Portugal é grande quando abre horizontes

30
Mai 19

Já faltou mais para que cheguemos a uma nova crise política na Itália. Matteo Salvini quer mais poder. Tudo fará para que, em breve, seja necessário organizar novas eleições.

O problema das coligações com os extremistas de direita é conhecido. Começam por participar no jogo, mas sempre com a intenção de, com o tempo, poderem controlar o campeonato. Salvini não é nenhuma excepção à regra.

Entretanto, o governo italiano continua a contribuir para o enfraquecimento das instituições europeias. Entre outros aspectos, o país não obedece às regras orçamentais comuns. Prossegue um processo de endividamento excessivo, insustentável e demagógico. Em 2020, a dívida pública italiana deverá representar 135% do PIB nacional.

De todos os dirigentes europeus, Matteo Salvini é, neste momento, o que mais ameaça a estabilidade da União Europeia.

A Itália é um país em falência política e esta traz por arrasto um colapso económico.

publicado por victorangelo às 16:37

15
Abr 19

O chefe do partido da extrema-direita “Verdadeiros Finlandeses”, Jussi Halla-aho, é eurodeputado, apesar de ter sido condenado em 2012 pelo crime de incitação ao ódio racial. O seu agrupamento obteve, nas eleições gerais de ontem, 17,5% dos votos, ficando a duas décimas do partido mais votado, o social-democrata. Foi, mais uma vez, uma prova que os radicais ultra-nacionalistas têm um peso crescente no panorama político europeu.

Halla-aho não se esconde por detrás de palavras diplomáticas e de frases ambíguas. Diz claramente ao que vem. É contra a imigração, contra os muçulmanos e contra a União Europeia. “Verdadeiros Finlandeses” exclui quem não é etnicamente lá da terra, incluindo os finlandeses de origem sueca. Sim, na Finlândia, há discriminação em relação aos cidadãos que têm raízes suecas. “Verdadeiros Finlandeses” representa a xenofobia e o racismo com todas as letras.

Votaram nele quem se sente socialmente mais frágil, bem como os que vivem com medo dos outros, dos que são diferentes. E como a paisagem política está muito fragmentada, havendo toda uma série de pequenos partidos, os 17,5% pesam muito. Mas, ao contrário do que se passou recentemente na vizinha Estónia, ou anteriormente na Áustria, o mais provável é que a nova coligação governamental exclua o partido extremista. Se assim for, do mal, o menos.

 

publicado por victorangelo às 21:15

16
Fev 19

Tentar apaziguar os extremistas não é solução. Os extremismos, radicalismos e outros populismos não se combatem com cedências ou alianças, mais ou menos disfarçadas, com esses fanáticos. Conceder encoraja, abre espaço, permite dar a ilusão a um certo número de eleitores que os radicais têm razão, que lutam ajuizadamente pelos interesses do povo, como eles gostam de dizer. Com o tempo, esses movimentos aproveitam o espaço político assim criado e acabam por dominar a agenda, a narrativa e a liberdade de opinião. Na sua essência, os movimentos radicais são a antecâmara de um regime de ditadura.

A história da Europa do século XX mostra que os extremistas entraram na esfera do poder por meios constitucionais, em governos de minoria. Depois, pelo uso da demagogia, do engano, da sabotagem e da manipulação do ódio de massas acabaram por dominar e impor, de modo categórico e violento, a sua agenda. No final de um processo deste género surgiu sempre uma tragédia nacional.

Por tudo isto, a única maneira acertada de tratar essas correntes de pensamento passa pelo isolamento político, uma espécie de quarentena permanente, pelo denúncia da natureza nefasta dessas ideologias, enquanto fantasias perigosas, irrealistas, excluidoras, espoliadoras e totalitárias. Passa, em resumo, pelo combate político a sério, pacífico mas corajoso, que isso de dar tréguas aos facciosos e a outros sectários só lembra aos oportunistas com vistas curtas.

 

publicado por victorangelo às 20:11

23
Out 17

Os resultados das eleições gerais na Chéquia deixaram muita gente boquiaberta. E alguns, preocupados. À volta de 60% dos eleitores votaram por partidos não-convencionais, estranhos, uns, extremistas, outros. A xenofobia ganhou uma boa parte do voto. O fascismo e o ultranacionalismo saíram reforçados. E a UE ficou a perder, já que uma boa fatia dos partidos oscila entre o eurocepticismo e o ataque frontal.

O que agora aconteceu na República Checa vai no mesmo sentido da política que se pratica nas vizinhas Hungria e Polónia, e, em certa medida, na Eslováquia. E não é muito diferente da mensagem política que uma parte do eleitorado austríaco fez ouvir uma semana antes.

Como explicar estas trajectórias políticas, tão presentes na Europa Central?

Primeiro, nota-se que o nacionalismo é um estandarte que mobiliza. E dá votos. É verdade que a Europa Central – não incluo a Áustria, que sempre pertenceu ao espaço geopolítico da Europa Ocidental – viveu durante décadas debaixo de uma soberania limitada, subordinada que estava aos interesses soviéticos. O nacionalismo militante conjuga-se, assim, com libertação. Ou seja, não tem a mesma conotação que lhe damos deste lado da União.

Por outro lado, os eleitores sentem-se frustrados e enganados pelas elites políticas tradicionais. Estão dispostos, por isso, a votar em outsiders, em gente antissistema, em candidatos que falam uma linguagem directa, por vezes, muito simplificada e próxima da maneira carroceira de se dizer as coisas da política.

Mais ainda, criou-se nessa região da Europa o mito que as instituições europeias e os seus líderes olham para os cidadãos da Europa Central como gente de segunda. É uma fábula política inventada por pessoas como Viktor Orban. Paga, no entanto, dividendos.

A resposta estratégica a estas preocupações não se pode fazer esperar. É fundamental contrariar a tendência e rebater os argumentos. A UE não pode deixar os Estados Membros que estão na Europa Central fora do jogo comum.

 

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publicado por victorangelo às 18:21

16
Out 17

Na Áustria, ontem foi dia de eleições legislativas. Parece-me oportuno fazer dois ou três comentários sobre o assunto.

Primeiro, a maneira como decorreu a campanha eleitoral demonstrou-nos que colocar o enfoque num tema central e depois, repeti-lo a torto e a direito, é uma técnica que dá resultados. Trata-se de escolher uma questão que toque numa boa parte do eleitorado. De seguida, faz-se bandeira do tema, exagera-se a sua importância e batalha-se por ele até ao fim. Cria-se um papão e depois ataca-se incansavelmente o perigo assim inventado.

Segundo, ficou claro que a política da repulsa, da negação do outro, da desumanização de uma certa categoria de pessoas, produz melhores resultados do que um programa político que procure combater as desigualdades e que assente nos pilares tradicionais da boa governação.

Terceiro, uma campanha que promoveu o nacionalismo primário, a xenofobia, que se baseou na promoção da personalidade do líder do partido, e nos ataques pessoais, num vale tudo menos tirar olhos, faz pensar que estamos perante um novo modelo de fazer política eleitoral. Um modelo que pegou, na Áustria, e que irá provavelmente pegar noutros sítios.

E já agora, vamos ver o que acontecerá em termos da formação da coligação governativa.

publicado por victorangelo às 17:35

02
Mai 17

http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_victorangelo/2017-05-02-Inquietacoes-de-inicios-de-maio

Este é o link para o texto que hoje publico na Visão on line.

Escrevo sobre a eleição presidencial, a da França, primeiro. Depois, sobre a que terá lugar na Coreia do Sul, passados dois dias. E claro, sobre o tratamento a dar a Kim Jong Un, o ditador do Norte.

publicado por victorangelo às 22:23

01
Mai 17

Nestas bandas da Europa é tradição oferecer ramos de junquilhos no dia 1º de maio. É a flor da Primavera e dos sorrisos que vêm com um tempo mais ameno.

Hoje, no minúsculo comício que o velho senhor Jean-Marie Le Pen organizou em Paris, um comício que foi uma mistura de farsa e de saudosismo serôdio, apareceram dois adolescentes a vender junquilhos aos ridículos fascistas e outros saudosistas presentes. Quando um jornalista de serviço lhes perguntou se estavam ali por simpatia com a FN, disseram que não. Tratava-se de uma pura iniciativa comercial.

Um sentido de oportunidade de negócios, diria eu, depois de os ouvir acrescentar que aproveitavam o facto de não haver concorrência. Os paquistaneses, que são quem anda nestas andanças das vendas ambulantes de flores, não ousavam aproximar-se das gentes racistas de Le Pen. Deixavam assim o campo livre aos dois jovens, que esses sim, eram bem franceses de aspecto e podiam tratar do seu negócio em paz.

publicado por victorangelo às 21:24

25
Abr 17

Para celebrar o dia, publiquei esta manhã um tweet em que afirmava que “a liberdade e a seriedade do diálogo são as pedras angulares na construção de país próspero e justo”.

Assim o creio.

É fundamental que os cidadãos vivam num clima político e social que lhes permita expressar livremente os seus pontos de vista e, quando necessário, lutar pelas opções colectivas que lhes pareçam mais apropriadas para o bem comum. Tudo isto sem receios, sem outros limites que os da tolerância e da decência.

A opressão é a principal inimiga da natureza humana.

Portugal é hoje um país livre de totalitarismos. E assim deve continuar.

Por outro lado, uma sociedade moderna deve necessariamente assentar no diálogo entre as várias correntes de interesses. Não há nações monolíticas. Nem se aceitam vanguardas iluminadas. A unanimidade não constitui um valor desejável. A força e o dinamismo de um país provêm da confrontação pacífica das ideias e do bom funcionamento das instituições representativas.

Nestes domínios do debate de ideias e das instituições ainda temos muito caminho para percorrer, apesar dos progressos alcançados. Não o reconhecer significaria que não se aproveitou o dia para reflectir sobre o que somos e o que temos que continuar a construir.

 

publicado por victorangelo às 20:08

24
Abr 17

O meu comentário sobre a primeira volta da eleição presidencial francesa acaba de aparecer na Visão on line.

O link é o seguinte:

https://t.co/zBkkUgudjA

publicado por victorangelo às 17:39

06
Abr 17

http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_victorangelo/2017-04-06-Inquietacoes-francesas

Este é o link para o texto que acabo de publicar na Visão on line.

E fica igualmente a preocupação que certos círculos europeus partilham - e com toda a razão - no que respeita à eleição presidencial francesa.

François Hollande ficará na história francesa com uma nota fraca. Seria terrível se a essa nota se viesse juntar a impressão que a sua acção política teria aberto as portas do Eliseu à extrema-direita que Marine Le Pen encabeça.  

publicado por victorangelo às 20:01

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