Portugal é grande quando abre horizontes

06
Nov 17

A realização do Web Summit em Lisboa coloca Portugal no mapa de quem se interessa pelas novas tecnologias da informação. Para além dos benefícios económicos e das oportunidades de investimento que poderá abrir, a cimeira dá uma marca de modernidade ao nosso país.

Para mais, decorre em dias de Sol e de céu azul.

Portugal pode assim projectar-se como a Califórnia tecnológica da Europa. Como uma alternativa e também como um complemento.

Tudo isto deverá igualmente servir para nos lembrar que continua a ser fundamental investir mais e melhor na formação dos nossos jovens em matérias que tenham que ver com as matemáticas, as engenharias, as ciências de ponta e as indústrias criativas.

A educação é melhor investimento no futuro de um país. Esta é uma verdade sabida e repetida. Mas que os nossos políticos não levam muito a sério.

publicado por victorangelo às 21:55

21
Ago 16

Hoje lembrei-me do velho Deng Xiao-ping (1904-1997). O tal que dizia, por outras palavras mas com o mesmo sentido, que o importante não era a cor do gato, se branco ou preto, mas sim se caçava, ou não, ratos. É o pragmatismo político levado ao extremo.

 

Mas a verdade é que precisamos, no nosso caso bem português, de introduzir uma forte dose de pragmatismo na nossa prática política. Há conversa a mais, ideologia superficial em abundância, e poucos resultados práticos. Ora, o que os cidadãos querem é que o país funcione melhor, que lhes facilite a vida. Esse é o critério que conta. 

 

Ora, estamos e temos estado, nas mãos de incompetentes. O verdadeiro combate político passa pela luta contra essa ineptidão. O Zé que vê a sua companheira esperar às portas do Serviço Nacional de Saúde até já não haver solução não pensa na cor do gato que está no governo. Fica convencido, isso sim, que a incompetência mata os pobres. A Maria, que aos 26 anos ainda anda à procura do primeiro emprego, depois de vários estágios faz-de-conta, compreende agora que o sistema educativo não a preparou para a vida. A incompetência do sistema público de educação dá cabo da vida aos jovens pobres, sem no entanto beliscar o futuro dos filhos dos ricos. E dos políticos… 

 

E assim sucessivamente.

 

 

publicado por victorangelo às 16:46

07
Jun 16

Os colégios privados britânicos praticam propinas elevadíssimas. Não creio que exista uma situação comparável na UE. Também é verdade que o ensino é adaptado às características de cada aluno, de modo a que todos possam desenvolver as faculdades que lhes são próprias. Isso requer turmas de reduzida dimensão e um acompanhamento individual de cada aluno.

Os custos tornam esses colégios apenas acessíveis às famílias com rendimentos elevados. Existe, no entanto, um sistema de bolsas de estudo, também ele privado, por ser financiado por fundações e outros esquemas de doações, que permite a um muito reduzido número de alunos ter acesso a esses colégios, embora provenham de famílias com poucos recursos.

Assim se criam elites e disparidades sociais para a vida. Essas diferenças distinguem-se perfeitamente na maneira de pronunciar o inglês. E tornam-se ainda mais acentuadas segundo o tipo de universidade que se frequenta.

Também é assim que surge uma maneira muito peculiar de ver o resto da Europa. Uma altivez que toca na desconsideração…

 

publicado por victorangelo às 20:12

01
Mai 16

Num dia como o de hoje, quando se celebra a festa do trabalho, permito-me lembrar que os sistemas educativos europeus precisam de levar uma grande volta. Têm que estar orientados para a economia de ponta, de alta tecnologia, de conhecimento e de criatividade e preparar as novas gerações para os desafios de amanhã. Não podemos ter um ensino inspirado nos métodos do passado, na repetição cega, na produção uniforme de diplomas que nada significam.

A educação tem que ter um cariz pessoal, capaz de dar a cada um o máximo de possibilidades, com flexibilidade e através da promoção do espírito criativo e da vontade de vencer. A ambição e a competitividade devem fazer parte dos currículos.

É no sistema de ensino que se manifesta e define a igualdade ou a desigualdade, que depois se irá aprofundar durante a vida activa. Um país que não invista a sério na educação é um país que está a preparar o seu próprio atraso. Está a criar os futuros trabalhadores de segunda. E igualmente, os frustrados de amanhã.

publicado por victorangelo às 16:08

22
Fev 16

Quem sabe dessas coisas diz-me que, em média, o nível dos conhecimentos dos alunos que terminam o ensino secundário em Portugal tem vindo a baixar de ano para ano, na última década. Na maioria dos casos, limitam-se a estudar o necessário para passar nos exames. Fora disso, pouco ou nada sabem, nem lhes interessa. E também não sabem equacionar uma questão ou dar-lhe uma resposta estruturada.

Se assim é, estamos a preparar gerações futuras que serão muito pouco competitivas no mundo global a que irão pertencer. Ficarão para trás. Como tem aliás acontecido ao país nas últimas décadas. Na competição internacional, Portugal anda em marcha lenta.

O que é extraordinário nisto tudo é que ninguém parece de sobremaneira preocupado com este tipo de realidades. Olhamos para o futuro com olhos míopes.

 

publicado por victorangelo às 19:57

16
Jun 15

No seguimento da decisão anunciada sobre a possível presença de militares em situação de reserva nos recreios e outros recintos das escolas, é evidente que não cabe aos elementos das forças armadas prestar serviços de segurança interna, dentro da normalidade constitucional. Há pouco que discutir sobre isso.

O que me parece extremamente preocupante é a situação a que se chegou em muitas das escolas públicas. A indisciplina, a violência entre os alunos, a destruição de equipamentos, as ameaças à integridade física dos professores, dos trabalhadores escolares e dos colegas, tudo isto está mais ou menos fora de controlo. Só assim se compreende que tenha aparecido a ideia de trazer os reservistas para os estabelecimentos de ensino. Esta resposta, que não é nem pode ser solução, mostra bem que temos um enorme problema de respeito pelas pessoas e pelas práticas de cidadania nas escolas.

Um país que não consegue resolver este tipo de problemas é um país com um futuro muito triste. Ou estarei enganado?

publicado por victorangelo às 20:19

03
Jun 15

O programa Erasmus é uma excelente iniciativa da União Europeia. Permite a muitos jovens estudar noutros países e ganhar assim uma visão mais aberta da Europa. Ganham todos com este programa: os participantes e a coesão europeia. Agora, com a modalidade Erasmus + também é possível incluir os professores no intercâmbio.

Por tudo isso, a proposta agora apresentada pela Comissão de aumentar em 30% o orçamento do programa para 2016 deve ser reconhecida e apoiada. É, no meu entender, um dos aspectos positivos do próximo orçamento anual, um orçamento que todavia tem muitas propostas questionáveis, como por exemplo a diminuição em cerca de 16% dos fundos de coesão. Estes fundos são importantes para financiar infraestruturas e abrir novas possibilidades de desenvolvimento nas regiões mais atrasadas da União

publicado por victorangelo às 21:03

24
Mai 15

Curiosamente, numa altura em que a UE é governada ao centro, com uma ligeira tendência centro-direita – mas capaz de combinar, embora nem sempre com a clareza que deveria, o liberal e o social – a política portuguesa parece querer apostar na contracorrente. Ou seja, dir-se-ia pronta a empenhar-se numa viragem na direção de uma esquerda estatizante, economicamente conservadora, protecionista e pequeno-burguesa.

Que fique no entanto claro que não há problema algum numa opção de esquerda, mesmo nesta Europa centrista. Mas que seja uma esquerda arejada e moderna, capaz de fazer funcionar a educação, tendo em conta os desafios da cidadania, da economia digital e da sociedade do conhecimento. Capaz também de fazer funcionar o serviço nacional de saúde, e não apenas uma parte desse xadrez, deixando o resto a fingir que existe. Capaz igualmente de reabilitar as instituições que se ocupam das questões fundamentais de soberania, a começar pela defesa nacional e a segurança interna, a justiça, a representação externa e a língua. E acima de tudo, uma esquerda capaz de promover uma economia que atraia os melhores investimentos privados possíveis, que crie emprego moderno e que seja ágil na resposta à concorrência e aos desafios da rápida modernização dos meios de produção, dos mecanismos de mercado e dos novos tipos de consumo.

Essa é a resposta que deve ser construída.

O resto é saudosismo do passado e poesia sem arte, com palavras ocas e declarações sem significado, a não ser o de embasbacar os bacocos.

publicado por victorangelo às 16:15

15
Mai 15

Infelizmente, tenho que voltar a escrever sobre o bullying nos meios escolares. Não apenas por causa do novo caso que chegou à comunicação social – os maus tratos inaceitáveis contra um rapaz de 12 anos, no autocarro do colégio, em Leiria. Nem mesmo porque o condutor do autocarro fingiu que não era nada com ele e por a directora do colégio ter tentado esconder o incidente. Volto ao assunto porque um imbecil de um comentador numa rádio de prestígio veio dizer que o bullying sempre existiu, dando a entender que não há razão para tanto alarido. Ou seja, procurou fazer em público o que muitos fazem pela calada: banalizar a coisa, achar normal que jovens abusem física e psicologicamente de outros jovens.

É contra este tipo de cretinismo opinativo que me bato. É a razão de ser deste blog. E faço-o por saber que estas barbaridades de opinião são moeda corrente, aqui por este país. Noutros países, que conheço e frequento assiduamente, a tolerância em relação aos comportamentos violentos nas escolas é zero. Não se aceita. Responde-se a cada caso de violência com firmeza e celeridade. E fazem-se repetidas campanhas de esclarecimento sobre o respeito pelos outros, os direitos de cada um e os valores da cordialidade e da compreensão em relação aos que são diferentes. A verdade é que essa maneira de tratar o problema dá resultado.

Portugal precisa de levar uma grande volta. Incluindo nesta área e no domínio mais vasto da educação. A permissividade e a passividade actuais estão a dar espaço e a criar os primários de amanhã, os portugueses do subdesenvolvimento, que pouco mais saberão fazer na vida do que dar bofetadas, dizer palavrões, protestar a torto e a direito, e votar pelos partidos radicais, na vã esperança que a sociedade assuma o encargo de tomar conta deles, das suas frustrações e das suas incapacidades.

 

 

publicado por victorangelo às 20:58

14
Mai 15

De vez em quando, nestes escritos que aqui vou deixando, chamo a atenção para a problemática do bullying nas escolas portuguesas, incluindo sob a forma de praxes académicas. É um problema sério, frequente e, tantas vezes, propositadamente ignorado. Ou seja, quem tem responsabilidades finge que não sabe, que não vê. E deixa andar.

O que se passou na Figueira da Foz – a agressão em grupo de um aluno, de modo prolongado e criminoso – é mais um triste e chocante exemplo da violência que existe nos meios escolares ou na proximidade. Neste caso, ninguém pode acreditar que não se tenha sabido do incidente durante um ano. Mas a verdade é que foi necessário que aparecesse um vídeo no Facebook para que se visse algum tipo de resposta por parte das autoridades, dos pais e das testemunhas do acontecimento.

Vamos agora estar atentos ao seguimento que o caso irá ter. Teremos a resposta que se impõe ou ficaremos, uma vez mais, no reino do indefinido e da irresponsabilidade?

 

 

publicado por victorangelo às 17:44

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