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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A cena internacional está cada vez mais complicada

A cena estratégica internacional está a mudar a grande velocidade. Começa a ser difícil acompanhar as mudanças, quando não se tem uma equipa de apoio. Os observadores a título individual, como é o meu caso, precisariam de trabalhar 24 horas por dia.

Hoje, por exemplo, aconteceram duas situações que são estruturalmente importantes.

Primeiro, foi o anúncio do acordo de defesa entre os EUA, o Reino Unido e Austrália, a que chamam AUKUS, sem qualquer consulta prévia com os aliados europeus e acompanhado, para cúmulo, da anulação de um contracto que a Austrália fizera com a França. Esse contracto, da ordem dos 56 mil milhões de euros, dizia respeito ao fornecimento de uma dúzia de submarinos de propulsão convencional, que a Austrália encomendara à França. A Austrália assinou agora uma nova encomenda com os EUA, para o mesmo número de submarinos, mas de propulsão nuclear.

Segundo, temos o Parlamento Europeu a aprovar uma resolução claramente hostil a Vladimir Putin. Essa resolução pede à Comissão Europeia que tome um determinado número de medidas retaliatórias e de sanções contra o grupo no poder em Moscovo. A resolução leva o conflito com a Rússia para um patamar mais elevado de tensão. Mesmo que não leve a um qualquer resultado prático, dá ao Kremlin a oportunidade de tirar dividendos desta manifesta hostilidade. A relação com a Rússia deve ser firme, estou de acordo, mas não pode fechar as portas do diálogo. Tem de ser construída com pilares positivos. As sanções e outras medidas devem sempre deixar uma possibilidade de se encontrar uma solução.

O atentado que complica ainda mais

O atentado suicida junto a uma das entradas do aeroporto de Cabul mostra, uma vez mais, que para certos fanáticos não existem limites. A sua leitura extremista da religião, do inimigo e da política leva-os a praticar verdadeiras chacinas, como aconteceu esta tarde. É uma leitura incompreensível para quem acredita no valor da vida. Também é um comportamento muito difícil de combater, porque esses indivíduos estão dispostos a tudo, inclusive a sacrificar a sua própria vida.

Não é ainda claro que grupo levou a cabo este acto inumano. Terá sido uma facção ligada ao Estado Islâmico, que é profundamente inimigo não apenas dos ocidentais, mas também dos talibãs.

De qualquer modo, este crime abominável veio complicar ainda mais uma situação que já era altamente complicada. E dar uma indicação do que poderá ser o Afeganistão dos próximos tempos, em termos de lutas entre grupos rivais, de viveiro de extremismos e de perigos para o cidadão comum.

 

Um momento histórico

Uma semana depois da queda de Cabul e da administração apoiada pela comunidade internacional – directa ou tacitamente – continuamos a defrontar-nos com três grandes questões. A evacuação de todos os que devem ser evacuados. O reconhecimento diplomático do governo que vier a ser estabelecido. E o impacto desta crise sobre o papel das potências ocidentais na cena mundial.

Cada uma destas questões dá pano para muitas mangas. Mostram, igualmente, que estamos num momento de viragem na história moderna da humanidade. Pode parecer um exagero dizer algo assim. Estou convencido que não o é. Que este é na verdade um virar de página com grandes consequências.

O Afeganistão numa perspectiva mais ampla

https://www.dn.pt/opiniao/cabul-e-depois-do-adeus-14045427.html

Acima fica o link para o meu texto desta semana, que publico no Diário de Notícias. 

O objectivo da escrita de hoje é o de defender uma tese mais ampla -- o descalabro americano e ocidental visto pela liderança chinesa. Mas também quis falar das pessoas, da má vizinhança em que se insere o Afeganistão e da resposta da União Europeia. 

"Vistos de Beijing, os acontecimentos no Afeganistão indicam que a opinião pública americana está menos disposta a comprometer-se em guerras que não são suas, em terras longínquas, difíceis de localizar no mapa e de entender culturalmente. Xi Jinping e os seus ficaram agora mais convencidos de que os americanos vergarão de novo perante factos consumados. Neste caso, perante a realidade que resultaria da ocupação pela força de Taiwan. Nessa visão, Washington reagiria com muito ruído, mas de facto hesitaria até finalmente abandonar a hipótese de uma resposta militar."

Este é um dos parágrafos do meu texto. 

 

O desespero como resultado final

As imagens de hoje, que mostram centenas de afegãos agarrados a um avião militar norte-americano prestes a levantar voo, não serão jamais esquecidas. Resumem, no seu dramatismo, o que ficará para a História, quando se falar das duas décadas de intervenção ocidental no Afeganistão. Os sacrifícios de muitos militares, o sofrimento de milhares de famílias, os biliões gastos, a incompetência e a corrupção de muitos políticos não serão nunca minimizados. Não será possível varrer tudo isso para debaixo do tapete da memória. Mas, o desespero de quem se agarrou ao avião diz tudo, passado, presente e futuro.

 

Um dia completo

O Presidente turco mandou bombardear um campo de refugiados curdos localizado bem no interior do Iraque. Estes curdos fugiram de perseguições na Turquia, tendo encontrado protecção no país vizinho, com o apoio de várias agências humanitárias e da ONU. Ao ordenar o ataque de hoje, Erdogan violou aspectos importantes da lei internacional e cometeu vários crimes, incluindo o crime gravíssimo de matar e ferir refugiados instalados num campo reconhecido pela comunidade internacional. A NATO não pode ter um membro assim.

Do outro lado do mundo, nos EUA, o ex-presidente Donald Trump falará daqui a pouco aos militantes do Partido Republicano. Espera-se todo um chorrilho de mentiras e de falsas acusações. Entretanto, o partido está mais louco do que nunca. Completamente dominado pelas fantasias de Trump, fez circular uma nova teoria conspirativa: durante a eleição de Novembro, os italianos enviaram drones que iam transformando cada voto por Trump num voto para Biden. É mais uma invenção extravagante, mas a verdade é que muitos eleitores republicanos acreditam nestas idiotices. O partido está num estado absolutamente lamentável. E Trump aproveita-se disso.

Mais ao sul, no martirizado Burkina Faso, aconteceu um novo extermínio de civis indefesos. A sua aldeia foi atacada por terroristas durante a noite passada. Ainda não se sabe exactamente quantas pessoas foram mortas, mas o número é superior a 135. Este ataque lembra-nos o drama que certas populações do Sahel estão a viver. Também nos diz que a insegurança continua a crescer. Com ela, vem mais miséria, deslocamentos de população, mais sofrimento.

Entretanto, decorreu a reunião dos ministros das finanças do G7. Houve acordo quanto à urgência de fazer pagar impostos às grandes corporações mundiais. É um passo em frente. Mas há que tornar a decisão efectiva. E isso irá demorar.

Reforçar a OMS e apoiar a pesquisa

As plataformas sociais, em especial a Twitter, estão cheias de mensagens de ódio contra a Organização Mundial da Saúde (OMS) e também contra Bill Gates. Quem quiser ficar enojado pode fazer um pequeno percurso pela internet. Há lá de tudo sobre estes dois assuntos.

No que respeita à OMS, a “licença para matar” veio do Presidente norte-americano. Donald Trump viu nas hesitações da OMS uma oportunidade para atacar a China, que é um tema que dá dividendos em várias partes do mundo, sobretudo junto dos cidadãos americanos mal informados e ultranacionalistas. Atacar a ONU também possibilita angariar alguns votos, satisfazer as fobias de algumas secções da opinião pública, mas é sobretudo a China que é vista como a rival por excelência dos Estados Unidos. Por outro lado, apontar o dedo na direcção da OMS desvia as atenções, cria uma nuvem que esconde a incompetência e a confusão que têm marcado a maneira de agir de Donald Trump.  

Bill Gates é um alvo habitual de críticas por duas razões principais: por ser um bilionário de grande porte e inteligente. A verdade é que se trata de uma pessoa com uma visão muito ampla e com uma faculdade fora de série de antecipação dos problemas futuros. Os curtinhos da cabeça têm dificuldades em aceitar pessoas assim. Através da sua fundação, Gates é hoje um dos principais financiadores filantrópicos na área da pesquisa médica. Está, neste momento, a contribuir financeiramente para que os melhores cérebros científicos possam avançar na investigação de uma vacina contra a covid-19. Fá-lo de modo global, não se limitando aos laboratórios americanos apenas. A sua atitude contrasta com a maneira de agir do Presidente. Está à vontade, fala com serenidade e profundidade, olha para cada questão sob vários ângulos. Tudo isso acaba por sublinhar e pôr em evidência a pequenez de Donald Trump.

O que eu peço aos meus amigos é que não caiam nas armadilhas que por ainda estão montadas, contra a OMS, contra a filantropia e os visionários.

Ainda sobre o Irão e nós

O meu amigo A. é visceralmente anti-americano. Todas as suas análises dos factos correntes assentam nesse sentimento, desde que hajam americanos metidos ao barulho. E as suas entranhas ainda ficam mais vulcânicas se a notícia tiver que ver com o Presidente Donald Trump.

Assim, os seus comentários sobre o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani – um assunto sobre o qual escrevi longamente – eram previsíveis. Demoliam, forte e feio, o Presidente dos Estados Unidos. E davam os líderes iranianos como os bons da fita. Ou, menos menos, não havia uma sombra de uma crítica sobre eles.

Eu também não estou de acordo com a decisão tomada por Donald Trump. O meu texto de ontem menciona as principais razões, que são de ordem política e moral. E chamo a atenção para os riscos de agravamento dos conflitos numa região do globo que já está em crise profunda, com várias populações a sofrerem as maiores tragédias há anos. Toda e qualquer acção que leve a uma escalada da miséria e dos confrontos existentes só pode ser condenada. Sem equívocos.

Mas também é de condenar o regime que o Gen. Soleimani defendia. O Irão é um inferno político gerido em nome de Deus. É uma ditadura de religiosos com ideias dos tempos das ténebras, sem qualquer tipo de espaço para a liberdade e para os direitos humanos. É uma aberração histórica, vizinho de outros desvarios semelhantes e de inspiração semelhante, como por exemplo, a Arábia Saudita. O meu amigo A. não conseguiria respirar qualquer pontinha de democracia no Irão. Nem seria aceite, por ser visto ou como cristão ou como ateu, duas condições inaceitáveis nas terras dos religiosos do fanatismo.

Perante isto, que fazer, que papel poderemos desempenhar, enquanto europeus?

Modestamente, aqui ficam duas ideias.

Por um lado, procurar atenuar o confronto entre os Estados Unidos e o Irão, bem com os conflitos entre este último e os seus vizinhos sunitas. A mediação é a via. É isso que a França, em ligação com o Japão, têm tentado fazer, de modo confidencial, nos últimos meses. Não se fala no assunto, os contactos têm sido altamente secretos, mas existe uma tentativa de mediação. É evidente que esse processo ficou seriamente afectado com a decisão de matar, tomada pelo Presidente americano. Também é verdade que Donald Trump não acredita nas possibilidades de êxito dessa iniciativa. Na sua maneira de ver, a força é quem mais ordena. Mas as mediações são assim, têm primeiro que ganhar a confiança das partes. Mediar exige que se tenha a paciência de caminhar num labirinto.

Por outro lado, cabe-nos continuar a falar de democracia, do direito das populações em decidir que regime e dirigentes políticos querem, insistir na liberdade e na tolerância religiosas, enfim, nos valores que definem o mundo deste tempo que é o nosso. Temos, porém, que o fazer com coerência, evitando a duplicidade que tantas vezes nos caracteriza.

 

 

António Guterres falou bem e claramente

O discurso de António Guterres marcou a abertura da Assembleia Geral. Foi, de longe, o discurso mais estratégico do dia. E o mais generoso, lembrando que para além dos Estados existem as pessoas. Falou dos progressos obtidos nos últimos doze meses e dos desafios que ficaram por resolver, dos direitos humanos, em todas as suas dimensões, da prevenção e da mediação de conflitos. Foi acima de tudo directo no que respeita aos perigos que poderão surgir de um mundo dividido entre dois rivais extremamente poderosos, os Estados Unidos, de um lado, e a China, do outro.

Dir-me-ão que poucos o ouvem. Que os principais líderes mundiais não estavam na sala. Responderei que, apesar de tudo, é fundamental que haja uma voz que nos lembre as nossas responsabilidades, que reafirme o valor das regras internacionais, que fale de cooperação e da resolução pacífica dos conflitos. É para isso que a ONU existe.

Analistas ou combatentes políticos?

Que um cronista bem conhecido da nossa praça escreva, como o faz hoje na sua coluna diária no Público, que o Presidente americano é uma “besta”, não me surpreende. O ganha-pão desse cronista é dar opiniões pessoais sobre tudo e mais alguma coisa. E fica melhor, se for virulento naquilo que publica. Muitos leitores acham piada a esse estilo. O cronista é, assim, um autor com sucesso. Tem mercado, que no capitalismo em que vivemos acaba por ser a medida de muitas das coisas.

Onde me parece haver problema é quando escribas que querem ser vistos como “analistas” fazem afirmações desse tipo.

O analista deve ter um raciocínio mais frio e mais completo. Nomeadamente quando se trata de tentar compreender o que leva o Presidente dos Estados Unidos a fazer as afirmações que faz, tantas delas absurdas e injustificadas. Tomar o homem por parvo e ignorante não chega. Há que ver o que está por detrás das palavras que debita e tentar perceber o que isso significa em termos de consolidação do seu poder.

É que tudo tem que ver com jogos de poder.

Não foi por acaso que o dito senhor chegou a Presidente, num dos países onde a competição política é das mais furiosas e complexas.

Insultar faz parte da política, é verdade. Mas não é suficiente, se não se sabe ler a maneira de agir, táctica e estratégica, do adversário que se tem pela frente.

Amigos analistas, pensem bem nisto.

 

 

 

 

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