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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Aeroporto de Hong Kong

Ontem fiz uma visita virtual do aeroporto de Hong Kong, um sítio que conheço relativamente bem e que sempre me surpreendeu pelo seu gigantismo, pelo número excepcionalmente elevado de passageiros e pela organização minuciosa. As imagens que um amigo meu me mostrou ontem – ele estava em trânsito – deram-me uma nova indicação da amplitude da crise da covid-19. O aeroporto estava simplesmente às moscas, as salas de espera vazias, o salão executivo sem ninguém, a lista de voos reduzida a meia dúzia ou pouco mais. Apenas os funcionários estavam nos sítios habituais, numa encenação sem espectadores. O voo que trouxera o meu amigo para Hong Kong, um voo de longo curso – cerca de seis horas – tinha a bordo cinco passageiros e nove tripulantes.

Quem não quiser ver o impacto da pandemia sobre as relações económicas globais não deve passar por Hong Kong. Por exemplo.

Reflectir sobre a China

Alguns dados sobre a China:

  • Metais raros: produz 58% da produção mundial.
  • Alumínio: 50% da produção mundial.
  • Aço: 60% da produção mundial tem lugar na China.
  • Contentores: 85% da produção mundial.
  • Construção naval: em termos de tonelagem, representa 45% da construção mundial.
  • Trigo: 1º produtor mundial – 21% da produção mundial.
  • Arroz: 1º produtor – 30% da produção mundial.

Abrir um postigo não é solução

Abrir as portas do espaço Schengen aos cidadãos de uma quinzena de países, como deverá ser decidido amanhã, é pouco. Não servirá para grande coisa, para além de mostrar que a crise irá continuar. O mundo não pode continuar fechado durante muito mais tempo. É fundamental aplicar outras medidas de prevenção, que não sejam o fecho das fronteiras e as quarentenas aplicáveis a todo e qualquer um. Testes expeditos, controlos de temperatura, seguimento dos casos suspeitos, promoção de comportamentos responsáveis, harmonização das políticas de saúde ao nível mundial, tem que haver maneira de encontrar um equilíbrio entre a pandemia e o funcionamento das relações internacionais, entre a prudência e a revitalização das economias. Cada dia que foge e que mantém a interdição de viajar para além da nossa vizinhança política é mais um passo para o abismo económico e social. O bloqueio sem esperança nem horizonte é um falhanço da comunidade internacional.

Os tempos do futuro

Agora, é preciso ser-se realista e optimista, ao mesmo tempo. O realismo permite-nos compreender que a recuperação das economias vai ser dura, exigir muito trabalho e um quadro político favorável. O optimismo dir-nos-á que o futuro não pode ser uma mera cópia do passado. Terá que ser melhor, mais atento à segurança das pessoas, incluindo a sanitária, mais responsável perante as grandes questões do ambiente, assim como mais aberto à cooperação entre os povos e os seus governos.

Não vai ser fácil. Os traumatismos da crise que vivemos levam-nos a uma situação de dependência em relação aos governantes, à crença que o Estado tem que resolver tudo e que nós só temos que pedir e esperar. Levam-nos, nalguns casos, a aceitar sem pestanejar a autoridade abusiva de quem ocupa os lugares de mando. Não creio, no entanto, que a democracia esteja em perigo, com a excepção dos casos conhecidos. Mas é bom recordar, a quem precisa de ser recordado, que as autocracias não são aceitáveis. Esta é uma tecla em que será preciso bater muitas vezes.

Aos populistas e demagogos, convém dizer que não, que os nacionalismos extremistas não serão a moeda do futuro. O mundo está e estará confrontado com grandes problemas partilhados por todos. Apenas as respostas coordenadas poderão ser a solução. Para além disso, o equilíbrio em relação às superpotências pede que nos unamos, a nível regional. Só assim poderemos fazer frente aos gigantes geopolíticos e económicos. E, por muito simpático que possa parecer, um gigante é sempre ameaçador.

O optimismo vai ser o tema do mês de maio. Todavia, para vingar, precisa de exemplos positivos e de um reabrir das relações internacionais. Aqui, nesta área, seria fundamental propor uma iniciativa que mostrasse que a comunidade internacional compreende a necessidade de acções conjuntas. Precisamos de uma cimeira da reconstrução e de desenho do futuro.

Uma semana que fecha mal

Reconheço que esta primeira semana de março de 2020 só nos pode deixar preocupados. A expansão da epidemia Covid-19 continua, com sérias implicações em matéria de saúde pública e da economia global. A contenção é a prioridade absoluta, mas a verdade é que não está a ser conseguida. Na Europa, os serviços nacionais de saúde oferecem um mínimo de protecção às pessoas infectadas. Poderão, no entanto, chegar rapidamente a um ponto de ruptura, sem capacidade de resposta perante os novos desafios. Nos Estados Unidos, onde a maioria da população não usufrui de um sistema protecção, o impacto social poderá ser catastrófico. E esta manhã, o Cambodja anunciou que está prestes a ter que fechar a sua indústria têxtil, uma das actividades mais importantes do país, pois não está a receber a matéria-prima – os tecidos – que normalmente deveriam chegar da China.

Ignorar este desafio extremamente complexo seria falta de caco político. Creio que o Presidente americano, esta noite, começou a perceber essa verdade.

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