Portugal é grande quando abre horizontes

14
Dez 16

Na imprensa internacional, a tomada de posse do novo Secretário-Geral da ONU apenas mereceu umas linhas e uns rodapés. Amigos, que conhecem bem a casa, dizem-me que este tratamento do assunto é revelador da marginalização em que as Nações Unidas se deixaram colocar, ao longo de uma década ou mesmo, desde os acontecimentos que viraram a página do mundo em 2001, em Nova Iorque.

É possível que uma parte das razões esteja por aí.

No entanto, numa altura de muitos dramas e surpresas, a transição serena que esta semana ocorreu em Nova Iorque não chega a ser notícia. Não há tempo e espaço para os acontecimentos normais e previsíveis. Alepo e outras tragédias, que nos enchem os ecrãs diariamente, são a anormalidade que é preciso contar. E ainda bem que não passam despercebidas, embora a visibilidade não tenha ainda contribuído para envergonhar e punir quem não quer resolver estas coisas.

Mas não é só a Síria ou coisas semelhantes. A ONU também não pesa quando comparada com os futebóis. Esses sim, merecem páginas e páginas de atenção.

publicado por victorangelo às 19:57

04
Set 16

Na viagem através da noite, entre Istanbul e Bichkek, dos sete passageiros da Executiva, três eram portugueses. Ou melhor, encontrei dois jovens portugueses no avião, sentados logo a seguir à minha fila. Vinham de Amesterdão, onde estão estabelecidos. Ganham a vida e visitam o mundo produzindo e distribuindo vídeos de reportagens de jogos de futebol para as federações dos países asiáticos. Parece ser um excelente negócio. E muito importante. Aqui, no Quirguistão, tratava-se de assinar um contracto com a federação nacional de futebol. Por isso vieram. E foram recebidos à saída do avião, protocolo e viatura em exclusivo, como se fossem enviados especiais de uma grande potência. 

Na verdade, o futebol conta. Aliás, a chegar ao hotel, o recepcionista, ao ver o meu passaporte, gritou baixinho, com um sotaque quirguiz: “Força, Portugal!” E acrescentou o nome da nossa estrela nacional.

 

publicado por victorangelo às 12:39

12
Jul 16

Sublinhei hoje, no meu comentário semanal da Rádio Macau, que certas equipas participantes no Euro de futebol reflectiam a diversidade étnica que agora caracteriza alguns países europeus.

As selecções portuguesas e francesas são um bom exemplo de uma Europa que é pluricultural e que o faz dentro dos limites da tolerância.

Outras equipas – e esse foi o caso de todas as formações vindas do Leste – eram totalmente uniformes do ponto de vista étnico. Só englobavam jogadores genuinamente de origem, sem misturas nem adições naturalizadas. E isso espelhava bem a posição que prevalece nesses países, no que respeita à aceitação de imigrantes e de candidatos ao refúgio.

 

 

publicado por victorangelo às 19:56

13
Jan 14

Embora não seja um doente do futebol, devo reconhecer que a atribuição da Bola de Ouro da FIFA a um português deu ao país um novo momento de satisfacção e de exaltação nacional. Numa altura em que as boas notícias são raras, esta é certamente muito bem-vinda.  

publicado por victorangelo às 21:08

11
Jul 10

O Domingo começara mal. Com preocupações. Mas acabou bem, incluindo a vitória da Espanha, no Mundial da bola e da mediatização. Com vizinhos assim, é bom ser Português.

 

Terminou, deste modo, o tempo do futebol. Poderia ser mau para os que nos governam, pois passa a haver mais tempo para pensar na vida. Felizmente que o calendário das férias e das praias vai manter as mentes ocupadas durante umas semanas mais.

 

Depois se verá. A arte da política é a de saber adiar os problemas.

publicado por victorangelo às 23:23

07
Jul 10

Um comentário político sobre o jogo desta noite não é descabido. Cada vez é mais claro que um torneio como o Mundial tem muitas facetas para além do desporto.

 

A vitória da Espanha sobre a Alemanha contribuiu para o equilíbrio entre a Europa do Norte e a do Sul. Foi politicamente correcto e de impacto positivo. Um resultado a favor da Alemanha teria agravado a crise identitária e os preconceitos entre as regiões do Continente. Numa altura de clivagens, teria alargado as incompreensões e o fosso que certos crêem ver entre os povos de diferentes áreas geográficas.

publicado por victorangelo às 23:30

25
Jun 10

Quem andar de olhos abertos verá que a actividade económica está a funcionar ao ralenti. Mesmo as grandes superfícies, os supermercados do consumo do dia-a-dia, se queixam. Compra-se menos e, tão apenas, o mais barato.

 

Os mercadores de esperança, verdadeiros malabaristas do optimismo político, dirão que não será bem assim. Que os indicadores estatísticos começam a ser favoráveis. Que existem sinais de retoma. Os seus jogos de espelhos mostram as imagens ampliadas de uma realidade que é frouxa e anã. Reflectem sorrisos, quando o quotidiano é uma mancha de esgares do desespero.

 

Falam-nos na confiança. Que é preciso ter confiança, mostrar energia e continuar a puxar para cima. O problema é que confiança neles, já não existe, e quando se puxa para cima, a corda aperta ainda mais o pescoço e deixa-nos a baloiçar no vazio de uma política oca.

publicado por victorangelo às 22:07

17
Jun 10

Na Visão, publico um texto sobre a BP, o derrame de petróleo no Golfo do México, as repercussões políticas, domésticas e externas, desta crise, partilho uma experiência de trabalho com as grandes multinacionais do petróleo, até falo mesmo de futebol...

 

O artigo está disponível no sítio da revista:

 

http://aeiou.visao.pt/para-desempatar=f562542

 

Agradeço a leitura e os comentários.

publicado por victorangelo às 16:20

15
Jun 10

Depois de uma volta ao mundo dos conflitos, hoje foi altura de rever alguns dos traços mais salientes da economia internacional. No curto prazo, os elos fracos da cadeia, na UE -- a Espanha, em primeiro lugar, Portugal logo a seguir, por razões próprias e pelo efeito dominó da crise espanhola, da Grécia não vale a pena falar -- continuam a ser a preocupação mais premente. A prazo, temos os défices orçamentais de países importantes, uma nova crise do dólar, mais tarde ou mais cedo, e o impacto das crises sobre a estabilidade dos mercados e sobre os sistemas financeiros, os bancos, os fundos de pensão, as seguradoras, etc.

 

No caso da UE e dos EUA, a questão do modelo de desenvolvimento continua por resolver. Qual deverá ser o novo paradigma económico? Como também não há resposta para a questão da interacção entre o crescimento económico, as variáveis populacionais, o aumento do consumo per capita e os recursos naturais e ambientais. O problema do património ambiental é, aliás, um tema que tem que interpelar os filósofos, não apenas os cientistas e os economistas.

 

São toda uma série de variáveis que exigem que se faça uma reflexão estratégica muito aprofundada. Há aqui muito pano para mangas. Muitas interrogações sobre o futuro.

 

Entretanto, até deu para ver o desafio entre Portugal e a Costa do Marfim. Foi no aeroporto de Genebra. Eu viajava para um lado, que rumar para outros lados tem sido o meu destino, muitos portugueses viajavam para Lisboa. E o acaso fez bem as coisas. Primeiro, o instrumento de tortura, a televisão, encontrava-se ao lado da porta de embarque para Portugal. Muito cómodo. Segundo, os controladores aéreos franceses estavam, uma vez mais, em greve. Não querem mudanças, numa altura em que várias coisas são constantemente postas em causa. O que atrasou o voo e deu para ver a partida até ao fim. Só que uma das equipas andava no campo um pouco ao acaso das bolas e das artes de cada um. Não chega. Faltava uma linha orientadora. Um sentido, uma mobilização do grupo. Uma direcção clara. Uma vez mais pensei que o futebol e a política andam, de facto, de mãos dadas. Com uma liderança que ninguém entende e que alguns desafiam, a deixar recados que só fazem aumentar a confusão. A propor soluções que nada adiantam. Por isso, o resultado é que andamos todos muito empatados. 

publicado por victorangelo às 22:28

11
Jun 10

A principal conclusão do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Caso da TVI foi tornada pública. É uma conclusão que, em qualquer democracia avançada, levantaria sérias questões políticas. Quantas carreiras políticas não terminaram por razões bem menores? Em Portugal, na Itália, e noutros países do mesmo género, não é bem assim. Acusam-se uns aos outros de serem o que de facto são e, depois, tudo é esquecido e cada um continua a fazer o que pode e o que quer.

 

Nos dias de hoje, dir-se-ia que foi golo mas que ficou tudo empatado. Como sempre.

publicado por victorangelo às 22:29

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