Portugal é grande quando abre horizontes

24
Fev 12

A conferência de Tunis sobre a Síria foi um sucesso. Primeiro, por ter tido lugar. Depois, pela participação de vários estados, cerca de 80. Terceiro, pelo reconhecimento que deu ao Conselho Nacional Sírio, uma coligação de várias forças civis no exílio. Ainda, por ter insistido na questão mais imediata, o fim da violência contra civis. 

 

Assad ficou mais isolado. Até o dirigente do Hamas, na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, se virou hoje contra o Presidente sírio, apesar de ter beneficiado, durante muitos anos, do seu apoio político e material. 

 

Não se pense, no entanto, que o regime está em vésperas de cair. Infelizmente, ainda vai correr muito sangue inocente. A não ser que a partir de 4 de Marco, após as eleições russas, Putin mude de postura. Em política, nunca se sabe. 

publicado por victorangelo às 20:42

01
Jan 09

Depois dos votos de bom ano, o primeiro dia de 2009  leva-nos, inevitavelmente, à crise na Palestina.

 
Após seis dias de bombardeamentos da Faixa de Gaza, e de muito sofrimento humano, as máquinas diplomáticas mantém-se emperradas e, por isso, incapazes, de tomar a iniciativa. Continuam a ser os militares e os falcões da guerra, quem fixa a agenda. Quando os diplomatas hesitam, os senhores das armas tomam a dianteira e os líderes fracos escondem-se por detrás de decisões bélicas, para fazer esquecer as suas incapacidades políticas.
 
Entretanto, os ministros dos negócios estrangeiros da União Europeia reuniram-se em Paris a 30 de Dezembro. A posição que aprovaram está teoricamente correcta. Exige um cessar-fogo imediato, uma ajuda humanitária sem entraves e um recomeço do processo político.
  
Mas falta a acção para além das palavras. Não se entende que perante uma crise grave, que exige acções imediatas, não se tenha despachado sem mais demoras o senhor Solana e mais um ou dois ministros para a região. Uma decisão deste tipo enviaria um sinal forte a Israel e ao Hamas,  bem como a outros protagonistas importantes na região. Seria apreciada pelo povo da Palestina e pelos Árabes, em geral. Significaria que a Europa leva a questão muito a sério e não se limita apenas a palavras sem consequências , que mais parecem escudos para esconder uma posição de preferência em relação a Israel.
 
Ficou, para além do comunicado dos ministros , a promessa de uma visita para a semana de uma delegação ministerial europeia. É uma decisão frouxa, que deixa espaço ao Presidente francês para se deslocar à região antes dessa visita e retirar uma vez mais todo o protagonismo a Bruxelas.
 
Para que serve então a máquina europeia de diplomacia que se construiu em Bruxelas à volta de Solana e na própria Comissão?
 
 
 

 

 

publicado por victorangelo às 20:53

28
Dez 08

Mais um dia dramático, na Faixa de Gaza. Apesar do apelo do Conselho de Segurança das Nações Unidas.  E das muitas vozes que se elevaram um pouco por toda a parte, a lembrar que não há uma solução militar para a Questão Palestiniana.

 

A situação actual, com o uso desproporcionado de força por parte de Israel, vai certamente levar a uma radicalização do lado palestiniano. A reacção israelita tem muito que ver com as próximas eleições gerais no país. É preciso mostrar aos eleitores que não se hesita. Que se tem a coragem de se ir para o fogo, desde que os mortes sejam na porta ao lado.

 

Mahmoud Abbas e a ala palestiniana moderada  vão sair ainda mais fracos desta crise. As acções extremas de Israel vão dar mais militantes ao Hamas, novos suicidas,  e a todo o tipo de terrorismos que proliferam na região do Médio Oriente e noutras áreas islâmicas que já estão hoje fora de controlo.

 

A Europa poderia desempenhar um papel fundamental de mediação na crise, mas não tem a coragem política que seria necessária, nem quer desagradar aos americanos. Javier Solana limitou-se a emitir um comunicado de algumas linhas, sem qualquer efeito prático. A Presidência da UE já entrou, entretanto, de férias, à espera da chegada dos Checos...

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:45

27
Dez 08

 

Há um ano, foi assassinada Benazir Bhutto.
 
Estava na altura no Luxemburgo, para uma reunião sobre questões financeiras, e posso assegurar-vos que os banqueiros sentiram alguns calafrios nesse dia. A morte violenta da Senhora Bhutto foi considerada como uma mau presságio, em termos dos valores bolsistas e da estabilidade internacional. Foi-me então dito que notícias como estas tornavam os mercados, em finais de 2007, muito instáveis e davam uma grande volatilidade aos valores cotados em bolsa. Era como se fosse um sinal de que se estava a entrar numa fase de  nervosismo de um novo tipo.
 
Exactamente um ano depois, temos um reacender da crise no Médio Oriente, com o bombardeamento da faixa de Gaza pelas tropas de Israel. Mais de 225 pessoas pereceram nestes ataques,  das quais uma meia dúzia seriam quadros de alguma importância nas estruturas do Hamas. As outras vítimas incluem civis, crianças e funcionários públicos.  
 
Para além do facto de que nenhum estado tem o direito à retaliação, e que isto seja dito de uma maneira bem clara, sem equívocos, nem a acções de guerra preventiva, e sem esquecer as dimensões humanas, os acontecimentos de hoje mostram que se está a entrar numa fase nova de instabilidade no Médio Oriente. O impacto desta tragédia sobre a frágil situação internacional actual será certamente enorme.
 
Ou seja, temos, um ano depois da morte de Benazir Bhutto, um novo agravamento da crise global, e uma vez mais, um total desrespeito pelos princípios fundamentais do direito internacional.  Volta  a valer a lei da selva, em que o mais forte tem sempre razão.
 
publicado por victorangelo às 21:27

twitter
Setembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
13

18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


subscrever feeds
<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO