Portugal é grande quando abre horizontes

02
Mar 18

Ontem o mundo teve oportunidade de ouvir duas declarações preocupantes.

Por um lado, tivemos Vladimir Putin a discursar sobre os novos tipos de armamentos que a Rússia diz ter desenvolvido. Falou, nomeadamente, de mísseis nucleares. E mostrou-se muito beligerante, sempre a pôr o acento na força militar, como meio de ganhar espaço geopolítico e credibilidade na cena internacional. A conversa não era bluff. É para levar a sério.

Do outro lado do mundo, mas tão perto dos nossos interesses como Putin, falou Donald Trump. Também ele usou um tom conflituoso, ofensivo e provocador. Abriu as portas a um outro tipo de crise, à espiral das disputas comerciais. Num mundo que está hoje mais globalizado que nunca, um discurso desse tipo é muito perigoso. Para todos, incluindo para os concidadãos de Trump.

O mês de março começou assim com muita violência. Marcadamente, pela negativa. Quem analisa as relações internacionais não pode deixar de sublinhar que este tipo de declarações não têm nada de positivo nem de encorajante. Antes pelo contrário. E lembram-nos que é a jogar com o fogo que muitos incêndios começam.

publicado por victorangelo às 20:29

22
Mar 17

Publico hoje na Visão on line uma reflexão sobre os sessenta anos da UE. O texto procura abordar esta questão, que é bem complexa, pela positiva. Para bater no projecto comum já por aí há gente que chegue.

O link é o seguinte:

goo.gl/h71KXm

publicado por victorangelo às 19:56

03
Mar 17

Uma das questões que está em discussão relaciona-se com o papel global da UE. Será que a Europa e as suas instituições têm na verdade uma influência política ao nível global?

Muitos dizem que sim, mais por automatismo e por repetição de ideias feitas do que por razões objectivas. Outros afirmam-no, dizendo que sim, por acreditar que essa deve ser a ambição da UE.

Mas o debate continua por completar. Não pode ficar ao sabor de generalidades e de irrealismos políticos.

É isso que está agora na ordem do dia.

E começa por uma pergunta muito simples: pode um país – neste caso, um espaço geopolítico – pretender que tem um papel fundamental nas relações internacionais quando não tem um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU?

E a partir daí, a discussão continua.

 

 

publicado por victorangelo às 20:51

23
Dez 16

Antes de fechar as portas por motivos de Natal, tentei hoje entender o que irá ser discutido no Fórum Económico de Davos, a partir de 17 de janeiro.

Como é sabido, Davos atrai, cada ano, uma boa parte da elite política, financeira, económica e académica mundial. Nesta próxima edição, vai ter como estrela o presidente da China, Xi Jinping. O que é significativo: a liderança chinesa quer posicionar-se na linha da frente no que respeita aos grandes debates económicos e sociais sobre o futuro.

O que que me faz voltar à questão da agenda.

E a verdade é que não entendo bem onde se quer chegar com o programa proposto. Os temas são abstractos, pouco claros, cheios de palavras grandiosas, enfim, uma maneira de falar que ninguém entende. Ora, isto para quem se diz preocupado com a distância que continua a aumentar entre as elites e os cidadãos…

A conversa da agenda mostra bem esse fosso. E não irá certamente contribuir para o lançamento de pontes entre ambos os lados.

Pena, porque a questão das elites é uma das grandes interrogações que precisa de ser debatida com urgência. Como Donald Trump e outros do género nos lembram diariamente.

Enfim, vamos, para já, fechar para as festas. Um bom Natal a todos.

publicado por victorangelo às 17:39

28
Out 16

Passei uma boa parte dos últimos dois meses a percorrer vários cantos do mundo. E também, em grande medida, a recuperar forças e rotinas, depois de cada uma dessas viagens.

Viajar altera as rotinas. Não permite tempo e vontade para que nos sentemos à mesa, ao fim do dia, e escrevamos apuradamente. Sobretudo quando os programas das visitas são intensos. Quando muito, tomam-se umas notas, registam-se umas observações, que depois serão postas de lado, uns tempos, à espera de oportunidade para serem exploradas.

Mas a viagens ajudam muito a abrir os olhos, se se vai com vontade de aprender e sem preconceitos caseiros. Mais ainda, no meu caso, continuam a ser verdadeiras lições de humildade. Mostram-me claramente que o mundo é maior do que eu e a minha rua.

publicado por victorangelo às 20:28

29
Mai 16

Depois de uma muito prolongada greve e de um acordo estranho, conseguido na sexta-feira e tratado de modo superficial e ingénuo pela nossa comunicação social, que não dá para entender bem este enredo mal contado, caberia agora ao governo ordenar a efectivação de um estudo independente sobre o funcionamento dos principais portos comerciais da parte continental de Portugal.

Esse tipo de análises é prática corrente noutros países desenvolvidos. São normalmente encomendadas a centros de estudos universitários ou a grupos de personalidades de reconhecido prestígio e independência, gente sénior e sem ambições de carreira ou enfeudamentos partidários. Permitem fazer um diagnóstico do sector e propor um conjunto de melhorias que serão, depois, submetidas à decisão política.

Os portos constituem uma componente estratégica da economia nacional. Sobretudo no nosso caso, em que uma das apostas do futuro deveria passar pelo bom funcionamento das infra-estruturas portuárias.

publicado por victorangelo às 14:57

22
Mai 16

A China e o seu estatuto perante a EU no quadro da Organização Mundial do Comércio 

Economia de mercado? 

12 de maio no Parlamento Europeu: os MEPs votaram contra a atribuição à China do estatuto de economia de mercado. 

O voto é meramente indicativo, não é vinculativo. 

Mas a Comissão Europeia não é favorável à mudança de estatuto da China e vários estados ir-se-ão opor ao novo estatuto. Irão continuar a aplicar medidas anti-dumping contra a China.  

A minha sugestão: o câmbio de estatuto poderia ser limitado a certos sectores, como o do aço (330 000 empregos na EU), das indústrias químicas, cerâmicas, etc. 

Receio da uma concorrência desleal e da perda de muitos empregos na Europa: embora ninguém saiba ao certo quantos empregos possam estar em risco: fala-se de 200 000 a 3,5 milhões…Ou seja, não há uma ideia clara, vive-se nas nuvens do medo.  

Entretanto as empresas chinesas e os consórcios de investidores chineses já adquiriram este ano, até 11 de maio, 111 mil milhões de USD em empresas estrangeiras. 

Em 2015, haviam investido 107 mil milhões de dólares em todo o ano

Em 2006, 21 mil milhões de dólares gastos pelos chineses em aquisições de empresas em todas as partes do mundo.

Em 2000, apenas 1,7 mil milhões de dólares. 

Este ano o destino das aquisições chinesas tem sido o seguinte: Suíça, EUA, Hong Kong, Alemanha e França, por ordem decrescente do valor dos investimentos 

Exemplos:   ChemChina comprou este ano a sua rival suíça Syngenta por 43 mil milhões de dólares. 

                   Em 2015, um consórcio chinês comprou o aeroporto de Toulouse, que é a base de Airbus.

publicado por victorangelo às 21:14

09
Mai 16

 

 

            TTIP sem espinhas

            Victor Ângelo

 

 

 

            No final da sua recente visita à Europa, o Presidente Obama fez um apelo para que o pacto comercial entre o seu país e a UE seja concluído sem mais demoras. As negociações, que deverão levar a uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, conhecida pelas iniciais inglesas como TTIP, começaram em julho de 2013. Desde então, tiveram lugar treze rondas de discussões, o que é revelador do enorme fosso de divergências e dos profundos conflitos de interesses entre as duas maiores áreas económicas do mundo. Juntos, a UE e os EUA representam 60% do PIB global, 33% das trocas de mercadorias e 42% do comércio mundial de serviços. Como as taxas alfandegárias entre UE e EUA já são relativamente baixas, o cerne das discussões tem-se focalizado na eliminação de entraves burocráticos às importações, bem como na harmonização de legislação, padrões, exigências e normas entre os dois lados. Procuram igualmente definir os mecanismos arbitrais para a resolução de conflitos, sobretudo entre os investidores e os estados.

            A Comissão Europeia quer que se olhe para a Parceria pela positiva. Ou seja, como uma oportunidade significativa para estimular o crescimento económico e o emprego, e para baixar os custos de um grande número de bens de consumo. É uma perspetiva aceitável. Mas a verdade é que para além de Obama e de Merkel, nenhum outro dirigente europeu aparece distintamente em defesa do acordo. E agora, com a campanha que a Greenpeace lançou contra o TTIP, ao revelar os documentos que parecem definir as posições das partes, vai ser ainda mais difícil ouvir políticos europeus a defender o projeto de tratado. Na comunicação social, aposta-se nos comentários simplórios, exaltados e preguiçosos. Quanto à opinião pública europeia, essa está numa onda de oposição a tudo o que possa ser visto como um novo passo no caminho para a globalização económica. Mais ainda, deixou de acreditar nas boas intenções dos líderes políticos tradicionais. Nutre, igualmente, um bom nível de antagonismo perante as empresas multinacionais, e em especial, as americanas. De tal modo, digo eu, que se se tentasse aprovar hoje o tratado do Atlântico Norte ou mesmo os textos que levaram à criação das instituições de Bretton Woods – o Banco Mundial e o FMI – não se conseguiria ultrapassar a barreira da rejeição popular. Nada de novo seria aceite. No caso concreto do TTIP, mesmo na Alemanha, que ganharia bastante, caso houvesse entendimento, as opiniões favoráveis baixaram de 55%, em 2014, para 16%, agora.               

            Do outro lado do Atlântico, encontramos níveis de resistência semelhantes. Apenas 15% dos americanos afirmam apoiar o acordo. A campanha de Donald Trump deve uma boa parte do seu desmiolado sucesso a tomadas de posição explícitas contra este tipo de acordos de comércio livre. E mesmo no campo democrata não há grande entusiasmo pelo tema e nem o eco de um tímido murmúrio a favor se consegue ouvir.  

            Não me parece contudo que o processo esteja morto e enterrado, como por aí se diz. Mas que está condenado a um longo período em banho-maria, isso sim. Também creio que terá que diminuir substancialmente o seu nível de ambição e concentrar-se, numa primeira fase, nos bens e serviços menos controversos, naquilo que é mais fácil de aceitar. Na realidade, poderia ser concluído em redor dos produtos sobre os quais já se chegou a uma posição comum, quanto à abolição ou redução significativa das taxas alfandegárias. Trata-se de 97% dos produtos. Incluiria ainda outras matérias já aceites pelas partes, relacionadas com os procedimentos aduaneiros, a inspeção única para os artigos farmacêuticos e os padrões relativos às indústrias químicas e de maquinaria. Ficariam de fora as questões hoje inaceitáveis, tais como a exploração do petróleo de xisto, os bens alimentares que não coubessem nas regras europeias que proíbem a utilização de hormonas na nutrição animal, os geneticamente modificados, ou ainda a fruta com resíduos de pesticidas. Também seria excluída qualquer cláusula que pusesse em causa as regiões demarcadas europeias, como por exemplo a do Champagne, do Douro e do vinho do Porto ou ainda a do presunto de Parma.

            Um acordo mais modesto é melhor do que nenhum acordo. E de facto a alternativa é não haver qualquer tipo de entendimento. É que temos, à partida, duas filosofias económicas muito diferentes. Do lado americano, impera uma maneira extremamente liberal, permissiva, de olhar para a economia privada: manda o mercado e quem o consegue dominar. Na Europa, habituámo-nos a um capitalismo mitigado e intervencionado, que vive à sombra da mão protetora do estado. Essas culturas não mudam de hoje para amanhã. Devem ser reconhecidas, tidas em conta, tratadas com realismo. Por políticos que saibam assumir-se como líderes, que não tremam como varas verdes, nem conforme os ventos que sopram.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

 

 

publicado por victorangelo às 16:27

28
Abr 16

Na opinião de um conjunto de especialistas em geopolítica, os grandes desafios globais em 2050 serão, por ordem de importância, os seguintes:

  • Escassez de recursos naturais
  • Excesso de população
  • Extremismo violento
  • Guerras entre estados
  • Conflitos civis, no interior das fronteiras nacionais

O primeiro da lista, relativo aos recursos naturais, é o mais consensual. Quase metade dos especialistas consultados considera que se trata da questão central.

A sobrepopulação é vista com ansiedade por um quarto dos participantes na discussão.

As outras questões pesam menos na balança das preocupações.

 

 

publicado por victorangelo às 15:41

O Paquistão é uma das grandes apostas estratégicas da China. Pequim está a investir nesse país cerca de 46 mil milhões dólares. Uma boa parte desse investimento destina-se a construir um corredor de comunicações – autoestrada, caminho-de-ferro e oleoduto, tudo em paralelo – que permita ligar a parte ocidental da China ao Oceano Índico. Deste modo, a China passa a estar bem mais perto de África e do Médio Oriente, que são regiões de grande interesse em termos de recursos naturais e de terras cultiváveis.

publicado por victorangelo às 15:14

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