Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Os radicais e as estátuas

Para certas cabeças, a História é tão incerta como o futuro. Pode mudar quando mudam as relações de força numa determinada sociedade, quando acontece uma reviravolta profunda ao nível de quem está no poder ou quando o relato do passado precisa de ser contado de outra maneira, para dar legitimidade a quem acaba de conquistar a liderança. O exemplo mais frequentemente citado é o relativo ao Partido Comunista da União Soviética. A narrativa histórica foi sendo modificada à medida das alterações radicais na composição do Bureau Político. Personagens desapareciam, os factos eram narrados de outra maneira ou suprimidos, o que fora positivo no passado passou a negativo ou foi esquecido, e vice versa. No todo, quando Gorbachev chegou ao poder, nos anos 80 do século passado, já se estava na terceira versão da história da União Soviética. Um amigo meu, homem que tinha as suas raízes familiares na vizinhança do Kremlin, no sentido figurado, para dizer que vinha de uma família que havia beneficiado do regime, embora não estivesse no centro das decisões, costumava dizer-me que a História é imprevisível.

Lembrei-me disto, agora que vejo uns vândalos e uns intelectuais de meia tijela empenhados em julgar o passado com os olhos dos extremismos de hoje e dos radicalismos com que sonham. Lançam-se às estátuas e aos personagens do passado com a mesma estreiteza com que vêem a política do presente. Perante isso, há que dizer-lhes que não. Que destruir ou danificar representações do passado não é um acto político, mas sim um crime. Que atacar o Infante D. Henrique ou outra personagem de outrora, com toda a cegueira que caracteriza os primários da nossas cenas políticas de agora, é pôr em causa os genes históricos e sociais que nos definem.

A História deve ser interpretada. À luz do seu tempo, porém. Mas não é para escaqueirar nem para servir os populismos e as modas do tempo presente.

 

Março de 2020

Foi um mês de Março devastador. Ficará na história.

Abril será muito difícil, a situação poder-se-á complicar muito mais. Mas também poderá ser um mês de transição, de progressivo controlo da crise. As grandes incógnitas têm que ver com o que poderá vir a acontecer nos países em desenvolvimento, em particular no Continente Africano, e nos campos de refugiados. Aqui, nestes casos, será preciso ouvir a voz das Nações Unidas e mobilizar a ajuda internacional. Tanto quanto possível, o que não vai ser fácil. É fundamental que se fale disso.

Um cartão de cidadão único

Na parte francófona da Bélgica, 53% dos inquiridos responderam que seriam a favor de um cartão de cidadão europeu, em vez do nacional. Contra, pronunciaram-se 42%.

Esta questão faz parte de um conjunto mais vasto de interrogações e de reflexões sobre a promoção da cidadania europeia. Pessoalmente, penso que se trata de um debate saudável. O futuro da Europa só fará sentido se for vivido, no essencial, de modo partilhado. E debater estas coisas não retira nada da personalidade cultural e histórica de cada nação. O passado conta e fez de cada país europeu o que ele hoje é. Mas o futuro conta ainda mais e esse tem toda a vantagem em ser construído em cooperação.

A Catedral de Notre-Dame como um símbolo

A grande lição que tiro da maneira como muitos responderam, em França, ao incêndio da catedral de Notre-Dame é clara. Mostra-me a importância da história, dos valores e dos símbolos que definem a identidade de um povo. Não é uma questão religiosa, nem um menosprezo pelas dificuldades da vida que muitos enfrentam.

Sábado, véspera da Páscoa

Sábado de Páscoa. Uma parte da cidade de Bruxelas foi para a beira-mar. Organizaram-se, mesmo, comboios especiais, para responder à demanda e para evitar os engarrafamentos nas autoestradas. Outra parte, está a apanhar Sol nos parques da cidade. Que isto de ter 26 graus ao começo da tarde não pode ser desperdiçado.

Curiosamente, muitos dos jovens acham que é uma excelente ocasião para ter férias. O come;o da Primavera. Porém, não têm uma ideia clara – alguns não têm ideia alguma – do que significa Páscoa. Para além dos ovos de chocolate, para os mais pequenos, que os procuram nos jardins.

Assim se trata uma cultura milenária. Com Sol, praia e chocolate.

Crónica do ano longínquo de 2019

Andávamos como que hipnotizados nesse tempo, no ano da graça, dos abraços do senhor e das anedotas políticas de 2019.

A nossa paróquia tinha à cabeça o Mestre D. António, Prior de São Bento e do Mato. Ficou conhecido na história da terra como, o Sonso. Além de finório, D. António revelara-se como um líder cauteloso, capaz de se firmar quer na perna esquerda quer na direita, embora vagaroso e curto de vistas. Canhoto, não era. O horizonte, visto da capela-mor do Mestre, não o fazia sonhar com amanhãs que cantam. Sol, sim, na eira, mas também chuva no nabal. O ideal era manter o barco a flutuar, que é como quem diz, não perder a cabeça da paróquia.

Com o passar dos anos, o Sonso foi-se rodeando de um grupo de fidalgos, com o fim aparente de o ajudar na governação. Mas, era sobretudo uma questão equilíbrios entre famílias. E a escolha caía sempre nos mesmos. Ou era gente que ele conhecera, quando anteriormente à sua elevação a Mestre, havia servido como feitor dos serviços de higiene e limpeza do principal bairro da paróquia. Ou, então e sobretudo, gente das principais famílias, tudo bem aparentado entre si, um pequeno círculo de notáveis, em que o poder se transmitia de pais para filhos e entre cônjuges. Era uma espécie de corte à moda antiga. A corte do D. António.

Os paroquianos olhavam para essas movimentações com o sarcasmo suave de quem tem se preocupar, acima de tudo, com o tratar da vida. E também com o abandono de quem pensa que os Mestres são todos iguais. Todavia, nas entranhas do cidadão comum alojava-se a suspeita que a paróquia era um carrossel a duas velocidades, em que uns montavam nos cavalinhos e outros giravam agarrados às varas do destino.

Isso poderia dar cabo do ambiente, aquando das grandes missas habituais. Mas os idiotas da aldeia não sabiam como tirar partido do carrossel de altos e baixos.

Os jornalistas e outros croniqueiros das palavras e dos factos escreviam regularmente sobre isso, sobre as relações entre o parentesco e os cargos na sacristia. De longe, de muito fora da paróquia, esses desabafos intelectuais soavam a estranhos e de uma outra época, do século XIX, talvez. Pareciam meter dó, que pena que nessa terra, os grandes cérebros da escrita pública e da imagem televisiva passem dias e dias a tratar de coisas tão bizarras. Que intelectualidade tão banal! De perto, no seio da paróquia, essas jeremiadas da comunicação social eram vistas pelo povo com um sorriso de cinismo, crónico e manso, – uma das características definidoras da personalidade colectiva do lugarejo – e esquecidas no dia seguinte.

E o Mestre de São Bento e do Mato assim foi reinando. A história, que acaba sempre por reconhecer o valor de cada um dos seus protagonistas, não se esqueceu de lhe confirmar o cognome. O Sonso.

Jair Bolsonaro, uma escolha bizarra

O presidente-eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, foi escolhido por um número de peritos das relações internacionais como a personagem do ano de 2018. Para além da surpresa – e da indignação que muitos manifestaram – fica uma pergunta de fundo. Que razão levou esses especialistas portugueses a uma escolha tão controversa, que parece glorificar um político primário e brutalmente extremista?

Faço a pergunta no singular – que razão – porque procuro entender o que poderá estar por detrás das diversas justificações que cada um mencionou, quando a comunicação social os convidou a pronunciar-se.

Não pode ser o fascínio por políticos tendencialmente ditatoriais e com ideias extraordinariamente abstrusas. Também não deverá significar qualquer tipo de aceitação ou de credibilidade da sua filosofia política, que mais não é do que um conjunto desconexo de barbaridades e de vulgaridades. Nem será o facto de Bolsonaro ter conseguido atrair votos dos mais diversos horizontes culturais e, igualmente, de camadas sociais muito díspares, que constituem o complexo xadrez nacional do Brasil.

Não tenho uma explicação inteiramente plausível. Penso, no entanto, que uma parte da justificação estará relacionada com o facto de vários universitários portugueses terem estabelecido laços intelectuais e dependências académicas com o Brasil. Por razões de língua, por motivos familiares ou de proximidade afectiva, ou a pretexto da história. Assim, o que se passa no outro lado do Atlântico Sul tem impacto nalguns dos nossos círculos académicos. O que aconteceu com a eleição de Bolsonaro deixou muitos de nós em estado de choque. E parece que ainda não conseguimos lidar com esse embate.

Deixo a pergunta em aberto.

Para rematar, reconheço que o Brasil conta, para nós, enquanto gigante da CPLP. Mas Jair Bolsonaro, no quadro grande das relações internacionais, terá um peso marginal, no complexo jogo geopolítico que temos pela frente, nos próximos três ou quatro anos. E imagino que a sua presidência irá empurrar ainda mais o Brasil para a margem da nova geopolítica.

 

Palácio da Ajuda

Aconselho vivamente que passem pela exposição de Joana Vasconcelos. Oferece um excelente pretexto para visitar um palácio que vale a pena ver com cuidado, o Palácio da Ajuda. E para apreciar as maravilhosas peças de arte que o decoram, desde a segunda metade do século XIX.  

De meter dó

Ontem fui jantar às docas de Alcântara. Os restaurantes estavam vazios. Todos. E não havia ninguém a passear no cais. Os arrumadores estavam desesperados. Só a noite estava amena. 

 

Antes, havia lido e seguido o congresso do PCP. Toda aquela conversa com chavões que nada significam, uma linguagem que não mobiliza ninguém para além dos convertidos, o discurso sobre um governo "alternativo" sem o PS e BE, um choramingar sobre a queda dos regimes da Europa do Leste, que eram contra a natureza humana, e que levaram um lindo enterro, e pensei, isto é gente boa mas fora do seu tempo, presa a um passado que já não existe, a sonhar com o fracasso do que já foi à falência, que pena.

 

Para um Primeiro de Dezembro, que é um dia dos saudosistas e dos absurdos de outrora, foi uma viagem ao mundo das ilusões, genuínas, mas sem sentido.

 

E disse, Viva o Futuro!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D