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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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A Europa não risca nada no Médio Oriente

A União Europeia não tem qualquer tipo de influência sobre as partes em conflito. Amanhã, terá lugar uma conferência dos ministros europeus dos Negócios Estrangeiros, sobre a presidência de Josep Borrell. Mas será um exercício em vão, um tiro de pólvora seca. Aprovará uma declaração genérica, copiada de declarações passadas, e nada mais.

No essencial, os Estados-membros apoiam tradicionalmente Israel. É verdade que insistem na “solução” dos dois estados, segundo as fronteiras existentes em 1967, e com Jerusalém como capital de ambos. Mas essa insistência é meramente simbólica. Os políticos europeus sabem que Israel a tornou inviável. Mas essa constatação é varrida para debaixo do tapete. E os programas de cooperação derivados da associação de Israel com a UE continuarão em vigor.

Hamas é uma organização terrorista. Consta da lista europeia como tal. Essa classificação impede os europeus de contactar directamente com o Hamas. Mas isso não tem importância alguma. Tal como Israel, Hamas não está disposto a ouvir o que possa vir de Bruxelas ou por intermédio de Bruxelas.

O impasse e o sofrimento irão continuar. Benjamin Netanyahu decidirá até quando.

Entretanto, cresce, nalgumas cidades europeias, o ódio contra os cidadãos europeus de religião judaica. É evidente que esse tipo de comportamentos é inaceitável. Deve ser tratado de forma enérgica. Não podemos permitir que se importe para a cena europeia o que se passa no Médio Oriente.

 

 

Biden e o Médio Oriente

A maneira como o Presidente Joe Biden tem estado a actuar no que respeita ao conflito entre Israel e os Palestinianos mostra que o Médio Oriente não está no topo da sua lista de prioridades. Tem seguido uma linha habitual – a de apoiar o governo israelita, embora sem grandes entusiasmos, e andar aos ziguezagues, no que respeita aos direitos dos palestinianos. Fora isso, nada de novo, que as suas preocupações são, para já, essencialmente de ordem interna. A agenda doméstica é onde estão os problemas que considera importantes e também onde estão os votos que irá precisar em 2022, para consolidar o seu controlo do Congresso.

 

A guerra também se ganha na frente da opinião pública internacional

A destruição, que hoje ocorreu por decisão e acção das autoridades israelitas, do edifício que acolhia os escritórios da Al-Jazeera e da Associated Press em Gaza ficará na história da região e de um conflito que não tem tréguas. Independentemente do resto, tratou-se de uma decisão com altos custos políticos. Na guerra da opinião pública internacional, que é uma frente de combate que também conta e muito, foi um imenso tiro nos pés que Benjamin Netanyahu decidiu arriscar. E acertou em cheio. Não teve em conta, além disso, que a mesma opinião pública já não tinha qualquer tipo de simpatia pelo governo de Netanyahu. Nem pelas linhas políticas que o fazem agir como age.

Gaza e Israel

Na Visão de hoje, que está nas bancas, escrevo sobre Gaza e Israel.

 

Este é um tema muito delicado, sobre o qual muita gente tem opiniões feitas e nem sempre objectivas. Não é de estranhar. O que é estranho é que a União Europeia não consiga ter uma posição mais assertiva que equilibre a inclinação de Washington para apoiar acriticamente Tel Aviv.

 

O texto pode ser lido na hiperligação seguinte:

http://tinyurl.com/bt5npfh

Ofensiva

Ontem à noite começou a ofensiva terrestre contra o Hamas, na Faixa de Gaza. Tendo em conta que Gaza é um labirinto de ruas e de gentes, um território densamente povoado, é de prever que as operações militares façam crescer de modo exponencial o número de vítimas civis.

 

O Secretário-geral da ONU emitiu entretanto um comunicado para expressar a sua profunda preocupação, bem como frustração, face ao agravamento da violência. Numa conversa telefónica com o Primeiro-ministro de Israel, Ban Ki-moon pediu que se pusesse termo  ofensiva.

 

É de esperar que outras vozes se juntem à das Nações Unidas. A crise precisa de encontrar soluções políticas e diplomáticas.

 

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