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Crescemos quando abrimos horizontes

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Ter sucesso em campanha

Hoje, mais do que nunca, é fundamental mostrar boa-fé, quando se faz política. Os eleitores têm acesso a muitas e diversas fontes de informação. Alguns poderão ter imensas dificuldades perante tanta informação. Mas uma grande parte acaba por formar uma opinião ou ver o seu ponto de vista confirmado. E uma das características que procuram nos políticos de agora, depois de tantas decepções e enganos, é a da sinceridade.

A lisura de intenções dá votos. Por isso, se eu fosse conselheiro de algum político dir-lhe-ia que, acima de tudo, é necessário mostrar que se anda na política e em campanha pelo bem comum. Porque se acredita na causa pública, no projecto que se defende, numa maneira positiva e altruísta de governar o que é de todos.

A imagem e a narrativa devem reforçar o sentimento de franqueza e de verdade que procuramos transmitir. Está aí o segredo do apoio popular.

Creio dever lembrar isto, agora que estamos todos em campanha, uns activamente, outros por tabela e porque não conseguimos fechar os olhos à realidade que nos cerca.

 

 

 

 

O poder da imagem televisiva

A televisão tem muita força. O que se passou ontem e hoje à volta do processo de candidatura a líder do Partido Conservador foi mais uma ilustração desse poder.

Os cinco candidatos participaram ontem num debate televisivo, organizado e transmitido em directo pela BBC One. Vi o debate. Rory Stewart, o candidato com mais cabeça e que era visto pela comunicação social e pelos analistas políticos como uma estrela montante, capaz de fazer frente a Boris Johnson, teve uma má prestação. Sentou-se mal, na ponta da cadeira, mostrou enfado e uma linguagem corporal que parecia dizer que os outros candidatos não sabiam o que estavam a dizer, tirou a gravata a meio do debate, e deixou os outros ocupar uma boa parte do tempo de antena. Em resumo, deu a impressão que não queria debater, que não estava ali a fazer nada e que tinha pouca consideração pelos outros candidatos.

No fim da emissão, a minha conclusão foi clara: Rory colocou-se fora da corrida. Não mostrou aquilo que se espera de um futuro líder e futuro Primeiro Ministro, atenção, argumentação e presença.

E assim aconteceu. Na votação de hoje, perdeu uma parte do apoio que havia conquistado entre os seus colegas parlamentares e foi eliminado. Brilhante, sim, mas incapaz de passar na televisão. E, nestas coisas, a imagem conta imenso.

 

A Europa e a nossa abstenção

De um modo geral, a percentagem de votantes nas eleições europeias aumentou. Esse dado e os resultados globais mostram que os cidadãos perceberam melhor o que estava em jogo e acharam que deviam participar. O apoio ao projecto comum saiu vencedor destas eleições, embora com matizes diversas, o que dá azo a um Parlamento Europeu com uma composição política equilibrada de uma outra forma.

Mas, no conjunto, estamos perante uma eleição que reforça a Europa.

Em Portugal, os cabeças de lista, com excepção da candidata do Bloco de Esquerda, tinham tanto carisma como uns troncos de árvores secas. Assim se justifica uma parte importante da abstenção. E também o sucesso relativo do Bloco.

Na política de hoje, feita nas televisões, nos jornais, nas redes sociais, a imagem que o candidato projecta é um factor de decisão fundamental. Uma imagem monótona, sem entusiasmo, sem garra, sem elegância e humanismo, tipo cassete monocórdica, passa mal. Transmite falta de nível, alguém que não está à altura do desafio. E os eleitores não se vão incomodar para ir votar num sorumbático ou num mono.

Theresa May enquanto líder

O estilo de liderança de Theresa May merece que lhe consagrem um par de investigações e teses de doutoramento. Pode dizer-se muita coisa má e também alguma coisa boa sobre esse estilo. Mas a verdade é que a Primeira-Ministra britânica tem uma tenacidade de ferro. E uma capacidade exemplar para fixar os olhos na bola, naquilo que verdadeiramente conta, sem se deixar distrair por tudo o que vai acontecendo à sua volta.

António Costa esteve mal na AR

A referência feita pelo Primeiro-Ministro António Costa “à cor da sua pele”, insinuando assim que a líder do CDS estaria a mostrar um comportamento racista em relação à sua pessoa, foi injustificada e muito infeliz. Não é para repetir.

Assunção Cristas, quer se goste muito ou nada dela, tinha todo o direito de pedir a António Costa que esclarecesse se apoia ou não a actuação da PSP. Era um pergunta legítima e de actualidade. A resposta deveria ser dada com calma. E de modo inequívoco, expressando claramente que é preciso respeitar a Polícia, quando esta está a cumprir a sua missão dentro dos parâmetros da lei.

Perder as estribeiras, quando se é Primeiro-Ministro, e quando não há razão para tal, acaba por ser visto como um sinal de fraqueza. Ou, pelo menos, de cansaço, de quem anda a precisar de descanso e de mudar de vida. Em ambos os casos, fica uma imagem tremida.

 

 

Miguel Macedo e o minorca Mendes

Miguel Macedo demonstrou, uma vez mais, ter mais senso político do que muitos dos que por aí andam. Achou que o caso “Labirinto” lhe havia retirado espaço político, por envolver subordinados directos seus, e pessoas da sua confiança, tirou a lição que se impunha e saiu de ministro da Administração Interna.

Muito bem.

Mais. Aos sair, deixou para trás gente como Marques Mendes, que andava pelos mesmos círculos de amizades que Macedo, mas que finge agora que não é nada com ele. Mendes é um sacudidor profissional de água do capote. E mais um dos muito oportunistas de primeira apanha que esvoaçam nos ecrãs das televisões portuguesas e rastejam nos corredores do poder.

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