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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Os gestos, as borras do café e a política

A saída do governo de um ministro peso-pesado é sempre um indício de crise política, em qualquer parte do mundo democrático. Nenhum primeiro-ministro gosta de ver sair da equipa alguém que tem vindo a desempenhar um papel de primeira importância. Sobretudo se a iniciativa da saída não couber ao primeiro-ministro, mas sim ao ministro em causa.

 

Quando a esse indício se junta um outro, que mostra ter havido confusão na escolha do novo titular do cargo deixado vago, fica-se com a ideia que a crise é ainda mais profunda. Por exemplo, se às 16:00 horas se anuncia “informalmente” que o novo ministro é fulano de tal e uma hora depois sai outro nome, estamos perante uma indicação clara que o nome anunciado “formalmente” é uma segunda escolha, uma espécie de nomeação de alguém que não pode dizer que não aceita, que apenas é escolhido por estar à mão de semear e porque o primeiro-ministro não quer dar a impressão de quem anda às aranhas ou a levar negas.

 

Finalmente, quando a nova cara é a de uma personalidade com esqueletos políticos escondidos no armário, então sim, isto tudo junto só mostra que o chefe já não sabe bem para que lado se deve virar.

 

É que, meus amigos, isto da governação vive muito com base nos símbolos e nos indícios que se vão deixando escapar. 

Sete anos como nas mitologias antigas

Por uma questão de peso e medida, reconheço aqui que o governo obteve uma vitória hoje, quando os ministros das Finanças da zona euro decidiram prolongar por mais sete anos as maturidades dos empréstimos europeus concedidos a Portugal. As razões da decisão podem ser discutidas e interpretadas de várias maneiras, mas a verdade é que ganhamos com o alargamento do prazo. Temos assim alguma folga, que não é grande, mas que contribui para que haja um pouco menos de pressão sobre as finanças públicas.

 

Victor Gaspar disse que teria preferido mais tempo, mas que sete anos deveriam chegar. Achei que não deveria ter reagido assim. Devia ter dito apenas que Portugal agradecia e que continuaria a honrar os seus compromissos, mas que contava muito com o investimento e a cooperação económica dos outros países europeus bem como com a aceleração das reformas nas áreas da união bancária e orçamental.  

 

De qualquer modo, a pergunta que se segue é bem clara: Vamos saber utilizar essa folga? Aí é que está o desafio. 

Assentar os pés na terra e pensar no mar

Continuo a ouvir, mesmo estando do outro da Europa, vozes que dizem que não há espaço para mais austeridade. Que não há folga. Como já P. Portas, entre outros, o havia dito, algumas semanas passadas. Deve estar, aliás, bem arrependido de o ter afirmado.  Entretanto, a realidade anunciada pelo ministro das Finanças e a sua equipa é outra. Vai desmentindo os que dizem que mais sacrifícios não são possíveis. O governo continua a apertar. E há mais na forja, com o anunciado despedimento de funcionários públicos com contratos a prazo. Ou, com os novos escalões do IRS. E assim por diante.

 

E ninguém explica o porquê de tudo isto.

 

Se a economia não der a volta, que futuro teremos pela frente? E que estamos a fazer para que dê a volta?

 

Entretanto, falam-me do futuro como estando no mar e de um Portugal virado para os recursos marítimos. Ontem, alguém de fora, perguntava-me, com ironia, qual mar? Um recurso que não se controla é um recurso perdido, era o que queria dizer. Se a marinha não está em condições, por falta de meios, de patrulhar o mar, a plataforma continental ficando entrega aos bichos, que ilusão é essa de pensar que o mar é nosso? 

 

Creio que é preciso pensar nestas coisas muito a sério.

 

E já agora, se o mar e a costa portuguesa ficarem sem policiamento, sem vigilância, outros irão ocupar o vazio...Quem?

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