Portugal é grande quando abre horizontes

20
Dez 14

As 81 – sim, leram bem, 81 – perguntas que o semanário Expresso pretende submeter à consideração de José Sócrates são um absurdo jornalístico. Como se pode compreender que um jornal queira fazer dezenas e dezenas, quase uma centena, de perguntas a um só entrevistado? Irão publicar um livro, com as respostas? Um calhamaço? Na vastidão dessas perguntas há de tudo. Do importante ao trivial, assuntos ligados às acusações misturados com outros que têm apenas que ver com questões processuais. Sem contar que várias perguntas contêm mais do que uma questão e estão formuladas de uma forma enviesada.

A entrevista que o Expresso quer fazer revela que o semanário anda à deriva. Falta-lhe profissionalismo, foco, pertinência. Acima de tudo, bom senso. Mostram também que é um jornal à procura do protagonismo perdido.

Infelizmente, o projecto de entrevista vem apenas confirmar a tendência e apetência para a mediocridade profissional, um mal que invadiu as colunas editoriais e de opinião desse periódico. Veja-se quem escreve regularmente no Expresso, veja-se os nomes que foram recentemente acrescentados à lista dos colunistas habituais e entende-se a falta de qualidade, de direcção, de seriedade e de profundidade.

Andam ao papel. É a preocupação em vender papel.

publicado por victorangelo às 19:46

30
Mar 14

Durão Barroso deu uma entrevista de primeira página ao Expresso. E o semanário selecionou, de entre tudo o que foi dito, uma frase mortífera: “Já disse várias vezes ao primeiro-ministro que há limites”. Uma verdadeira rajada de metralhadora, que mostra várias coisas: que Barroso trata o PM de um modo paternalista, de alto para baixo, de chefe para subordinado; que o PM não o ouve, donde se pode deduzir que é um casmurro, sem capacidade de entender uma verdade tão simples; que vários limites foram ultrapassados, sem que houvesse sensibilidade política nem qualquer tipo de consideração pelo bom senso que deve caracterizar um PM. Revela ainda que Barroso, que continua a ser Presidente da Comissão Europeia, se permite interferir nos assuntos da governação interna de Portugal, como se fizesse parte da vida partidária nacional, o que não é o caso, por muito patriota e bom português que seja. Mais ainda, demonstra que Barroso, que diz não querer ser candidato à sucessão de Cavaco Silva, já está a preparar o terreno para o ser e poder bater na tecla que ele até era mais sensato e moderado que o PM de agora.

 

E o Expresso, solícito, está já a oferecer-se para ser um dos seus veículos de reabilitação perante a opinião pública de Portugal e um dos seus canais de propaganda. A escolha de quem está por detrás do Expresso é clara.

publicado por victorangelo às 20:01

19
Jan 13

Desde os meus tempos de Moçambique, na primeira metade da década de oitenta, sempre considerei Joaquim Chissano como um homem inteligente e sem papas na língua.

 

Hoje, na entrevista que dá ao Expresso, volta a mostrar que vale a pena prestar atenção ao que ele diz. Instado a falar sobre o futuro da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Antigo Presidente disse: ”Há quem veja na lusofonia uma maneira de perpetuar a nostalgia do império”.


Muitos irão achar que Chissano exagera. Que na realidade será contra Portugal e que esta afirmação resulta de pesadelos coloniais de que não conseguiu libertar-se. Seria um erro pensar assim, tentando diminuir uma posição que conta e que é, provavelmente, partilhada, embora nalguns casos subconscientemente, por outros líderes das antigas colónias.

 

Vejo muita verdade nessa opinião. Noto, com frequência, que vários dos que falam, em Lisboa, da lusofonia têm em mente a apologia de um passado que há muito que deixou de existir. Estão a tentar justificar uma ideia de grandeza que tem mais de lírico do que de real. A língua é importante não só quando é falado por milhões, mas sobretudo quando nos permite uma maior aproximação com os outros povos que, em certa medida, a partilham. A língua é um instrumento de comunicação. No caso da CPLP, o objectivo deve ser o de transformar o português num veículo de entendimento entre povos muito diversos, uns com raízes lusitanas, mesmo que míticas, outros com antepassados e valores bantus, e mais outros, como no caso do Brasil, com raízes complexas, misturadas, ou ainda, pensando em Timor-Leste, com os pés assentes numa variante da cultura malaia.

 

Conviria pensar nisto. 

publicado por victorangelo às 21:09

07
Jan 13

O Expresso está de parabéns. Pelos seus quarenta anos de existência. E, hoje, também pela conferência que promoveu, para festejar o seu aniversário, sobre “Portugal no Mundo”.

 

Os primeiros ecos que tenho revelam que se tratou de uma conferência com muito interesse, sobretudo devido à participação dos antigos presidentes de Moçambique e de Timor-Leste, Joaquim Chissano e Ramos Horta, do cientista António Damásio, de Henrique Castro da Yahoo, de Miguel Poiares Maduro e do pensador francês Alain Minc, que foi brutalmente crítico da política portuguesa dos anos de noventa.

 

Como eu gosto de dizer, a debater é que a gente tem alguma hipótese de se entender. 

publicado por victorangelo às 22:54

26
Dez 12

Cheira a vingança. O fulano cometeu um crime sem perdão: o de mostrar que certos senhores todo-poderosos dos jornais e das televisões não passam, aliás, de uns papalvos. E mais outro: pôs um homem como Pires de Lima, o presidente do CDS, com cara de burro na televisão, durante o famoso debate do ”Caracol da Meia-Noite”... E mais ainda: mostrou o ridículo da pretensa elite de negócios de Lisboa, que se fez fotografar em massa ao lado do fulano, no International Club…

 

Há muito que não havia um ataque assim a quem acha que é intocável…

 

Agora, esses parolos vão procurar esmagar o malandreco que os encheu de escárnio e teve a ousadia de mostrar que há por aí muita gente empertigada que é oca por dentro…

publicado por victorangelo às 19:50

11
Ago 12

O Expresso diz-nos, na edição de hoje, que foi almoçar com um miúdo que Passos Coelho promoveu a vice-presidente do PSD, um atrevido vindo da autoria de um blog da direita intelectualmente arrogante e ao mesmo tempo coxa. E faz-lhe uma série de perguntas, como se o rapaz tivesse alguma coisa para acrescentar às banalidades que são habituais na maioria da intelectualidade e dos dirigentes políticos de agora.

 

Nada tenho, é claro, contra essa pessoa. Fiquei a pensar, no entanto, que com elites políticas deste calibre o país não irá a parte alguma. Mas também pensei que já estamos habituados a isso, a não sair da mediocridade. Faz parte da nossa tradição. 

publicado por victorangelo às 20:48

15
Ago 11

 

 

Copyright V. Ângelo

 

O Expresso deste Sábado custou muitas centenas de árvores e 3 Euros mal empregados. A opinião que publica é, de um modo geral, muito fraquinha e cansada. O resto é só papel.

publicado por victorangelo às 21:28

05
Set 10

Existe, na União Europeia, um país que permite a indivíduos condenados a penas de prisão maior, por tribunais devidamente constituídos, andar em liberdade, sem qualquer restrição, e aparecer diariamente nas primeiras páginas da imprensa nacional a atacar juízes e a justiça. Nenhum desses seres é, em seguida, importunado pela procuradoria da república, que difamar juízes e fazer campanha contra a justiça não parecem ser crimes públicos nesse tal país.

 

E os media colaboram, que também por esses lados não há cabeça nem sentido das responsabilidades.

 

Que loucura é esta?

publicado por victorangelo às 09:46

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