Portugal é grande quando abre horizontes

14
Mai 19

Na parte francófona da Bélgica, 53% dos inquiridos responderam que seriam a favor de um cartão de cidadão europeu, em vez do nacional. Contra, pronunciaram-se 42%.

Esta questão faz parte de um conjunto mais vasto de interrogações e de reflexões sobre a promoção da cidadania europeia. Pessoalmente, penso que se trata de um debate saudável. O futuro da Europa só fará sentido se for vivido, no essencial, de modo partilhado. E debater estas coisas não retira nada da personalidade cultural e histórica de cada nação. O passado conta e fez de cada país europeu o que ele hoje é. Mas o futuro conta ainda mais e esse tem toda a vantagem em ser construído em cooperação.

publicado por victorangelo às 20:59

06
Mar 19

Certos intelectuais continuam a tentar explicar as mudanças políticas que se vivem nalguns países europeus com uma longa referência à “crise dos sistemas financeiros”. Mas, não se percebe bem que crise é essa.

Sim, assistimos, nalguns países, incluindo no nosso, a graves problemas relacionados com a dívida pública e o impacto que tiveram sobre a situação económica, a doméstica e a da vizinhança. Sim, vimos vários bancos em dificuldades, aqui, na Grécia, em Itália, Chipre, etc, mesmo no Reino Unido. Sabemos, todavia, que na base desses problemas estavam más decisões de gestão, créditos atribuídos por razões políticas e amizades corruptas, para além dos desafios resultantes de um crescimento económico negativo ou anémico. Sim, fomos testemunhas da expansão e da globalização dos mercados financeiros, de uma penetração muito significativa de capitais estrangeiros nas economias europeias, de uma concorrência de um novo tipo, de proporções nunca vistas.

Tudo isso provocou e continua a causar instabilidade e, nalguns casos, grandes rupturas nos sistemas financeiros. E temos mais tempestades à vista: o Brexit sem acordo, a confrontação comercial entre os Estados Unidos e outras grandes economias, a dívida pública italiana, ou ainda, o possível colapso de um par de grandes bancos bem como a revolução que a Inteligência Artificial irá ocasionar. Com a internacionalização dos mercados de capitais e a rapidez dos fluxos financeiros, uma gripe num sítio pode facilmente transformar-se numa pneumonia mais além, nas economias frágeis e dependentes do exterior.

É evidente que estes fenómenos criam insegurança e grandes receios. Muitos cidadãos têm medo e sentem-se impotentes . E quando olham para o poder político, para o funcionamento das instituições, não ficam tranquilos. Em muitos casos, os mais fracos não vêem na liderança política quem se interesse verdadeiramente pelas suas preocupações. Antes pelo contrário. Os políticos parecem andar num outro planeta. E quando se aproximam, soam a falso, dir-se-ia que lhes falta a sinceridade. O empenho.

É aí que encontramos as chamadas crises políticas. Os movimentos de radicalização. O baralhar das cartas e o aparecimento de outros ases, nem sempre da melhor cepa. E assim, o edifício político, que as nossas democracias europeias foram construindo, passa a enfrentar grandes tremores e parece estar prestes a desabar. Por isso se fala tanto de crise política.

Na verdade, é a questão da representatividade que está em jogo. O debate deve começar por essa questão. Quem nos representa e como?

 

publicado por victorangelo às 16:31

06
Nov 17

A realização do Web Summit em Lisboa coloca Portugal no mapa de quem se interessa pelas novas tecnologias da informação. Para além dos benefícios económicos e das oportunidades de investimento que poderá abrir, a cimeira dá uma marca de modernidade ao nosso país.

Para mais, decorre em dias de Sol e de céu azul.

Portugal pode assim projectar-se como a Califórnia tecnológica da Europa. Como uma alternativa e também como um complemento.

Tudo isto deverá igualmente servir para nos lembrar que continua a ser fundamental investir mais e melhor na formação dos nossos jovens em matérias que tenham que ver com as matemáticas, as engenharias, as ciências de ponta e as indústrias criativas.

A educação é melhor investimento no futuro de um país. Esta é uma verdade sabida e repetida. Mas que os nossos políticos não levam muito a sério.

publicado por victorangelo às 21:55

08
Mar 17

O programa desta semana aborda as questões da presidência do Conselho Europeu, as dimensões de defesa da UE, o Livro Branco apresentado por Jean-Claude Juncker e o papel da Agência para os Direitos Fundamentais.

O Magazine Europa continua a ser bem recebido pelos ouvintes de Macau.

Desta vez, o link é o seguinte:

Magazine Europa (7 de Março de 2017)

publicado por victorangelo às 15:06

20
Abr 16

O Presidente da República disse hoje que a Marinha portuguesa não dispõe dos meios necessários para desempenhar as funções de soberania que lhe competem. Infelizmente, isso é bem verdade. E mais ainda, é incompreensível num país que diz que o mar é uma das suas prioridades e um dos seus grandes trunfos em termos de desenvolvimento. Ora, no mundo real, as prioridades e os trunfos são protegidos, com todos os meios e mais alguns. Não o fazer corresponde a falta de coerência política e põe em risco um recurso fundamental para o crescimento e a grandeza do país.

publicado por victorangelo às 21:27

20
Jan 16

Publico um texto sobre a reunião anual de Davos na Visão on line de hoje, com o título "Vamos a Davos".

O link é o seguinte:

http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_victorangelo

publicado por victorangelo às 09:31

04
Jun 14

Dizia-me alguém, com uma certa angústia sobre si próprio e a situação do país: quem sou eu para achar que sou menos estúpido que o resto da malta?

 A frase saiu-lhe depois de me ter dito que, na sua opinião, andamos todos a discutir as questões erradas, o que é de somenos importância, num filme trágico a que chamaram “Fechado no rectângulo”.  

 

Lembrei-me então da minha experiência de crises. Quando se está no meio de uma crise nacional profunda fica-se prisioneiro das nossas próprias limitações. É isso que nos afunda. E quando se pensa no futuro, a tendência é para tentar reproduzir o passado. Deixamos, assim, que a crise nos limite a imaginação e a capacidade de tomar a iniciativa e de mudar.

 

Acabamos, de facto, por ser os nossos próprios coveiros.

publicado por victorangelo às 20:38

27
Dez 13

Quem anuncia um mundo novo, que começará dentro de cinco ou seis meses, logo que o actual programa com a Troika terminar, está certamente a gozar com o pessoal. Ou então, tem vistas curtas e ignorância em demasia.

 

Por outro lado, os que dizem que vamos ter um regime de austeridade por mais quinze ou vinte anos – há quem afirme coisas dessas – não tem em conta as potencialidades que existem nem a capacidade de fazer coisas e de encontrar soluções inovadoras.  É gente com uma visão fatalista do futuro, que pensa que o amanhã é apenas uma mera projecção do passado e do presente.

 

O fim da austeridade está, acima de tudo, nas mãos de todos nós. O Portugal que teremos amanhã será o país que a nossa iniciativa, diligência e sabedoria terão construído. Passará, é verdade, por uma melhoria bem marcada da classe política. Não o nego. É mesmo indispensável. Mas resultará sobretudo da nossa vontade de fazer coisas, de encarar o futuro com vontade de vencer, da nossa habilidade e vontade de arriscar e apostar em coisas novas – a “mentalidade de funcionário”, que hoje define a maneira de ser de muitos de nós, não é suficiente para nos tirar do subdesenvolvimento.

 

Estas são as verdades que temos que colocar em frente do nosso espelho. Já o velho Sócrates, na Atenas Antiga, dizia que a sabedoria passa pela coragem na crítica de nós próprios, sem hesitações nem desculpas.

 

O resto é conversa de gente que puxa para baixo. Gente que aliás enche todos os dias os jornais e as televisões com asneiras, ressentimentos e amarguras pessoais.

publicado por victorangelo às 20:54

17
Fev 13

É um lugar-comum dizer que investir na educação é investir no futuro. O problema é que temos uma grande propensão para esquecer esta verdade tão evidente. Quer ao nível das famílias quer ao nível da nação. Muitas vezes o esquecimento resulta de razões de comodidade, que estudar dá muito trabalho, mas quando se trata do nível nacional, é a falta de visão e de empenho dos responsáveis pelo sector da educação que explicam o fracasso e o atraso. Uma governação responsável dá uma importância especial à educação. E não apenas à educação formal, relacionada apenas com o mínimo obrigatório. É preciso não esquecer a educação para a cidadania, aquela que permite formar cidadãos responsáveis, disciplinados e cientes dos seus deveres bem como dos seus direitos. E também não esquecer a educação ao longo da vida, que o mundo de hoje está em mudança permanente e exige que se adquiram novas capacidades de um modo continuado. Mais, no caso de Portugal, em que muitos não tiveram a oportunidade ou não conseguiram ir além de uma escolaridade incipiente, é fundamental pôr de pé e tornar acessíveis esquemas de formação de jovens adultos. Uma espécie de formação profissional acelerada. Uma edição melhorada das Novas Oportunidades. Sem arrogâncias nem preconceitos. Aceitando a realidade que temos e, ao mesmo tempo, tentando transformá-la para melhor. Sou certamente a favor.

 

publicado por victorangelo às 17:04

27
Jan 13

Voltando à questão da educação, queria recordar o que David Cameron disse há dias, no Fórum de Davos: um dos objectivos do seu governo é o de criar as condições necessárias para que as universidades britânicas possam estar entre as melhores do mundo.

 

Cameron pode ter a intenção de cortar várias regalias sociais. Mas o que ele não irá certamente cortar é o nível de investimento que o estado fará na área do ensino. O futuro exige capacidade em competir, formação de ponta e com o futuro de um país não se brinca.

 

Que diremos nós, sobre Portugal? 

publicado por victorangelo às 22:31

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