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Crescemos quando abrimos horizontes

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O custo da agressão, em dólares e cêntimos

Quanto custa ao tesouro russo a agressão contra a Ucrânia? Essa é uma pergunta que deve ser feita, mesmo se a resposta não for totalmente clara. Uma fortuna, é a resposta mais acertada e falando apenas em termos financeiros.

Não creio poder dizer que exista uma estimativa fiável. Mas diria que os quatro mísseis que a Rússia lançou ontem contra o porto de Odessa custaram à volta de 6 milhões de dólares, ou seja, 1,5 milhões cada. Esse custo não inclui o valor da logística necessária para os lançar.

São apesar de tudo mais baratos que os Iskanders, o tipo de míssil mais frequentemente utilizado pelos russos. Esses custam à volta de 10 milhões de dólares por unidade. No total, estamos a falar de várias centenas de milhões de dólares por dia, gastos para agredir a Ucrânia.

Ouvir o Papa Francisco

“Renovo o meu apelo aos responsáveis das nações: não levem a Humanidade à ruína, por favor”. Estas palavras foram ditas e repetidas hoje pelo Papa Francisco. Devem fazer pensar, pois o Papa não fala de “ruína” de modo ligeiro. Ele conhece o valor das palavras, sobretudo numa situação de crise profunda como a actual. E se diz “ruína”, é porque acredita que existe esse risco.

Aqui não há dúvidas

Quem diz que vê na agressão russa contra a Ucrânia uma guerra indirecta, por procuração, entre a Rússia e os Estados Unidos está enganado ou quer enganar os outros. O que na realidade está a acontecer é uma manifestação selvagem da fúria destruidora de Vladimir Putin e dos seus contra uma cultura vizinha, mas a quem ele e os seus não reconhecem o direito de ser diferente e independente. 

Como contradizer um colega de programa?

Durante a entrevista que esta noite dei à RTP3 foi repetido, pelo outro interveniente, que que aquilo que se passa na Ucrânia é uma guerra entre a Rússia e os Estados Unidos, combatida em território ucraniano. Como se tratava de duas entrevistas paralelas, não quis contestar essa afirmação errada. Mas da próxima vez terei de o fazer. Essa leitura dos acontecimentos está muito fora da caixa e esconde a agressão da Rússia contra a Ucrânia. 

A encruzilhada

Nas duas entrevistas que realizei hoje com dois canais televisivos insisti, acima de tudo, na necessidade de se acabar com a ilegalidade que é a agressão da Rússia contra a Ucrânia e iniciar um processo que leve à paz. Sei que isso é extremamente difícil de conseguir. Mas a continuação da guerra é ainda mais perigosa. Aprofundará a destruição da Ucrânia e poderá levar a um conflito mais amplo, de consequências imprevisíveis.

 

A evolução da guerra

Nota-se um novo tipo de discurso em Moscovo. Não se percebe ainda o que está por detrás dessa nova retórica. Mas, ao nível do terreno, as operações militares continuam, a agressão não parou de intensidade, nem parece ter havido uma alteração nos objectivos russos. A maneira de operar é a mesma: onde não conseguem o controlo do terreno, despejam bombas atrás de bombas.

Fala-se, nalguns corredores, de contactos que estariam a ter lugar entre as partes. Esses contactos parecem, para já, estar focalizados em questões de trocas de prisioneiros. Mas é bom que aconteçam, mesmo quando o resultado se limita apenas a esse tipo de negociações.

Entretanto, a ajuda militar à Ucrânia está a ganhar intensidade. Vários países ocidentais estão convencidos que o reforço em armamentos irá ter um impacto muito grande no enfraquecimento das forças russas.

Pagar os custos da guerra

Defendi hoje que as reservas em divisas do Banco Central da Rússia, que estão congeladas em vários países ocidentais, sejam, na altura apropriada, apreendidas, expropriadas e utilizadas para reconstruir a Ucrânia e pagar as indemnizações de guerra. Uma agressão como a que está agora a acontecer deve acarretar grandes custos para o país que a executa. É uma questão de responsabilização. Cabe ao país agressor pagar todas as reparações e os custos da agressão.

A palavra que não se pronuncia

Ninguém quer uma confrontação armada com a Rússia. As medidas económicas e financeiras mais as sanções políticas devem ser suficientes, se bem administradas e suficientemente estratégicas. Hoje, não se fala de guerra. Essa é uma palavra que não deve ser pronunciada. Mas toma-se todo o tipo de medidas não-bélicas que levem o adversário a perceber que as suas acções são um erro, um crime, e que devem cessar.

O que escrevo e o que é lido

Um texto como o que ontem publiquei no Diário de Notícias é escrito com todo o cuidado, palavra a palavra. Depois, o que demorou horas até chegar à versão publicável é lido a correr por muitos dos leitores. Por isso, recebo comentários, mesmo os mais favoráveis, que mostram que a leitura foi feita de modo apressado. Tiram conclusões que não estão no texto ou que não decorrem do que foi escrito.

Ontem por exemplo, as mensagens principais eram claras: é preciso alargar as sanções a todas as áreas estratégicas que tenham que ver com o financiamento do aparelho militar russo e do cerne do regime; Vladimir Putin não pode fazer parte de uma Europa pacífica e cooperante; cabe à população russa democratizar o seu sistema político; a ajuda militar à Ucrânia é legítima e muito urgente; trata-se de criar as condições para que a sua legítima defesa seja efectiva; a unidade das posições europeias é uma questão fundamental; o risco de uma confrontação armada entre a Rússia e a nossa parte da Europa é elevado.

Não se trata de defender posições belicistas. Também não é uma questão de pessimismo. É, isso sim, realismo e defesa dos valores essenciais em matéria de relações entre os Estados.  

A caminho de um conflito nuclear?

Num debate em que participei hoje, surgiu, repetidamente, a preocupação nuclear. Um dos principais intervenientes queria ouvir opiniões sobre a possibilidade de um conflito nuclear entre o lado russo e o nosso. Lembrei-me, então, que nos primeiros dias deste ano os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança haviam assinado uma declaração conjunta para reconhecer que uma guerra nuclear não teria vencedores, acrescentando então que as armas desse tipo tinham apenas um efeito dissuasivo. Na altura, a 7 de Janeiro, escrevi uma coluna no Diário de Notícias sobre essa questão.

Hoje, passados quase três meses sobre a aprovação da declaração, o mundo tem uma configuração diferente. O que era válido na altura agora parece levantar muitas preocupações. E, de facto, a realidade de hoje é preocupante. Estamos numa situação de confronto aberto entre os dois lados. Um confronto que ainda não é bélico, à maneira tradicional. Mas que anda muito próximo da linha vermelha.

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