Portugal é grande quando abre horizontes

15
Jun 19

No meu blog em inglês, escrevo hoje sobre a situação no Sudão e as razões que fazem a UE ficar calada. Os militares sudaneses são amigos de amigos nossos...

http://victorangeloviews.blogspot.com

publicado por victorangelo às 20:57

22
Ago 13

É sobre a situação no Egipto que escrevo hoje na Visão. 

 

O link para o texto é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/mks4ce4

 

E a escrita completa é igualmente transcrita de seguida.

 

Jogar forte e feio no Egipto

Victor Ângelo

 

A crise egípcia veio demonstrar, uma vez mais, que em matéria de política externa, o que conta são os interesses e a salvaguarda das alianças. Os objectivos estratégicos têm precedência absoluta. Os princípios e a lei internacional, que deveriam orientar as relações entre os Estados, acabam por servir apenas como cortina de fumo. Quando se torna escandaloso ficar calado perante violações extremas dos direitos e liberdades fundamentais, inventam-se então umas declarações políticas, que metem os pés pelas mãos e nada acrescentam nem contribuem para a resolução do problema. Servem, apenas, para fingir algum respeito pelos princípios e para ocultar o que de facto está em jogo.

 

No caso do Egipto, a aposta é enorme. A preocupação fundamental das potências ocidentais é a de evitar o caos. Trata-se, no mundo árabe, do país com a maior relevância estratégica. Não pode ficar nem ingovernável nem imprevisível. Com 84 milhões de habitantes, e um crescimento demográfico que fará aumentar a população para a casa dos 125 milhões, no ano 2030, tudo isto no quadro de uma economia em declínio, o Egipto tem desafios estruturais gigantescos. A que se junta uma estabilidade social precária, entre a esmagadora maioria muçulmana e a minoria cristã. Acrescentar a estes factores o caos político seria inaceitável. Não só desestabilizaria totalmente o país, como poria em causa a segurança da navegação no Canal do Suez, traria novas ameaças às zonas fronteiriças com Israel e Gaza, tornaria o Sinai num paraíso para o banditismo armado e transformaria toda região num viveiro de extremistas violentos.

 

Este é o cenário que Washington e certos círculos dirigentes europeus não querem que aconteça. Foi por isso que os militares egípcios, apesar do golpe de Estado de 3 de Julho, conseguiram passar entre os pingos da chuva e não ser publicamente condenados por Obama e outros, mesmo após a decisão da União Africana de suspender o novo regime do Cairo. E é ainda por isso que hoje os Estados Unidos e a UE hesitam na resposta a dar aos acontecimentos recentes, que têm causado centenas de mortos. Vistas as coisas a partir deste lado do mundo, os militares são a única instituição que pode garantir um poder forte e previsível. São, igualmente, aliados de confiança – a cooperação de defesa entre Washington e o Cairo tem uma longa história.

 

A Irmandade Muçulmana, por seu turno, após muitas décadas de subalternização, deixou-se arrebatar pela legitimidade eleitoral e pelo controlo do poder formal. Financiada pelo Qatar, que nos últimos doze meses doou recursos financeiros incalculáveis ao governo de Morsi, perdeu de vista a correlação de forças no tabuleiro interno e a sua posição no xadrez regional. Quis forçar a parada em ambas as frentes, quer através da adopção de uma constituição a contracorrente dos equilíbrios domésticos quer ainda ao apoiar o Hamas em Gaza e ao menorizar a relação com a Arábia Saudita. Foi, no entanto, o relacionamento cada vez mais íntimo de Morsi com a Turquia de Erdogan que fez içar a bandeira vermelha. O que aconteceu aos generais turcos, julgados com mão pesada e em atropelo das regras processuais, foi visto como um prenúncio pela cúpula militar egípcia. Deixar as coisas continuar por essa via seria um erro fatal, na perspectiva do general Abdel Fattah al-Sisi e dos seus camaradas de armas. Ao tomar a iniciativa de derrubar Morsi sabiam que podiam contar com a condescendência do Ocidente.

 

Assim saibam, agora, que sem compromissos entre todos os sectores da sociedade egípcia não haverá futuro para o seu grande país nem estabilidade na região.

 

publicado por victorangelo às 12:00

17
Dez 12

O que se passa actualmente no Egipto, à volta do projecto de Constituição e dos direitos das minorias, da igualdade entre os homens e as mulheres e dos atentados à liberdade de participação na vida pública das ONGs, é preocupante.

 

 Convém dizer ao Presidente Mohamed Morsi, diplomaticamente mas com firmeza e sem ambiguidades, que o futuro da paz e da democracia no seu país não estará garantido enquanto estas questões não forem resolvidas.

 

E terão que ser resolvidas tendo em conta os princípios aceites pelas Nações Unidas e que se encontram gravados nas convenções internacionais.

 

A liderança egípcia e a Europa não podem deixar o país cair no caos.

publicado por victorangelo às 09:53

24
Jun 12

 

 

Copyright V. Ângelo

 

O resultado da eleição presidencial no Egipto tem que ser aceite. Como o vencedor também terá que aceitar que o Egipto é uma sociedade complexa, com minorias que têm que ser respeitadas. A transformação do país não será uma viagem tranquila. Mas precisa de ser feita, com base na liberdade e no respeito pelos direitos humanos. 

publicado por victorangelo às 21:16

27
Out 11

Escrevo na minha coluna de hoje, na Visão, sobre a Primavera Árabe, com um foco muito especial no Norte de África. Escrevo para defender duas ou três teses e combater o pessimismo e a ausência de uma visão estratégica. 

 

Defendo que a prioridade política é, para todos, incluindo no que diz respeito à cooperação da comunidade internacional, consolidar a democracia. Isto passa pelo combate aos extremismos, embora reconheça a identidade cultural específica dos países da região e o peso relativo da religião na vida pública.

 

Quanto à economia, avanço a ideia que é preciso fomentar a integração económica no Norte de África. Esta será a via mais rápida para o crescimento, o bem-estar e a estabilidade dos países em causa. Defendo o estabelecimento de um mercado comum no Norte de África.

 

A região vai conhecer altos e baixos. Os desafios são imensos. Mas poderá ultrapassar muitas das dificuldades que existem, se mantiver uma política de respeito pelos direitos humanos e procurar incentivar um crescimento económico equilibrado.

 

Sei que muitos leitores pensarão que sou demasiado optimista. Talvez não seja bem assim...

 

O texto está disponível em:

  

http://aeiou.visao.pt/depois-da-primavera=f630103      

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:50

14
Fev 11

Quem se ocupa das questões internacionais está com muito pano para mangas.

 

A situação no Egipto continua muito complexa. Há progressos, mas existem riscos de derrapagem.

 

Na Tunísia, o novo governo ainda não conseguiu estabelecer uma governação efectiva.

 

Entretanto, os jovens do sexo masculino fogem do país, a sete pés, aproveitando o vazio de autoridade. Só nos últimos três dias, foram cerca de 4000 os que desembarcaram em território italiano.

 

Um êxodo que tem mostrado a falta de uma resposta europeia comum. A Itália que resolva...

 

Afinal o muito falado e famoso contágio inclui a Europa...

 

No Iémen, as batalhas campais são o pão quotidiano. A oposição, quando se manifesta na capital, é violentamente atacada por adeptos do regime. A ordem pública é uma desordem que é útil ao Presidente Ali Saleh.

 

No Bahrein, uma parte da população esteve, hoje, na rua. O país é rico. Mas, falta a liberdade. Foi esse o motivo das concentrações.

 

O Bahrein, ao contrário do Egipto, da Tunísia e do Iémen, é constituído por crentes xiitas. Como no Irão.

 

O Irão teve igualmente um dia de manifestações. A repressão é grande, violenta, mas muitos estiveram nas ruas de Teerão. Os telemóveis e a internet estiveram desligados algumas horas. Porém, a informação acabou por chegar ao exterior do país.

 

Curiosamente, as manifestações tiveram lugar no mesmo dia que o Presidente da Turquia iniciava a sua visita oficial ao Irão. O Presidente Abdullah Gul teve a coragem de dizer claramente, numa intervenção pública, ao lado do seu homólogo iraniano, que é preciso prestar atenção às movimentações populares. Foi uma declaração importante.

 

publicado por victorangelo às 22:40

11
Fev 11

Esta é uma breve referência a duas declarações sobre o Egipto, feitas de ambos os lados do mundo ocidental, este serão.

 

Em Washington, o Presidente falou na vitória do povo egípcio, no poder das manifestações pacíficas, na dignidade humana e nas relações de amizade entre os dois povos. Foi um discurso de celebração, de entusiasmo e de esperança no futuro.

 

Em Bruxelas, a Alta Representante, a Baronesa Ashton, falou do que é preciso que os novos líderes façam, da ajuda que a União Europeia pode dar -disse que temos muita experiência em matéria de apoio à democratização-, falou dos haveres do ex-presidente, de eleições, etc. Parecia que estava a dar uma lição às gentes do Egipto. Não houve chama nem inspiração nem beleza. Foi um discurso técnico, pouco político.

 

Um dia histórico como o de hoje não é o momento certo para dar lições. Nem temos, nós, os Europeus, que dar lições.

 

Hoje, é dia para sermos generosos e acreditar no futuro.

publicado por victorangelo às 20:52

10
Fev 11

 

Na minha página da Visão que hoje foi posta à venda, volto a escrever sobre os acontecimentos no Egipto. Tinha que ser. O assunto continua a ocupar as grandes manchetes dos media. E tem havido, nos países ocidentais, quem tenha expresso profundas reservas e receios sobre o futuro do Egipto.

 

A minha tese principal defende que a mudança no Egipto deve ser encarada pela positiva. Não estamos em 1979, na situação que, na altura, prevalecia no Irão. Temos uma população bem informada, conectada com o mundo e com uma visão ampla das coisas da vida. É verdade que a Irmandade Muçulmana está bem organizada, tem uma vasta rede de serviços sociais, que toca a muita gente. Mas existem outras fatias da população que não se identificam com a Irmandade. A começar pelos militares.

 

Defendo também que esta é a última página da história colonial, no Médio Oriente. Depois da administração directa, pura e dura, tivemos várias décadas de controlo indirecto, à boa maneira anglo-saxónica. É essa fase que está, neste momento, em derrocada.

 

O meu texto pode ser lido no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/nao-ha-razao-para-pesadelos=f589462

 

Entretanto, Hosni Mubarak veio dizer-nos, esta noite, que não sai. Que vai continuar a ser o chefe, embora delegando poderes no Vice-Presidente.

 

Não se entende bem qual é a jogada em que esta cartada se insere, mas foi certamente uma mão terrivelmente arriscada. Amanhã, a rua vai estar cheia de gente. Com manifestações, por toda a parte, que não poderão deixar as Forças Armadas indecisas.

publicado por victorangelo às 21:40

03
Fev 11

A Internacional Socialista, por carta datada de 31 de Janeiro de 2011, resolveu retirar da lista dos seus membros o partido de Hosni Mubarak.

 

O Partido Nacional Democrático, o partido do regime, era membro da Internacional Socialista desde 1989. Tinha sido admitido como um meio de premiar Mubarak pelo tipo de relações que mantinha com Israel. Não por ser socialista e, ainda menos, por ser democrático. A decisão fora mais um exemplo da ambiguidade com que o Ocidente tem tratado a governação autocrática do Egipto.

publicado por victorangelo às 22:43

01
Fev 11

Um ditador empedernido não pestaneja, diz-se nos círculos da política internacional. Sobretudo quando há uma crise nacional de grandes proporções. Pestanejar é, de imediato, interpretado com um sinal de fraqueza. Abre o alçapão do fim do regime. A partir daí, a pressão da rua e a pressão do palácio, dos que pensam que ainda é possível salvar os móveis, juntam-se. E o que começou por um ligeiro tremelicar da vista acaba por levar à queda do ditador.

 

É um pouco o que poderá acontecer nas próximas horas. Se Mubarak vier anunciar que não será candidato às eleições presidenciais de Setembro, o gesto abrirá a etapa final da presente crise. Ninguém pensa em Setembro, neste momento. É uma data perdida no infinito. A rua quer que o Presidente desapareça da vida política, já. E assim vai acontecer. Se pestanejar, estará fora do poder nas vinte e quatro horas seguintes.

 

Apostamos que vai pestanejar.

publicado por victorangelo às 21:12

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