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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Combater a indiferença

Tenho escrito múltiplas vezes que não podemos ficar indiferentes perante o sofrimento de outros povos. A repetição pelas televisões de imagens trágicas tendem a banalizar o sofrimento. Não podemos cair nessa armadilha. A mundialização deve tornar-nos mais humanos e não meros espectadores apenas. Quem teve a sorte de nascer do lado bom da geografia tem de perguntar a si próprio uma questão muito directa: que posso fazer, à minha medida e com todos os meus limites, para tornar umas vidas menos brutais e menos ameaçadas por toda uma série de perigos e de violências.

As imagens que nos vêm do Afeganistão ou do Haiti não podem ficar sem resposta.  

O Afeganistão que sofre

O que está a acontecer no Afeganistão é inaceitável e elucidativo.

Inaceitável porque não se pode deixar o país cair de novo nas mãos sanguinárias e primitivas dos Talibãs. Todos sabemos o que significa ter esses fanáticos no poder. A comunidade internacional não pode, de modo algum, aceitar os Talibãs como líderes do Afeganistão.

Elucidativo, por revelar as fragilidades da Aliança Atlântica, a subordinação absoluta aos interesses norte-americanos, o egoísmo político da grande potência e a pobreza estratégica dos dirigentes do mundo ocidental.

A teoria de que uma guerra só deve servir para abrir, tão cedo quanto possível, uma via de solução política foi uma vez mais esquecida. Com isso, sofrem os que combatem, os civis e todos aqueles que vêem os seus direitos serem pura e simplesmente espezinhados.

Um pântano perigoso

O acidente que ocorreu na A6, com o carro oficial do ministro, não é assunto arrumado. Tem de ser tratado pelo chefe do governo de modo responsável. Não há nada a esperar do ministro. Mas do seu superior, sim. Não pode ignorar as dimensões humanas e políticas do que aconteceu. A família da vítima precisa de apoio. E do ponto de vista político, a inacção governativa acabará por ter um custo. O primeiro-ministro deve entender isso, imagino. Mas tem de agir, de aparecer.

O mesmo se deve dizer do Presidente da República. Essa personalidade tem apostado imenso na dimensão popular e humanista de sua função. Não pode agora ficar calado, para proteger um ministro que não vale grande coisa. Ou, para poupar um primeiro-ministro que tarda e que encobre os seus fiéis servidores. O PR tem de mostrar que não tem medo de uma situação como esta. E que não anda a disfarçar, para que não haja a confrontação que a muitos parece inevitável.

Estamos numa espécie de pântano político. Este sim, perigoso, capaz de fazer surgir um ou outro monstro político, que saiba aproveitar-se das águas turvas.

Um novo mandato, uma nova etapa

No dia da tomada de posse do Presidente da República, para exercer um segundo mandato, a correção cívica lembra-me que lhe devo desejar sucesso no cumprimento da missão que o povo, de modo inequívoco, lhe conferiu. E assim o faço, com toda a sinceridade. Os desafios que tem pela frente são enormes, num período de crise – uma crise cujos efeitos económicos e sociais se arrastarão por vários anos, não tenhamos dúvidas. Caber-lhe-á promover a estabilidade política que será necessária para uma saída de crise mais célere. Acima de tudo, será fundamental ter em conta as situações dos mais frágeis, económica e socialmente. A governação terá que ser centrada nas pessoas, na criação das condições de dignidade a que todos temos direito. Se há uma lição que possa ser tirada destes tempos de pandemia é o do valor que deve ser dado a cada pessoa. A pandemia ensinou-nos, espero, que o principal papel do Estado e da sociedade é o de proteger a vida e a segurança de cada um. Isso significa, entre muitas outras coisas, uma política mais humana e sem corrupção, sem oportunismos, sem jogos de poder pessoal. 

Os jovens estão a transformar o nosso mundo

Greta Thunberg está algures no Atlântico, a navegar em direcção à cidade de Nova Iorque. A travessia é acompanhada por um simbolismo muito forte. O veleiro que a transporta é neutro no que respeita à emissão de carbono. As grandes causas precisam de símbolos fortes. Greta sabe-o.

Falar de Greta Thunberg permite-me acrescentar que a nova geração, os mais novos, poderão mudar muitas coisas e transformar o mundo que nós construímos de modo insustentável, embora convencidos que estávamos no bom caminho. Tenho falado com vários jovens e vejo que são diferentes, mais generosos e menos egoístas do que nós. E isso dá-me uma certa esperança.

Para além de Greta, temos Emma Gonzalez nos Estados Unidos, Joshua Wong em Hong Kong, Malala Yousafzai no Paquistão e um pouco por toda a parte, Aruna De Wever na Bélgica, Trisha Shetty na Índia, a pró-democracia activista Lyubov Sobol na Rússia e tantos outros jovens que, através de movimentos de cidadania, estão na frente de combate por um mundo melhor.

Neste dia em que se celebra a causa humanitária, lembrar o papel dos jovens é refrescante e animador.

O ciclone Idai interpela-nos

O ciclone Idai deixou a maioria das infra-estruturas da cidade da Beira, em Moçambique, destruídas, para além de ter morto um milhar ou mais de pessoas. Foi um enorme desastre natural. Trouxe desafios inimagináveis para as famílias e para as autoridades.

A solidariedade internacional, e a ajuda de emergência, chegou primeiro da África do Sul, um país que tem capacidade para responder a este tipo de crises. Outros se seguirão, assim o espero. Portugal deveria responder também, na medida dos meios possíveis. E a população portuguesa precisa de mostrar que não fica indiferente quando algo desta gravidade acontece num país a que a história e o passado recente nos ligam.

 

Terrorismo

O massacre de fiéis em duas mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia, deixou-me horrorizado. Tem que ser condenado com convicção e sem qualquer sombra de reservas. Todo o tipo de violência é condenável. A violência em massa e de modo cego, levada a cabo por razões de diferença étnica ou cultural, é particularmente perversa. É um acto de terrorismo. Tem como objectivo criar um clima de medo colectivo e de intolerância.

A questão humanitária e as nossas indiferenças

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Ajuda Humanitária. Uma data que nos lembra, acima de tudo, os enormes sacrifícios por que passam muitos dos trabalhadores humanitários no seu quotidiano. E que serve também para recordar os milhões de pessoas que vivem situações desesperadas e que precisam de ser ajudadas. Para a vasta maioria deles, é uma questão imediata de vida ou de morte. E é isso que define o trabalho humanitário e que o distingue dos programas de luta contra a pobreza: a urgência e os riscos imediatos de morte.

Na política internacional, o trabalho humanitário não tem o mesmo prestígio que o serviço político ou as questões de guerra e paz. Nem todos entenderão isso, mas a verdade é que assim é. Por isso, é importante que se fale mais, alto e bom som, sobre os esforços que muitos e muitos indivíduos fazem no desempenho das suas funções humanitárias.

Assim, hoje poderia ter sido um bom momento para contar umas histórias pessoais de portugueses que se têm distinguido nas acções humanitárias, em situações de extrema dificuldade, de grande stress físico e mental, de profunda insegurança. Infelizmente, a comunicação social passou ao lado. E sem caras, sem casos concretos, tudo isto parece distante e acaba por nos deixar indiferente.

 

 

MSF e a UE: visões divergentes

Médecins Sans Frontières (MSF) critica abertamente a actual política europeia em matéria de acolhimento de refugiados. E, por essa razão, acaba de resolver que não aceitará novos financiamentos vindos das instituições da UE bem como dos governos dos Estados membros. Em termos monetários e contando por baixo, a decisão provoca uma quebra nas finanças anuais de MSF na ordem dos 56 milhões de euros. É uma importância significativa, embora represente menos de 10% do orçamento anual da organização. Mas é acima de tudo um posicionamento político claro. Pode ser discutível. E é-o, certamente, que estas coisas das questões humanitárias não devem ser vistas apenas através de um único prisma. Mas para além da apreciação que se possa fazer e do mérito que MSF conquista todos os dias – sou um doador anual desta organização, o que mostra a minha opinião sobre o trabalho de MSF – a verdade é que a decisão agora tomada não vai alterar a política europeia. A intenção da Europa é, antes de mais, travar e mesmo parar a chegada em massa de novos candidatos ao refúgio. E, ao ir por essa via, estará cada vez mais longe da maneira de ver dos que pensam como MSF pensa.

 

 

 

 

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