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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Sobre os medíocres

Como sabem, sou um estudioso do pensamento de Confúcio. Peço, por isso, licença para hoje parafrasear o grande mestre. A mensagem é que quando a boa governação prevalece, o sábio mantém-se direito, como uma flecha. Se for necessário intervir, será para apoiar.

Quando dominam os medíocres, a postura do sábio não se altera. Mantém a verticalidade. Mas retira-se e deixa de falar dos assuntos do Estado. Se falasse, os medíocres não entenderiam e ficariam profundamente ofendidos. Ora, um medíocre ressentido, mas com poder, é um perigo. Joga à marrada.

Um Rio com pouca corrente

A maneira como Rui Rio reagiu à nova sondagem do Expresso, que dá o seu PSD em queda acentuada, revela um cinismo parvo e um sentido de humor a que falta o bom senso. Em resumo, não revela inteligência política.

Na realidade, a reacção que tornou pública ajuda a perceber a razão da baixa da popularidade do PSD: não tem um líder à altura.

Numa altura em que o governo de António Costa atravessa várias tempestades – o Ministro Cabrita, o SEF, a mortalidade excepcionalmente elevada por causa da Covid-19, a falta de preparação para a campanha de vacinação, a imprecisão da agenda económica de recuperação, a TAP, a candidatura de Ana Gomes e as divisões que provoca no interior do PS, etc, etc – o líder do principal partido da oposição anda no Twitter a fazer comentários tontos. Para além de não conseguir agarrar o momento para mostrar que tem ideias, planos e uma visão para o país. Uma visão que é, todavia, bem necessária, na sequência dos vários impactos da pandemia sobre a sociedade portuguesa e também porque a governação tem sido uma governação pela rama, às apalpadelas e sem rumo certo.

A vacina que não está disponível

Hoje fui à farmácia aqui ao lado. Durante as apresentações, a farmacêutica ficou a saber que eu vivera até há pouco na Bélgica. E falámos da vacina da gripe. Que está disponível em qualquer farmácia de um qualquer bairro, no canto mais escondido da Bélgica. Aqui, não há. Ela já nem se lembrava há quanto tempo tem essa gaveta vazia.

Fiquei a pensar se o sistema não consegue pôr à disposição dos cidadãos uma vacina tão básica como a da gripe, que irá acontecer com a disponibilidade da vacina contra o coronavírus?

Pensar nessa pergunta – e tendo em conta as exigências de conservação que a vacina exige – deixou-me em pânico. Quero acreditar na eficiência do nosso sistema, é verdade. Mas a questão da gripe deixa-me com a tensão alta.

Talvez seja melhor apostar numa boa reserva de máscaras…

As lanchas e os políticos a boiar

As “lanchas da GNR”, como os jornais lhes chamam, têm provocado muita polémica nestes últimos dias. O Diário de Notícias tem procurado tratar o assunto de maneira equilibrada. Não é fácil. É um tema que levanta grandes emoções, de um lado e do outro. Se se pedir a opinião de um almirante, os argumentos são a favor da Marinha. Se o entrevistado for um general do exército, a conversa vai para a defesa do papel da GNR. Ou seja, falta objectividade à discussão. Uma discussão que deve ser sobretudo política. Os almirantes e os generais devem ser ouvidos com muita atenção. Mas quem precisa de se fazer ouvir são os políticos.

É verdade que o Ministro da Defesa já publicou, no DN do sábado passado, 21 de novembro, a sua posição sobre o assunto. Mas é apenas um ponto de vista. Enquanto ministro da área da Marinha, não podia escrever outra coisa para além de um apoio a um serviço que tutela. O texto, se fosse dissecado a sério, levantaria um certo número de questões.

O Ministro da Administração Interna, que tem a responsabilidade política relativa à GNR, nada disse, até agora. Parece que só o fará em janeiro de 2021. Não sei se será capaz de se manter silencioso durante tantas semanas.

Não me parece boa política manter a polémica por muito tempo.

Este é um assunto estratégico, pois tem de ver com o nexo que deve existir entre as forças militares e os serviços de segurança. Além disso, é delicado porque temos muitos anos de prática de certos hábitos operacionais que levaram as instituições a ocupar o espaço de acção, com mais ou menos sucesso, com mais ou menos habilidade mediática. É também delicado porque existe uma grande dispersão e fragmentação ao nível das forças de segurança. Muitos políticos têm fugido a uma discussão a sério do papel de uns e dos outros. Têm medo dos custos eleitorais de uma tomada de decisão clarificadora. Por isso, têm deixado andar.

Há uns anos, num seminário nacional sobre as polícias, emiti a opinião, apoiado em exemplos de outros países europeus, que era necessário racionalizar a organização da segurança nacional e equacionar a sério uma conjugação institucional de esforços. Ou seja, repensar o modelo existente, que é composto por vários tipos de forças de segurança.

Ia sendo comido vivo pelos que achavam e continuam a defender que a actual dispersão de funções, recursos e esforços é que está bem. Custa um fortuna, não é a maneira mais eficaz de proceder, mas está bem e não se deve falar de mudanças.

Foi aí que percebi que o campo está minado. Deveria caber aos dirigentes políticos proceder à desminagem. Não acredito que o façam nos tempos mais próximos.

Não podemos aceitar que se baixem os braços

O fatalismo não pode ser uma filosofia de governação. Um governo a sério não pode baixar os braços e dizer apenas que as coisas vão estar muito difíceis nos próximos dias e nas semanas que aí vêm. Tem que propor soluções, fazer recomendações, liderar. É verdade que estamos à beira de um agravamento da crise pandémica. Mas há sempre maneira de mitigar as crises, no curto prazo. São essas medidas de aconselhamento, de prevenção e de mitigação que devem constituir o cerne da comunicação governamental. Constatar apenas que os casos irão aumentar e reconhecer que haverá um maior número de óbitos não é resposta. Um governo não se pode dar por vencido.

 

A pandemia e os seus custos políticos

A pandemia volta a ser a preocupação número um dos governos europeus. Temos a questão da saúde pública. Temos igualmente a dimensão económica e a insegurança que provoca no dia-a-dia das famílias. Temos ainda a dimensão política. Vários governos parecem não ter uma resposta credível e eficaz.Navegam ao acaso. E isso tem custos políticos importantes. Para quem está no poder, essa dimensão é particularmente importante.

 

A moral e a política

Hoje foi o presidente da República que falou sobre os perigos da corrupção e dos compadrios. Mostrou preocupação. E não será o único. Vejo no horizonte a possibilidade de uma repetição do que nos aconteceu há uma dúzia de anos atrás. Os fundos europeus deixam muita gente a matutar. A ética em matéria política é um assunto que não faz parte dos nossos debates.

Uma resposta diferente perante uma crise inédita

As consequências económicas, sociais e humanas do choque pandémico serão cada vez mais dramáticas, à medida que o tempo de excepção se prolongar. O nível da gravidade está directamente relacionado, numa correlação linear, com a duração da pandemia. Estamos, na realidade, a entrar numa gravíssima crise nacional. Perante isso, fico boquiaberto quando vejo que os líderes do governo apenas se preocupam em encontrar uma aliança pontual, sobre questões de segunda ordem, com movimentos políticos radicais e representativos de uma pequeníssima parte dos portugueses. É evidente que esses partidos têm alguma importância e não devem ser excluídos. Mas a verdadeira preocupação deveria ser, perante o volume dos desafios que temos pela frente, a de criar uma dinâmica política que servisse de plataforma de acção para os partidos que maior representatividade têm. A coragem política, numa situação excepcional, deveria traduzir-se na procura de acordos estruturais e fundamentais entre o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata. Outros partidos e movimentos poderiam juntar-se, se assim o entendessem, a essa plataforma. O essencial será, porém, que a grande maioria dos portugueses sinta que os partidos que os representam estão juntos, quando o país atravessa e vai enfrentar desafios absolutamente inéditos e de grande dimensão.

A uma crise inédita há que responder de maneira diferente. E liderar com imaginação e uma forte dose de coragem política.

Confusão no Mali

No seguimento da rebelião militar que está a ocorrer no Mali, falei este serão com colegas que estão em Bamako e no norte do país. A situação continua confusa. O Presidente Ibrahim Boubacar Keita e o Primeiro-Ministro continuam detidos num importante campo militar a cerca de 15 quilómetros da capital. O mesmo acontece a outros ministros e algumas altas patentes das Forças Armadas. No centro de Bamako houve algumas pilhagens e distúrbios. O resto da capital e as províncias mantém-se calmas.

Esta insurreição acontece num país que beneficia de um forte apoio da França, da União Europeia e das Nações Unidas. Esses apoios têm fechado os olhos, para não ver que a política do governo do Presidente Keita não vai no sentido da paz, da inclusão étnica e do combate à corrupção. Tem havido, isso sim, um alinhamento com que está no poder. Essa opção dos parceiros externos não tem ajudado o país a sair da crise em que se encontra desde há uma dezena de anos. Ora, o país tem gente muito bem formada que com o apoio certo teriam podido endireitar a situação e combater a pobreza e todos os tipos de tráficos que entretanto se foram enraizando.

Para a ONU, a continuação da crise no Mali deveria levantar uma série de questões muito sérias. Agradar à França não é certamente a opção política mais acertada. A imparcialidade não pode ser uma palavra vazia de conteúdo.

Refletir sobre a imagem que temos

O Primeiro-Ministro encontrou-se hoje, em Haia, com o seu homólogo holandês, Mark Rutte. Foi uma boa iniciativa, tendo em conta as divergências que existem entre ambos, no que respeita à aprovação e às modalidades de execução do plano de emergência e de recuperação europeu.

Pelo que sei, a reunião apenas permitiu a cada uma das partes expressar a posição respectiva. Não houve acordo como também me parece que não o haverá, na cimeira que terá lugar em Bruxelas, no final desta semana. A imensidão da crise pôs a nu as fracturas que existem na União Europeia, no que respeita ao modelo de governação e às atitudes perante o modo de funcionamento de certos Estados. Para Mark Rutte e outros, nós funcionamos mal, temos uma administração ineficiente e cara, para o que faz.

Uma posição assim deveria fazer-nos pensar, em vez de se ter uma reacção à flor da pele. Por que será que somos vistos desse modo? Pensar nessa questão ajudar-nos-ia mais do que dar uns pulos de indignação.

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