Portugal é grande quando abre horizontes

03
Mar 19

Na sua qualidade de dirigente do partido, o senhor – ou, a senhora – pode explicar-me, em três simples linhas, qual é a agenda política que propõe aos cidadãos?

E já agora, numa só frase curta e directa, diga-me por favor qual é a principal diferença entre essa sua agenda e as que parecem definir os partidos políticos vizinhos?

publicado por victorangelo às 09:31

21
Jan 19

Os nossos radicais estão em campanha. Uma das mensagens que pretendem passar tornou-se bem clara: que não são populistas! Nem extremistas! Ou seja, tentam vender gato por lebre.

A comunicação social tem mostrado que gosta da conversa e dá-lhes espaço. Com bonitas fotografias, para reforçar o recado. Apresenta, assim, como positivo o que mais não é do que infantilismo político. Perigoso, aliás, para além das imagens dos sorrisos.

Digo infantilismo por reconhecer que certas propostas apresentadas pelos nossos extremistas têm a graça da idade da inocência.

Quem não tem ido na conversa é o eleitor português. Dirigir uma nação, inserir-se no xadrez europeu e internacional, lutar por um projecto de sociedade, tudo isso pede mais do que ingenuidade, ideias estreitas e falta de realismo. E isso continua a ser claro para a maioria dos que votam no futuro de Portugal. O eleitor português tem mostrado maturidade. E assim deverá acontecer também este ano, quer em Maio quer em Outubro.

 

publicado por victorangelo às 16:58

26
Dez 18

António Costa fez um discurso de Natal inteligente. No essencial, a mensagem foi positiva. Mas sublinhou, com muita clareza, que ainda há muito por fazer. Ou seja, procurou transmitir aos cidadãos a ideia que é necessário assegurar a continuidade da política actual. O que quer dizer, e não é preciso ser-se muito vivo para o entender, votar por António Costa nas eleições de 2019. Disse-o habilmente, sem fazer qualquer referência directa às legislativas que já tem, como muitos outros políticos, como principal preocupação.

publicado por victorangelo às 15:59

10
Fev 18

Os meus comentários desta semana, para os ouvintes da Rádio Macau, incidiram sobre a recente visita de Teresa May à China, sobre a Polónia e os campos da morte nazis, as eleições que irão ter lugar em breve na Itália e ainda sobre a vitória de Anastasiades nas presidenciais de Chipre.

O link para o programa é o seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=9856

publicado por victorangelo às 19:58

27
Ago 17

Ao longo da minha vida profissional, organizei várias eleições em países africanos. Fui, também, membro da primeira Comissão Nacional de Eleições, logo a seguir ao 25 de Abril. Ganhei, assim, consciência da enorme importância que um processo eleitoral credível tem para a estabilidade política de um país. Também sei como, em certos países menos democráticos, se pode falsear ou manobrar os resultados de uma eleição.

Dito isto, acrescento que as eleições que agora tiveram lugar em Angola me deixaram uma certa dose de optimismo. Não terão sido isentas de defeitos e de desequilíbrios. Mas, no conjunto, decorreram de um modo aceitável. Por isso, todos os que anseiam por uma Angola mais democrática e melhor governada têm agora a obrigação de contribuir, de viva voz, para que a situação pós-eleitoral se mantenha serena.

publicado por victorangelo às 21:37

26
Abr 17

São muitas as matérias políticas em jogo, na corrente eleição presidencial francesa. Mas a mais importante é, na minha maneira de ver, o duelo entre duas visões diametralmente opostas.

Temos, de um lado, uma proposta democrática, moderna, realista, cooperante e tolerante. Podemos estar em desacordo com várias das medidas que Emmanuel Macron defende. Não devemos, no entanto, ignorar que se trata de uma concepção positiva da vida política.

Do outro lado, Marine Le Pen propõe um projecto autoritário, retrógrado, violento, racista, e mesmo negacionista do holocausto.

Perante estas duas opções, apenas os zarolhos políticos – e há vários – podem ter hesitações.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:08

24
Abr 17

O meu comentário sobre a primeira volta da eleição presidencial francesa acaba de aparecer na Visão on line.

O link é o seguinte:

https://t.co/zBkkUgudjA

publicado por victorangelo às 17:39

05
Abr 17

Passei quatro horas, ontem ao serão, a seguir em directo o debate entre os onze candidatos à eleição presidencial francesa. Fiquei de novo boquiaberto perante as mentiras, as afirmações falsas, as incoerências, os simplismos ingénuos e as ideias burras que foram expostas, ao longo da noite, pela grande maioria dos candidatos. Para já não falar da xenofobia e do substrato fascista de Marine Le Pen.

Como terá sido possível que a política francesa tenha chegado a este ponto?

Esta é uma pergunta que precisa de resposta.

Sobretudo se tivermos em conta o poder que o presidente da república francesa controla e o impacto das suas decisões sobre os assuntos europeus.

 

publicado por victorangelo às 22:02

24
Nov 16

Assisti ao debate entre François Fillon e Alain Juppé. As perguntas dos três jornalistas que dirigiram a sessão exigiram, muitas vezes, respostas muito pormenorizadas, explicações detalhadas dos planos de cada um dos dois candidatos. Isso mostrou que o Presidente da República Francesa é, na verdade, um líder executivo, com muito poder, e não apenas um dirigente que traça as grandes opções políticas. Perante isso, é evidente que o papel de um primeiro-ministro francês é relativamente subalterno. Tem, antes de mais, a responsabilidade de garantir a boa execução das decisões do presidente. E, em segundo lugar, é uma espécie de almofada, que vai recebendo os murros e pontapés que a política do seu chefe motivar. E foi isso que François Hollande não conseguiu. Em vez de utilizar Valls como saco de boxeio, pôs-se a jeito e deixou que lhe batessem directamente. Agora não se pode queixar das dores.

 

publicado por victorangelo às 21:34

23
Jun 16

 

Uma Espanha de incertezas

            Victor Ângelo

 

 

            Quando Barack Obama visitar Madrid a 11 de julho, encontrar-se-á num país à procura de um governo. É verdade que estas visitas não acontecem por acaso. Sobretudo se se tiver em conta que o quadro político que terá resultado das eleições gerais de 26 de junho será complexo e de difícil arrumação. No centro dessa complexidade estará o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Relegado para a terceira posição, em termos de lugares nas Cortes do Reino, será no entanto a liderança do PSOE quem terá a chave da solução governativa nas mãos. Como será utilizada, eis a grande questão do momento.

            Do exterior, incluindo dos EUA e de outros países influentes no seio da UE, choverá uma bateria de conselhos, pressões, dirão alguns, mais ou menos discretas. Assim funcionam as nossas democracias e os nossos aliados. A preferência dos parceiros externos da Espanha, especialmente nesta fase de múltiplas incertezas na arena internacional, irá no sentido de uma grande coligação entre o Partido Popular (PP) e o PSOE, liderados ou não pelos seus atuais dirigentes. Uma coligação que, para ser perfeita, incluiria ainda os chamados Ciudadanos, um agrupamento político do centro liberal que surgiu como uma contestação cívica à corrupção que manchou sobremaneira o PP no passado recente.

            Esse seria claramente o arranjo preferido por uma Europa que já tem demasiados problemas em cima da mesa e que muito gostaria de contar em Espanha com um governo estável, forte, alinhado ao centro e politicamente previsível. Criaria igualmente as condições para uma Espanha mais ativa na cena europeia, diferente da que existiu nos últimos anos, que foram tempos de afastamento e de perda de influência em Bruxelas. Seria além disso um governo mais determinado a participar nas iniciativas comuns em matéria de migrações internacionais, de combate ao terrorismo, sobretudo no Norte de África, e na vigilância marítima ao largo da Península Ibérica, na parte que lhes cabe, sempre que se tratar de “acompanhar” os submarinos e outros navios russos em trânsito por estas paragens, no seu vaivém habitual entre São Petersburgo e o Mar Negro.

            Uma grande coligação à espanhola não tem, no entanto, pernas para andar. Os antagonismos entre os populares e os socialistas, incluindo as inimizades pessoais ao nível dos líderes, têm raízes sociológicas profundas e marcam a vida política do país. Não constituem terreno propício para acordos programáticos. Por outro lado, se entrar num pacto governativo, o PSOE tem medo de perder a prazo uma fatia ainda mais vasta do seu eleitorado, que se deslocaria fatalmente para os movimentos à sua esquerda.       

             No final da sua estada, Obama poderá chegar à conclusão que um governo minoritário de base PP será a alternativa política mais provável. Esse governo manter-se-á no poder enquanto puder beneficiar da abstenção do PSOE nos momentos cruciais. Dará a impressão, por isso, de ser um governo com os meses contados, com eleições à vista nos finais de 2017 ou na primeira metade de 2018. Não terá condições nem vontade para fazer aprovar as reformas de fundo que já foram várias vezes recomendadas pela Comissão Europeia e pelas instituições da economia internacional. Em matéria orçamental, cairá em tentações perdulárias, como modo de ganhar popularidade, pisando assim ainda mais o risco das normas orçamentais em vigor na zona euro. No fundo, tratar-se-á de um governo fraco que contribuirá para enfraquecer, à sua maneira, uma já fragilizada UE.  

 

( Texto que hoje publico na revista Visão)

publicado por victorangelo às 19:45

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