Portugal é grande quando abre horizontes

15
Mai 19

As eleições europeias são uma ilusão perigosa. Na maioria dos países, os eleitores votarão por razões de política interna. Muitos dos votos serão actos de protesto contra o presidente, o primeiro-ministro ou o governo no poder. A escolha pouco ou nada terá que ver nem com o projecto comum nem com os grandes desafios que a UE deverá enfrentar nos próximos cinco anos. Talvez os populistas anti-Europa e os liberais federalistas sejam os únicos a votar por um motivo europeu, uns com o objectivo de destruir a União Europeia, outros porque acreditam na força do destino comum.

O resultado é claro, mesmo antes da votação. O Parlamento Europeu vai estar mais fracturado do que nunca. E ainda mais preocupado com as agendas nacionais do que o Parlamento que agora cessa funções.

Nada disto é de bom agoiro. E não se vê liderança capaz de se erguer acima deste panorama fragmentado e de vistas curtas. A grande esperança era Emmanuel Macron. Mas o movimento Coletes Amarelos criou uma clima de oposição e de desconfiança que o enfraqueceu. Os outros partidos franceses vão aproveitar a onda para a tentar surfar a seu favor. É um jogo oportunista e irresponsável, mas assim é a política, de um modo geral.

Mesmo assim, a família centrista que Macron representa vai conhecer um acréscimo do seu número de deputados no Parlamento Europeu. Não será suficiente para fazer inflectir as grandes escolhas. Poderá, todavia, ter um impacto na escolha das personalidades que irão ocupar os cargos de importância. Na Comissão Europeia, no Conselho, na sucessão de Federica Mogherini, como também no que respeita a Mário Draghi.

 

publicado por victorangelo às 22:07

13
Mai 19

A campanha eleitoral para as eleições europeias é, uma vez mais, uma desgraça. Por toda a parte, não apenas em Portugal.

Os candidatos são, de um modo geral, políticos de segunda escolha. Não voam muito alto. E quando o fazem, é para dizer umas banalidades sobre a Europa e para falar da política interna dos seus países de origem.

Não aparece ninguém, para além de Emmanuel Macron, que é um candidato indirecto, que fale do projecto europeu, do futuro da segurança comum, da nossa autonomia política perante as grandes potências, da economia de amanhã, digital, neutra em matéria de carbono, independente no que respeita à energia, da reforma das instituições europeias e de muitas outras dimensões que deveriam ser tidas em conta para reequilibrar os diferentes estados membros.

Que lástima!

publicado por victorangelo às 20:38

01
Abr 19

Agora, sobre as eleições europeias que se aproximam.

Na corrida para Estrasburgo, Manon Aubry é a cabeça de lista do partido esquerdista de Mélenchon, La France Insoumise. Jovem, combativa, estreia-se assim na política, depois de ter representado OXFAM nos corredores do Parlamento Europeu.

Claire Nouvian fundou, no ano passado, Place Publique – um partido do centro-esquerda francês, próximo dos ecologistas e de certas correntes do Partido Socialista. Igualmente jovem e candidata ao PE, tem sido uma activista em Estrasburgo e Bruxelas na área da protecção e da conservação dos mares.

Ambas representam a nova vaga de políticos em França e uma maneira de olhar para a Europa que se quer mais progressista.

Na edição de hoje do quotidiano parisiense Libération aparece publicado um debate entre ambas. Deixou-me desanimado, eu que acredito na necessidade de uma visão jovem do futuro da UE. As ideias que defendem são meras banalidades. Nada de profundo. Lugares comuns, ideias feitas e ocas, actos de fé, e mais nada. A política das palavras sem sentido, que não chegam às pessoas.

Fiquei mais uma vez convencido que assim não se pode pensar numa Europa com futuro. E que as eleições para o Parlamento Europeu continuam, em 2019, vazias de projectos. Fala-se e quere-se uma renovação e o que aparece é o eco de coisas já ditas e cansadas.

Que tristeza.

 

publicado por victorangelo às 20:49

22
Mar 19

A reunião do Conselho Europeu de ontem e de hoje mostrou maturidade e equilíbrio. Uma boa notícia, para quem se interessa pela saúde política da Europa. O tema mais complexo da agenda tinha que ver com a resposta a dar a Theresa May.

Os 27 Chefes de Estado e de Governo discutiram exaustivamente as várias opções relativas à data final de saída do Reino Unido da União Europeia. A Primeira Ministra queria um prolongamento até finais de junho. Não tinha uma justificação concreta para esse pedido, a não ser que precisava de mais três meses para resolver o que não conseguira fazer aprovar nos últimos quatro meses. Como estratégia, sabia a nada.

Na tomada de decisão, o processo teve em conta três aspectos.

Primeiro, evitar a ratoeira do ultimato. Ou seja, não dar a oportunidade nem aos deputados britânicos nem à opinião pública do país de dizer que a decisão do Conselho Europeu era uma ingerência, uma intimação. Nesta fase muito crítica do processo, a questão é um problema interno do Reino Unido. Os líderes europeus devem definir os limites, mas, simultaneamente, deixar espaço de manobra aos britânicos.

Segundo, voltar a reconhecer que uma saída negociada é, de longe, a opção preferida. Um Brexit sem acordo será sempre um péssimo Brexit.

Terceiro, respeitar a integridade das eleições europeias. Isto que dizer que tudo terá que estar claro aquando do início do processo eleitoral que levará às eleições marcadas para finais de maio.

Assim, a bola voltou a estar no campo britânico. E as balizas do jogo ficaram definidas com mais rigor. É verdade que ainda não se sabe bem como vai terminar a partida. Mas o Conselho Europeu já olha para o futuro a 27, sem contar com a presença e a participação do Reino Unido. Ninguém acredita que possa surgir uma reviravolta de todo o tamanho, que leve à anulação do Brexit. Por isso, a preocupação é a de gerir a saída com todo o cuidado possível.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 17:25

07
Mar 19

Cerca de 55% dos franceses considera que a mensagem do Presidente Emmanuel Macron sobre o futuro da União Europeia se justifica e importa. Este apoio é significativo, sobretudo na fase actual em que se encontra a França, quando a fragmentação e a hostilidade são os principais traços da paisagem política.

Uma das razões por detrás deste nível de aprovação assenta na visão idealista do papel da França na Europa. Muitos, nacionalistas e não só, querem que a França seja o motor do projecto europeu, o país que deve puxar a UE para a frente. A iniciativa do Presidente alimenta esse tipo de ambição. Uma ambição que outros apelidariam de ilusão, também é verdade.

De qualquer modo, vontade, capacidade, empenho ou quimera, o problema é o de encontrar aliados noutras nações europeias. Esse é o grande desafio que o plano de Emmanuel Macron tem pela frente. É uma dificuldade de monta. Sem a resolver – e eu não vejo, neste momento, saída para essa questão –, as ideias europeias de Macron não terão um impacto verdadeiramente transformador. Poderão mesmo ficar num canto da história dos próximos anos.

Em política, nada se faz sozinho. E, no caso da construção europeia, isso é ainda mais verdade.   

 

 

publicado por victorangelo às 20:35

24
Fev 19

Dizer que a União Europeia está à deriva, é uma mentira política. Um slogan falso e barato, que cai bem nos círculos mal-informados e nas discussões entre radicais. É mais um engodo.

Não está. Apesar de ser uma união de Estados soberanos – e não é fácil concluir acordos entre Estados que sempre se guerrearam e que conheceram grandes rivalidades nacionais –, a verdade é que se continua a avançar em muitas áreas de interesse comum e que a UE é hoje um espaço de paz, de liberdade e direitos. E de prosperidade, apesar de tudo o que se diz sobre as dificuldades da classe média.

Quem anda à deriva, no sentido de tentar captar tudo o que possa vir à sua rede de pesca eleitoral, são os populistas. Da direita e da esquerda. E essa deriva, que para uns é uma ilusão e para outros, uma artimanha, é perigosa. Dá combustível aos desequilibrados da vida bem como aos que vêem a sociedade pelo prisma das televisões e dos jornais que só falam de futebol e de histórias do arco-da-velha.

 

publicado por victorangelo às 17:40

17
Fev 19

Patético. Esse é o adjectivo que me vem à mente, ao ver os nomes dos políticos que deverão encabeçar as listas ao Parlamento Europeu dos dois partidos do centro – o PS e o PSD. Ainda pensei em ridículo, como palavra-resumo. Ou, em medíocre. Mas, patético traduz melhor a minha apreciação. E a minha preocupação, não escondo, pois é grande o desassossego que me inquieta.

Cada uma dessas personalidades é uma escolha lamentável. Pior ainda, numa altura em que a União Europeia se defronta com desafios existenciais, quer na frente interna quer nas suas relações estratégicas com três dos seus grandes vizinhos – os Estados Unidos, a Rússia e o Norte de África/Sahel –, para mencionar apenas o que me parece particularmente importante, na área das relações exteriores. E também num momento em que Portugal precisaria de reflectir sobre os seu papel no futuro de uma UE mais forte e mais coesa.

Vazio de ideias.

Patético, sim. Confirmo.

 

publicado por victorangelo às 11:17

22
Jan 19

Emmanuel Macron e Angela Merkel assinaram hoje um novo tratado de cooperação entre os seus dois países. A cerimónia teve lugar em Aix-la-Chapelle, na Alemanha, muito perto da fronteira com a Bélgica. Trata-se de uma cidade que significa imenso, na história das relações franco-alemãs. Uma cidade simbólica, que serve de última morada ao Imperador Carlos Magno (742-814), um líder que, no seu tempo, tinha uma visão unificadora da Europa.

Sugiro que se faça uma leitura positiva do que agora foi assinado. Ambos os dirigentes querem que os seus países contribuam mais efectivamente para a construção europeia, nas áreas da política, da economia e em matérias de defesa. Estão preocupados com os ataques contra a União Europeia que vários governantes e sectores populistas têm desencadeado. E que planeiam aprofundar, tendo em vista as eleições europeias de Maio de 2019.

Mas o acordo não se limita ao curto prazo. Nem se limita aos interesses da França e da Alemanha. Os outros países da UE também ganham se houver um maior entendimento entre dois dos grandes Estados da União. Que estão, aliás, no centro da geografia e da política comum. E são as duas maiores economias do espaço europeu.

É esse impacto mais geral que deve ser sublinhado.

publicado por victorangelo às 20:59

29
Mai 14

Faço, na Visão de hoje, uma reflexão sobre as ele~ções europeias.

 

O link é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/nxqv9cd

 

Transcrevo abaixo o texto original.

 

Europa: recriar uma visão partilhada

Victor Ângelo

 

 

 

Logo que foram conhecidos os resultados das eleições europeias, o primeiro-ministro francês vestiu-se de escuro e pôs uma gravata negra. Perante as câmaras, Manuel Valls disse estar em estado de choque e que as eleições representavam um terramoto político. Referia-se, é claro, à hecatombe sofrida pelo seu partido bem como ao facto da Frente Nacional de extrema-direita, xenófoba e antieuropeia ter ganho folgadamente o escrutínio. Mas a indumentária e as palavras de plangência poderiam ser utilizadas noutros cantos da Europa, num contexto equivalente. Da Grã-Bretanha à Grécia, da Dinamarca à Áustria, passando pela Hungria e um pouco por toda a parte, o voto contra o projecto europeu ganhou força. Pesa agora cerca de 17%, em termos de lugares no Parlamento Europeu. Não será muito, pensará o leitor. É, no entanto, uma massa crítica que já pode fazer muitos estragos. E há mais. Juntemos a esse valor o peso da indiferença, que se revelou, de novo, nos níveis elevados de abstenção eleitoral. Ultranacionalismo e alheamento, mais uma boa dose de desconhecimento do que significa a Europa, são uma mistura perigosa para a continuação da unidade europeia.

 

Estamos, acima de tudo, perante um falhanço crescente – e nalguns casos, dramático – das lideranças partidárias tradicionais. O arco central, à esquerda e à direita, deixou de saber falar com uma parte importante dos cidadãos. A democracia representativa está a perder a capacidade de representar. Numa altura em que prima o Facebook e a comunicação horizontal e sem-fronteiras entre cada um, a tendência é para que se esbatam igualmente as divisões e a distância entre governantes e governados. Quem pensa que vive encavalitado num pedestal, está condenado. Os cidadãos viram-se, então, para os demagogos, para os que fazem do bitaite vulgar e baixo o ponto culminante da sua intervenção social. Ou então, decidem pura e simplesmente afastar-se da política. A Europa está assim em risco de se atolar numa cultura de rejeição sistemática dos políticos e dos seus privilégios. E de se afogar no simplismo das opiniões veiculadas pelos oportunistas e ultranacionalistas.

 

O terramoto não deve ser visto, todavia, como um tsunami antieuropeu. Continuamos a ter uma parte significativa dos cidadãos que apoia o percurso comum da Europa. Talvez com menos entusiasmo hoje que antes da crise financeira e económica dos últimos anos. Mas continuam a acreditar no valor do espaço europeu como um espaço de liberdade, de respeito pelos direitos humanos e pela diferença, um território político único, capaz de responder aos desafios do ultraliberalismo que se pratica noutras partes do mundo e de influenciar as relações internacionais.

 

Tendo em mente essas pessoas e muitos dos que agora votaram pelas opções radicais ou se abstiveram, digo que se tornou ainda mais urgente, depois destas eleições, construir uma narrativa moderna sobre o futuro da Europa. Se tivesse meios e poder, era aí que eu investiria. A história inicial, do pós-guerra e da preservação da paz no nosso continente, soa a ultrapassada, sobretudo para os mais jovens. A resposta não passa pelo voltar atrás. O futuro é que mobiliza as pessoas. O desafio está no saber desenhar os contornos de uma ambição comum que sublinhe o que nos une, que não ignore os medos existentes, o desemprego, o custo de vida, o impacto social e cultural da imigração, a insegurança dos mais frágeis, mas que possa recriar esperança. Uma esperança que só fará sentido se for partilhada por uma maioria crescente de europeus.

 

publicado por victorangelo às 21:41

28
Mai 14

A lei eleitoral, quando não torna o voto obrigatório, acaba por dar uma vantagem objectiva aos partidos mais fanáticos, aos movimentos dos extremos, aos do protesto e do descontentamento radicalizado. Os militantes e simpatizantes desses partidos não ficam em casa. Quem fica para trás são os indecisos, os cidadãos desiludidos com a política, o eleitor do centro, que umas vezes vota socialista, outras vota à direita, e quando está desiludido e apanhado pela crise, não vota pura e simplesmente.

publicado por victorangelo às 21:40

twitter
Maio 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9

12

22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO