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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

As televisões e a ideia que se fazem do povo

As redes sociais contêm vários comentários sobre as entrevistas televisivas dos candidatos presidenciais. Devo confessar que ainda não tive a oportunidade – esta é uma maneira diplomática de pôr a coisa – de ver nenhuma dessas entrevistas. Mas pelos comentários que vou vendo parece que os entrevistadores não têm estado à altura. A ser verdade, é uma pena. Uma campanha presidencial deveria ser o momento para levantar algumas das grandes questões sobre o futuro do país. E para perceber se os candidatos têm uma visão nacional. Perder tempo em questões da hora e navegar na espuma do tempo que passa não será a melhor maneira de tratar os candidatos. Mostra falta de inteligência, de respeito pelos candidatos e pelos eleitores.

A verdade é que temos jornalistas muito bons. Mas não são esses que têm acesso aos ecrãs. Quem manda nas televisões parece pensar que os jornalistas mais intempestivos, mais primários, mais arrogantes são os que atraem audiências. Isso significa que os patrões das televisões vêem os portugueses como uma série de brutos que apenas querem circo político e violência verbal.

Ultrapassar a violência política

No meu texto no Diário de Notícias de hoje, procuro reflectir sobre os grandes temas das campanhas dos dois candidatos bem como sobre o futuro do relacionamento da União Europeia com os Estados Unidos. Esta segunda parte de o meu texto será certamente uma tema de grande actualidade nos tempos mais próximos. É um debate que precisará de ser aprofundado. O que hoje publico é apenas uma abertura da discussão. É uma posição voluntarista, virada para aquilo que penso dever ser o caminho que a UE deverá procurar seguir. Mais do que uma análise, é uma proposta de agenda.

Entretanto, uma lição sobre a qual convirá igualmente reflectir diz respeito à enorme radicalização da vida política americana. As posições dos dois campos não são apenas diferentes. Para muitos, de um lado e do outro, são tomadas de posição marcadamente hostis. Esse parece ser um dos legados de Donald Trump, a radicalização da sociedade, da opinião pública americana.

O contrário, um certo desanuviamento, poderá ser a imagem de marca de Joe Biden. Será que o conseguirá? Espero que sim. Entretanto, o meu conselho seria o de tentar prosseguir essa via da reconciliação da sociedade americana. Uma sociedade desenvolvida precisa de ser um exemplo de respeito pelas divergências políticas.

Aceitar a derrota faz parte do processo

No que respeita às eleições presidenciais, o processo eleitoral norte-americano é muito diferente do que por aqui vigora. Não existe uma Comissão Nacional de Eleições que declare o vencedor. Depois dos apuramentos estado a estado, é essencial que o candidato perdedor reconheça que perdeu as eleições. Isso tem de ser feito através de uma declaração pública. Só depois se passará à etapa seguinte, que é a de reunir os grande eleitores, que são 538, e proceder à formalidade da votação final. Sem o discurso de aceitação dos resultados por parte do candidato derrotado, o sistema emperra.

Este ano, se o vencido for Donald Trump, tenho muitas dúvidas sobre a sua aceitação dos resultados. Daí resultará uma grande encrenca.

Uma visão da campanha presidencial

Um candidato, homem ou mulher, às próximas eleições presidenciais portuguesas tem que se demarcar muito claramente de Marcelo Rebelo de Sousa, para que a sua candidatura faça sentido. Declarações genéricas sobre a democracia e a liberdade não marcam pontos. A democracia e a liberdade são fundamentais mas não estão ameaçadas no Portugal de hoje. Fazer desses dois temas as bandeiras principais é insuficiente para marcar posição e conquistar votos. O que deve estar em causa é uma visão diferente, inédita e promissora, do futuro de Portugal, não apenas no período pós-covid, mas num horizonte mais amplo. O candidato que queira ter alguma hipótese, algo que não será nada fácil, de qualquer modo, tendo em conta o apoio popular de que goza o actual presidente, tem que saber falar do nosso futuro colectivo de uma maneira que inspire e mobilize. Na minha opinião, seria aí que estaria o segredo de uma boa campanha. E trataria de um tema que Rebelo de Sousa não consegue imaginar.

 

Os valores democráticos são uma questão central

A democracia é um dos pilares da União Europeia. A democracia constrói-se todos os dias. Os seus alicerces assentam no respeito pelos direitos de cada cidadão, na diversidade de opiniões, na protecção das minorias, na boa governação, que é uma outra maneira de dizer sem corrupção e com um serviço público eficaz, na separação de poderes e em eleições limpas.

Cada Estado membro deve ser um exemplo. Quando o não é, como acontece com a Hungria e outros, tem que haver sanções e um mecanismo que leve à correcção das práticas autoritárias. Por isso, sou dos que defendem que os apoios dos outros Estados não podem, de modo algum, ficar dissociados das questões democráticas. Foi isso, aliás, que hoje se discutiu em Bruxelas, entre outras coisas. E também aí, Angela Merkel e Emmanuel Macron estiveram do mesmo lado da mesa, do lado correcto.

Nestas coisas, as artes manhosas não são uma prova de inteligência política. São apenas isso, manhas de quem pensa que os outros são parolos.

Política com mel

Custa-me ver gente amiga politicamente fanática. Falo de amigos que andaram pelos bancos das universidades, fizeram boas carreiras profissionais, venceram, mais ou menos, na vida, mas que são excessivos e desvairados, quando se trata da política. Sobretudo quando se faz uma pontinha de crítica ao partido com o qual se identificam. Ficam fora de si. E fazem-me pensar que a política é algo de profundamente emotivo, que pouco tem que ver com a direcção mais correcta que deve ser dada à vida colectiva de um povo. Esses meus amigos lembram-me, então, que a política tem que ser ganha nos corações dos eleitores, não simplesmente nas suas mentes. Por isso, a narrativa tem que ter calor e alma, para poder ganhar o âmago de cada eleitor. Um discurso político meramente cerebral não leva muito longe. Fazer política e ganhar votos exigem uma grande proximidade e empatia com uma boa parte da população. A política é sobre o mel, não é sobre o vinagre.

 

Sobre as eleições

Todo o gato sapato comentou os resultados das eleições. E quase todos disseram a mesma coisa, sobre quem ganhou, quem perdeu e sobre quem entrou no Parlamento pela primeira vez. Pouco haverá a acrescentar, excepto para dizer que, na verdade, quem venceu este acto eleitoral foram os cidadãos que se deslocaram às Assembleias de Voto e participaram. Ganharam e mostraram um bom nível de maturidade democrática. Penso ser bom sublinhar essa dimensão.

Votar com equilíbrio

O Primeiro Ministro António Costa não teve um campanha feliz. Para cúmulo, hoje perdeu as estribeiras, quando um homem de idade avançada o interpelo na rua, sobre os incêndios de Pedrogão Grande. O descontrolo não é aceitável, quando se trata de um líder da envergadura do PM. Quando a pergunta é desagradável, dá-se-lhe a volta com elegância e marca-se um ponto.

O que aconteceu e a altura em que aconteceu – no fecho da campanha eleitoral – têm impacto. Na véspera das eleições, a imagem que fica – e a comunicação social encarregar-se-á disso – não é boa.

Mesmo assim, penso que votar por António Costa é a opção mais apropriada. Nesta fase da vida portuguesa e estando o PSD como todos sabemos que está, é fundamental que o partido que venha a ser o pilar do próximo governo tenha o maior apoio popular possível. Não seria bom para a estabilidade democrática e para o crescimento da economia ter um governo com uma base frágil e marcadamente dependente de alianças com as forças do irrealismo político.

Estratégia ou apenas aproveitar o vento que sopra?

Ao ver o que por aí aparece como sondagens, dir-se-ia que António Costa tinha a vitória nas mãos e que, entretanto, se descuidou e a deixou voar para outros destinos. O que era há umas semanas um debate sobre “uma maioria absoluta” – debate esse que até deu azo ao aparecimento de um manifesto de figuras mais ou menos públicas a lembrar que uma maioria absoluta do PS seria um desastre para as políticas da esquerda radical, que esse grupo de certo modo representava – transformou-se agora num desenho de cenários de possíveis alianças na Assembleia da República.

A descida do apoio ao PS poderia ser melhor aproveitada pela campanha de Rui Rio. Mas como não há visão, o aproveitamento é feito de modo simplista, muito à volta do que aconteceu ou não em Tancos. Ora, haveria, isso sim, que insistir na tecla de um PS refém do Bloco de Esquerda, após as eleições. E bater nessa tecla de modo a mobilizar para o PSD o voto de todos os que, incluindo dentro do Partido de António Costa, não gostariam de ver uma segunda edição da geringonça. Uma edição que agora teria o seu centro de gravidade na agenda do BE e não na moderação que Costa soube mostrar ao longo dos últimos quatro anos.

Claro que digo isto apenas como ilustração. Não me cabe fazer a estratégia eleitoral de Rui Rio. O que escrevo é apenas para mostrar como trabalham os que andam nos jogos de estratégia e não os que apenas tentam cavalgar a onda que passa.

 

Sobre a campanha em curso

O funcionamento das instituições e da máquina do Estado deveria ser um tema central da campanha eleitoral. Infelizmente, não é. Não há quem fale no desempenho dos serviços públicos, quem apresente uma visão clara sobre qual deve ser o papel do Estado, ou proponha um novo tipo de complementaridade entre a administração central e a autárquica. Ora, o sector público precisa de levar uma grande volta, ao mesmo tempo que se reconhece quão importante é, num país como o nosso.

 

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