem vê no líder húngaro o que ele de facto é: um autocrata. Mas a Polónia, que não é certamente um melhor exemplo de um estado de direito, consta da lista. A razão parece clara: Varsóvia é um aliado militar fiel, e cada vez mais forte, da política americana no Leste da Europa. Ainda no que respeita à NATO, Recep Tayyib Erdogan também não aparece na lista. Muito provavelmente porque os americanos não apreciam a sua proximidade político-militar com Vladimir Putin. Erdogan tornou-se uma pedra na bota da NATO e isso deixa muita gente desconfortável. E no caso da CPLP, compreende-se a exclusão das duas Guinés – Bissau e Equatorial. Mas fica a interrogação sobre as razões que levaram a Casa Branca a não convidar Moçambique."

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