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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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As mulheres de Cabul

Participei hoje num longo debate, organizado pelo Clube de Lisboa, sobre as perspectivas a curto e médio prazo do Afeganistão. Existe um vídeo disponível.

O webinar mostrou a coragem das mulheres afegãs, representadas pela antiga deputada Shukria Barakzai. Continua em Cabul, falou a partir de lá e foi directa na sua critica do poder talibã.

 A sua intervenção lembrou-nos que o Afeganistão de hoje é muito diferente, nas cidades pelo menos, do que existia há vinte anos. Muitos cidadãos, homens e mulheres, estão prontos para defender um país mais moderno, uma sociedade diferente da imaginada pelos talibãs. E nessa luta, as mulheres de Cabul desempenham um papel mais activo que os homens. São mais combativas.

Os europeus face ao novo Afeganistão

Emmanuel Macron, Josep Borrell e outros líderes europeus vêem na situação afegã duas dimensões essenciais: a necessidade de proceder à evacuação dos europeus e dos afegãos que estiveram ligados às actividades da UE no país; e o risco de novos fluxos migratórios em direcção à Europa. Borrell vai um pouco mais longe e fala de ajuda humanitária, sem que se perceba bem como será possível fornecer apoio humanitário sem passar pelo poder talibã e pela apropriação que estes farão de tal ajuda.

Esta é uma maneira curta de ver o que está a acontecer no Afeganistão. A realidade e as lições a tirar são muito mais complexas. Mais ainda, o xadrez estratégico naquela parte do mundo – e não só – mudou radicalmente desde domingo. Essa questão e as violações dos direitos humanos que o novo regime irá praticar são duas das maiores dimensões a ter em conta.

Biden e o seu lugar na história

A história que perdura nas memórias colectivas é feita de frases curtas. Quando se fala de personagens que marcaram o passado, há sempre uma referência breve que liga o nome a um facto determinante. Por exemplo, o Imperador Nero ficou conhecido como o incendiário de Roma. O Infante Dom Henrique, como o Navegador, embora nunca tenha embarcado num qualquer navio que se tenha feito aos mares. O nome de Estaline aparece ligado aos goulags da Sibéria. Mais perto de nós, Passos Coelho ficará para sempre associado à troika. E agora, Joe Biden arrisca-se a ser lembrado por causa da catástrofe política e humanitária que está a acontecer no Afeganistão. Biden irá rimar com abandono. Assim entrará na história, com esse rótulo infame. Sim, abandono dos progressistas afegãos, das mulheres e raparigas afegãs, com o abandono de um governo que, por muitos problemas que possa ter, sempre representa a parte melhor da nação afegã. Não é apenas uma questão de derrota das tropas ocidentais, das americanas e das aliadas no seio da NATO. É o deixar chegar ao poder gente que não pertence ao século XXI.

O Afeganistão que sofre

O que está a acontecer no Afeganistão é inaceitável e elucidativo.

Inaceitável porque não se pode deixar o país cair de novo nas mãos sanguinárias e primitivas dos Talibãs. Todos sabemos o que significa ter esses fanáticos no poder. A comunidade internacional não pode, de modo algum, aceitar os Talibãs como líderes do Afeganistão.

Elucidativo, por revelar as fragilidades da Aliança Atlântica, a subordinação absoluta aos interesses norte-americanos, o egoísmo político da grande potência e a pobreza estratégica dos dirigentes do mundo ocidental.

A teoria de que uma guerra só deve servir para abrir, tão cedo quanto possível, uma via de solução política foi uma vez mais esquecida. Com isso, sofrem os que combatem, os civis e todos aqueles que vêem os seus direitos serem pura e simplesmente espezinhados.

Não podemos esquecer o Afeganistão

Embora no pino do período das férias, não é possível ignorar o que se passa em determinadas partes do mundo, em termos de sofrimento humano e violação dos direitos mais básicos das pessoas. Assim, neste domingo de agosto muitas das atenções estiveram focadas nas tragédias que estão a acontecer no Afeganistão. E, infelizmente, essas tragédias irão continuar.

Mais ainda, qualquer tentativa, por qualquer outro Estado, de dar credibilidade política aos Talibãs deve ser fortemente condenada. Os Talibãs são um grupo terrorista primitivo e inaceitável nos tempos de agora. Os apoios que recebem do Paquistão, da Arábia Saudita e de outros devem ser denunciados

A Europa e a China: saber para onde vamos

Estamos a entrar num período de conflito político às claras entre a União Europeia e a China. Hoje foi o dia de sanções mútuas. E de aumento do volume das vozes críticas.

Perante esta tensão, parece-me difícil prosseguir e concluir o processo parlamentar de adopção do acordo de investimentos com a China. Este projecto de acordo havia sido aprovado pela cimeira dos líderes nacionais europeus em dezembro, um bocado por pressão alemã. Creio que ficará no ar, à espera de melhores dias.

Esses dias não virão tão cedo. Caminhamos, a passos largos, para uma situação de hostilidade entre a China e o Ocidente. Esse será, segundo creio, o factor determinante da geopolítica dos próximos anos. O risco para a estabilidade internacional é enorme.

Por isso, advogo que haja um debate muito sério sobre o nosso relacionamento futuro com a China. Não pode ser um relacionamento que irá sendo definido a par e passo, ao acaso dos acontecimentos e sem rumo certo. Precisa de uma linha directriz e de contornos bem definidos. Cabe aos líderes pôr o assunto em cima da mesa.

O poder das cidadãs

Celebra-se hoje o Dia Internacional da Mulher, que é sobretudo uma chamada de atenção sobre o que falta ainda conseguir em termos de igualdade entre os géneros. É verdade que se tem avançado muito em termos de direitos e de igualdade, mas é igualmente certo que, mesmo nos países mais democráticos, ainda existem muitas disparidades. O acesso ao poder, seja ele político, económico ou de outra natureza, é a única via segura para se conseguir ultrapassar as barreiras existentes. Não é suficiente que estejam em posições de autoridade homens que compreendam e promovam os direitos das mulheres. É mesmo necessário que haja paridade entre homens e mulheres e que muitas das posições de poder sejam efectivamente ocupadas por mulheres. Essa deve ser a mensagem, neste ano de 2021, num período em que a pandemia do coronavírus nos deveria tornar mais sensíveis à necessidade de um mundo mais equilibrado.

Joe Biden e o Príncipe saudita

A administração Biden, no seguimento do relatório da CIA sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, decidiu esta sexta-feira banir 76 adjuntos do Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, proibindo-os de entrar nos Estados Unidos. Mas não tomou nenhuma medida contra o Príncipe, embora tenha ficado claramente estabelecido que o crime foi cometido por ordem sua. Esta decisão pode ter uma explicação geopolítica e espero escrever sobre ela nos próximos dias. Mas tem um custo político enorme no que respeita à credibilidade do Presidente Biden. Precisa de ser vista desse ponto de vista também. Como também deve ser considerada sob o prisma da ética e dos direitos humanos.

Na realidade, o comportamento criminoso de bin Salman é apenas uma dimensão de um regime que é inaceitável – como vários outros – no mundo actual. Esta é uma discussão que continua em aberto: como tratar regimes anacrónicos, violentos e desumanos.

Dizem-nos que amanhã haverá uma comunicação complementar sobre o caso. Veremos o que Washington nos irá dizer. Será certamente algo que merecerá uma reflexão a sério.  

Temas, preocupações e alegrias

Se me meter em conversas em que se discutem temas que nos entristecem ou nos pintam uma sociedade à deriva, fico perdido. Estou a pensar nos temas da ineficiência, da manipulação da opinião pública, da corrupção, da ausência de punição para os criminosos com dinheiro e apoios políticos, dos compadrios, e agora – parece que está na moda – da formação de um governo de unidade nacional – não entendo bem o que isso quer dizer nem onde os seus proponentes querem chegar. Não sei o suficiente sobre o nosso quotidiano, depois de quarenta e dois anos de ausência, para me intrometer nesses debates. Mas reconheço a validade dessas questões. E a necessidade de as discutir de uma forma calibrada e sem manchas de clubite partidária.

Entretanto, ao fim do dia, tive duas boas notícias.

Uma, respeitante ao Conselho de Segurança da ONU, que aprovou uma declaração muito clara contra os militares golpistas em Myanmar. No essencial, é-lhes dito que isso de golpes é algo que não é aceitável no mundo de hoje. Foi uma declaração que me surpreendeu pela positiva. E digo isso no artigo que acabo de escrever para o Diário de Notícias de amanhã.

A outra foi o discurso de Joe Biden sobre política externa. Enunciou uma política clara, baseada na diplomacia com princípios e no respeito por todos os membros da comunidade internacional que se conduzam de modo democrático e que promovam os direitos humanos das suas populações. Ouvir o que ele disse fez-me perguntar a mim próprio se ele e Trump vivem no mesmo país. De um lado, temos uma atitude coerente e positiva. Do outro, era a política do imprevisto e do egoísmo nacionalista. A diferença entre um tipo de América e o outro é simplesmente colossal.

 

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