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Crescemos quando abrimos horizontes

26
Dez 19

A minha neta tem agora nove anos, a caminho dos dez. Este ano, percebeu pela primeira vez, essa história a que nós, os adultos, chamamos de Pai Natal. Reagiu bem, no entanto. E mostrou que era preciso não deixar o primo, o meu neto de sete anos de idade, perder os seus sonhos sobre a famosa personagem natalícia.

Disse-me que, quando se tem sete anos, era necessário acreditar nos mais velhos. Manter essa confiança, nessa idade, é essencial. E que, mais tarde, é importante continuar a viver certas historietas, mesmo sabendo que, na verdade, não passam de meros contos de fadas.

Acreditar por que se quer, mesmo sabendo que a realidade é outra, dá asas à imaginação. E não é mesma coisa que engolir as falsas realidades, e a água benta, que os políticos nos trazem para a televisão. Por exemplo, aquele senhor que nos veio agora falar do Sistema Nacional de Saúde. Não é nenhum Pai Natal e só acredita nele quem anda de olhos fechados e tem mais de sete anos de idade.

 

 

 

publicado por victorangelo às 23:18

24
Dez 19

Por esse mundo fora, o Pai Natal roubou o protagonismo ao Menino Jesus. É Pai Natal para aqui, Pai Natal para acolá, do Oriente ao Ocidente, do Norte ao Sul. O centro comercial substituiu a cabana da vaquinha e do burrito, o centro comercial é o novo Presépio. São os tempos modernos, a era do marketing, do consumo e da ostentação, os novos símbolos da vida de agora.

O Menino Jesus transformou-se, com o tempo, num velho de barbas brancas, estranhamente vestido de vermelho, com um grande saco de mercadorias feitas na China às costas.

Haja festa, pois então. E um feliz Natal.

 

publicado por victorangelo às 18:31

23
Dez 19

Ontem, no pequeno supermercado Continente aqui do bairro, o Menino Jesus ganhou a forma de uma cabeça de garoupa.

Tinha ido, com a minha chefe cá de casa, comprar peixe ao supermercado. Trata-se, por razões que têm que ver com os hábitos adquiridos noutras infâncias, debaixo de outros céus, de uma expedição delicada. Chegados ao balcão, tínhamos à nossa frente um senhor da nossa idade, mais coisa menos coisa. Ouviu a sugestão que fiz, que ia na direcção de um linguado de bom porte, e a resposta da minha contraparte, que dizia que a garoupa lhe parecia uma melhor opção.

No seguimento, o senhor quis que lhe passássemos à frente. Tentei perceber porquê tanta amabilidade. Acabou por confessar que a sua intenção era a de comprar a cabeça dessa mesma garoupa. Que coincidência! Eu, como sempre, ia pedir ao peixeiro para cortar a cabeça da garoupa e botá-la, de seguida, no balde dos restos. Em casa, a minha chefe não deixa entrar cabeça de peixe, com aqueles olhos grandes fixos nela, acusadores, atemorizantes. Ofereci a cabeça ao senhor, para seu grande espanto, primeiro, regozijo, depois.

E lá fomos juntos para a caixa, ele com cabeça limpa, cortada ao meio, pronta para a sopa, nós com o corpo do bicho e a alegria de um Natal partilhado. Paguei a conta, que desta vez até me pareceu mais ligeira.

Depois, a garoupa no forno soube melhor e passou a ter uma historieta para contar.

publicado por victorangelo às 22:06

18
Dez 19

Os oito imigrantes ilegais que desembarcaram no Algarve, vindos de Marrocos, segundo se diz, devem ser interrogados com muita atenção e perícia. O caso pode ter mais ramificações do que possa parecer. É, de qualquer modo, uma situação que não se pode explicar pela simples travessia do mar. Nas condições em que dizem tê-lo feito, a história não parece credível.

E, em princípio, devem ser deportados sem demoras, a não ser que existam razões legítimas, que justifiquem um outro tipo de tratamento.

Esta é uma frente de intervenção em matéria de segurança interna que exige cuidados especiais.

publicado por victorangelo às 20:29

20
Jul 19

Ninguém lhe pergunta pelo nome. Há anos que passa o dia na esplanada da rosa-dos-ventos, junto ao Padrão dos Descobrimentos, em Belém. A vender óculos de sol. Durante alguns anos, foi o único vendedor. Agora, o sítio está cheio de “ciganos”, como ele diz, todos no mesmo negócio. Ele também é cigano, mas de outra estirpe, um verdadeiro senhor, sem sotaque e sempre bem apresentado. Elegante, à sua maneira, que quem vende deve inspirar confiança.

Para quem passa, hoje ou frequentemente, é apenas um velho cigano que por ali anda, 67 anos de idade, a tentar vender uns óculos que poucos compram. Na verdade, com a concorrência que por ali há agora, tem dias em que vende apenas um par. Diz que mesmo assim vale a pena, que isso o ajuda a passar o tempo, permite-lhe sair de casa, longe do rio, na zona de Loures.

Nestes últimos tempos, anda encostado a uma canadiana. Tantos anos de pé, à volta do mundo que está desenhado no chão da rosa-dos-ventos, deram-lhe cabo de ambos os joelhos. De vez em quando não se aguenta nas pernas e cai. Mas com a afluência de turistas, há sempre quem o ajude a levantar-se. Um vendedor de óculos de sol vive e sobrevive de pé.

Está inscrito no Hospital de Loures há muito mais de dois anos, para fazer a operação que os joelhos lhe pedem. No chamado Serviço Nacional de Saúde. Já o convocaram, há cerca de um ano, para falar com o anestesista. E depois, é só esperar. E lá continua à espera, talvez mais um ou dois anos. Nessa altura, já deverá andar de cadeira de rodas, sempre à volta do mapa do mundo. O SNS pode não funcionar, mas a vida de vendedor ambulante não pode parar.

Entretanto, vai-se consumindo na resignação revoltada de quem não tem nome nem acesso. E de quem sabe o que significa ter que esperar pelo SNS.

O Diamantino é, afinal, à sua maneira, como muitos de nós.

 

publicado por victorangelo às 21:58

20
Mai 19

Hoje estava um dia feio, cinzento, um céu muito fechado e a ameaçar chuva. Fiz a minha caminhada no parque, como de costume e apercebi-me que era a única pessoa normal que por ali andava. Os outros, a começar pela minha mulher, estava todos com abafos e anoraques. Eu, com um pólo de manga curta e pouco mais. Roupa de fins de maio, que aí estamos. E senti-me bem, por ver que ainda havia uma pessoa com juízo nesta terra: este vosso amigo!

publicado por victorangelo às 21:07

27
Abr 19

Há 98 anos, Portugal era um país pobre, pouco instruído e profundamente rural. Um país de servos, sem perspectivas, perdido na ignorância dos preconceitos de outrora e dirigidos por incompetentes políticos. Foi nesse ambiente que o meu Pai nasceu, numa aldeia de Pombal. Faria hoje anos. E veria agora um país diferente. Os políticos talvez não sejam mais competentes do que os de outrora. Nem menos oportunistas. Mas os Portugueses são hoje mais vivos, melhor preparados para enfrentar o futuro e mais abertos a todo um leque de ideias, para além da cartilha tradicional.

publicado por victorangelo às 20:53

Ingrediente da minha cozinha. Mantém o aspecto verde e fresco dos legumes que cozinho.

 

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publicado por victorangelo às 19:53

20
Abr 19

Sábado de Páscoa. Uma parte da cidade de Bruxelas foi para a beira-mar. Organizaram-se, mesmo, comboios especiais, para responder à demanda e para evitar os engarrafamentos nas autoestradas. Outra parte, está a apanhar Sol nos parques da cidade. Que isto de ter 26 graus ao começo da tarde não pode ser desperdiçado.

Curiosamente, muitos dos jovens acham que é uma excelente ocasião para ter férias. O come;o da Primavera. Porém, não têm uma ideia clara – alguns não têm ideia alguma – do que significa Páscoa. Para além dos ovos de chocolate, para os mais pequenos, que os procuram nos jardins.

Assim se trata uma cultura milenária. Com Sol, praia e chocolate.

publicado por victorangelo às 19:46

19
Abr 19

Esta semana, a minha neta chegou aos nove anos. Recebeu como prenda de aniversário um laptop a sério. Trabalha com um computador com mais destreza do que muitos adultos. E agora pratica escrever com os olhos vendados. Já conhece o teclado quase todo de cor.

Esta é a nova geração. Mas não é uma geração de computadores apenas. Também lê livros, gosta de equilibrar o ecrã com o papel. E a regra é que uma vez o livro é em francês, na vez seguinte, em inglês. Tem que ser, por razões pessoais e de circunstâncias. Mais ainda. Estas férias descobriu que muitas das palavras escritas em português não são muito diferentes do francês.

publicado por victorangelo às 20:48

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