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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

O génio de Charlie Chaplin e a sua luta pela democracia

Passei o serão a rever o filme de Charlie Chaplin “The Great Dictator” (1940).

É uma peça genial que deveria ser obrigatório ver e discutir nas aulas de cidadania.

Passados mais de 80 anos, as abordagens feitas no filme, e em particular o discurso final do “ditador”, são de uma grande pertinência. Uma decisão dessas – passar a fazer parte do programa educativo das novas gerações – estaria em consonância com o facto da Biblioteca  do Congresso dos Estados Unidos ter considerado “O Grande Ditador” “uma obra cultural, histórica e esteticamente significante”.

Escrever nas vésperas de Natal serve para quê?

Hoje publiquei o meu texto semanal, no Diário de Notícias. Trata-se de mais uma reflexão sobre as coisas de agora, os grandes perigos que ameaçam a paz, a estabilidade e a vida das pessoas.

O link que se segue permite uma leitura do texto. É verdade que este não é um serão para grandes leituras. Mas haverá certamente quem se interesse, amanhã, depois das festas, por uma reflexão deste tipo.

https://www.dn.pt/opiniao/paz-dignidade-igualdade-planeta-14436960.html

Mesmo os ditadores dizem que são pela democracia

https://www.dn.pt/opiniao/somos-todos-pela-democracia--14373788.html

Este é o link para o meu texto desta semana na edição de hoje do Diário de Notícias. Trata-se de um comentário sobre a iniciativa que o Presidente Joe Biden tomou de convocar uma cimeira internacional sobre o reforço da democracia em várias partes do globo, incluindo nos Estados Unidos. 

Cito de seguida um parágrafo do meu texto.

"Uma reunião deste género é, no entanto, uma grande encrenca. A lista dos excluídos vai dar tanto que falar como os temas em debate. A ONU tem 193 estados-membros. Biden convidou cerca de 110. Na UE, Viktor Orbán ficou de fora, dando assim um argumento de peso a quem vê no líder húngaro o que ele de facto é: um autocrata. Mas a Polónia, que não é certamente um melhor exemplo de um estado de direito, consta da lista. A razão parece clara: Varsóvia é um aliado militar fiel, e cada vez mais forte, da política americana no Leste da Europa. Ainda no que respeita à NATO, Recep Tayyib Erdogan também não aparece na lista. Muito provavelmente porque os americanos não apreciam a sua proximidade político-militar com Vladimir Putin. Erdogan tornou-se uma pedra na bota da NATO e isso deixa muita gente desconfortável. E no caso da CPLP, compreende-se a exclusão das duas Guinés – Bissau e Equatorial. Mas fica a interrogação sobre as razões que levaram a Casa Branca a não convidar Moçambique."

Dia especial

A data marca o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Este é o 25 de Novembro que conta. O dia foi proclamado pela Assembleia geral da ONU em 2000. Para quem quiser ler a Resolução, a referência é A/RES/54/134, datada de 7 de Fevereiro de 2000. É um documento importante no quadro jurídico internacional, em particular na área dos direitos humanos.

Infelizmente, há ainda muito que fazer para eliminar este tipo de violência. Por isso, considero significativo que se faça referência à questão.

A fronteira dos horrores

A crise na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia tem várias dimensões. A mais imediata é de natureza humanitária, com milhares pessoas, incluindo crianças, a passar fome, frio e humilhações constantes. Algumas já morreram congeladas. 

Mais ainda, não se sabe quantos milhares de pessoas estão encurraladas entre os guardas de um lado e do outro. Mas sabe-se que são tratadas com violência extrema por ambos os lados. E essa é uma questão central, que toca directamente no cerne dos valores europeus, do respeito pelas pessoas e da protecção dos mais frágeis. 

Alexander Lukashenko está claramente a aproveitar-se da miséria de certos povos. Mas o nosso lado não pode ficar indiferente perante o sofrimento de quem se deixou manipular, gente que vive em contextos tão complicados que qualquer promessa, por mais ilusória que possa ser, traz sempre um fio de esperança.

 

O Dia das Nações Unidas

Celebra-se hoje o Dia das Nações Unidas. São 76 anos de existência. Desses, estive 32 com a organização, tendo trabalhado nas áreas da população (demografia), do desenvolvimento, da acção humanitária e das políticas de manutenção da paz. Nos países europeus não se entende bem quais são as diversas funções da ONU. Fora da Europa, a presença em cada país é mais visível e as Nações Unidas são mais bem conhecidas. Para muitos, fazem a diferença entre a vida e a morte, através da assistência humanitária ou dos programas de apoio aos cuidados de saúde primários, ou ainda por causa da presença das missões de paz. Por isso, e porque tem havido toda uma série de ataques contra as organizações multilaterais, é importante lembrar o dia e a contribuição quotidiana do sistema das Nações Unidas.

As mulheres de Cabul

Participei hoje num longo debate, organizado pelo Clube de Lisboa, sobre as perspectivas a curto e médio prazo do Afeganistão. Existe um vídeo disponível.

O webinar mostrou a coragem das mulheres afegãs, representadas pela antiga deputada Shukria Barakzai. Continua em Cabul, falou a partir de lá e foi directa na sua critica do poder talibã.

 A sua intervenção lembrou-nos que o Afeganistão de hoje é muito diferente, nas cidades pelo menos, do que existia há vinte anos. Muitos cidadãos, homens e mulheres, estão prontos para defender um país mais moderno, uma sociedade diferente da imaginada pelos talibãs. E nessa luta, as mulheres de Cabul desempenham um papel mais activo que os homens. São mais combativas.

Os europeus face ao novo Afeganistão

Emmanuel Macron, Josep Borrell e outros líderes europeus vêem na situação afegã duas dimensões essenciais: a necessidade de proceder à evacuação dos europeus e dos afegãos que estiveram ligados às actividades da UE no país; e o risco de novos fluxos migratórios em direcção à Europa. Borrell vai um pouco mais longe e fala de ajuda humanitária, sem que se perceba bem como será possível fornecer apoio humanitário sem passar pelo poder talibã e pela apropriação que estes farão de tal ajuda.

Esta é uma maneira curta de ver o que está a acontecer no Afeganistão. A realidade e as lições a tirar são muito mais complexas. Mais ainda, o xadrez estratégico naquela parte do mundo – e não só – mudou radicalmente desde domingo. Essa questão e as violações dos direitos humanos que o novo regime irá praticar são duas das maiores dimensões a ter em conta.

Biden e o seu lugar na história

A história que perdura nas memórias colectivas é feita de frases curtas. Quando se fala de personagens que marcaram o passado, há sempre uma referência breve que liga o nome a um facto determinante. Por exemplo, o Imperador Nero ficou conhecido como o incendiário de Roma. O Infante Dom Henrique, como o Navegador, embora nunca tenha embarcado num qualquer navio que se tenha feito aos mares. O nome de Estaline aparece ligado aos goulags da Sibéria. Mais perto de nós, Passos Coelho ficará para sempre associado à troika. E agora, Joe Biden arrisca-se a ser lembrado por causa da catástrofe política e humanitária que está a acontecer no Afeganistão. Biden irá rimar com abandono. Assim entrará na história, com esse rótulo infame. Sim, abandono dos progressistas afegãos, das mulheres e raparigas afegãs, com o abandono de um governo que, por muitos problemas que possa ter, sempre representa a parte melhor da nação afegã. Não é apenas uma questão de derrota das tropas ocidentais, das americanas e das aliadas no seio da NATO. É o deixar chegar ao poder gente que não pertence ao século XXI.

O Afeganistão que sofre

O que está a acontecer no Afeganistão é inaceitável e elucidativo.

Inaceitável porque não se pode deixar o país cair de novo nas mãos sanguinárias e primitivas dos Talibãs. Todos sabemos o que significa ter esses fanáticos no poder. A comunidade internacional não pode, de modo algum, aceitar os Talibãs como líderes do Afeganistão.

Elucidativo, por revelar as fragilidades da Aliança Atlântica, a subordinação absoluta aos interesses norte-americanos, o egoísmo político da grande potência e a pobreza estratégica dos dirigentes do mundo ocidental.

A teoria de que uma guerra só deve servir para abrir, tão cedo quanto possível, uma via de solução política foi uma vez mais esquecida. Com isso, sofrem os que combatem, os civis e todos aqueles que vêem os seus direitos serem pura e simplesmente espezinhados.

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