Portugal é grande quando abre horizontes

22
Mar 19

Theresa May termina a semana numa situação de grande fragilidade política. Noutros tempos e noutras condições, a Primeira-Ministra estaria às portas do pedido de demissão. Estamos, no entanto, a viver momentos excepcionais, em que nada do que era habitual acontece como seria de esperar.

Desta vez, creio que o pedido poderá acontecer. Estou convencido que Theresa May não que ver o seu nome associado pela História a um Brexit sem acordo. Se não houver uma reviravolta e se o acordo que está em cima da mesa voltar a ser chumbado, o que é muito provável, muito mesmo, May acabará por ir ver a Rainha.

A partir daí, quem sabe o que poderá acontecer?

publicado por victorangelo às 20:05

A reunião do Conselho Europeu de ontem e de hoje mostrou maturidade e equilíbrio. Uma boa notícia, para quem se interessa pela saúde política da Europa. O tema mais complexo da agenda tinha que ver com a resposta a dar a Theresa May.

Os 27 Chefes de Estado e de Governo discutiram exaustivamente as várias opções relativas à data final de saída do Reino Unido da União Europeia. A Primeira Ministra queria um prolongamento até finais de junho. Não tinha uma justificação concreta para esse pedido, a não ser que precisava de mais três meses para resolver o que não conseguira fazer aprovar nos últimos quatro meses. Como estratégia, sabia a nada.

Na tomada de decisão, o processo teve em conta três aspectos.

Primeiro, evitar a ratoeira do ultimato. Ou seja, não dar a oportunidade nem aos deputados britânicos nem à opinião pública do país de dizer que a decisão do Conselho Europeu era uma ingerência, uma intimação. Nesta fase muito crítica do processo, a questão é um problema interno do Reino Unido. Os líderes europeus devem definir os limites, mas, simultaneamente, deixar espaço de manobra aos britânicos.

Segundo, voltar a reconhecer que uma saída negociada é, de longe, a opção preferida. Um Brexit sem acordo será sempre um péssimo Brexit.

Terceiro, respeitar a integridade das eleições europeias. Isto que dizer que tudo terá que estar claro aquando do início do processo eleitoral que levará às eleições marcadas para finais de maio.

Assim, a bola voltou a estar no campo britânico. E as balizas do jogo ficaram definidas com mais rigor. É verdade que ainda não se sabe bem como vai terminar a partida. Mas o Conselho Europeu já olha para o futuro a 27, sem contar com a presença e a participação do Reino Unido. Ninguém acredita que possa surgir uma reviravolta de todo o tamanho, que leve à anulação do Brexit. Por isso, a preocupação é a de gerir a saída com todo o cuidado possível.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 17:25

20
Mar 19

O discurso que Theresa May fez à nação esta noite foi absolutamente desastroso. A ideia central da sua mensagem pode resumir-se assim: a culpa é dos outros, dos deputados e dos procedimentos constitucionais.

Really?

Um erro absoluto.

Não sei quem a aconselhou a falar assim. Mas, a verdade é bem evidente: a Primeira-Ministra já não está à altura do desafio que é o Brexit. O seu prazo de validade terminou. Chegou ao fim.

publicado por victorangelo às 22:33

14
Mar 19

O estilo de liderança de Theresa May merece que lhe consagrem um par de investigações e teses de doutoramento. Pode dizer-se muita coisa má e também alguma coisa boa sobre esse estilo. Mas a verdade é que a Primeira-Ministra britânica tem uma tenacidade de ferro. E uma capacidade exemplar para fixar os olhos na bola, naquilo que verdadeiramente conta, sem se deixar distrair por tudo o que vai acontecendo à sua volta.

publicado por victorangelo às 20:48

17
Nov 16

O Presidente do Conselho Europeu deveria ter sido convidado, mas não foi!

Barack Obama almoça amanhã com os líderes que estão no poder na Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália e Espanha. Acho positivo.

Mas, não chega. Falta Donald Tusk. Este nosso Donald representa a UE. A sua presença, para além de reforçar a sua posição face aos reaccionários que estão no governo da Polónia, faria chegar, a vários destinos, uma mensagem forte sobre o projecto comum. E nós precisamos desse tipo de mensagens e de simbolismos.

É de lamentar que os chefes de Estado e de governo convidados – com excepção de Theresa May, é claro – não tenham levantado a questão do convite a Tusk. Esses líderes andam sempre a perder oportunidades de mostrar uns laivos de perspicácia.

publicado por victorangelo às 18:16

24
Jun 16

Este foi um dia completamente desestabilizado pelo resultado do referendo britânico sobre a Europa. E muito se disse e escreveu sobre o assunto. Mas o fundamental é preparar o futuro.

No caso da UE, isso que dizer duas coisas.

Primeiro, definir claramente a posição europeia face às negociações de separação. Há que ser claro e ter bem em conta os interesses dos estados membros bem como a necessidade de mostrar firmeza durante todo o processo negocial. Ou seja, é preciso que haja realismo e uma excelente visão política do que está em jogo. O outro lado vai tentar extrair o máximo de vantagens da UE. Cabe à União fazer o mesmo.

Em segundo lugar, este é o momento de pensar a sério na questão do apoio cidadão ao projecto europeu. A responsabilidade cabe às instituições europeias e igualmente aos governos nacionais. É, aliás, a altura de pôr um ponto final à prática do bode expiatório. Ou seja, à maneira actual de fazer política nalguns dos países da União, onde se tornou hábito de culpabilizar Bruxelas por tudo o que não está a correr de feição. Quando esse tipo de acusações for feito, haverá que ter a coragem de as denunciar.

 

publicado por victorangelo às 21:25

20
Jun 16

Brexit 

A campanha à volta do referendo tem sido muito dura e extrema. Era de esperar que assim fosse. Um referendo divide o eleitorado entre o Sim e o Não, sem as matizes e as hesitações que se encontram nas eleições partidárias. Por outro lado, um dos partidos mais visíveis na campanha para o referendo é o UKIP – UK Independence Party –, um partido xenófobo radical. Tem sido uma voz forte na campanha. As divisões dentro do Partido Conservador também levaram a um exagero de posições, já que cada lado procurou dramatizar o que estava em causa. 

O assassinato de Jo Cox exemplificou, de modo trágico, a violência verbal a que temos assistido. Mas não pode ser visto como uma falha da cultura política britânica. O que é na verdade uma derrapagem da cultura política do Reino Unido é a xenofobia, o ataque contra os direitos dos imigrantes, o menosprezar de outros europeus, sobretudo os provenientes de países mais pobres. 

Os resultados do referendo poderão de algum modo ser influenciados pelo homicídio de Jo Cox por um tresloucado apoiante do Brexit. Mas não sei se isso será suficiente para inverter a tendência que dá a vitória aos que querem a Grã-Bretanha fora da UE. Também não sei se as sondagens estão correctas. As casas de apostas pensam que as sondagens não estão a reflectir o que possa vir a acontecer. 

Economia

Os argumentos económicos começam agora a ter um pouco mais peso, a merecer mais atenção por parte do eleitorado.

Cerca de 50% das exportações britânicas vão para a UE.

Cerca de 7% das exportações da UE vão para o Reino Unido.

Para o RU, o comércio com a UE representa 3 vezes o que é feito com os EUA, 9 vezes o que tem lugar com a China, 42 vezes mais do que o comércio com a Austrália. 

Libra pode desvalorizar 15% em relação ao USD. 

As bolsas já estão a perder valor, mesmo antes do referendo. 

Frankfurt e Luxemburgo poderão ganhar mais relevo enquanto centros financeiros. Mas não vai ser de imediato. Estas coisas, que são altamente especializadas, levam tempo a ser transferidas. Seria, se acontecesse, uma transferência progressiva, que demoraria três a cinco anos, pelo menos. 

Não creio que haja vontade política, na EU, para dificultar, para tornar mais complicada as actividades de Londres nos mercados financeiros europeus. A preferência é a de não mudar radicalmente o sistema financeiro tal como tem existido até agora.           

É provável, no entanto, que as exportações britânicas para a Europa sejam penalizadas com novas taxas. 

Impacto político

 

Na Holanda, na Dinamarca, certamente, que poderão pensar em organizar os seus próprios referendos.

No reforço dos movimentos populistas, nomeadamente em França, na Alemanha, na Hungria e na Polónia.

No entanto, uma vitória do Brexit não será o início do fim.

publicado por victorangelo às 08:54

16
Jun 16

Desde inícios de 2016, os mercados europeus de capitais - as principais bolsas no espaço da UE - já perderam mais de 14% do seu valor. Uma boa parte dessa perda teve lugar nos últimos dez dias, após ter ficado claro que a saída do Reino Unido da União Europeia poderá vir a acontecer. Só a bolsa de Londres viu desaparecer no vazio, ou evaporar-se no buraco escuro que sempre ameaça as operações financeiras, cerca de 30 mil milhões de libras, nas duas últimas semanas. Há quem diga que a quebra já está feita e que pouco mais haverá ainda a perder. Penso que não. Defendi essa posição hoje em Genebra. E acrescentei que uma desvalorização a curto prazo da libra, se o voto for pela saída, poderá acrescentar mais 15% de prejuízos a quem esteja exposto a essa moeda. E mais haverá.

publicado por victorangelo às 19:00

15
Fev 16

 

Brexit 

O Reino Unido já está fora do Euro, de Schengen, da política europeia de migrações, dos acordos de justiça e de segurança interna. 

É uma ilusão pensar que Londres não vai exigir mais excepções no futuro. 

O referendo é um problema britânico, um problema da liderança de Cameron. Agora, transformou-se num problema europeu igualmente. 

A UE constrói-se com base na soberania partilhada e nos interesses comuns. 

Reunião do Conselho Europeu a 18 e 19 de Fev para debater a proposta de Donald Tusk. 

A proposta de Tusk foi muito mal recebida pela imprensa popular britânica, os chamados tabloides. Nomeadamente a questão das regalias sociais dos migrantes europeus que venham para o RU, o facto da City ter que se subordinar às normas financeiras da EU em matéria de bancos, separação entre bancos comerciais e de investimento, e requisitos de capital próprio. 

Os cidadãos do RU não estão informados sobre a UE. Não sabem que o país beneficiou bastante com a adesão. Apenas conhecem alguns casos anedóticos. 

Os seis estados fundadores são pelo aprofundamento da União, conforme afirmado pelos seus ministros dos Negócios Estrangeiros em Roma, a 9 de Fev. de 2016. 

Os países do grupo de Visegrado ( Chéquia, Eslováquia, Polónia e Hungria) têm sérias reservas sobre a parte “social” da proposta de Tusk, nomeadamente sobre os abonos de família que seriam pagos com base nos valores nacionais destes estados, caso as crianças não tenham acompanhado os pais na ida para o RU. 

Vamos continuar numa Europa a duas velocidades. Mas isto é diferente de uma UE à la carte, onde cada um escolhe apenas o que lhe interessa. 

Riscos de um sim ao Brexit: separação da Escócia; proliferação de referendos noutras partes da União; enfraquecimento da imagem da EU; impacto sobre o PIB europeu. Uma caixa de Pandora. 

Grande preocupação ao nível da Administração Obama sobre um possível Brexit. 

Que vai acontecer a David Cameron se perder o referendo? A sua popularidade nas sondagens tem estado a baixar. Poderá ser o grande perdedor de todo este processo.

publicado por victorangelo às 14:17

10
Dez 15

Estou de viagem novamente.

Na Europa, os controlos de segurança nos aeroportos estão ainda mais paranoicos. Não estamos ainda aos níveis de obsessão que se notam nos aeroportos dos Estados Unidos ou da Grã-Bretanha, felizmente. Aí, nesses países, há procedimentos a mais, muita perda de tempo para quem viaja.

Mas a verdade é que os tempos mudaram, e agora o medo passou a ser a dominante para muita gente. As pessoas andam desconfiadas. Nota-se.

E a segurança passou a ser um tema de topo nas agendas políticas. Não pode ser, no entanto, uma preocupação que faça esconder tantas outras, relacionadas com o emprego, o desenvolvimento, o ambiente, as liberdades e a os direitos humanos.

E por falar em direitos humanos, hoje é o dia mundial em que se recorda a sua importância.

publicado por victorangelo às 10:46

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