Portugal é grande quando abre horizontes

02
Mar 18

Ontem o mundo teve oportunidade de ouvir duas declarações preocupantes.

Por um lado, tivemos Vladimir Putin a discursar sobre os novos tipos de armamentos que a Rússia diz ter desenvolvido. Falou, nomeadamente, de mísseis nucleares. E mostrou-se muito beligerante, sempre a pôr o acento na força militar, como meio de ganhar espaço geopolítico e credibilidade na cena internacional. A conversa não era bluff. É para levar a sério.

Do outro lado do mundo, mas tão perto dos nossos interesses como Putin, falou Donald Trump. Também ele usou um tom conflituoso, ofensivo e provocador. Abriu as portas a um outro tipo de crise, à espiral das disputas comerciais. Num mundo que está hoje mais globalizado que nunca, um discurso desse tipo é muito perigoso. Para todos, incluindo para os concidadãos de Trump.

O mês de março começou assim com muita violência. Marcadamente, pela negativa. Quem analisa as relações internacionais não pode deixar de sublinhar que este tipo de declarações não têm nada de positivo nem de encorajante. Antes pelo contrário. E lembram-nos que é a jogar com o fogo que muitos incêndios começam.

publicado por victorangelo às 20:29

06
Ago 15

Seria um erro deixar passar o dia de hoje sem assinalar que há setenta anos foi lançada a primeira bomba atómica na história da humanidade. O alvo foi, como todos sabemos, a cidade japonesa de Hiroshima. Três dias depois aconteceu uma tragédia idêntica na cidade de Nagasaki, também no Japão.


Desde então, vários países fabricaram várias dezenas de milhares de bombas do mesmo género. Estima-se – o número exacto é impossível de determinar, por se tratar de matéria altamente secreta, nos países que as detém – que actualmente haverá à volta de 4 300 bombas em condições de poderem ser utilizadas. Este número faz medo.


Como faz igualmente muito pavor pensar que não estamos livres de uma calamidade semelhante à que ocorreu há setenta anos. Alguns dirão que agora somos mais sensatos e que a maneira de ver o mundo e a guerra evoluiu bastante. Assim será. Mas a verdade é que o arsenal atómico existe. E, estas coisas, quando estão disponíveis, são sempre uma ameaça possível.

publicado por victorangelo às 17:56

11
Nov 14

Celebrou-se hoje, em várias partes da Europa, o Armistício que pôs fim à Primeira Grande Guerra.

As celebrações constituíram, acima de tudo, uma oportunidade para nos lembrar que as guerras não servem para nada, excepto para destruir vidas e riqueza, e para manter no poder certas elites. Também nos permitiram ter presente que os nacionalismos extremos, na Europa, sempre levaram à ruína das populações e dos países. A História mostrou-o. E aconselha-nos a ter juízo, que os velhos demónios ainda estão nos sótãos das cabeças de muitos patrioteiros demagógicos que por aí andam. Incluindo nalgumas das nossas cabeças.

publicado por victorangelo às 20:42

20
Set 13

Um dos exercícios em que estou empenhado terminou hoje. Depois de passar uma semana num cenário imaginário de crise, numa região de um outro continente em que estas coisas acontecem, voltei hoje, ao fim do dia, a poder passear nas ruas de Riga como um turista.

 

Vai ser Sol de pouca dura, pois no Domingo será iniciado um outro exercício, também à volta de uma crise nacional profunda agravada pela interferência dos países vizinhos. Tudo num cenário fictício mas construído peça a peça, um investimento enorme, de modo a fazer com que a ficção fique o mais próximo possível da realidade que existe nalguns cantos do mundo.

 

Estes exercícios são muito exigentes, em termos da sua execução. E o da próxima semana vai ter como participantes algumas das melhores cabeças que por aí andam, neste tipo de matérias. O que torna o desafio ainda mais interessante.

 

Entretanto, amanhã e Domingo vão ser os únicos dias em que não vai ser preciso acordar muito antes das galinhas.

 

 

publicado por victorangelo às 18:54

02
Set 13

Gente que vive no fingimento dos salões nobres chama-lhe “diplomacia coerciva”. Você e eu usamos uma expressão mais clara: é a “diplomacia do canhão”. Quando o meu é maior e mais potente do que o do meu vizinho, ameaço-o ou mando-lhe mesmo uns balázios. Espero, depois, que ele se conforme à minha maneira de ver as coisas.

 

É, ao fim e ao cabo, uma “diplomacia” perigosa. O meu tiro pode cair no alvo errado. Ou pode levar o meu vizinho a adoptar outros truques, o que me obrigará, passada a surpresa, a mandar-lhe mais uma chuva de balázios e assim sucessivamente, arrastando-me muito para além do que eu pensava fazer.

 

Assim, chego à conclusão que a “diplomacia do canhão” só é eficaz se for usada com toda a força, logo nas primeiras horas, de modo a dar um golpe fatal ao meu vizinho. Mas, nessa altura, já não será “diplomacia”. Terei que lhe chamar “guerra”, para evitar que outros lhe chamem “agressão”. 

publicado por victorangelo às 21:47

17
Jan 13

Publico hoje na Visão um novo texto, que pode gerar alguma controvérsia, sobre o Mali e a maneira como a Europa de defesa funciona.

 

O link é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/ayktpxu 

 

Escrevo, nomeadamente, o que passo a citar: 

 

A opinião pública dá valor à participação de forças armadas europeias no apaziguamento de conflitos que ameacem a paz e a segurança das populações noutras partes do mundo, desde que essas operações tenham a cobertura legal da ONU. Isto é particularmente relevante, numa altura em que que a batalha da opinião pública europeia parece estar em riscos de ser perdida pelos militares, fora uma ou duas excepções. Embora nos custe reconhecer o facto, a verdade é que muitos cidadãos deixaram de entender para que servem os militares, excepto nalguns domínios muito concretos e no que respeita à simbologia ligada aos atributos da soberania. É pouco. É preciso propor novos grandes desígnios. Contribuir para a paz, a democracia, a dignidade e a acção humanitária é certamente um deles. 


Boa leitura. 

publicado por victorangelo às 21:36

10
Ago 12

Volto a escrever esta semana na revista Visão sobre a crise síria. 

 

O texto está disponível no sítio:

 

http://visao.sapo.pt/os-enganos-sirios=f680334

 

Veremos que comentários irão surgir desta vez ao meu escrito. 

 

Entretanto, a revista resolveu destacar a previsão que faço sobre a alta probabilidade de um ataque israelita às instalações nucleares do Irão. Na minha óptica, esse ataque poderá ter lugar em Setembro ou nos primeiros dias de Outubro.  

publicado por victorangelo às 22:11

30
Jul 12

A Síria continua no topo da ordem do dia. Os combates em Alepo estão a criar uma situação humanitária grave. E os observadores da ONU foram ontem alvos de tiros, em Damasco, disparados pelas forças regulares. 

 

A Comunidade de Santo Egídio lançou, entretanto, um apelo em Roma para uma solução negociada da crise. Uma saída política. Ainda não tive a oportunidade de estudar o comunicado final com algum pormenor. Mas, vale a pena vê-lo com atenção. Santo Egídio é uma instituição que tem muita influência e experiência em matéria de guerras civis. 

 

Por outro lado, o meu texto na Visão continua a atrair um certo número de comentários. É bom sinal. O debate faz parte da procura de soluções, mesmo quando as opiniões parecem muito fora de jogo.

publicado por victorangelo às 20:42

27
Jul 12

A Síria participa nos Jogos Olímpicos que hoje se iniciam. O espírito olímpico é assim. Mas, a verdade é que não há tréguas no país. O governo continua a seguir a politica cega de atirar a matar sobre as populações civis. Tem que se dizer de modo inequívoco que isto é um crime de guerra.

publicado por victorangelo às 20:23

12
Jan 12

Convido os leitores a ler e comentar o meu texto de hoje na Visão. Está disponível no site: 

 

http://aeiou.visao.pt/da-paz-ou-da-guerra=f642290 

 

Faço uma análise sucinta, mas realista, da nova estratégia de defesa dos Estados Unidos. 

 

Além de muitas outras coisas, fica bem evidente, para quem tiver a paciência de me ler, que os americanos têm um nível total de despesas militares que mais ninguém consegue ter. Além disso, as indústrias bélicas e a investigação com elas relacionadas são dos sectores mais importantes da economia do país.

 

Convém ler estas coisas com serenidade, para que possamos compreender em que mundo nos estão a meter.

 

 

publicado por victorangelo às 20:59

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