Portugal é grande quando abre horizontes

28
Dez 18

A fiscalidade europeia não pode ser uniforme. Não pode haver um regime único que se aplique a todos os Estados membros. Nem mesmo apenas aos da zona euro. O sistema europeu de impostos tem que reconhecer as diferenças existentes entre as várias economias e criar incentivos para atrair um maior volume de investimentos para os países menos desenvolvidos, na periferia dos grandes mercados europeus e geograficamente em desvantagem.

Dizer o contrário é fazer o jogo das economias mais desenvolvidas do centro da Europa. Economias que têm, num raio de duas centenas de quilómetros, dezenas e dezenas de milhões de consumidores, e um poder médio de compra muito superior ao de Portugal ou da Estónia.

Ou então, se não se faz esse jogo, trata-se de mera burrice política.

publicado por victorangelo às 11:39

11
Abr 17

No Magazine Europa desta semana, difundido às terças-feiras pela Rádio Macau, os meus comentários são sobre a Grécia e as suas relações com o Eurogrupo, no quadro das negociações um terceiro resgate; depois, trata-se de fazer o ponto da situação sobre o Brexit, agora que as regras e os contornos, do lado europeu, ficaram mais claros; finalmente, debruço-me, sem cair na repetição do que por aí se diz, sobre o impacto que os 59 Tomahawks de Donald Trump estão a ter no relacionamento da UE com os EUA e a Rússia.

O link para a edição de hoje é o seguinte:

 goo.gl/aLUN5e

publicado por victorangelo às 14:44

15
Jul 15

Creio poder adivinhar que em certos círculos europeus influentes as dúvidas sobre a pertinência do acordo relativo à Grécia se avolumaram ao longo do dia.

Primeiro, por causa das declarações de Alexis Tsipras. O primeiro-ministro disse não acreditar no acordo. Assinara por não ter outra alternativa. Isso assemelha-se, e muito, a uma rendição incondicional. Ora, a história mostra que os termos das rendições ficam, na grande maioria dos casos, por cumprir. E neste caso, a história voltaria a repetir-se.

Segundo, por causa da posição do FMI. O Fundo não tem condições para poder participar num programa que não ofereça garantias, a prazo, de estabilização, de normalização, ou seja, de regresso, um dia, do país assistido ao mercado de capitais tal como este opera. O FMI considera que o programa que está na forja não permite obter essas garantias. Só assim seria se houvesse um perdão significativo da dívida. Esse perdão não está previsto nem parece aceitável para os parceiros da Grécia, enquanto esta se mantiver na zona euro. Sem FMI é muito provável que certos parlamentos não aprovem o novo pacote.

Terceiro, por causa dos custos políticos. As cláusulas que deverão acompanhar o novo programa grego são muito intrusivas. Isso reflecte a gravidade da situação bem como a falta de confiança na classe política da Grécia. Terá vantagens políticas, nomeadamente ao nível das opiniões públicas dos países credores e também no combate aos extremismos radicais. Mas tem grandes inconvenientes, sobretudo para a imagem de certos Estados europeus, que aparecem na fotografia com um bigodinho neocolonial. Esse é um preço político elevado.

Perante isto, começa a haver, de novo, quem pense que a melhor solução é deixar a solução nas mãos do povo grego. Hoje à noite, esta maneira de ver tem, segundo entendo, mais crédito. Se as coisas não se compuserem nos próximos dias, se não houver moderação de parte a parte, ganhará ainda mais espaço.

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:37

14
Jul 15

Embora de viagem, nos últimos dias, estive atento, como todos estiveram, ao que se passou na cimeira de Bruxelas do Eurogrupo. E sublinho, como muitos o fizeram, que se tratou de um momento muito grave, na história da construção europeia. Penso, por isso, que tem que haver muita prudência na maneira como se discute essa cimeira. Noto, porém, que a ponderação é uma moeda rara na EU. E ainda por cima não é dispensada nas caixas do multibanco.

Mas convém insistir na questão da circunspecção.

Numa situação como a que se vive actualmente em torno da crise grega não há vencidos nem vencedores. Na verdade, ninguém ganha. Há mesmo um sério risco de perdermos todos. Qualquer opção é difícil e tem custos políticos, económicos e humanos muito grandes. A responsabilidade de quem governa é a de chegar a um acordo razoável, mas que será sempre um acordo com enormes custos e riscos de grande envergadura.

Depois, é preciso explicar as razões das opções tomadas e garantir a seriedade das mesmas.

É igualmente importante tirar algumas lições de uma crise desta envergadura. Serão várias. Uma delas é bem clara: nas relações entre os Estados, as regras que foram acordadas são para cumprir. Sem isso, não há futuro comum. Mas existe uma lição complementar: nestas coisas das relações entre os Estados e na discussão de acordos, todos devem ter a sua palavra a dizer, em pé de igualdade e sem medos. Essa é igualmente uma condição fundamental para que se possa traçar um caminho comum.

 

publicado por victorangelo às 20:18

09
Jul 15

Alexis Tsipras cumpriu. A proposta de programa foi esta noite submetida à apreciação do Eurogrupo.

Será, muito provavelmente, uma promessa com medidas muito mais exigentes do que as que estavam em cima da mesa há duas semanas. Deverá estar, também, em contracorrente no que respeita ao resultado do referendo.

Estas são as contradições e os dilemas de uma situação económica desesperada.

Para além disso, a pergunta que fica esta noite no ar é bem clara: conterá o programa proposto as garantias suficientes para convencer os outros membros do euro da seriedade das intenções do governo de Tsipras?

Já ninguém acredita em intenções apenas…Sobretudo quando as políticas que estão em causa são contrárias aos princípios ideológicos de quem as propõe.

 

publicado por victorangelo às 21:09

07
Jul 15

Como previra ontem, a cimeira deste serão sobre a crise grega foi inconclusiva. A Presidente da Lituânia resumiu a coisa, dizendo que “com os Gregos, é sempre mañana…”

Não será amanhã, mas o tempo urge. E daqui até Domingo, dia de uma nova cimeira, desta feita a 28, tudo pode acontecer. Inclusive um acordo…

Mas prevejo que seja um acordo com muitas condições, com medidas bem concretas a serem exigidas aos Gregos.

publicado por victorangelo às 21:46

06
Jul 15

A menos de 24 horas da cimeira do Eurogrupo, qual é o prognóstico? Aqui está uma pergunta arriscada. A resposta parece-me poder ser, com esta antecedência e com todos os riscos de errar, que a reunião não será conclusiva. As portas da negociação ficarão ainda entreabertas, mas notar-se-á um clima na sala pouco favorável a um acordo que não tenha garantias muito sérias de poder ser implementado. Não vai ser fácil para o governo grego.

 

publicado por victorangelo às 22:03

05
Jul 15

Vivemos na Europa um serão extraordinário. Um período dramático que se vai aliás prolongar por uns tempos.

Primeiro, temos a vitória do “Não” e da posição de Tsipras e do governo grego.

Em segundo lugar refiro-me ao clima de total incerteza que agora parece caracterizar os próximos dias: que irão os dias que se seguem trazer para o povo grego, a começar pela questão do acesso a meios de pagamento e ao funcionamento dos bancos?

Terceiro, penso no grau de instabilidade que a nova posição grega provoca na zona euro, uma união monetária que agora entrou numa fase crítica da sua existência.

Quarto, não podemos ignorar as divisões possíveis na cena política europeia, com uns países do euro grupo a olhar de modo inflexível para a Grécia e outros mais prontos para o diálogo.

Este é o momento que exige ideias claras.

É um momento de escolhas políticas, com base na salvaguarda do que é essencial para a sobrevivência da moeda comum e do que ela significa em matéria de construção da unidade europeia. Quem é contra a continuação da moeda comum achará que se deu hoje um grande passo em frente no sentido de se acabar com esse projecto. Quem é a favor – e a grande maioria dos cidadãos da zona euro está claramente deste lado, incluindo os eleitores na Grécia – tem que medir com clareza os prós e os contras das decisões que estão em cima da mesa, das escolhas que deverão ser feitas no futuro imediato. Terão, certamente, que ter presente que a moeda comum exige regras, convergência económica e solidariedade. É isso que é preciso ter em linha de conta, com peso e medida.

 

 

publicado por victorangelo às 22:18

04
Jul 15

Anda por aí muita gente a opinar se deve ser “Sim” ou “Não”. É normal, porque a situação é grave e não deve deixar muita margem para a indiferença.

Mas a decisão não é nossa. A nós cabe-nos esperar pelo resultado da consulta popular.

Depois veremos qual é a leitura que faz quem tem, nessa terra, legitimidade para o fazer. E só então nos deveremos pronunciar. Só espero que o façamos tendo em conta as diferentes dimensões deste enorme desafio. Ou seja, evitando tomadas de posição apressadas, superficiais e emotivas.

Enfim estaremos perante um verdadeiro chamamento em termos de liderança.

É sempre assim, nos momentos históricos.

 

 

publicado por victorangelo às 22:01

02
Jul 15

Publico na Visão que hoje chegou às bancas o texto que abaixo transcrevo.

Boa leitura.

 

Retirar Tsipras da fotografia

            Victor Ângelo

 

 

                No chamado “coração da Europa” – Alemanha, França e Benelux, em particular – cerca de três em cada quatro cidadãos consideram que a ajuda concedida até agora à Grécia foi generosa. Também acham que não deve ser renovada, salvo se houver um compromisso forte e inequívoco em matéria de reforma do Estado e das finanças públicas. Simultaneamente, cerca de 60% desses mesmos eleitores preferiria que a Grécia se mantivesse na zona euro, para evitar uma crise de proporções imprevisíveis. Estes números são estimativas. Resultam de análises feitas em gabinetes opacos. Valem o que valem, como muitas das notas confidenciais que os serviços desse tipo produzem. Mas são as que circulam nos círculos políticos que têm de facto poder de decisão. Ajudam a compreender certas tomadas de posição. E lembram-nos, uma vez mais, que em política o que pesa de verdade é a opinião pública interna.

            Os mesmos analistas foram chamados a refletir sobre as opções que a Grécia teria, se procurasse ajuda fora da UE. A possibilidade mais óbvia parecia ser a russa. A Grécia poderia solicitar assim o apoio político e financeiro de Putin. A conclusão a que se chegou é que se trata de um beco sem saída. A carta russa não vale no baralho que ainda resta a Atenas, um baralho hoje quase sem trunfos. Primeiro, a dimensão do problema é tal que está fora das possibilidades financeiras de Moscovo. Segundo, à Rússia interessa minar a união da Europa no centro e não na periferia. Terceiro, uma aproximação desse tipo acarretaria o afastamento da Grécia dos núcleos de decisão estratégica da Aliança Atlântica. Ora a presença na NATO é vital para os seus interesses de soberania. Não seria concebível, em Atenas, estar do lado de fora, enquanto a Turquia, o rival por excelência, continuaria dentro da Aliança. Sem contar com a possível oposição das forças armadas gregas a uma decisão política que pusesse em causa a sua inserção plena na NATO.

            O primeiro-ministro Alexis Tsipras resolveu então jogar a carta do referendo. Foi uma decisão de desespero. Também um golpe fatal no relacionamento pessoal com os seus pares europeus. Estas são as apreciações que prevalecem em Bruxelas, do outro lado da mesa. A resposta parece ser clara. Se o campo do “não ao acordo” ganhar, Juncker e os outros tomam nota e passam à fase seguinte, que é a de consolidar a estabilidade financeira dos restantes membros da zona euro. Existe a convicção que será possível gerir os riscos decorrentes do “Não”. Porém, os chefes da Europa farão tudo o que estiver ao seu alcance, a tordo e a direito, para que seja o “Sim” a vencer. Para eles, o objetivo político principal mudou com a convocação do referendo. Trata-se, a partir deste momento, de criar as condições internas que precipitem o fim da coligação de governo grega.

            E isto leva-me a um último ponto. A crise permitiu tornar clara a ideologia que sustenta o projeto europeu. Pouco a pouco, a Europa foi sendo formatada para ser governada ao centro. É uma construção neoconservadora, inspirada por opções políticas que assentam num liberalismo económico e cultural com fortes laivos sociais. Umas vezes o acento será mais no liberalismo, outras nas dimensões sociais, mas tudo dentro de um quadro ideológico que não ponha em causa o sistema. É agora evidente que o governo do Syriza ou arranjos semelhantes, noutros cantos da UE, não cabem neste quadro. Essa é a mensagem que se quer fazer chegar aos eleitores europeus.

publicado por victorangelo às 17:51

twitter
Novembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

12
15
16

17
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO