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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Conspirações

O meu amigo Ray adora discorrer sobre as várias teorias conspirativas que conhece. E, na verdade, sabe de muitas. Só que eu não tenho paciência para o ouvir. Hoje, ligou-me novamente, por videoconferência, para me falar do último enredo que a malta de Davos – WEF, World Economic Forum – estaria a planear para tomar conta do mundo pós-pandémico. Eu tinha uma boa desculpa – estava a escrever a minha coluna semanal para o Diário de Notícias, com o prazo de entrega a aproximar-se e a inspiração paralisada pela confusão eleitoral americana. Disse-lhe que não tinha tempo para o ouvir em pormenor. Como ele não sabia que o encontro de Davos 2021 havia sido adiado sine die  – não terá lugar em finais de janeiro como de costume, que o coronavírus não deixa – partilhei essa informação com ele. Viu logo aí uma confirmação mais da teoria que me queria explicar. E explicou-me que Mark Zuckerberg, o homem do Facebook, era um dos mestres dessa conspiração. Lembrei-lhe então que a aplicação que estava a utilizar também estava ligada a Zuckerberg e que, por isso, talvez fosse melhor que ele passasse a fazer uso de uma outra, da concorrência. Talvez a WeChat, da China. Não percebeu a ironia da minha sugestão e deixou-me voltar à escrita da minha coluna.

A guerra dos cavernosos

Este ano vou continuar a fugir de trauliteiros como o Diabo da cruz. No entanto, isto não quer dizer que não entre numa ou noutra guerra, se valer a pena. Só que com a maioria dos meus amigos e conhecidos caceteiros, não vale a pena. Nesses casos, é melhor fingir que não vi. E cada um entenderá isso como melhor lhe parecer. 

A Europa semana a semana

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10245

Acima vos deixo o link para o programa desta semana sobre a Europa, uma produção semanal da Rádio TDM de Macau. Desta vez, faço uma leitura das eleições gerais na Hungria, da onda de homicídios entre jovens em Londres, de Carles Puigdemont na Alemanha, e dos roubos de dados pessoais feitos por empresas parceiras do Facebook.

As amizades e a timidez da realidade

Estive ontem no almoço anual dos Antigos Alunos do Liceu Nacional de Évora. Foi a primeira vez que participei, cinquenta anos depois de haver terminado o antigo sétimo ano. Claro que achei que estavam todos um bocado mais velhos. Mas gostei de estar presente. Apesar da reunião ter posto à prova a realidade das minhas amizades “facebuquianas”. Um bom número dos presentes no almoço é meu no Facebook. Mas não se notou. A culpa terá sido minha, que não tive a presença de espírito de ir de mesa em mesa para me apresentar aos meus “amigos virtuais”. Tive, depois, muita pena.

 

Ser claro

O uso do Facebook, por personagens do Estado, como meio de comunicação é uma faca de dois gumes. Em situações de crise nacional e de polarização extrema das opiniões deve ser evitado. Não promove o diálogo nem um melhor entendimento dos problemas. Permite, isso sim, baixar ainda mais o nível da discussão pública, dando uma plataforma a quem tem o insulto e os palavrões fáceis. 

 

É isso que está a acontecer na página do primeiro-ministro português. O PM decidiu "ser humano" numa comunicação no Facebook. Foi um abrir da porta a milhares de comentários do mais diverso tipo. Os mais moderados são profundamente negativos. Politicamente, o PM não ganhou nada com a sua escrita. Perdeu, creio, uns pontos mais. Se tivesse havido uma sondagem de opinião, o seu nível de aprovação teria sido muito baixo, talvez perto de um só dígito.

 

Creio que é tempo de explicar aos cidadãos o que se passa. Mas o Facebook não é o veículo. E declarações "piegas", como a de agora, só envenenam ainda mais o ambiente.

 

Eu teria começado a narrativa desta maneira: em 2013, vamos gastar X, em termos das contas públicas. Esse X já inclui as seguintes reduções de despesa: A, B, C e D. A previsão de receitas será Y. Para que o défice fique dentro de um patamar aceitável, digamos, 4,5%, precisamos de mobilizar mais recursos: W. Para o conseguir faremos o seguinte: 1,2,3,4 e 5, tocando a todos.

 

E assim sucessivamente. Também diria que esta ou aquela medida que iremos tomar em 2013 resulta directamente de uma exigência dos nossos credores. E explicava que sem a sua adopção não será possível ter acesso a uma certa tranche de crédito. E mais e mais, tudo muito clarinho. Hoje, governar é saber comunicar.

 

Na verdade, o fundo da questão é simples: os portugueses precisam de uma política de verdade. É um erro pensar que irão engolir qualquer tolice que lhes seja ministrada. 

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