Portugal é grande quando abre horizontes

14
Set 19

Como acontece noutros países europeus, a Suíça tem agora vários rostos. Tive uma vez mais a ocasião de o observar, ao longo de um par de dias de partilha de experiências com jovens suíços destacados no estrangeiro, ao serviço das suas embaixadas ou do sistema das Nações Unidas.

Falo de quem tem a nacionalidade, não dos imigrantes que vivem no país, que são muitos e diversos.

Uma característica evidente, comum a esse novo tipo de suíços, é que a a nacionalidade implica integração e aceitação das regras de vida e dos valores que a Suíça tradicional sempre considerou seus. Assim, existe um deve e um haver claro: a obrigação de um certo tipo de comportamentos cívicos é compensada por um Estado que protege e cria condições de vida de qualidade para os seus cidadãos.

 

 

 

publicado por victorangelo às 22:41

10
Set 19

Hoje, a futura Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tornou público a composição do seu colégio de Comissários e as respectivas pastas. O anúncio trouxe algumas inovações e uma surpresa: o Comissário grego, bem conhecido nos corredores de Bruxelas, por várias razões, incluindo pela boa razão de ter sido o porta-voz do Presidente cessante, terá como pelouro a “protecção do modo de vida europeu”. Esta designação levantou várias sobrancelhas. E deixou mais gente boquiaberta quando Von der Leyen a associou à questão das migrações.

Temos aqui matéria para debate. Não faltará quem veja nisto uma pontinha de xenofobia, para falar de modo diplomático.

A verdade é que todas as sociedades procuram defender a sua cultura, os seus hábitos, os valores em que acreditam. Os europeus não querem ser como os americanos, e vice-versa. Também não queremos ter a mesma maneira de encarar a vida que existe no Paquistão, na Índia ou na Arábia Saudita.

Os valores formam-se ao longo de séculos e dão homogeneidade a cada sociedade. Sem um mínimo de homogeneidade e de partilha dos mesmos princípios, mitos, histórias e hábitos acabamos por ter sociedades fragmentadas, instáveis e conflituosas. A aceitação de modos de pensar comuns a uma comunidade dá força a essa comunidade.

Para mais, o espaço europeu tem sabido aceitar e integrar pessoas vindas de outras maneiras de encarar a vida. Nota-se, no entanto, que nos últimos anos algumas dessas pessoas têm recusado a integração na cultura que as acolheu. Quando tal acontece, há razões para que fiquemos preocupados.

Não sei se o novo Comissário irá tratar dessa questão. Mas a preocupação existe.

 

publicado por victorangelo às 21:31

28
Ago 19

Escrevi um pequeno comentário sobre a decisão que Boris Johnson tomou ao suspender o Parlamento britânico durante cinco semanas. Está disponível em inglês, no meu blog diário nessa língua.

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/08/boris-and-his-master-play-hard-ball.html

publicado por victorangelo às 22:49

05
Ago 19

Os ultraradicais brancos que apoiam o Presidente dos Estados Unidos têm estado em campanha contra Emmanuel Macron e Angela Merkel. No essencial, acusam estes dirigentes europeus de estarem empenhados no enfraquecimento da NATO, na promoção da imigração de gentes de fé islâmica e de colaboração com a Rússia e o Irão.

Estas acusações são meras armas de arremesso e de tentativa de divisão da liderança política europeia. No fundo, existem por esses dois dirigentes não se alinharem acefalemente com as posições que o Presidente Trump vem tomando, nessas e noutras áreas.

A verdade é que a Europa tem interesses estratégicos distintos dos americanos. Por outro lado, não pode seguir de modo acrítico políticas em que não acredita e que poderão levar a graves crises internacionais.

 

 

publicado por victorangelo às 22:54

19
Jul 19

Defendo que nova política da União Europeia em relação a África esteja intimamente ligada à resolução de três grandes questões.

Primeira questão: a segurança e a estabilização da zona do Sahel e da África Ocidental. Numa fase inicial, tratar-se de travar a tendência actual, que vai no sentido da deterioração. Em simultâneo, será necessário criar uma capacidade de resposta endógena, que neste momento não existe. Na fase seguinte, o foco da atenção deve estar numa resposta integrada, que veja a segurança pela perspectiva dos cidadãos e não apenas dos Estados.

Segunda questão: regularizar o fenómeno migratório, em particular o que se dirige para o Continente Europeu. A pressão demográfica continuará a alimentar os movimentos migratórios, quer no interior do Continente Africano quer para o exterior, sobretudo na direcção da Europa. Por várias razões, é fundamental estabelecer mecanismos que tenham em conta a estabilidade dos recebedores de migrantes bem como os direitos de quem procura uma vida melhor.

Terceira questão: a promoção de uma governação legítima e responsável. A democracia e a luta contra a corrupção no seio das estruturas oficiais são dois aspectos marcantes nesta área. Necessitam de um diálogo franco, de incentivos e condicionalismos.

Estes temas são centrais para que a agenda de cooperação possa ter um impacto transformador. Permitirão focalizar as acções de cooperação entre as partes, definir as prioridades programáticas e justificar, perante a opinião pública europeia, os recursos e a atenção que será dada, nos próximos anos, a África.

Para além da concentração temática, é essencial procurar sinergias entre as intervenções europeias e as provenientes de outras partes do mundo, incluindo da China. Poderá não ser uma tarefa fácil, mas isso não será razão para a deixar de lado. Também haverá que estabelecer parcerias especiais com os países do Continente Africano que têm um poder de alavanca no desenvolvimento de outros.

 

publicado por victorangelo às 17:54

27
Jun 19

A agenda do próximo Presidente da Comissão Europeia deveria dar uma importância maior às questões do meio ambiente e do clima, da paz e da segurança nas diferentes vizinhanças da UE, bem como ao desenvolvimento económico e social dos Estados membros e à segurança dos cidadãos.

Isso passaria por um esforço mais intenso, quer internamente quer no exterior, na aplicação do acordo de Paris sobre o clima. Também significaria um aprofundamento da diplomacia comum. Igualmente, tratar-se-ia de conseguir chegar a mercado único, no espaço europeu, em matérias de telecomunicações, banca e transportes, incluindo a ferrovia. E, finalmente, a prossecução passo a passo de um programa de defesa e de segurança.

Tratar-se-ia de uma agenda ambiciosa, mas realista e suficientemente clara. Mostrar-se-ia, assim, aos cidadãos europeus o que significa uma União Europeia. A qual, a título simbólico, porém altamente significativo, deveria pôr em cima da mesa a possibilidade de um passaporte único, que reconhecesse as várias nações, mas que investiria na criação de uma cidadania comum e partilhada.

 

publicado por victorangelo às 10:51

20
Jun 19

O Presidente Vladimir Putin teve hoje o seu encontro anual com os russos. O Presidente passou mais de quatro horas a responder a perguntas vindas dos quatro cantos da Rússia e, com base nalgumas das questões, a tomar decisões na hora sobre isto, aquilo e mais alguma coisa.

O tema central deste ano ficou claro na maioria das interrogações vindas dos cidadãos: a má situação económica em que o país se encontra. Há cinco anos que os indicadores do nível de vida não fazem outra coisa senão baixar. A economia enfrenta dificuldades enormes. A diversificação, para além da exploração das matérias-primas, não tem lugar. O salário mínimo está em 11 280 Rublos, ou seja, cerca de 160 euros. Um professor do ensino primário ganha esse valor. Um valor que não dá para viver.

O Presidente apontou o dedo às sanções económicas que a Europa impõe à Rússia. Mas não falou da corrupção que existe, da falta de atractividade do país em termos de investimentos estrangeiros, dos imensos gastos militares, que retiram recursos aos outros sectores da economia e às áreas sociais, das disparidades de rendimentos entre quem vive em Moscovo ou em São Petersburgo e os que residem noutras partes do país.

A verdade é que a Rússia precisa de rever inteiramente o funcionamento da sua economia e das suas instituições de governação. Mas isso não parece ser possível enquanto Putin estiver no poder. Mesmo nestes tempos de agora, em que a sua popularidade se encontra a um nível muito baixo, um nível que ele nunca poderia ter imaginado, há um ou dois anos atrás.

publicado por victorangelo às 21:27

18
Jun 19

Hoje, no meu blog em inglês, escrevo sobre a visita de Federica Mogherini a Washington, uma visita que está a decorrer e que tem a situação à volta do Irão como tema.

Na verdade, a UE deixou-se enredar numa teia que não lhe concede qualquer tipo de autonomia estratégica em relação aos americanos. Sabe que a política actual do EUA em relação ao acordo nuclear com o Irão não está certa, mas não vê outra alternativa senão subordinar-se e pôr em prática o regime de sanções unilateralmente decidido pelo Presidente Donald Trump. O mecanismo criado de propósito pela UE para continuar, de modo reduzido, algum comércio com o Irão -- chama-se INSTEX – é um nado-morto. Tem um âmbito demasiado reduzido, não assenta em nenhum sistema de compensação de pagamentos credível e segue fielmente a política de sanções dos americanos. Estes, mesmo assim, estão já a preparar novas medidas legislativas para tornar o INSTEX completamente inviável.

Tudo isto mostra que um dos grandes desafios que a Europa tem pela frente é o de ganhar espaço político, na cena internacional, que lhe permita estar em pé de igualdade com as grandes potências. Nestas coisas das relações internacionais, os interesses contam mais do que as amizades. A Europa precisa de saber defender os seus.

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/06/europe-and-iranian-situation.html

 

publicado por victorangelo às 21:00

15
Jun 19

No meu blog em inglês, escrevo hoje sobre a situação no Sudão e as razões que fazem a UE ficar calada. Os militares sudaneses são amigos de amigos nossos...

http://victorangeloviews.blogspot.com

publicado por victorangelo às 20:57

11
Jun 19

O Presidente da República Portuguesa e o Primeiro Ministro disseram em Cabo Verde que são pela abolição dos vistos entre os países da CPLP.

Na minha opinião, há aqui um cheirinho a promessas falsas e um pendor evidente para a demagogia.

Os países da CPLP, com excepção de Portugal, podem decidir abolir a exigência de vistos. Cada um decidirá por si. Mas Portugal faz parte do acordo de Schengen. E enquanto estiver na área de Schengen terá que seguir os princípios comuns que os Estados membros de Schengen acordaram entre si. Não pode optar individualmente por um regime de excepção.

O Presidente e o PM têm consciência disso. Dizem, no entanto, o contrário, quando estão na Cidade da Praia ou quando falam com os Moçambicanos ou os Angolanos. Esse comportamento é absolutamente ridículo. Tomam por parvos os cidadãos e os dirigentes políticos dos países da CPLP. O que é sempre uma má ideia, na política e na vida.

publicado por victorangelo às 20:40

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