Portugal é grande quando abre horizontes

12
Ago 19

Hoje foi o meu gato quem começou a conversa. Normalmente, não é assim, eu falo e ele finge que ouve. Mas esta tarde, foi diferente. Fez-me saber que está a chegar à conclusão que é uma injustiça antidemocrática não deixarem os gatos votar nas legislativas.

Fiquei a olhar para ele, à espera do resto. Que veio de seguida, sem demoras. É que, tendo em conta a maneira hábil e progressiva como o governo está a responder a uma greve tão séria e por tempo indeterminado, como é a dos combustíveis, ele gostaria, em Outubro, de votar por António Costa. E faria campanha junto dos outros gatos, para que assim fosse.

Como é um gato esperto, primeiro promete, com prudência. Depois vê como evoluem os próximos dias. Se o governo continuar assim, o bicho acabará por confirmar a intenção. Se não conseguir chegar às urnas, pensa que muitos eleitores poderão fazer a mesma análise que ele. Isso dá-lhe algum consolo.

Entretanto, espero que os meus amigos do PSD continuem de férias e não tenham disposição, e maneira, de ler este meu blog de hoje. Incomodar os amigos durante Agosto, não se faz.

 

publicado por victorangelo às 21:09

11
Ago 19

Ninguém fala nas implicações estratégicas de um greve que tem que ver com a disponibilidade de combustíveis. Fico com a impressão que já não está na moda falar em termos de interesse nacional. É tudo reduzido a interesses específicos e a oportunidades para fazer política partidária, para atacar à esquerda e à direita. E para pôr em causa a autoridade legítima do Estado. Não andaremos um pouco confusos dos miolos?

publicado por victorangelo às 22:54

05
Ago 19

Os ultraradicais brancos que apoiam o Presidente dos Estados Unidos têm estado em campanha contra Emmanuel Macron e Angela Merkel. No essencial, acusam estes dirigentes europeus de estarem empenhados no enfraquecimento da NATO, na promoção da imigração de gentes de fé islâmica e de colaboração com a Rússia e o Irão.

Estas acusações são meras armas de arremesso e de tentativa de divisão da liderança política europeia. No fundo, existem por esses dois dirigentes não se alinharem acefalemente com as posições que o Presidente Trump vem tomando, nessas e noutras áreas.

A verdade é que a Europa tem interesses estratégicos distintos dos americanos. Por outro lado, não pode seguir de modo acrítico políticas em que não acredita e que poderão levar a graves crises internacionais.

 

 

publicado por victorangelo às 22:54

24
Jul 19

Um texto de banalidades e de generalidades não responde às preocupações do sector da defesa nacional. Medidas pontuais, por muitas que sejam, também não respondem. Na realidade, um texto assim mostra que não há visão, não há uma definição clara do papel e das funções das Forças Armadas no presente e, sobretudo, na década que se segue. Há apenas um tratamento avulso de certas questões. E uma tentativa de passar a responsabilidade para as altas patentes, sacudindo-a do capote do poder político.

Falta, por outro lado, a questão cidadã, ou seja, a maneira como se pretende que os cidadãos vejam as Forças Armadas. A defesa nacional não é apenas uma matéria militar. Tem que se basear no apoio e na compreensão dos cidadãos. Sem essa vertente estar resolvida, o definhamento e a contínua percepção da irrelevância dos militares, tal como é entendida por muitos dos portugueses, irão continuar.

Temos aqui um debate que há muito que está por fazer.

publicado por victorangelo às 21:37

23
Jul 19

Nos últimos dias, a crise que as Forças Armadas portuguesas atravessam há anos voltou aos cabeçalhos da comunicação social. E uma vez mais, se notou duas coisas, por parte dos políticos. Primeiro, que não há serenidade no tratamento da questão. Segundo, que não existe uma visão estratégica sobre o que devem ser as Forças Armadas de hoje e do futuro. Assim não vamos lá.

A defesa é um dos pilares da Nação e os elementos das Forças Armadas devem devem ser respeitados. A primeira fase do respeito passa por incluí-los, de forma activa e séria, não a fazer de conta, na definição do conceito e da organização da defesa nacional.

publicado por victorangelo às 21:35

Definir o objectivo a atingir deve ser o ponto de partida no caminho para o sucesso. Isto aplica-se às instituições e também a cada um de nós. O problema é que essa definição não é tão fácil de fazer como possa parecer. Falando das pessoas, muitos de nós não temos uma ideia clara do que pretendemos obter. Fazemos coisas, muitas coisas, muitas vezes, extremamente bem feitas, mas sem saber como as inserir num objectivo último, um objectivo que somos incapazes de explicitar com um mínimo de coerência. Ou seja, andamos ocupadíssimos, alguns pelo menos, mas não sabemos para onde queremos ir.

publicado por victorangelo às 17:48

18
Jul 19

Observamos o que se passa à nossa volta. E sabemos ler os indicadores e as tendências. Ficamos alarmados. Os desafios que estão à nossa frente são enormes e complexos, essa é a conclusão que podemos tirar. Depois, procuramos determinar quem domina a formatação da opinião pública e constatamos que não falam destas coisas. Nem na imprensa nem nas televisões. Nem sabemos se têm consciência das transformações em curso e do seu impacto, agora e no futuro.

Perante esta constação, que responsabilidade devemos assumir?

 

publicado por victorangelo às 21:44

11
Jul 19

A minha palestra de hoje em Lisboa, na PASC-Casa da Cidadania, foi sobre “geopolítica, ameaças e resposta cidadã”.

Falei sobre a sociedade civil e a sua capacidade de influenciar a agenda política, dei várias exemplos concretos, do #ClimateStrike ao #UmbrellaMovement de Hong Kong, passando pelo Sudão e a Rússia. No essencial, nesta parte da conversa, o objectivo era demonstrar que muitas das grandes mudanças políticas tiveram na base movimentos cívicos.

Depois, referi os grandes acontecimentos da década em curso, acontecimentos que influenciaram de modo determinante a agenda internacional. Comecei pela Líbia de 2011 e acabei com o lançamento pelo Facebook e mais 26 parceiros da Libra, que teve lugar a 18 de junho passado.

Foi então altura de falar do reequilíbrio dos poderes mundiais e da natureza dos novos conflitos, incluindo o novo tipo de armamentos.

Para fechar o debate que se seguiu, pedi aos participantes que evitassem respostas simples e lineares a questões complexas. Estamos num momento em as fontes de poder são variadas, não se limitam apenas ao controlo do Estado, das redes sociais, da banca ou das indústrias de armamento. Dar uma resposta simples a um período particularmente complexo da nossa história humana seria fazer o jogo dos populistas.

 

 

publicado por victorangelo às 21:30

27
Jun 19

A agenda do próximo Presidente da Comissão Europeia deveria dar uma importância maior às questões do meio ambiente e do clima, da paz e da segurança nas diferentes vizinhanças da UE, bem como ao desenvolvimento económico e social dos Estados membros e à segurança dos cidadãos.

Isso passaria por um esforço mais intenso, quer internamente quer no exterior, na aplicação do acordo de Paris sobre o clima. Também significaria um aprofundamento da diplomacia comum. Igualmente, tratar-se-ia de conseguir chegar a mercado único, no espaço europeu, em matérias de telecomunicações, banca e transportes, incluindo a ferrovia. E, finalmente, a prossecução passo a passo de um programa de defesa e de segurança.

Tratar-se-ia de uma agenda ambiciosa, mas realista e suficientemente clara. Mostrar-se-ia, assim, aos cidadãos europeus o que significa uma União Europeia. A qual, a título simbólico, porém altamente significativo, deveria pôr em cima da mesa a possibilidade de um passaporte único, que reconhecesse as várias nações, mas que investiria na criação de uma cidadania comum e partilhada.

 

publicado por victorangelo às 10:51

24
Jun 19

A Plataforma de Associações da Sociedade Civil (PASC) e a Associação para a Promoção e o Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI) querem que eu e mais três especialistas - eles são os especialistas nessas coisas da Sociedade da Informação e da Inteligência Artificial - respondemos às cinco questões enumeradas mais abaixo.

Não é nada fácil. Iremos falar disso no dia 11 de Julho às 17:00 horas na Quinta do Bom Nome, em Carnide, Lisboa. Mas não sei se sairei dessa sessão - que é pública, pode lá vir quem se inscrever - com bom nome...

Mas que é uma excelente iniciativa conjunta da PASC e da APDSI,  isso sim.

Dizem eles: A inteligência artificial está a alterar o equilíbrio de poder no ciber e no geo-espaço e é necessário responder a novos desafios:
- Quais os pressupostos da política e da soberania dos estados, dentro e fora das fronteiras nacionais?
- Será que as atuais alianças internacionais sobreviverão?
- Será que irão surgir novas soberanias no ciberespaço?
- Quem vai governar a Internet e mandar em todos nós?
- Qual o papel da cidadania num contexto de transformação digital e nestes novos espaços de poder?

Que direi eu?

publicado por victorangelo às 16:59

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