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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Um optimismo resignado

Neste momento, há algum movimento turístico na minha zona de Belém. Nada que se compare a anos passados, mas nota-se a presença de turistas, algo que não acontecia há um ano. A grande maioria são pessoas jovens. Casais com crianças e adolescentes são raros. Pessoas do tipo reformado, praticamente zero.

Os comerciantes locais, sobretudo os restaurantes, olham para tudo isto com um optimismo resignado. Pouco é melhor do que nada. Será disto que se fala, quando se usa a palavra moderna, que anda na boca dos políticos mais modernos, resiliência?

Entretanto, um amigo meu esteve hoje em Silves. Disse-me que a cidade está deserta. Vários restaurantes estão fechados. Não aparecem clientes que justifiquem a abertura.

Tudo isto pesa muito na economia nacional. Ainda não se percebe qual será o verdadeiro impacto, mas que haverá um impacto negativo é certo. Pensar que os dinheiros que virão de Bruxelas irão tapar estes buracos parece-me um bocado ilusório. Muitos desses dinheiros vão para grandes projectos do sector público ou para-público e nada têm de ver com a sobrevivência das pequenas empresas e dos comércios que são uma parte significativa do tecido económico privado.

Mas há que acreditar em dias melhores, diria o meu amigo Martins, da rua de Belém.

Um verão abaixo das expectativas

Nota-se algum movimento de turistas na zona de Belém, em Lisboa. Uma boa parte é espanhola ou francesa e terá vindo por via terrestre. Os comerciantes estão mais animados, embora saibam que este vai ser mais um verão bem abaixo do que é normal. Mas, num período de seca, qualquer gota de água é celebrada com optimismo.

Ao mesmo tempo, manifestam receio que a situação da pandemia piore. E traga consigo novas restrições. Os números não são bons e a curva vai no mau sentido.

De qualquer modo, será um período de férias diferente. Em muitos países, a inclinação é para fazer férias dentro das fronteiras nacionais.

Entretanto, há futebol, por mais uns dias. E a OMS olha para os ajuntamentos que a competição está a causar com enorme preocupação. Assim o disse, hoje, uma vez mais, o director para a Europa dessa organização.  

A Europa que antevejo

Aposto com quem queira apostar que as regras orçamentais do Tratado de Maastricht – dívida pública abaixo dos 60% do PIB nacional e défice orçamental anual inferior a 3% − voltarão a estar em cima da mesa das discussões. E que a austeridade será um tema que os países apelidados de “frugais” irão de novo inscrever na agenda económica europeia. A chamada “bazuca” é uma oportunidade única para diminuir a distância entre os níveis de vida dos diferentes países europeus. Quem não a souber aproveitar terá perdido uma oportunidade que não voltará a surgir, a não ser que apareça uma crise tão profunda como a da pandemia.

Os indícios que começam a aparecer mostram que, em matéria económica, entraremos, depois da pandemia, numa fase nacionalista.  

Os Britânicos, os Alemães e nós

Hoje, a Alemanha decidiu impor uma quarentena de duas semanas aos viajantes provenientes do Reino Unido. Está preocupada com a incidência da nova estirpe indiana no seio da população britânica.

Entretanto, Portugal começou a receber de braços abertos turistas vindos do Reino Unido. Mostra, mais uma vez, que não há, no seio da União Europeia, um tratamento unificado da pandemia.

E a coisa pode ficar complicada, de novo, em Portugal. Depois das festas desportivas e outras comemorações, e agora com a abertura das viagens turísticas, os números estão a aumentar. Se o nível de contágios atingir o patamar critico, os países começarão a colocar o nosso na lista vermelha. Isso iria comprometer seriamente o período de férias de verão.

Nas ruas, é cada vez mais frequente ver gente sem máscara. Andam com ela no braço. Esta atitude deve ser combatida por quem tem a responsabilidade de o fazer. A ideia de que a pandemia está a ficar vencida é uma ideia que ainda pode custar caro. A nossa economia não pode fazer frente a uma nova vaga. Prudência e comportamentos cívicos deveriam continua a ser as palavras de ordem.

A inflação está aí e vai continuar a crescer

Os Estados Unidos e a China estão numa fase de recuperação económica acelerada. No caso americano, essa recuperação deve-se às quantidades gigantescas de capitais públicos que têm sido postos à disposição dos cidadãos e da economia. Quanto à China, para além da intervenção do estado, a recuperação está ligada ao dinamismo do seu tecido económico, à vastidão do mercado interno, tudo isso num contexto de controlo da pandemia, algo que aconteceu atempadamente.

Em ambos os casos, estamos a assistir a uma procura muito acima do normal de matérias-primas e de meios de transporte, sobretudo de contentores para o transporte marítimo. Tudo isto provoca um aumento dos preços, quer dos bens necessários à produção quer dos transportes. Provoca igualmente uma escassez de certos bens, no que respeita ao acesso por parte de outras economias mais pequenas e menos poderosas.

Estamos, por isso, a assistir a um processo inflacionista que irá continuar em aceleração. Economias como a nossa irão sentir claramente o aumento dos custos de produção e as maiores dificuldades de acesso aos mercados de bens primários.

Vidas em crise

O jovem motorista de táxi, que me levou de Belém até cerca da Praça de Espanha, disse-me que faz 14 horas por dia, para um ganho insignificante. Quando entrei no seu carro, estava estacionado há mais de duas horas, sem que tivesse aparecido qualquer tipo de serviço. Num longo dia de trabalho faz, em média, entre seis e oito viagens. Acrescentou que vários colegas já estão há bastante tempo a recorrer aos bancos alimentares. E rematou, com um ar resignado, que as perspectivas que vê, para os próximos meses, não são animadoras.

Os dias moles e parados

Em frente à minha varanda, do outro lado da avenida, existe uma praça de táxis. No passado, as viaturas permaneciam pouco no estacionamento. Chegavam, juntavam-se mais uma ou duas, e rapidamente seguiam viagem. O tempo de paragem era curto. Agora, forma-se uma fila que nunca mais acaba e passam horas à espera do serviço que não aparece. É difícil, ao ver tantas viaturas sem movimento, não concluir que a cidade está mais ou menos parada. É igualmente impossível não pensar nas consequências económicas e sociais de tudo isto.

Para cúmulo, os meus amigos de Évora publicam fotos do centro da cidade, sem que se veja vivalma. E quem fala comigo ao telefone, diz-me que na sua zona pouco ou nada mexe. E acrescentam que muitos andam deprimidos, à espera da vacina e dos dias de sol. Infelizmente, não posso prometer nem uma nem a outra.

Myanmar e os seus imensos problemas

Fevereiro começa, na cena internacional, com um golpe de estado em Myanmar. O partido de Aung San Suu Kyi havia ganho de modo esmagador as eleições legislativas de novembro passado. É verdade que as eleições não foram realizadas da melhor maneira, por causa da pandemia e das rebeliões armadas que persistem em várias regiões do país. Mas onde tiveram lugar de modo aceitável mostraram claramente que a senhora Suu Kyi goza de uma popularidade enorme junto das populações. Sobretudo quando se trata da etnia birmane, que é, de longe a mais numerosa.

Também é um facto que Aung San Suu Kyi pode ser criticada por várias razões, por acontecimentos e tomadas de posição que adoptou ao longo dos últimos cinco anos em que esteve no poder. Mas é fácil criticar a líder e esquecer as imensas e profundas contradições que existem no país. A sua liderança era, em grande parte, um exercício de equilíbrio. No fundo da cena, estavam sempre os generais e a máquina militar, que é poderosa. São estes que massacraram os Rohingyas e levaram à sua expulsão de Myanmar.

São também os militares quem controla algumas das principais fontes de riqueza em que se baseia a economia nacional. As forças armadas são uma estrutura que mistura organização militar, com interesses económicos e políticos. Em certas zonas do país, estão directamente ligadas à exploração ilegal de pedras preciosas e à facilitação da produção e do comércio de drogas. Têm, além disso, uma ligação estreita com as forças armadas da China, nas zonas fronteiriças com esse país, e com a Índia, igualmente nas fronteiras comuns. E é conhecida a cooperação militar entre Myanmar e Israel, quer em termos de formação quer na aquisição de armamentos.  

Tenho seguido, há vários anos, por obrigação profissional, o que se passa em Myanmar. E acho fundamental que se condene de modo inequívoco o golpe de estado de hoje. O Conselho de Segurança da ONU discutirá a situação amanhã. Não creio, no entanto, que a China possa tomar uma posição muito clara. Um dos corredores económicos fundamentais da Nova Rota da Seda passa por Myanmar. O seu funcionamento dependerá da boa vontade dos militares golpistas.

 

Os voos que estão ao nosso alcance

Não conheço o plano de ajuda à TAP. Vejo, no entanto, que o sector da aviação é dos que conhecem um nível de competição mais elevado. Está, por outro lado, profundamente afetado pela crise da pandemia. Competição e pandemia são duas variáveis que são difíceis de projetar em direcção ao futuro, difíceis de prever. Qualquer investimento que venha a ser feito na TAP estará sempre cheio de incertezas. Eu não investiria dinheiro meu numa empresa de aviação, e muito menos numa empresa que tem uma cultura de funcionamento que não lhe tem permitido dar lucros desde há muito anos.

Também não me parece que no nosso caso, e com os poucos recursos que temos, se possa considerar a TAP uma empresa de interesse nacional estratégico. O tempo das empresas de bandeira já passou, para países como o nosso. Isso é válido no caso do Qatar ou dos Emirados, que têm dinheiro que sobra e uma grande necessidade de afirmação na cena internacional. Nós não estamos nessa situação. Não temos recursos para questões não-estratégicas e a nossa afirmação na cena internacional não passa pelas asas de uns aviões.

Depois da pandemia

Com o progresso acelerado em matéria de vacinas contra a covid-19, seria útil reflectir sobre o mundo que aí vem, no período pós-pandemia. Será, certamente, um mundo diferente, nas áreas económicas e humanas, bem como no relacionamento entre os diferentes estados. No caso destes últimos, a grande lição que deverá ser retirada das campanhas de vacinação é a da cooperação entre todos. Mas é possível que essa conclusão se limite apenas às matérias de saúde pública. Isto significaria que os verdadeiros líderes, com uma visão global, deveriam procurar levar a questão mais longe e promover a cooperação noutros domínios de interesse universal. Um deles seria certamente o do aquecimento global. Outro teria de ser no campo da cooperação económica, com o objectivo de combater a pobreza extrema. Os tempos recentes mostraram-nos que quando há vontade política é possível fazer milagres. Tem de haver vontade política na luta contra a pobreza. Esta é um dos factores mais importantes de instabilidade no interior dos estados e a nível internacional. As receitas necessárias, do ponto de vista económico, são conhecidas. Passam pelo comércio sem barreiras, pelo tratamento preferencial dos mais pobres, pela formação profissional dos jovens, por investimentos limpos e pela eliminação da corrupção.

Este debate sobre o futuro pós-pandémico é, na verdade, o debate que se impõe.

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