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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Os desafios desta rentrée

https://www.dn.pt/opiniao/uma-rentree-bem-complexa-e-agora-15147747.html

Este é link para o meu texto de hoje, o texto da rentrée, no Diário de Notícias. 

E este é o último parágrafo desse meu escrito:
"É altura de se ser franco e direto. A agressão coloca-nos perante três opções e pede-nos uma decisão firme e clara. Uma solução inspirada na técnica do banho-maria não resulta. Na realidade, com o tempo, acaba por encorajar o infrator e outros com intentos semelhantes. Aqui, ou se acende o lume ao máximo - na convicção de que no final se estará do lado dos vencedores e dos sobreviventes - ou se procura uma receita alternativa, uma via política. É essa a escolha determinante que os nossos líderes têm de fazer."

A geopolítica não serve para justificar guerras

Hoje, vi-me forçado a lembrar ao meu amigo D. que estamos em 2022. Já não vivemos em 1991 ou 1998, e ainda menos nas décadas anteriores. Agora, as pessoas e as suas opiniões contam como não contavam nesses tempos. Se os ucranianos não querem ser russificados, ou aderir à Rússia de Vladimir Putin, não há nenhuma teoria geopolítica que justifique o uso da força. Esse uso é pura e simplesmente ilegítimo.

E já agora, o mesmo se pode dizer sobre Taiwan, o Tigray, a Palestina e outros territórios.

Os EUA face à China

Antony Blinken lembrou hoje que a rivalidade que conta é a que existe entre os EUA e a China. As suas palavras, pronunciadas num discurso formal na George Washington University, revelam qual é a política da Administração Biden em relação à China. E que esta é a prioridade absoluta em matéria de política externa.

O lema é que a China se tornou “mais repressiva na cena doméstica e mais agressiva na internacional”.

A questão uigure ocupa uma posição central, quando se fala da repressão interna. Ainda esta semana foi objecto de revelações que mostram a extensão e a violência do problema. Mas não se trata apenas da violação dos direitos humanos dessa etnia. Hong Kong, a vigilância apertada dos cidadãos chineses, são dois outros exemplos.  

Em matéria externa, uma das grandes preocupações diz respeito ao controlo e ocupação do Mar do Sul da China. A outra é a aliança com o regime de Vladimir Putin.

Mas a política americana em relação à China tem vários pontos fracos. É fundamental que Washington os reconheça e corrija. Só assim estará numa posição mais firme.

A cooperação militar russo-chinesa

A nova cimeira do Quad – EUA, Austrália, Índia e Japão – teve hoje lugar em Tóquio. E vale a pena ler o comunicado final, que fala da Ucrânia, mas não ataca nominalmente a Rússia. Prefere falar da inviolabilidade das fronteiras nacionais e do respeito pela lei internacional. Que é uma maneira indirecta de falar da agressão russa.

Curiosamente, enquanto decorria a reunião, bombardeiros russos e chineses realizaram um longo exercício aéreo ao longo da fronteira com o Japão. Esse exercício só pode ser visto como uma manifestação de força e de cooperação entre as duas potências. E ser interpretado com alguma preocupação, por mostrar que a tensão existente é muito maior do que aquilo que muitos pensam.

 

 

Os analistas zarolhos

Não sei se já repararam, mas alguns dos nossos analistas batem sempre em duas teclas. Primeiro, que as preocupações geopolíticas de Putin o autorizam a violar a lei internacional e a invadir um país soberano. Segundo, que a culpa da guerra e das atrocidades estarem a continuar se deve ao facto de Zelensky não se render, não aceitar as exigências do vizinho Golias. O presidente ucraniano é constantemente referido como inexperiente, ingénuo, um pau-mandado dos ocidentais. A sua eleição em 2019 com mais de 73% dos votos populares é varrida para debaixo do tapete. Preferem Putin, que é um trafulha eleitoral e um ditador.

Tudo o que escrevem e dizem anda à volta dessas duas idiotices. Não conseguem sair daí. Nunca mencionam a lei internacional, os princípios da coexistência pacífica, o respeito pela soberania nacional dos outros Estados. Mas andam convencidos que são mais espertos do que os outros, que enxergam o que os outros não conseguem ver. Na verdade, são meros zarolhos ideológicos.

 

Uma crise que não interessa aos americanos

A crise provocada por Vladimir Putin é muito complexa. Por isso, gera muita incerteza e confusão. Existem muitas contradições entre as palavras e os factos. Ainda hoje, numa encenação para telespectador ver, Sergey Lavrov disse ao Presidente que a via diplomática não está fechada. Esta foi uma afirmação nova, propositadamente transmitida a partir do Kremlin. É impossível fazer uma interpretação correcta dessa mensagem. Pode, de facto, significar que os contactos diplomáticos irão prosseguir, como também pode ser uma manobra, para desviar as atenções dos planos militares. Quem insistir que se trata de uma ou outra, está apenas a dar uma opinião baseada no lançar de uma moeda ao ar.

A confusão é tal, que leva certos observadores a dizer que tudo isto acontece por causa dos interesses económicos e militares dos Estados Unidos. É uma interpretação extremamente criativa de uma realidade que tem na origem um destacamento excepcional de tropas russas para junto das fronteiras ucranianas, incluindo as marítimas. Se essa interpretação fosse levada a sério, isso significaria que as movimentações de tropas russas aconteceram para satisfazer os objectivos políticos dos americanos. Nessa maneira de ver, estaríamos perante uma conspiração urdida conjuntamente por Biden e Putin. Basta pensar nisso, para se perceber o ridículo deste pretenso cenário.

Para os Estados Unidos, a situação de crise grave que se vive no leste europeu, com a Ucrânia no olho do furacão, obriga a tirar os olhos da preocupação principal que é a rivalidade com a China. A política de Washington em relação à Europa tem como linha principal o desengajamento progressivo em matéria de defesa. A ofensiva russa contraria esse rumo. Essa é uma das grandes consequências geopolíticas do que se está a passar. Os Estados Unidos vão ter de continuar fortemente presentes no espaço europeu. É isso que os países membros da NATO situados no leste da Europa pretendem. A sua influência no seio da Aliança Atlântica sairá reforçada desta crise. Esses países não acreditam na possibilidade de se construir uma Europa da defesa. Para eles só se poderá falar de uma Europa capaz de resistir à pressão russa enquanto houver uma presença significativa de meios humanos e materiais dos Estados Unidos em território europeu.

A grande questão será a seguinte: por quanto tempo mais aceitarão os americanos ser o guarda-chuva dos europeus, tendo presente que essa responsabilidade enfraquece as suas capacidades de resposta perante os desafios vindos da China?

 

Uma volta ao mundo em dez perguntas

Hoje fizeram-me uma série de perguntas sobre o mundo. Foi uma longa sessão, que resultará numa entrevista que deverá sair a público no primeiro dia do Ano Novo. Ou nesse fim de semana. Falei de Joe Biden e do seu primeiro ano de política externa. Da Europa como potência global. De Vladimir Putin e da NATO. Da pandemia. Da reforma das Nações Unidas. De questões de liderança, que é um tema que estudo há alguns anos. Aí, falei dos diferentes tipos de líderes: positivos, como Nelson Mandela; negativos, como Donald Trump; e dos neutros, que não atam nem desatam, apesar da popularidade que têm. Neste último caso, deixo a escolha de um exemplo para o leitor. Tenho a certeza que haverá por aí um nome que sobressairá de imediato. Claro que também respondi a questões sobre a China.

No final, o entrevistador, que é um dos grandes dos nossos media, recompensou-me bem, ao dizer:” Excelente reflexão sobre o mundo de um homem que efetivamente viu muito mundo”.

O colapso económico da Turquia

Desde o início do ano, a libra turca perdeu 52% do seu valor em relação ao dólar americano e 48% quanto ao euro. A economia está em crise profunda. O custo de vida tornou-se insuportável, com uma inflação superior a 30%, segundo os dados oficiais, que não são credíveis. O valor estimado da inflação anda perto dos 60%.

Tudo isto devido às intervenções contínuas do Presidente Erdogan na gestão monetária e financeira. O colapso económico é evidente.

Hoje, o presidente anunciou um aumento do salário mínimo de $182 para $275 (ao câmbio de agora), a partir de Janeiro. Mas como a libra continua a perder valor, esse aumento será rapidamente anulado pela depreciação da moeda.

Qual vai ser o impacto de tudo isto sobre o regime de Erdogan? Essa é a questão que os analistas agora levantam.

 

Os desafios de hoje são enormes

O presidente Joe Biden e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, estiveram ontem reunidos, por videoconferência, durante cerca de 3 horas. Foi uma reunião muito franca, de um lado e do outro. Existem vários pontos de divergência, de conflitos de interesses e de grande tensão. Pouco ou nada ficou resolvido, com esta longa troca de opiniões. Mesmo assim, considero que foi importante que um encontro deste género se tenha realizado. Os líderes das duas maiores super-potências devem falar frequentemente e expor as divergências bem como procurar áreas em que as suas acções possam convergir. Vivemos um momento de grandes tensões geopolíticas. A pandemia provocou um agravamento das rivalidades, nomeadamente entre os Estados Unidos e a China. O desafio que temos pela frente é o de conseguir transformar a competição geopolítica em cooperação internacional. Quem desempenha um papel de liderança, ao nível dos estados que são influentes ou no seio das organizações internacionais, tem agora uma responsabilidade acrescida, numa cena global particularmente complexa. Ficar silencioso ou evitar falar com os adversários é inaceitável. As novas gerações irão julgar os personagens de hoje com base num critério muito simples: tiveram ou não coragem para procurar o diálogo, discutir com os adversários e colocar o futuro da humanidade acima de todas as outras preocupações, nacionalistas, partidárias e de conservação do poder pessoal? 

Joe Biden na ONU

Tive a oportunidade de ver o vídeo da intervenção do Presidente Joe Biden na Assembleia Geral das Nações Unidas. Foi um discurso forte, bem articulado e positivo. Agora a questão é traduzir as palavras em acções concretas e convincentes.

Saliento de seguida uma série de pontos extraídos da sua comunicação ou resumindo algumas das ideias principais.

Este é um momento de viragem na história. Estamos mais interconectados do que nunca. As novas tecnologias podem dar mais poder às pessoas ou serem utilizadas para as reprimir. Por toda a parte, pode ouvir-se um apelo ao respeito pela dignidade humana. Não queremos uma nova Guerra Fria. Os EUA estão prontos para aprofundar a ajuda ao desenvolvimento e humanitária. É preciso desenvolver as infraestruturas nos países em desenvolvimento. Apoio à acção contra o aquecimento global. Mais solidariedade americana no que respeita ao combate contra a Covid-19. A questão palestina passa pela criação de dois Estados na região. Os direitos das pessoas devem estar no centro dos sistemas políticos. As intervenções militares são um último recurso, as políticas devem ter a primazia.

Imagino que António Guterres gostou do que ouviu. Eu gostei. Mas sou um optimista moderado e desconfiado.

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