Portugal é grande quando abre horizontes

14
Fev 19

//victorangeloviews.blogspot.com

A visita de Giuseppe Conte ao Parlamento Europeu, comentada no meu blog em inglês.

publicado por victorangelo às 09:34

15
Mai 14

http://tinyurl.com/kc3a37b

 

http://tinyurl.com/mjqyc4e

 

 

 

Estes são os links para o meu texto de hoje na Visão.

 

Escrevo sobre a União Europeia, as próximas eleições e sobre as fragilidades actuais. Sublinho que o único caminho inteligente é o que passa pelo aprofundamento, à medida do possível, da união política.

 

O problema é, no entanto, outro: poucos são os políticos com coragem de dizer o que deve ser tido. A grande maioria, a ver como estão as coisas, vai optar pela negativa, pelo populismo bacoco.

 

Para facilitar a leitura do texto transcrevo-o aqui também.

 

Boa leitura.

 

 

Tempestades europeias

Victor Ângelo

 

 

 

 

A dois passos das eleições para o Parlamento Europeu, é importante falar da Europa de modo positivo e reafirmar a relevância do projecto comum. A opinião pública é um pilar indispensável da construção europeia. Sobretudo numa altura de grande fragilidade, em que a UE é alvo de ataques internos e externos muito sérios, capazes de causar divisões e pôr em causa o futuro.

 

 A nível interno, verifica-se uma convergência de investidas provenientes de vários quadrantes, nomeadamente de forças políticas radicais, extremistas de direita e de esquerda, ultranacionalistas e populistas. As linhas políticas com que se cosem são, aliás, praticamente as mesmas: a demonização do euro e do sistema financeiro; a culpabilização dos outros, do estrangeiro, e outras ficções identitárias que alimentam a xenofobia; o apoucamento dos dirigentes das instituições comuns e dos líderes políticos no poder; a idealização do passado, o mítico em vez do real; a ilusão do regresso às fronteiras nacionais bem como a rejeição de uma visão mais ampla da cidadania europeia. Cria-se assim uma Europa em risco de colapso graças a uma coligação informal de oportunistas, de retrógrados de vários calibres e de iluminados políticos. São gente que procura tirar partido das dificuldades e frustrações dos cidadãos erradamente deixados para trás, dos que não foram ajudados nem preparados para os desafios de uma Europa e de um mundo em mutação acelerada. Em tempos de crise e de incertezas, a política do bota-abaixo e do tribalismo nacional aproveita-se dos medos colectivos e dos desapontamentos sociais. Faz parte das artimanhas dos extremistas saber criar fantasmas e sentimentos de insegurança, para depois tirar os dividendos que daí possam advir. O populismo dá votos, como deu aos ditadores do passado europeu, na primeira metade do século XX. Mas convém lembrar que leva igualmente ao desastre, como a história nos mostra.

 

Ao nível externo, há os que pensam que uma Europa unida é uma ameaça para os seus interesses geoestratégicos e económicos. Não tenhamos ilusões nem sejamos ingénuos. Quem vê a UE assim, quem olha para nós a partir do prisma do antagonismo e da competição negativa, tudo fará para tirar vantagem das vulnerabilidades actuais e sapar a unidade europeia.

 

A verdade é que a batalha da opinião pública não está ganha. Há oposição e há indiferença. Por várias razões, a informação e o esclarecimento não chegam aos cidadãos, não atraem o interesse popular. Neste quadro, o texto que François Hollande publicou, a 8 de maio, no diário Le Monde, deve merecer atenção e ser divulgado. Trata-se de uma reflexão construtiva, bem argumentada, realista e equilibrada sobre o que está em jogo nas eleições de 25 de maio. O presidente francês reconhece que a UE está em perigo de desintegração. Lembra-nos que uma Europa fragmentada abriria o caminho a confrontações violentas entre os estados. Seria uma Europa a contracorrente da tendência actual, que visa criar grandes espaços políticos e económicos. Defende, por isso, o reforço político da UE bem como a ideia – controversa mas que merece ser debatida – que esse aprofundamento se possa fazer mais rapidamente entre os estados dispostos a integrar o pelotão da linha da frente.

 

Penso que o debate nos próximos tempos deve ter em conta esse texto de Hollande. Ao qual juntaria o livro de reflexões que Herman Van Rompuy acaba de publicar – “Europa na Tempestade”. Entre muitas coisas, o Presidente do Conselho Europeu diz-nos que a gestão da crise europeia tem sido inspirada pela determinação de manter a união. É essa vontade que precisa de ser partilhada pelo maior número possível de cidadãos.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:17

15
Jan 14

Este ano e até às eleições legislativas britânicas, em Maio de 2015, a principal ameaça à coesão política europeia virá do governo de David Cameron. O risco político reside em Londres e não em Berlim.

 

O primeiro-ministro e a liderança do seu partido deixaram-se apanhar na armadilha nacionalista e tradicionalista que é um apanágio clássico da pequena burguesia britânica, uma espécie de bandeira atrás da qual se esconde um certa mania de superioridade que caracteriza uma parte da sociedade desse país. Muitos britânicos pensam que são mais espertos que o resto dos europeus.

 

Os líderes conservadores estão cada vez mais encostados à parede. Embora saibam, pois Cameron e os seus têm ligações muito íntimas com os grandes interesses económicos britânicos, que uma eventual saída da UE seria um desastre a prazo para o seu país, não parecem ter agora outra alternativa política que não seja a de tentarem ser mais populistas que os demagogos ultranacionalistas. Vão, por isso, jogar no duro em relação ao projecto europeu, para tentar não perder votos.

 

Cameron e os seus são contra novos avanços no que respeita à integração europeia. Mais, querem mesmo fazer recuar o projecto comum. Essa é a dimensão profundamente negativa da sua política em relação à Europa.

 

Por outro lado, pela positiva, têm uma sensibilidade em relação aos desafios globais que merece atenção. A Europa precisa de reflectir sobre os desafios da globalização. Há, em grande medida, um défice de pensamento estratégico sobre o posicionamento das economias dos estados membros perante o resto do mundo.

 

Num mundo melhor, seria de esperar que as eleições deste ano para o Parlamento Europeu pudessem servir para debater a questão britânica e o futuro da UE. Mas esperar por tal seria ingénuo. Seria esquecer que vivemos numa realidade política que não discute nem encara os verdadeiros problemas.

publicado por victorangelo às 17:36

03
Fev 13

Esta semana terá lugar mais uma reunião cimeira do Conselho Europeu. Deveria aprovar o orçamento 2014-2020. A informação que me chega é que tal não vai acontecer. Continua a não haver acordo.

 

Para dizer a verdade, a União Europeia parece ter desaparecido do mapa dos líderes dos estados membros, nestas primeiras semanas do novo ano. Apenas o discurso de David Cameron deu alguma projecção à EU, durante este período. Foi uma projecção negativa, reconheço, mas pelo menos colocou a Europa nos ecrãs. Por poucos dias, diga-se, que isto do projecto comunitário está numa fase que não aquece nem arrefece.

 

E o mais ridículo é que tal acontece no ano em que se procura voltar a despertar o interesse dos cidadãos pela UE.

publicado por victorangelo às 20:47

26
Mai 12

Recentemente, num jantar de gente com poder -- e que por isso se considera muito importante -- o orador principal, Javier Solana, dizia que a comunicação entre as elites e as massas está emperrada, não se faz com clareza. Cada um vive, segundo afirmou, no seu círculo, sem verdadeiro diálogo e transmissão de ideias entre eles, sem se ouvirem. E falava, então, da necessidade de utilizar as redes sociais, como meio de comunicação. Ele próprio é um activo utilizador do twitter. 

 

A verdade talvez seja mais complexa. Não é apenas a questão dos meios que está em causa. Ainda hoje vi, durante uns curtos minutos, por não ter paciência para mais, um debate entre eurodeputados transmitido pela BBC World: o meio de comunicação, um canal de televisão com prestígio, era óptimo, mas a conversa era pura e simplesmente banal e confrangedoramente pobre de espírito. Ou seja, a questão dos conteúdos é fundamental.

 

As pessoas estão hoje mais informadas do que nunca. Quando um político procura comunicar com os simples mortais que nós somos, tem que ter algo para dizer, uma mensagem, um ponto de vista, uma perspectiva nova, numa linguagem directa e verdadeira. Se não proceder assim, ninguém tem tempo e disposição para o ouvir. 

 

E os políticos aproveitam os jantares nos palácios do poder de outrora para se lamentarem. Quem tem pena deles?

 

 

publicado por victorangelo às 21:00

15
Fev 12

A hora da verdade parece ter chegado, no que respeita à Grécia. Existe uma corrente de opinião, em certas capitais, corrente que está a ganhar peso, que considera que a Grécia não tem condições para continuar no euro, nem para ser ajudada de modo a evitar a falência. A violência que acompanhou as manifestações de domingo e o descalabro verbal, por parte de certos sectores de opinião de Atenas, contribuíram bastante para a esta nova atitude. Mas não só. A verdade é que a Grécia não tem economia capaz de assegurar a recuperação do país, nem planos para a revitalizar. Deste modo, emprestar mais uns milhares de milhões é como deitar dinheiro num poço sem fundo. 

 

Entretanto, um grupo de personalidades portuguesas divulgou hoje um abaixo-assinado, mostrando muita preocupação pela sorte dos gregos. É um gesto bonito. Falta agora uma declaração semelhante, a pensar na sorte dos portugueses. Embora deva acrescentar que parágrafos vagos e desconectados da realidade não nos levarão a parte alguma. O que precisamos é de gente que faça coisas, que tenha ideias concretas, que saiba como funciona a economia e as relações económicas internacionais. Palavras de ignorantes não levam a porto seguro. 

 

Também quero sublinhar, embora esse mesmo grupo não esteja de acordo, que Portugal não pode ser associado ao que se está a passar na Grécia. A nossa realidade tem sido diferente e deve continuar a sê-lo. Seria um passo de gigante para o abismo se o nosso país começasse a ser visto como é vista a Grécia. Neste momento, quanto menos se falar de nós nas capitais europeias e nos jornais internacionais, melhor. 

 

Estamos entendidos?

 

publicado por victorangelo às 20:58

06
Mar 11

Os dirigentes da Europa de direita estiveram reunidos na Sexta-feira em Helsínquia. 15 dirigentes de países europeus pertencem ao grupo do Partido Popular Europeu, incluindo Angela Merkel, Silvio Berlusconi, Nicolas Sarkozy e o novo Primeiro-ministro da Irlanda. Ao nível das instituições da UE, Van Rompuy, J M Barroso e o Presidente do Parlamento Europeu pertencem à família. 

 

Se acrescentarmos David Cameron, que embora de direita, deixou de pertencer ao PPE, vemos que a Europa é fundamentalmente dirigida por políticos conservadores.

 

Em Portugal, o PSD e CDS/PP são membros do PPE.

 

A reunião de Helsínquia serviu, sobretudo, para dar mais força ao "pacto de competitividade" proposto por Angela Merkel. O pacto será submetido, para aprovação, à próxima cimeira do Conselho Europeu, a 24 e 25 de Marco. É um assunto em relação ao qual convém estar muito atento.

publicado por victorangelo às 22:16

01
Mar 11

Estou em fim de viagem, mas, mesmo assim, quero dizer, alto e bom som, que a Comissão Europeia e os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus estão todos, face à crise humanitária na fronteira entre a Líbia e a Tunísia, a dar a impressão de andarem a apanhar bonés. 

 

Aquela conversa bonita, muito intelectual, cheia de referências a estratégias, que de vez em quando ouvimos, é só para disfarçar a incompetência.

 

Uma vergonha. 

 

Uma grande falta de sentido de responsabilidades e de coragem política. 

 

E os deputados europeus, caladinhos...

publicado por victorangelo às 20:41

27
Fev 11

A capacidade de gestão de crises, bem como a capacidade de resposta rápida às crises humanitárias, são duas áreas em que a fraqueza das instituições europeias é bem clara. Tratam-se, no entanto, de matérias comunitárias, em que uma actuação conjunta faz sentido.

publicado por victorangelo às 10:38

23
Fev 11

Muita gente importante, por essa Europa fora, está de tal modo preocupada com o petróleo e o gás da Líbia, que fica sem coragem para uma tomada de posição clara. Impera o silêncio, que o Cão Raivoso de Trípoli interpreta como uma licença para matar.

 

É verdade que os popós da malta não funcionam com base em declarações de princípio. Mas, sem princípios, a Europa deixa de ter autoridade moral. Não pode ser pela democracia no Zimbabwe, onde não tem interesses estratégicos, e pela estabilidade da ditadura na Líbia, onde uns barris de petróleo falam mais alto.

publicado por victorangelo às 22:18

twitter
Setembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
13

17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO