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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Notas adicionais sobre o Irão

Ao longo do dia, muito se tem dito sobre o avião ucraniano que foi abatido pelas Forças Armadas do Irão. Quero apenas acrescentar duas observações.

A primeira, para sublinhar que o erro cometido mostrou, novamente, que existe uma oposição interna muito corajosa. Esteve na rua hoje, para pedir a demissão do líder religioso do Irão, o Aiatolá Ali Khamenei, e de outros dirigentes. Tais manifestações, num regime totalitário como o que esse país sofre, exigem de quem nelas participa uma coragem à prova de bala.

A segunda nota é sobre a colheita de informações. O disparo contra o voo comercial foi captado em vídeo pelos serviços secretos dos Estados Unidos. Isto lembra-nos que Washington tem uma capacidade ímpar, quando se trata de espiar um outro país. Mesmo um país como o Irão, que investe de maneira excepcional na protecção das suas informações de segurança.

 

 

Coreia do Norte, Madrid e Lisboa

A 22 de Fevereiro, um comando de dez indivíduos introduziu-se na embaixada da Coreia do Norte em Madrid. No termo dessa operação, conduzida de uma maneira altamente profissional, foram roubados vários tipos de ficheiros informáticos. O cabecilha do comando viajou de imediato para Lisboa e daí para Nova Iorque. Os outros desapareceram na imensidão das sombras das operações secretas.

Desde então, quase dois meses passados, nada mais se soube sobre a investigação que a justiça espanhola tem em mãos. Aparentemente, o inquérito não avança, para além da identificação de mais dois ou três membros do grupo, gente ligada aos Estados Unidos e à Coreia do Sul.

É verdade que uma intervenção deste género só pode ter sido orquestrada por um serviço de espionagem ou secreto bem rodado. E quando isso acontece, o silêncio é a resposta habitual.

Mais uma edição do Magazine Europa

Sob a coordenação de Hélder Beja, a jornalista baseada em Macau Catarina Domingues continua a ser a minha interlocutora semanal sobre questões europeias. Fá-lo com grande nível. Aprecio imenso a maneira como organiza o programa Magazine Europa e as questões que me coloca. Cada programa é um desafio.

Esta semana falámos novamente da Rússia e do caso Skripal, bem como sobre a Turquia, a natalidade, o aborto e a Igreja Católica na Polónia e ainda sobre o envelhecimento das populações europeias.

O link para o programa é o seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10207

Macau a ouvir falar da UE

O caso Skripal e as relações da UE com a Rússia, a re-eleição de Vladimir Putine, a nova coligação chefiada por Angela Merkel, agora legitimada na Alemanha, a questão da imigração, a felicidade na Finlândia e nos países nórdicos: estes foram os temas que abordámos esta semana, no Magazine Europa da Rádio TDM de Macau.

O link para o programa é o seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10119

Comentários semanais

A situação das mulheres na UE, as disparidades entre os sexos, o conflito comercial entre os Estados Unidos e a Europa e também o possível encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, visto a partir de Bruxelas: estas foram as principais áreas de comentário,no quadro da minha contribuição desta semana para o Magazine Europa da Rádio TDM de Macau. E fiz igualmente uma breve referência ao ataque contra um antigo agente duplo russo mas agora residente no Reino Unido, um tema inevitável para quem tinha que falar sobre a semana que se viveu na Europa. .

O sítio digital para ouvir este programa é o seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10058

A nossa resposta a Vladimir Putin

Nos últimos anos, na altura de fazer o balanço do ano que termina, Vladimir Putin tem repetidamente aparecido como uma das personalidades mais influentes na cena internacional.

Assim está a acontecer, de novo, neste final de 2016. A situação na Síria, as eleições americanas e as alegações de ciberespionagem e de interferência, o doping “patriótico” dos atletas russos, as incursões aéreas e marítimas das suas forças armadas no espaço geoestratégico da Aliança Atlântica, estas são algumas das grandes questões que aparecem ligadas às opções políticas do patrão do Kremlin. E que têm um impacto profundo nas relações internacionais.

Para além das sanções relacionadas com a crise ucraniana, a UE não tem sabido responder de modo coerente e estratégico aos desafios e às manobras assinadas por Putin.

Sou dos que advogam que é urgente definir uma posição política comum que responda às acções hostis que vêm de Moscovo. Sei que não será fácil definir um quadro que possa ser aceite por todos os aliados. Mas, apesar dessa dificuldade, é fundamental aprofundar a reflexão e propor uma resposta adequada.

Essa resposta deverá ter em conta a linha que Donald Trump venha a seguir em relação a esse mesmo assunto. Ter em conta não quer, no entanto, dizer alinhamento. Antes pelo contrário. A Europa deverá ter a sua própria posição política. Os sinais que nos chegam do outro lado do Atlântico são claros quanto à necessidade de uma resposta que seja inspirada pelos interesses europeus. E que sirva, igualmente, como um exemplo que não possa ser ignorado em Washington.

 

Espionagem e imagem

É do conhecimento geral que tem havido, nos últimos três ou quatro anos, um agravamento muito significativo das tensões entre a NATO e a Rússia. É neste contexto que deve ser visto o crime de espionagem que um quadro dos serviços secretos internos portugueses (SIS) aparentemente cometeu em benefício da Rússia. Trata-se, por isso, de um caso grave que deverá ser investigado com muito cuidado. Aqui não há espaço para graçolas. E também não haverá espaço para um tratamento judicial pouco profissional e lento da questão. Vários países da Aliança Atlântica estão e continuarão a observar com atenção o desenrolar do processo, não tenhamos dúvidas. Os interesses de segurança de Portugal, as alianças que temos e a nossa imagem nesta matéria exigem muito rigor, profundidade e exemplaridade.

Aqui está o texto de hoje na Visão

O baile da segurança

Victor Ângelo

 

 

 

Joseph Kony, o chefe do grupo de criminosos conhecido como Exército da Resistência do Senhor, que espalha terror no triângulo fronteiriço constituído pela República Centro-africana, o Sudão do Sul e o Congo, não utiliza telefones de qualquer tipo, nem computadores ou aparelhos de GPS. Por isso, não foi ainda detectado e tem conseguido evitar ser capturado, apesar dos milhares de soldados, incluindo tropas especiais americanas, que andam no seu encalço. Também será, pelas mesmas razões, a única “pessoa de interesse” que a National Security Agency (NSA) dos Estados Unidos não consegue espiar. Todas as outras o são, de modo sistemático ou ocasional. Incluindo Angela Merkel, há vários anos, como é agora do domínio público.


Os cínicos diriam que estamos na era da “democratização da espionagem”, graças à informática e às redes de comunicação. Cada cidadão passa, assim, a ser um alvo possível ou real, mesmo quando a informação recolhida não serve para nada. E, tal como na pesca por arrasto, as redes de fundo e de malha fina destroem mais ambiente do que conseguem apanhar algum raro peixão. No caso concreto, a actuação indiscriminada da NSA traz um prejuízo desnecessário à imagem dos EUA e dá lugar a um sistema complexo, avassalador e controverso.


Escrevi neste espaço, no Verão, que “está nos genes da administração americana, desde sempre, mas sobretudo depois do 11 de Setembro, escrutinar tudo e todos...” (Artigo da Visão “Escutas e fingimentos”, de 11 de Julho). É a obsessão do Big Brother. Assenta numa visão do mundo que considera os outros como uma ameaça potencial. Mesmo os aliados têm que ser mantidos sob escrutínio. E que tem as suas raízes na cultura da espingarda do velho Oeste: sentir-se protegido passa por ter uma arma na mão, ser mais forte do que o resto do mundo e ousar fazer uso da força preventivamente, quando considerado necessário. É uma filosofia que considera a segurança como a principal razão de ser do Estado. A que se junta uma falácia em que muitos acreditam: a da superioridade moral da elite política norte-americana. Ao achar-se virtuosa, a classe dirigente ganha justificação para agir fora das normas internacionais e das convenções diplomáticas.


Na Europa, a opinião pública não aceita essa maneira de ver nem esse tipo de práticas. Mais ainda. Certas actividades da NSA têm a configuração de crime, face à legislação europeia. Os dirigentes da Agência e os operacionais no terreno seriam então passíveis de incriminação e, teoricamente, poderiam estar sujeitos a mandatos de captura ou ser declarados personae non gratae, dependendo dos casos. Somos aliados, sim e ainda bem, mas tem que ser dentro das regras e no respeito pela soberania, as instituições e leis de cada Estado da aliança.


Claro que Berlim e Paris, que são quem conta, não estão dispostos a ir tão longe. Afirmam, no seguimento da cimeira europeia do fim-de-semana, que vão enviar uns negociadores, para discutir com Washington. Já haviam dito o mesmo em inícios de Julho, sem que haja conhecimento de qualquer acordo concreto que desde então possa ter sido obtido. Estamos, como é hábito, perante uma resposta frouxa e para consumo popular. Fica-se com a impressão que Alemanha e a França apenas visam uma forma de relacionamento com os serviços americanos que seja mais ou menos semelhante ao que já existe entre os EUA e o Reino Unido. Uma vez mais, perante uma oportunidade a sério de reconstruir, em moldes novos, a cooperação de segurança com os EUA, os dirigentes europeus preferem ir ao baile cada um pelo seu pé.

 

A Europa e a espionagem americana

Escrevo na Visão de hoje uma crónica sobre a espionagem americana e as reacções europeias. O sentido da minha posição é claro: a EU continua a ir ao baile cada um pelo seu pé. É uma união desunida.

 

Sem contar que não há uma ideia clara de como responder às acções dos americanos.

 

Vejam, por favor, o link:


http://tinyurl.com/lap6wsa

 

Boa leitura.

Jantares informativos

É sabido que os serviços de espionagem que operam a partir de algumas das embaixadas estrangeiras sitas em Lisboa apenas precisam de um cartão de crédito para obter informações. Ou seja, convidam as personalidades portuguesas para jantar e, durante o repasto, os nossos falam de tudo e de todos.

 

 

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