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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Uma política externa sem coerência

O meu texto de ontem no Diário de Notícias tinha várias mensagens, o que na realidade era excessivo para um escrito com um limite máximo de caracteres não muito alto. Para além do resto, a mensagem fundamental era simples: existe um risco de descarrilamento e conflito na competição por hegemonia entre os Estados Unidos e a China. Essa competição está a agravar-se e nenhum dos lados quer dar parte de fraco. Existe, além disso, o risco da Europa ser apanhada na engrenagem deste processo de confrontação aberta. Seríamos arrastados para uma crise grave que não é no nosso interesse.

A Europa deveria definir uma política externa mais clara e independente, face às duas potências em disputa. Infelizmente, não existem condições para que isso aconteça. A política externa europeia continua dividida, quer no que respeita à China quer aos Estados Unidos. Fica, assim, enfraquecida e vulnerável às pressões vindas de um lado e do outro. Sobretudo, às que vêm de Washington.  

A Europa entre os Estados Unidos e a China

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/25-jul-2020/da-distancia-social-a-politica-12464512.html?target=conteudo_fechado

Este é o link para o meu texto de hoje na edição em papel do DN. 

Voltarei ao tema. Parece-me particularmente importante. E não é apenas uma questão de competição comercial. 

Notas actuais

Quem parte de férias, em vários sítios da Europa – para já, não são muitos os que partem, nem estão a sair para muito longe, que este ano está tudo de pantanas e as coisas podem mudar de um momento para o outro – tende a esquecer-se que existe uma pandemia. Por isso, os números dos infectados estão de novo a subir. Os governos não querem ordenar um novo confinamento geral. Mas estão preocupados. Vamos assistir a um apertar das regras e a confinamentos localizados.

Por outro lado, é cada vez mais evidente que o choque económico é muito profundo. A recuperação vai demorar muito tempo. Isto significa que será preciso encontrar maneira de responder às dificuldades que muitas famílias terão que enfrentar. Ou seja, estamos a falar de programas sociais que exigirão recursos financeiros extremamente elevados. Esta foi uma das conclusões a que chegaram hoje, nos Estados Unidos, muitos dos membros do Congresso. Foi igualmente a preocupação subjacente durante a cimeira dos líderes europeus em Bruxelas.

E quando se diz que vai demorar muito tempo para recuperar ninguém ousa ser mais preciso. O horizonte temporal poderá ser de anos.

O semestre de Angela Merkel

A Alemanha de Angela Merkel vai estar à frente da União Europeia neste segundo semestre do ano, que hoje começa. Esta é certamente uma boa notícia para quem acredita no projecto comum e sabe quais são as grandes dificuldades que o mesmo enfrenta. A Europa está numa crise única, 75 anos após o fim da guerra, que fora, obviamente, um outro período de grande perturbação.

As crises dividem as pessoas, os países e as relações entre os Estados, mesmo entre os aliados. A Chanceler terá que encontrar meios para resolver as fracturas que existem no seio da União. Essa é uma das tarefas mais urgentes. É a sobrevivência do projecto comum que está em jogo. Juntam-se a ela a negociação com os britânicos, as tensões com os americanos, os conflitos com os russos e os turcos, a problemática do relacionamento com a China, e tudo o resto, que inclui a Síria, a Líbia, o Sahel, as migrações e o clima.

 Não faltam problemas para resolver. Têm faltado liderança e coragem política. É nesses domínios que espero ver algum movimento. Angela Merkel vai ter que marcar a agenda, exercer uma presidência activa. Creio que o fará, na medida em que esta presidência surge nas vésperas da sua saída da cena política – prevista para o próximo ano – e que uma das suas preocupações deverá ser a de deixar um legado europeu durável.

Vamos começar o semestre com alguma pitada de optimismo, coisa difícil de arranjar nestes tempos bem complicados.

Falar verdade e com clareza

O mundo está hoje mais instável, inseguro e pobre. Não me refiro apenas à epidemia de Covid-19. Falo de uma situação que resulta da má liderança dos personagens de maior importância na cena internacional. E neste momento, o foco das atenções está centrado no Presidente norte-americano. É a actualidade do que se está a passar no seu grande país que dita o sentido da atenção internacional.

Donald Trump é um perigo para os Estados Unidos e para o mundo. Trata-se de um megalómano sem cultura nem valores, que vê o mundo a preto e branco. Ou se está com ele, a apoiá-lo cegamente, e isso é considerado normal, ou se está contra, abrindo-se assim as portas a todo o tipo de ataques, a todas as tentativas de esmagamento. Contrariamente aos líderes positivos, o Presidente Trump não pensa em termos de inclusão e de alargamento do círculo. Reage, isso sim, como um político feroz e ditatorial.

Enquanto europeus, temos pouco que dizer sobre o que está a acontecer nos Estados Unidos. O racismo, a brutalidade, a exclusão social, o desespero, a falta de respeito pelas oposições, são factos reais que os cidadãos americanos terão que resolver. Uma parte desses cidadãos acha que a força, a discriminação, o individualismo extremo e a indiferença social são os pilares da sociedade. São esses que constituem os alicerces eleitorais de Donald Trump. Do outro lado da barreira, encontramos muita gente que pensa em termos democráticos e solidários. Só podemos esperar que votem em Novembro e que o seu candidato substitua Donald Trump.

Mas quando olhamos para a cena internacional, temos imenso para dizer contra as opções que o Presidente americano tem tomado. E enquanto aliados nominais dos Estados Unidos, o nosso nível de preocupações aumenta de modo muito marcado. Este é um aliado que não está na mesma frequência de ondas em que nós nos encontramos. Não há sintonia. Entre os nossos, que estão em posições de poder, ninguém quer falar disso, abertamente. Mas este é um segredo público, uma máscara política que nada esconde. Existe muita preocupação. E muita esperança que o  personagem saia de cena no início do próximo ano.

Eu aconselharia prudência. É possível que desapareça do mapa, como também é possível que seja reeleito. Por isso, parece-me ter chegado a altura de falar mais abertamente sobre o assunto para dizer, acima de tudo, que estamos em desacordo e muito preocupados.

A violência e o racismo

As forças de polícia nos Estados Unidos têm uma base municipal. Não existe uma visão estratégica do policiamento. Tudo é de nível táctico, visto e tratado com base no caso a caso. A formação dos polícias tem como principal objectivo aprender a reprimir com toda a força possível. Violentamente, em resposta à violência que caracteriza a vida quotidiana de muitos. E é fortemente influenciada pelo racismo que existe em certos círculos da sociedade. Para um europeu, habituado às regras da democracia e de um Estado de direito, é difícil compreender a cultura de brutalidade que prevalece em muitas das forças de polícia dos Estados Unidos.

 

Perplexidades

Amigos meus, que vivem em países pobres, estão estupefactos, ao ver a fragilidade das sociedades mais avançadas. Nunca haviam imaginado que uma pandemia pudesse acontecer nas nações europeias ou nos Estados Unidos. E que pusesse de pantanas esses países, gerando uma enorme confusão e novas vagas de empobrecimento. Se há alguma coisa que mudou, foi a percepção que existia sobre a capacidade de resposta da Europa e da América do Norte perante uma calamidade sanitária. Ficou agora a ideia que os gigantes têm, afinal, pés de barro. E pouca capacidade para equacionar as respostas estratégicas, face a uma crise de grandes dimensões. Vistas de longe, o fecho das economias e o aferrolhar dos cidadãos nas suas casas, parecem medidas drásticas e precipitadas, um passar do oito para oitenta, uma corrida desorientada, sem que se contemplassem etapas intermédias e soluções menos dramáticas.

Os tempos do futuro

Agora, é preciso ser-se realista e optimista, ao mesmo tempo. O realismo permite-nos compreender que a recuperação das economias vai ser dura, exigir muito trabalho e um quadro político favorável. O optimismo dir-nos-á que o futuro não pode ser uma mera cópia do passado. Terá que ser melhor, mais atento à segurança das pessoas, incluindo a sanitária, mais responsável perante as grandes questões do ambiente, assim como mais aberto à cooperação entre os povos e os seus governos.

Não vai ser fácil. Os traumatismos da crise que vivemos levam-nos a uma situação de dependência em relação aos governantes, à crença que o Estado tem que resolver tudo e que nós só temos que pedir e esperar. Levam-nos, nalguns casos, a aceitar sem pestanejar a autoridade abusiva de quem ocupa os lugares de mando. Não creio, no entanto, que a democracia esteja em perigo, com a excepção dos casos conhecidos. Mas é bom recordar, a quem precisa de ser recordado, que as autocracias não são aceitáveis. Esta é uma tecla em que será preciso bater muitas vezes.

Aos populistas e demagogos, convém dizer que não, que os nacionalismos extremistas não serão a moeda do futuro. O mundo está e estará confrontado com grandes problemas partilhados por todos. Apenas as respostas coordenadas poderão ser a solução. Para além disso, o equilíbrio em relação às superpotências pede que nos unamos, a nível regional. Só assim poderemos fazer frente aos gigantes geopolíticos e económicos. E, por muito simpático que possa parecer, um gigante é sempre ameaçador.

O optimismo vai ser o tema do mês de maio. Todavia, para vingar, precisa de exemplos positivos e de um reabrir das relações internacionais. Aqui, nesta área, seria fundamental propor uma iniciativa que mostrasse que a comunidade internacional compreende a necessidade de acções conjuntas. Precisamos de uma cimeira da reconstrução e de desenho do futuro.

Reforçar a OMS e apoiar a pesquisa

As plataformas sociais, em especial a Twitter, estão cheias de mensagens de ódio contra a Organização Mundial da Saúde (OMS) e também contra Bill Gates. Quem quiser ficar enojado pode fazer um pequeno percurso pela internet. Há lá de tudo sobre estes dois assuntos.

No que respeita à OMS, a “licença para matar” veio do Presidente norte-americano. Donald Trump viu nas hesitações da OMS uma oportunidade para atacar a China, que é um tema que dá dividendos em várias partes do mundo, sobretudo junto dos cidadãos americanos mal informados e ultranacionalistas. Atacar a ONU também possibilita angariar alguns votos, satisfazer as fobias de algumas secções da opinião pública, mas é sobretudo a China que é vista como a rival por excelência dos Estados Unidos. Por outro lado, apontar o dedo na direcção da OMS desvia as atenções, cria uma nuvem que esconde a incompetência e a confusão que têm marcado a maneira de agir de Donald Trump.  

Bill Gates é um alvo habitual de críticas por duas razões principais: por ser um bilionário de grande porte e inteligente. A verdade é que se trata de uma pessoa com uma visão muito ampla e com uma faculdade fora de série de antecipação dos problemas futuros. Os curtinhos da cabeça têm dificuldades em aceitar pessoas assim. Através da sua fundação, Gates é hoje um dos principais financiadores filantrópicos na área da pesquisa médica. Está, neste momento, a contribuir financeiramente para que os melhores cérebros científicos possam avançar na investigação de uma vacina contra a covid-19. Fá-lo de modo global, não se limitando aos laboratórios americanos apenas. A sua atitude contrasta com a maneira de agir do Presidente. Está à vontade, fala com serenidade e profundidade, olha para cada questão sob vários ângulos. Tudo isso acaba por sublinhar e pôr em evidência a pequenez de Donald Trump.

O que eu peço aos meus amigos é que não caiam nas armadilhas que por ainda estão montadas, contra a OMS, contra a filantropia e os visionários.

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