Portugal é grande quando abre horizontes

16
Set 19

Este serão, como acontece de vez em quando, a Antena 1 pediu-me que comentasse as eleições de amanhã em Israel bem como os ataques contra as duas refinarias na Arábia Saudita. Respondi que os meus compromissos deste serão não me davam espaço para o fazer. Acrescentei, no entanto, off the record, que não sigo com atenção a política israelita pois não vejo solução para o que aí se passa. E que a questão das refinarias é muito grave. Merece que se volte a falar nela, com tempo. E com ponderação, que, nessa matéria, todo o cuidado é pouco.

 

publicado por victorangelo às 21:06

11
Jul 19

A minha palestra de hoje em Lisboa, na PASC-Casa da Cidadania, foi sobre “geopolítica, ameaças e resposta cidadã”.

Falei sobre a sociedade civil e a sua capacidade de influenciar a agenda política, dei várias exemplos concretos, do #ClimateStrike ao #UmbrellaMovement de Hong Kong, passando pelo Sudão e a Rússia. No essencial, nesta parte da conversa, o objectivo era demonstrar que muitas das grandes mudanças políticas tiveram na base movimentos cívicos.

Depois, referi os grandes acontecimentos da década em curso, acontecimentos que influenciaram de modo determinante a agenda internacional. Comecei pela Líbia de 2011 e acabei com o lançamento pelo Facebook e mais 26 parceiros da Libra, que teve lugar a 18 de junho passado.

Foi então altura de falar do reequilíbrio dos poderes mundiais e da natureza dos novos conflitos, incluindo o novo tipo de armamentos.

Para fechar o debate que se seguiu, pedi aos participantes que evitassem respostas simples e lineares a questões complexas. Estamos num momento em as fontes de poder são variadas, não se limitam apenas ao controlo do Estado, das redes sociais, da banca ou das indústrias de armamento. Dar uma resposta simples a um período particularmente complexo da nossa história humana seria fazer o jogo dos populistas.

 

 

publicado por victorangelo às 21:30

14
Jun 19

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/06/hormuz-tensions.html

O meu post em língua inglesa sobre a situação no Estreito de Hormuz. As Nações Unidas devem tomar a iniciativa. Essa é a única maneira de fazer baixar a tensão, que neste momento é muito elevada.

publicado por victorangelo às 16:50

17
Mai 19

O meu post de ontem sobre a Europa da defesa foi lido como um ataque directo a alguns comentadores habituais da nossa praça. Não pode ser. Deveria ser visto, isso sim, como uma crítica sobre a maneira como a questão tem estado a ser analisada.

Ataques pessoais não fazem parte do meu estilo nem cabem nestas páginas.

E não diz respeito apenas ao que se escreve e diz em Portugal. Infelizmente, a questão da defesa europeia é muito mal tratada em vários jornais e televisões dos Estados membros. O tema dos 2% do PIB é, na maioria dos casos, o aspecto central por onde esses comentadores pegam no assunto. Ora, mesmo isso, tem muito que se lhe diga. Pode-se gastar 2% do PIB nacional em rubricas erradas ou secundárias para a defesa do país. Veja-se o que se passa na Grécia, onde uma boa parte do dinheiro gasto com as forças armadas se destina ao financiamento de pensões de reforma ou para comprar tanques que servirão para combater uma guerra do estilo do século XX.

publicado por victorangelo às 21:02

17
Abr 19

O meu modelo de análise geopolítica inclui o seguimento apurado do comportamento dos investidores. Estudo as decisões de investimento que fazem, nos mercados globais ou nas economias cuja situação política estou a observar. As escolhas que os grandes fundos ou os intervenientes individuais adoptam, em termos de aplicação das suas poupanças e capitais disponíveis, dão-me uma indicação do sentimento colectivo, face às grandes incertezas políticas.

Neste momento, apesar da evolução positiva das principais bolsas, a prudência continua a ser o factor determinante na tomada de decisão de quem tem meios financeiros acima da média. Por isso, nos primeiros meses de 2019, os investimentos em obrigações e títulos semelhantes – instrumentos que oferecem a garantia que o capital inicial não será perdido – continuam a ter a preferência dos mercados. Mesmo sabendo-se que os juros e os rendimentos dessas obrigações são insignificantes. Desde Janeiro, foram aplicados assim, ao nível global, 112 mil milhões de dólares americanos. No mesmo período, os investidores retiraram do mercado de acções cerca de 90 mil milhões de dólares.

Estes números traduzem bem o clima de instabilidade geopolítica que caracteriza as relações internacionais nos dias de hoje. Quer se queira aceitar quer não, um dos factores de instabilidade deriva da imprevisibilidade da governação de Donald Trump. O outro tem que ver com as ameaças económicas que resultariam de um Brexit sem acordo. O Reino Unido é a quinta economia do globo. O grau do terramoto ligado ao Brexit terá um impacto significativo, nesse país e na União Europeia. Uma terceira dimensão tem que ver com a instabilidade existente em várias economias emergentes, produtoras de petróleo – como a Venezuela, a Líbia , a Argélia, ou os países do Golfo da Guiné – ou não. Neste último caso, o que se passa no Brasil, na África do Sul e na Turquia pesa. Como também pesa o modo como a economia chinesa irá evoluir no ano em curso.

Assim vai a geopolítica.

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:51

03
Fev 19

Quando se diz “golpe de Estado”, toma-se posição. Golpe de Estado é um acto de força, ilegítimo, conspirativo e contra o líder legalmente constituído. Dizer que é um golpe significa julgar, tomar partido. Convém ter isso presente, quando se escreve e fala sobre a Venezuela e o desafio de poder em curso.

Mais ainda. Analisar a situação actual nesse país a partir da teoria política dos golpes de Estado faz assentar o raciocínio e as suas conclusões numa base errada. É ainda mais incorrecto quando se recorre a esquemas de análise e da teoria política dos anos 30 do século passado, agora, quase 100 anos depois e em contextos geopolíticos e societais que não existiam na altura. Trostky e outros fazem parte da história, estão pura e simplesmente fora do mundo de hoje. Não servem como guias para as crises de hoje.

O que alguns nos querem apresentar como um “golpe de Estado falhado” é, na realidade, um levantamento popular, uma convergência de rebeliões cidadãs. Nomeadamente, das populações que compõem o tecido social urbano que se situa no patamar dos rendimentos baixos e médio-baixos, embora acima da linha da pobreza absoluta e da miséria. Na verdade, são os “novos pobres” da Venezuela caótica e corrupta, que as políticas rasteiras e marcadamente incompetentes de Nicolás Maduro arrastaram para um quotidiano de desespero, de escassez absoluta de bens essenciais. Uma política que também levou à falência dos serviços básicos e fundamentais, sobretudo na área da saúde pública. Quando não há futuro, o presente traz os povos para a rua.

Por outro lado, para além do quadro negativo e sem saída que é a realidade nacional, há que analisar a situação a partir do contexto regional e internacional em que a Venezuela se insere. Primeiro, na América Latina, e também no contexto da produção de petróleo e do futuro do sistema político vigente em Cuba. Cuba depende da Venezuela, como esta depende de Cuba. Fazer cair uma acarreta consequências catastróficas para a outra. Depois, haverá que ter presente o confronto cada vez mais aberto entre os Estados Unidos, a Rússia e a China. Os três têm cartas em jogo no poker que se trama na Venezuela.

No meio de tudo isto, e para além da posição bilateral de meia dúzia de Estados europeus, a resposta da União Europeia é o que pode ser. Fraca, sem qualquer tipo de peso estratégico, digo eu, e assim poderá ser vista por vários governos na região a que pertence a Venezuela. A criação de um chamado “Grupo de Contacto” pode ter quatro leituras principais. Primeiro, que assim se evita dar a impressão que não há resposta nem iniciativa. Segundo, que não há acordo para reconhecer a urgência da situação actual, ao dar-se ao “Grupo de Contacto” um prazo de três meses para produzir resultados. Terceiro, que se ignora a existência do “Grupo de Lima” e a influência dos Estados Unidos no seio desse grupo latino-americano. Quarto, que não existe uma política comum em relação à América Latina e, em particular, em relação ao Brasil, Colômbia, México e Cuba, que são os países que contam na região, quando se trata da crise venezuelana.

Qual é a estratégia para os próximos tempos? Quer por parte de Nicolás Maduro, de Juan Guidó, e dos de fora? Isso seria tema para mais um longo texto, tendo sobretudo em conta que se trata de um conflito que só pode cair para um lado ou para o outro. Uma pergunta complexa, cujas respostas estão neste momento a ser ensaiadas por quem se ocupa desse tipo de cenários. E que não escreve blogs nem artigos de jornal. Dar a entender uma coisa e preparar outra faz parte dos próximos passos.

 

publicado por victorangelo às 15:09

30
Dez 18

O presidente-eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, foi escolhido por um número de peritos das relações internacionais como a personagem do ano de 2018. Para além da surpresa – e da indignação que muitos manifestaram – fica uma pergunta de fundo. Que razão levou esses especialistas portugueses a uma escolha tão controversa, que parece glorificar um político primário e brutalmente extremista?

Faço a pergunta no singular – que razão – porque procuro entender o que poderá estar por detrás das diversas justificações que cada um mencionou, quando a comunicação social os convidou a pronunciar-se.

Não pode ser o fascínio por políticos tendencialmente ditatoriais e com ideias extraordinariamente abstrusas. Também não deverá significar qualquer tipo de aceitação ou de credibilidade da sua filosofia política, que mais não é do que um conjunto desconexo de barbaridades e de vulgaridades. Nem será o facto de Bolsonaro ter conseguido atrair votos dos mais diversos horizontes culturais e, igualmente, de camadas sociais muito díspares, que constituem o complexo xadrez nacional do Brasil.

Não tenho uma explicação inteiramente plausível. Penso, no entanto, que uma parte da justificação estará relacionada com o facto de vários universitários portugueses terem estabelecido laços intelectuais e dependências académicas com o Brasil. Por razões de língua, por motivos familiares ou de proximidade afectiva, ou a pretexto da história. Assim, o que se passa no outro lado do Atlântico Sul tem impacto nalguns dos nossos círculos académicos. O que aconteceu com a eleição de Bolsonaro deixou muitos de nós em estado de choque. E parece que ainda não conseguimos lidar com esse embate.

Deixo a pergunta em aberto.

Para rematar, reconheço que o Brasil conta, para nós, enquanto gigante da CPLP. Mas Jair Bolsonaro, no quadro grande das relações internacionais, terá um peso marginal, no complexo jogo geopolítico que temos pela frente, nos próximos três ou quatro anos. E imagino que a sua presidência irá empurrar ainda mais o Brasil para a margem da nova geopolítica.

 

publicado por victorangelo às 15:33

29
Dez 18

"As declarações políticas mais recentes e as subsequentes decisões do governo em matéria de equipamentos e gastos militares mostram claramente quais são as prioridades de defesa do Japão atual. Revelam, igualmente, a complexidade do xadrez geopolítico em que o Japão se insere. A curto termo, trata-se de reforçar o sistema antimísseis, tendo presente os riscos e a imprevisibilidade da liderança da Coreia do Norte. A médio prazo, a intenção é a de aprofundar a cooperação económica com a vizinha Rússia, especialmente à volta do Ártico. Uma cooperação que possa levar, finalmente, à assinatura de um acordo de paz entre ambos. A outra faceta, no mesmo horizonte temporal, tem que ver com a expansão hegemónica da China, nos mares e nos céus que rodeiam o Japão. Essa é a ameaça fundamental, estratégica, na ótica de Tóquio", afirma Victor Ângelo, antigo alto quadro da ONU, onde chegou a ser equiparado a secretário-geral adjunto."Entretanto, agora e no futuro previsível, os líderes japoneses sabem que continua a ser absolutamente indispensável privilegiar a relação de defesa com Washington", acrescenta Victor Ângelo, notando que demorará anos a completar-se o reforço militar japonês.

Extracto do artigo que Leonído Paulo Ferreira publicou no DN sobre as novas opções militares do Japão. Esta foi a minha contribuição.

publicado por victorangelo às 09:33

02
Mar 18

Ontem o mundo teve oportunidade de ouvir duas declarações preocupantes.

Por um lado, tivemos Vladimir Putin a discursar sobre os novos tipos de armamentos que a Rússia diz ter desenvolvido. Falou, nomeadamente, de mísseis nucleares. E mostrou-se muito beligerante, sempre a pôr o acento na força militar, como meio de ganhar espaço geopolítico e credibilidade na cena internacional. A conversa não era bluff. É para levar a sério.

Do outro lado do mundo, mas tão perto dos nossos interesses como Putin, falou Donald Trump. Também ele usou um tom conflituoso, ofensivo e provocador. Abriu as portas a um outro tipo de crise, à espiral das disputas comerciais. Num mundo que está hoje mais globalizado que nunca, um discurso desse tipo é muito perigoso. Para todos, incluindo para os concidadãos de Trump.

O mês de março começou assim com muita violência. Marcadamente, pela negativa. Quem analisa as relações internacionais não pode deixar de sublinhar que este tipo de declarações não têm nada de positivo nem de encorajante. Antes pelo contrário. E lembram-nos que é a jogar com o fogo que muitos incêndios começam.

publicado por victorangelo às 20:29

04
Set 17

O regime da Coreia do Norte não respeita os princípios básicos das relações internacionais entre estados. É um regime fora-da-lei. Por isso, assim deve ser tratado. Como um regime inaceitável. As relações diplomáticas com esse governo devem ser reduzidas ao mínimo. E as sanções políticas devem ser acompanhadas por um modelo extremamente apertado de sanções económicas e financeiras, que apenas deixe de fora os bens e serviços de natureza humanitária. É isso que se espera que o Conselho de Segurança da ONU adopte.

Pôr no mesmo pé Kim Jong-un e qualquer outro líder mundial, incluindo D. Trump, é má política. Kim é um violador das normas internacionais e a maior ameaça que existe para a paz, a segurança e a prosperidade de centenas de milhões de pessoas. E isso precisa de ser dito com clareza, incluindo pelos dirigentes chineses e russos. Podem tê-lo utilizado para tentar diminuir a influência americana na Península da Coreia. Mas ele é agora o feitiço que saiu da garrafa e se irá virar, também, contra os interesses dos chineses e dos russos.

Kim Jong-un e a sua clique têm que ser postos na ordem. Essa deve ser, neste momento, a maior preocupação das principais potências do mundo.

publicado por victorangelo às 21:23

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