Portugal é grande quando abre horizontes

09
Nov 19

A luta política portuguesa ainda está debaixo da influência de escolas de pensamento totalitárias. Em ambos os lados, à esquerda e à direita, não estamos preparados para aceitar outros pontos de vista, para ver qualquer tipo de mérito nas opiniões de outras famílias políticas.

A maioria dos defensores das ideias de esquerda vê as outras correntes de opinião como inimigas do povo. Só eles é que têm razão, cada um na sua capela ideológica e entre os seus fiéis amigos. Se tivessem o poder, um poder absoluto, praticariam aquilo que Estaline e outros praticaram, quando se tratava de lidar com pessoas com um pensar diferente. Talvez a uma escala menor, que nós somos uns meia-tigelas, mas o princípio seria o mesmo: esmagar quem não pertence à nossa família política.

À direita, também se faz política assim. Os adversários são vistos como inimigos e os inimigos só podem ter um destino.

A intolerância e a incapacidade de dialogar e de chegar a compromissos têm muitos adeptos entre nós. Fomos formatados pelo fascismo e pelo outro lado da medalha, pelas ditaduras que invocavam em vão a classe operária e o proletariado. Ou seja, a nossa cultura política é uma cultura que procura excluir e derrotar, em vez de construir e harmonizar. É uma maneira de ver que não deixa espaço para um equilíbrio de interesses e para uma inclusão inteligente dos cidadãos, sobretudo daqueles que menos sabem de política e que, por isso, andam mais indefesos.

Toda esta intolerância revela uma grande imaturidade política. Sobretudo, ao nível de quem manda na política, dentro ou fora do governo, nos jornais, nas assembleias, na praça pública. Os actores políticos são infantis, apenas pensam na imagem da sua pessoa e na maneira de bater nos outros, forte e feio.

Há aqui uma revolução cultural que precisa de ser levada a cabo. O problema é que não vejo como se pode iniciar o processo.

 

publicado por victorangelo às 16:32

08
Nov 19

Na Europa a que também pertencemos, o dia 9 de Novembro é uma data especial. Marca o fim do Muro de Berlim, o início da queda dos regimes comunistas ditatoriais do Leste da Europa, a libertação dos povos, bem como o ponto de arranque do processo que levaria à unificação da Alemanha e, mais tarde, ao aprofundamento do projecto europeu.

Talvez não tenha, para muitos dos portugueses, um significado especial – já passaram trinta anos e uma boa parte da nossa população é demasiado jovem para poder ter vivido, ou lembrar, esse período da história europeia. Mas no centro do nosso Continente, em especial nos países que outrora se situavam para além da Cortina de Ferro, a data tem um significado muito especial. Soa a liberdade, que é uma das aspirações mais nobres das pessoas.

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:44

21
Mai 19

Nesta altura pré-eleitoral, uma das perguntas que aparece em cima de algumas mesas tem que ver com o significado da democracia. Que queremos dizer, quando se fala na democracia que se pratica nos países europeus?

Para mim, democracia é a procura de inclusão, de consensos entre diferentes correntes de opinião, bem como um processo de construção de equilíbrios entre os interesses de várias camadas sociais. É, ao nível do quotidiano, um exercício permanente de comunicação clara e construtiva.

A democracia deve ser praticada pela positiva.

Não se trata de tentar excluir os outros. Não é uma espécie de guerra civil. Não pode ser um concurso de propostas demagógicas. Nem uma campanha de insultos.

Quem pratica a política pela negativa tem nos seus genes o embrião comum dos ditadores. E há muitos, em potência, por aí.

publicado por victorangelo às 14:49

20
Mar 19

A frase da semana: a Coreia do Norte é uma ditadura retrógrada, extremamente violenta e inaceitável,  no mundo de hoje e o Jerónimo é simplesmente burro. Também desajustado com a realidade política de hoje.

publicado por victorangelo às 22:49

14
Fev 19

Ainda não percebi a surpresa que muitos têm manifestado perante a afirmação que um grupo de dissidentes do Bloco de Esquerda (BE) fez esta semana, sobre a falta de democracia interna e o clima de perseguição que impera no interior desse partido da extrema-esquerda.

A natureza autocrática dos principais partidos portugueses faz parte dos seus genes. Os nossos partidos são ditaduras envernizadas de democracia. Manda quem, por portas e travessas, chega ao topo da estrutura. Os outros, obedecem. Seguem a linha que vem de cima, de preferência com uma fidelidade de fazer inveja a muitos cachorros. Quando começam a opinar e a defender opções diferentes das decididas pela direcção da agremiação, passam a ser vistos com desconfiança e, nalguns casos, serão mesmo tidos como potenciais traidores. Então, a máquina inicia o processo estalinista – sim, que nisto de exigir uma obediência acéfala, encontramos os estalinistas em ambos os lados, nos partidos à esquerda e à direita – de isolamento e de exclusão desses militantes.

O que não falta por aí serão exemplos que poderão confirmar esta maneira de proceder. E antigos militantes amargurados.

Isto faz-me lembrar o que alguém – deputado desde sempre na Assembleia da República, por saber remar com a maré, seja ela qual for – sempre me disse sobre as lideranças partidárias. Para chegar à chefia, é preciso ser-se mestre na arte da intriga. Para manter a posição de chefia, a arte indispensável é a da coação.

publicado por victorangelo às 16:20

13
Jan 19

A actualidade dos dias recentes lembraram-me que a credibilidade é o principal atributo que um político deve ter. Coerência e coragem de ideias, vida pública e privada sem sombras que levantem suspeitas, dedicação à causa comum, capacidade de falar com franqueza, maturidade e experiência, são as características que definem a credibilidade de um político. Só quem as tem é que pode ter ambições de liderança.

Por outro lado, quando a generalidade dos políticos é pouco ou nada credível, estamos a abrir as portas aos populistas, aos bota-abaixo, e a todos os que passam os dias a dizer que os políticos são todos iguais. Ou seja, estamos a criar condições para que proliferem as abstenções e as alienações, ou mesmo, para que surjam rebeliões arruaceiras e “salvadores da pátria”. É, então, o sistema democrático que estará a ser posto em causa.  

A actualidade dos dias recentes lembraram-me que a credibilidade é o principal atributo que um político deve ter. Coerência e coragem de ideias, vida pública e privada sem sombras que levantem suspeitas, dedicação à causa comum, capacidade de falar com franqueza, maturidade e experiência, são as características que definem a credibilidade de um político. Só quem as tem é que pode ter ambições de liderança.

Por outro lado, quando a generalidade dos políticos é pouco ou nada credível, estamos a abrir as portas aos populistas, aos bota-abaixo, e a todos os que passam os dias a dizer que os políticos são todos iguais. Ou seja, estamos a criar condições para que proliferem as abstenções e as alienações, ou mesmo, para que surjam rebeliões arruaceiras e “salvadores da pátria”. É, então, o sistema democrático que estará a ser posto em causa.                                                                                                                    

 

 

 

 

                                                                                                                

 

 

 

publicado por victorangelo às 15:31

16
Abr 17

O Presidente Erdogan passou os últimos meses a fazer campanha pelo “sim”. Como se a liderança da Turquia se limitasse a um exercício referendário, ainda por cima de legitimidade duvidosa. Foi uma campanha que ficou marcada pela intimidação de todos os que se opunham à reforma constitucional que propunha e que daria, quando aprovada, um poder quase absoluto ao presidente da república da Turquia. De tal modo foi a pressão que a comunicação social, com excepção de alguns casos raros e extremamente corajosos, não viu outra saída senão apoiar cegamente as instruções vindas do poder.

Seria de esperar, num clima quase totalitário como o que o país tem estado a viver, uma vitória sem espinhas do “sim”. Ora, os resultados do referendo dão a Erdogan uma vitória por uma unha negra. Em condições mais democráticas, teria perdido.

Depois de apostar forte e feio em ameaças e abuso de poder, conseguiu finalmente impor a sua pessoa e dividir ainda mais – e de modo profundo – a Turquia.

Nada disto augura tempos tranquilos.

publicado por victorangelo às 20:34

25
Jan 17

Os ditadores são como os loucos: não têm dúvidas. Acham-se detentores das muitas verdades que compõem a vida dos cidadãos e tomam decisões cortando a direito, sem olhar para as objeções dos outros. Agem como se não houvesse alternativas. Ora, estas são hoje uma das características dos tempos modernos.

O único problema que encontram é que nas nossas sociedades democráticas uma grande maioria das pessoas vive no século XXI e já não vai em conversas de totalitários iluminados. Uma parte das gentes não aceita uma leitura retilínea da política, ou seja, ideias redutoras, brutas e simplistas. No século XXI, mais tarde ou mais cedo, os ditadores de toda a espécie acabarão, como aconteceu com os seus antecessores no século passado, por bater estrondosamente no muro multiforme da resistência popular.

A diferença em relação ao passado é clara: agora tudo se passa muito mais depressa. O câmbio dá-se de uma forma acelerada. O que demorava anos e anos a mudar, há duas ou três gerações atrás, muda agora a curto prazo. E os ditadores vão à vida, deles, deixando a nossa em paz.

Ou estarei equivocado?

publicado por victorangelo às 22:05

06
Jan 16

O louco do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, continua a violar impunemente a ordem internacional. Hoje, ao fazer rebentar uma bomba de hidrogénio, Kim ultrapassou um novo limite. Desrespeitou uma norma universalmente aceite que proíbe os testes nucleares. Esta proibição, que faz parte do tratado que proíbe os testes nucleares – Comprehensive Nuclear Test Ban Treaty, aprovado pela Assembleia Geral da ONU em 1996 – nunca fora violada até agora.

A comunidade internacional deve tratar estes ditadores com mais energia. O bloqueio económico e diplomático tem que ser mais apertado. A China, que é de muito longe, o principal parceiro comercial da Coreia do Norte, tem que dar o exemplo. É isso que se espera de um país que é membro permanente do Conselho de Segurança e que quer desempenhar um papel moderador no mundo de hoje.

Kim Jong-Un tem que desaparecer da cena internacional. Sem mais demoras.

publicado por victorangelo às 21:04

01
Fev 11

Um ditador empedernido não pestaneja, diz-se nos círculos da política internacional. Sobretudo quando há uma crise nacional de grandes proporções. Pestanejar é, de imediato, interpretado com um sinal de fraqueza. Abre o alçapão do fim do regime. A partir daí, a pressão da rua e a pressão do palácio, dos que pensam que ainda é possível salvar os móveis, juntam-se. E o que começou por um ligeiro tremelicar da vista acaba por levar à queda do ditador.

 

É um pouco o que poderá acontecer nas próximas horas. Se Mubarak vier anunciar que não será candidato às eleições presidenciais de Setembro, o gesto abrirá a etapa final da presente crise. Ninguém pensa em Setembro, neste momento. É uma data perdida no infinito. A rua quer que o Presidente desapareça da vida política, já. E assim vai acontecer. Se pestanejar, estará fora do poder nas vinte e quatro horas seguintes.

 

Apostamos que vai pestanejar.

publicado por victorangelo às 21:12

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