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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

O mundo que aí vem

Hoje fechou a Rússia, por um mês. Cerca de um terço da população mundial está agora confinada. Uma situação destas deverá acarretar profundas alterações, em todos os domínios, uma vez terminada a crise. A reflexão sobre o mundo novo já está em curso, aqui e lá, cada um no seu canto e de modo muito incipiente. Os políticos prefeririam que tudo voltasse a ser como dantes, como em Janeiro de 2020. Seria como um simples despertar de um pesadelo horrível. Creio que não será assim. A maneira de trabalhar, a organização da economia, as viagens e o relacionamento com o longínquo, o pensar estratégico, as relações entre as pessoas, a atitude perante a natureza e o ambiente, as escalas de valores e o discurso social, tudo isso poderá conhecer transformações profundas. Penso que seria importante pôr um grupo de reflexão em marcha, com o objectivo de reflectir sobre essas possíveis alterações. Talvez isso pudesse ser uma iniciativa do Secretário-geral da ONU. Ou de uma fundação com The Elders.

O jogo do Presidente Erdogan sai furado

A Turquia entendeu, nas últimas 24 horas, que se Vladimir Putin tiver que escolher, a decisão será a favor de Bachar al-Assad. Sem hesitações, quando o fundamental está em jogo, o Presidente russo apoia o lado sírio e deixa cair a aliança de conveniência que tem com Recep Tayyip Erdogan.

Como já o disse noutras ocasiões recentes, Assad e Putin acreditam numa solução militar. Por isso, prepararam planos e iniciaram, em Dezembro passado, uma ofensiva contra os vários grupos rebeldes que se refugiaram na única região possível, a província de Idlib. Essa campanha tem estado a ser executada progressivamente, sem dó nem piedade. Criou uma vasto movimento de deslocados – serão, nessa província, quase um milhão de pessoas em necessidade humanitária absoluta. Entretanto, Erdogan resolveu meter a colher na disputa. Esta é uma zona de fronteira com a Turquia. Não será a que tem maior interesse estratégico, mas é o refúgio de vários grupos armados próximos dos interesses de Ankara. Assim, Erdogan estabeleceu uma dúzia de posições militares turcas em Idlib, em território que não é dele. Foi uma dessas bases e a coluna de reabastecimento que foram alvo de ataques aéreos ontem. Atacaram os sírios e morreram mais de três dezenas de soldados turcos.

O Presidente turco aprendeu também, para lá da questão de saber para que lado penderia Putin, que o espaço aéreo nessa zona é controlado inteiramente pelos russos. Ora, tacticamente, isso acarreta uma fraqueza fatal. Os turcos não conseguem defender as suas tropas destacadas no terreno sem ter um mínimo de capacidade operacional aérea. Não a têm.

Erdogan pode contar com o apoio de um comunicado oficial e de uma conferência de imprensa da NATO. Conta, igualmente, com as “notícias” que a comunicação social turca favorável ao regime publica. Por exemplo, essa comunicação social “lançou” hoje dezenas de mísseis e “matou” mil e tal militares sírios, no que foi apresentado com um acto de retaliação do Presidente turco. “Notícias” assim são para consumo interno, mas não avançam a causa turca na Síria de um só milímetro.

Erdogan vai ter que retirar as suas tropas de Idlib. Não pode continuar a ter baixas e mais baixas. E prevejo que acabe por abrir as portas da sua fronteira aos deslocados sírios de Idlib. Com os novos refugiados irão também os combatentes rebeldes, alguns deles fundamentalistas. A multidão fará passar despercebidas essas fugas.

A questão aqui é a de saber se esses combatentes ficarão, depois, na Turquia ou se se dispersarão por outros países. A resposta mais provável é a da dispersão em direcção ao espaço europeu. Esta possibilidade aumenta o nível de risco de terrorismo na Europa.

Entretanto, hoje, a Rússia deslocou para a região duas fragatas com equipamento bélico capaz de dissuadir quem precisar de ser dissuadido. Ao controlo do ar junta-se a força marítima.

O Presidente Erdogan fica assim com uma ideia mais clara do tabuleiro de xadrez em que os russos se movem. Pode, igualmente, aproveitar esta oportunidade para perceber que a política que tem seguido leva ao isolamento do seu país, que é o contrário do resultado que ele ambicionava.

 

 

 

 

 

 

 

 

A diferença que a imaginação faz

Na minha perspectiva, um académico é diferente de um pensador. Não digo filósofo, que isso está um bocado fora de moda, pelo que uso a palavra pensador.

O académico tem a obrigação de ser objectivo, factual. Deve estudar a fundo, ler milhares e outros milhares de linhas sobre o tema que está no centro dos seus estudos e acrescentar conhecimento ao que já existe. Muitos não o conseguem fazer. Limitam-se a resumir o que outros já disseram, a repetir o que já foi foi explorado. Um bom número dos académicos que por aí andam caiem, aliás, nessa categoria de papagaios com excelentes capacidades de memorização. Dantes, chamar-lhes-ia gravadores, agora terei que dizer que são uma espécie de scanners ambulantes. Acreditam que a erudição é a mesma coisa que o conhecimento. E como há muitos tapados que também vêem a vida académica assim, acabam por ter algum reconhecimento, que é uma palavra que se pode confundir com conhecimento.  

O pensador é acima de tudo um criativo. Vive no mundo da imaginação, das hipóteses, dos cenários possíveis, da prospectiva. A academia é, para ele, uma plataforma para levantar voo e nada mais. O pensador é como que uma águia que vê a vida a partir de um ponto perdido no espaço, muito alto e amplo. Mas, contrariamente à águia, não anda à caça de coelhos desprevenidos. Não liga a essas minudências. Anda, isso sim, à procura de novos horizontes, a abrir novos destinos.

 

Num dia de reflexão

Os nossos intelectuais gostam de produzir opiniões definitivas sobre questões complexas. Têm opinião sobre tudo e de modo categórico. Cortam a direito, quando haveria necessidade de fazer um percurso cuidadoso das ideias e dos contextos, de proceder a uma escolha criteriosa das opções e da hierarquia das prioridades.

Assim acontece, por exemplo, quando se levanta a questão de saber qual é o principal problema que Portugal enfrenta. Este tema apresenta uma grande complexidade, requer um leque de análises e de pistas conectadas. Mas as nossas inteligências públicas não hesitam. Têm pronta uma resposta directa, uma espécie de verdade indiscutível, uma linha que explica tudo.

Depois disso, deixa de haver espaço para o debate. A opinião emitida por quem tem banca na praça é definitiva e dogmática. Qualquer desvio, ou interpretação diferente, é vista como uma aberração. O diálogo é substituído pela disputa, a argumentação pela guerra das palavras e dos egos.

A falta de diálogo não será o problema mais sério que o país enfrenta. Mas que é um problema, disso não tenho dúvidas.

Estratégia ou apenas aproveitar o vento que sopra?

Ao ver o que por aí aparece como sondagens, dir-se-ia que António Costa tinha a vitória nas mãos e que, entretanto, se descuidou e a deixou voar para outros destinos. O que era há umas semanas um debate sobre “uma maioria absoluta” – debate esse que até deu azo ao aparecimento de um manifesto de figuras mais ou menos públicas a lembrar que uma maioria absoluta do PS seria um desastre para as políticas da esquerda radical, que esse grupo de certo modo representava – transformou-se agora num desenho de cenários de possíveis alianças na Assembleia da República.

A descida do apoio ao PS poderia ser melhor aproveitada pela campanha de Rui Rio. Mas como não há visão, o aproveitamento é feito de modo simplista, muito à volta do que aconteceu ou não em Tancos. Ora, haveria, isso sim, que insistir na tecla de um PS refém do Bloco de Esquerda, após as eleições. E bater nessa tecla de modo a mobilizar para o PSD o voto de todos os que, incluindo dentro do Partido de António Costa, não gostariam de ver uma segunda edição da geringonça. Uma edição que agora teria o seu centro de gravidade na agenda do BE e não na moderação que Costa soube mostrar ao longo dos últimos quatro anos.

Claro que digo isto apenas como ilustração. Não me cabe fazer a estratégia eleitoral de Rui Rio. O que escrevo é apenas para mostrar como trabalham os que andam nos jogos de estratégia e não os que apenas tentam cavalgar a onda que passa.

 

As serras e a política

Passei os últimos dias na estrada. E vi partes do Alto Alentejo, das Beiras (Alta e Baixa) bastante secas. Bem mais secas este ano do que nos anos anteriores, quando, na mesma altura do ano, fiz percursos idênticos. Lembrei-me, mais uma vez, que a gestão das águas de superfície e subterrâneas vai ser uma das grandes questões que teremos de enfrentar. Não me parece, no entanto, que o assunto esteja presente no ecrã dos nossos políticos. Parecem não ver ou então, acham que é complicado e passam ao lado.

Como também haveria necessidade de definir uma política e um plano de reflorestação das terras e das serras, algo que é igualmente ignorado.

Quando me dizem que não há nada de novo na política, penso no muito que vi por fazer durante esta viagem. E na urgência de trazer para a agenda política dos próximos anos a água, as florestas e o reordenamento do território. Só que para isso, é preciso ter-se uma visão do país que alcance para além do imediato.

 

A política do desenrascanço

Num domingo de Sol, escrever sobre política é um aborrecimento e um atentado à paciência dos leitores. Sobretudo quando o único tema que parece preocupar os nossos políticos e os analistas que vivem dessas coisas é sobre se haverá ou não maioria absoluta a 6 de Outubro. Ideias e desafios, nada disso pesa. Nem é preciso ter um esboço de um projecto nacional. Basta deixar andar, que é essa a atmosfera a que nos habituámos. Somos, cada vez mais, um país de individualistas à procura do desenrascanço.

A gestão da água e falta de visão política

Passei um par de dias a conduzir pelas zonas fronteiriças que separam o Baixo Alentejo e o Algarve da província espanhola de Huelva. Ambos os lados estão a fazer um uso intensivo das reservas de água disponíveis. Não parece haver regras, nem uma visão sustentável da gestão do recurso. Primam os olivais, os laranjais, os diversos pomares, as vinhas e outras culturas, bem como uma utilização desenfreada da água para alimentar uma proliferação de piscinas e de jardins privados. As reservas freáticas e os lençóis em profundidade, que se formaram ao longo de milhões de anos, estão sob pressão frenética, por motivos comerciais e porque os novos-ricos querem que as suas residências secundárias se assemelhem às vivendas das estrelas de Hollywood. O próprio Alqueva está a ser chupado a toda a velocidade, para regar centenas de milhares de pés de oliveiras, campos de milho a perder de vista – sim, em pleno Verão, milho nas securas do Baixo Alentejo, mas que aberração – e uvas e mais uvas. A floresta tradicional, menos exigente em água, mais adaptada ao clima e às condições do solo, só sobrevive nas zonas de serra e onde se cria o porco ibérico.

A água será, nestas regiões, e noutras da Península, uma das grandes questões do futuro. E poderá vir a ser, à volta do Guadiana, uma fonte de tensão entre os dois países vizinhos. É um tema essencialmente político, que é totalmente ignorado pelos anões políticos que por aí andam.

O PM está a ganhar o apoio do meu gato

Hoje foi o meu gato quem começou a conversa. Normalmente, não é assim, eu falo e ele finge que ouve. Mas esta tarde, foi diferente. Fez-me saber que está a chegar à conclusão que é uma injustiça antidemocrática não deixarem os gatos votar nas legislativas.

Fiquei a olhar para ele, à espera do resto. Que veio de seguida, sem demoras. É que, tendo em conta a maneira hábil e progressiva como o governo está a responder a uma greve tão séria e por tempo indeterminado, como é a dos combustíveis, ele gostaria, em Outubro, de votar por António Costa. E faria campanha junto dos outros gatos, para que assim fosse.

Como é um gato esperto, primeiro promete, com prudência. Depois vê como evoluem os próximos dias. Se o governo continuar assim, o bicho acabará por confirmar a intenção. Se não conseguir chegar às urnas, pensa que muitos eleitores poderão fazer a mesma análise que ele. Isso dá-lhe algum consolo.

Entretanto, espero que os meus amigos do PSD continuem de férias e não tenham disposição, e maneira, de ler este meu blog de hoje. Incomodar os amigos durante Agosto, não se faz.

 

Com os miolos em roda livre

Ninguém fala nas implicações estratégicas de um greve que tem que ver com a disponibilidade de combustíveis. Fico com a impressão que já não está na moda falar em termos de interesse nacional. É tudo reduzido a interesses específicos e a oportunidades para fazer política partidária, para atacar à esquerda e à direita. E para pôr em causa a autoridade legítima do Estado. Não andaremos um pouco confusos dos miolos?

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