Portugal é grande quando abre horizontes

03
Nov 16

Está a debate o Orçamento de Estado para 2017. É um orçamento de compromisso, feito para passar junto dos bloquistas e comunistas, e pouco mais. Falta uma estratégia de médio prazo. As circunstâncias actuais da base governativa não o permitem.

Tenho repetidamente escrito nestas páginas que Portugal precisa de crescer do ponto de vista económico. Ora, o Orçamento para 2017 e, reconheço, uma boa parte da opinião pública nacional continuam apenas focalizados na repartição do pouco que existe e não nos incentivos ao investimento e ao crescimento económico.

Para repartir a pobreza, agravam-se os impostos, complica-se a máquina burocrática, cria-se instabilidade e incerteza quanto ao futuro do regime impositivo. Dá-se, sobretudo, a impressão que a tendência vai continuar no sentido do agravamento da carga fiscal e na improvisação de novas taxas.

Isto tem como resultado afugentar uma parte significativa dos investidores estruturais, sobretudo os externos.

No fundo, continuamos, como o debate o irá mostrar, a praticar a arte muito lusitana de nos condenarmos a nós próprios a não sair da cepa torta.

 

publicado por victorangelo às 15:10

09
Fev 15

9 de fevereiro de 2015

HSBC, um dos maiores bancos do mundo, muito ligado aos interesses ingleses no Oriente, a começar por Hong Kong, está hoje nos cabeçalhos dos jornais. A razão é de peso. São milhares de milhões de dólares depositados em contas clandestinas, na filial suíça do mesmo. Essas contas foram agora reveladas por um grupo de jornalistas independentes que se dedica a estas coisas. Os titulares da massa são gente muito fina, embora nem todos muito sejam muito recomendáveis, antes pelo contrário. Alguns deles são conhecidos por terem ligações directas com o crime organizado ou com ditaduras da pior espécie.

Os dados são do período 2005-2007. HSBC diz-nos que essas coisas já não acontecem, nos dias de hoje. Será verdade, creio. E o motivo é simples. É que os controlos estão muito mais apertados. E a própria Suíça deixou de querer ser associada ao dinheiro sujo. Por isso, os bancos suíços têm estado a correr com os titulares não-residentes de contas na Suíça que não consigam demonstrar que estão em ordem com as autoridades fiscais dos seus países de residência. É uma boa medida. Embora haja quem diga, à boca pequena, que são apenas as contas menos gordas que caem nessa categoria. Quem tem muito cabedal acaba sempre por conseguir residir num país generoso do ponto de vista fiscal. E pode assim declarar aos banqueiros suíços que está tudo em ordem

publicado por victorangelo às 19:58

21
Nov 14

Na Bélgica, a média dos salários líquidos por trabalhador situa-se em 2068 euros por mês. Este valor equivale a um salário bruto de 3 261 euros. Apenas 10% dos trabalhadores aufere uma remuneração líquida inferior a 1430 euros por mês.

Em geral, as remunerações são consideradas baixas, insuficientes face ao custo de vida e aos hábitos de consumo, mas existe uma certa resignação, por se pensar que as hipóteses de empregos melhor remunerados são escassas. A estabilidade do emprego é, nas circunstâncias actuais, altamente apreciada.

Quem ganha dinheiro são, entre outros, os médicos especialistas, os canalizadores e os jardineiros por conta própria. Ainda hoje, o observei. O canalizador que veio a minha casa fazer uma pequena reparação de 15 minutos pediu-me 115 euros, em dinheiro e sem recibo. E eu ainda tive que dizer muito obrigado, porque o homem respondeu à minha chamada de ontem para hoje. Ora, por vezes é a cruz e o calvário para se conseguir este tipo de serviços. Por exemplo, há meses que procuro um jardineiro que saiba da poda. Sem sucesso. E quando alguém responde, dois casos até agora, as cotações que me apresentam são de tal modo absurdas que acabo por chegar à conclusão que o meu jardim tem como vocação transformar-se numa reserva ecológica natural.

publicado por victorangelo às 21:28

12
Set 14

É sabido que o governo francês – o de Hollande como também fora o caso com Sarkozy – não consegue levar a cabo a racionalização da administração pública. Se o conseguisse, pouparia uns tostões muito valiosos, o que permitiria um maior equilíbrio das muito desequilibradas finanças públicas e umas reduções na carga fiscal. E há muito por racionalizar, desde o fecho do Senado, que não serve para nada mas que consome mais de 500 milhões de euros por ano, até à reforma da administração regional e à integração das polícias num esquema mais unificado, mais eficiente e mais em conta. Estes são apenas alguns exemplos.

 

Hoje, Pierre-François, um amigo meu, contava-me uma história que mostra uma outra face da mesma moeda francesa. Pierre-François vive numa pequena vila de província, a umas dezenas de quilómetros de Poitiers. A repartição de finanças da terra, apinhada de funcionários que está, deveria fechar, por não se justificar haver tanto fiscal para tão poucos habitantes. Só que os funcionários não querem aviar malas e bagagens e ser transferidos para outra localidade ou mesmo para Poitiers. Assim, para mostrarem que são indispensáveis e que devem continuar na vila, inventam controlos fiscais a torto e a direito. Cada declaração de rendimentos de cada família local, cada entrada contabilística dos pequenos comércios locais está a ser varrida a pente fino e a ser contestada. Assim, as estatísticas dos controlos são empoladas e a continuação dos mangas-de-alpaca na vila parece justificar-se. É que se trata de uma vila de “fraudulentos” e de “espertos fiscais”, que precisam de ser vigiados de perto.

 

Moral da história: quem se lixa é povo contribuinte, lá como cá.

publicado por victorangelo às 18:42

12
Jul 13

Custa muito percorrer centenas de quilómetros no Alentejo e ver o subaproveitamento – nalguns casos, a falta de aproveitamento – das terras. Tanto hectare que poderia estar cultivado, ou ser utilizado para a pecuária, para florestas comerciais, para fins produtivos. Que diferença que isso faria, em termos da nossa situação económica.


Pensei nisso e na hipótese de se criar um imposto especial –e pesado –sobre as terras que não estão a ser exploradas de modo produtivo. 


Enfim, ideias…

publicado por victorangelo às 22:04

15
Abr 13

O meu texto desta semana na Visão está agora disponível no site oficial da revista:

 

http://visao.sapo.pt/o-setimo-ceu-dos-poderosos=f723241

 

Reproduzo aqui umas linhas do meu texto:

 

"Por tudo isto, procurou-se uma definição que apenas incluísse terras longínquas e sem peso na política mundial. Assim ficaram na lista negra umas ilhas minúsculas das Caraíbas, outras perdidas no meio do Pacífico e pouco mais. Mas a lista levanta uma questão de fundo. Se existe uma intenção real de acabar com os paraísos fiscais, quem impede que isso aconteça? Não é de crer que a oposição provenha apenas desses estados microscópicos, nalguns casos meros territórios, com uma soberania relativa. Vários estão mesmo, em circunstâncias extremas, dependentes de Westminster. A resistência a qualquer mudança significativa tem outras origens."

publicado por victorangelo às 16:20

29
Jan 13

O governo português lançou o programa “Living in Portugal”, com o objectivo de atrair estrangeiros ricos a comprar casa e a vir residir para o nosso país.

 

Estudei a página da net que foi oficialmente preparada para o efeito. Penso que é uma página pouco trabalhada, que precisa de mais fotos, de informação mais concreta e de maior participação do sector privado, não apenas de alguns bancos, de grandes resorts e de instituições parapúblicas.  Deveria, por outro lado, dar mais atenção à emigração portuguesa, sobretudo à geração que está reformada e que poderia ter uma base em Portugal, se houvesse incentivos para isso.

 

Dentro de um ano seria importante fazer um balanço desta campanha de promoção do nosso país. Em particular, saber quantos estrangeiros aproveitaram o Golden Residence Permit, um visto especial de residência dado a quem vier de fora da UE.

 

Mas antes disso, terá sido feito algum estudo técnico, nestes últimos meses, que mostre de modo objectivo quais são os impedimentos e os incentivos para que uma família estrangeira se venha estabelecer em Portugal? É que sem isso, é difícil ter um programa a apontar na direcção certa.

 

publicado por victorangelo às 20:47

20
Jan 13

Tentei comprar dois bilhetes de avião nos Estados Unidos. A companhia aérea pediu-me um pouco menos de 600 dólares pelas passagens. O governo americano, por seu turno, leva-me mais de 1200 dólares em taxas, sobretaxas e outros impostos.

 

Na Europa, é mais ou menos a mesma coisa, embora não se chegue ao exagero americano, em que cada passo dado num aeroporto leva com um tributo ou emolumento em cima. A que se junta a profunda antipatia do pessoal da segurança e dos controlos. 

publicado por victorangelo às 21:26

02
Jul 12

Continuo em Charllotenburg, que é um bairro desafogado de Berlim. Fui jantar, há momentos, num restaurante italiano, que serve os seniores endinheirados da zona. Quatro ou cinco italianos, a falar meio alemão, meio a língua deles, tudo muito "relaxe", tomam conta do estabelecimento.

 

Como a minha mesa era composta por gente vinda de fora, não houve factura, a conta foi feita à mão, numa folhita de papel, nada de impostos ou IVA, tudo muito à vontade, a três quilómetros do gabinete de Angela Merkel.

 

Fiquei a pensar que afinal Berlim não fica muito longe de Atenas, Palermo ou Trancoso...  

publicado por victorangelo às 20:21

31
Ago 11

O último dia de Agosto fica marcado por um tempo de inverno e mais austeridade. Chuva e novas cargas fiscais, numa altura em que se esperava Sol e um plano que trouxesse alguma esperança aos portugueses. 

 

Sem esquecer que o ministro e o seu chefe continuam a não dizer nada que se oiça sobre o escândalo que é o governo da Madeira.

 

Uma vez mais, ninguém tem a coragem política de olhar para as muito sérias irregularidades que se praticam na governação da responsabilidade de Alberto João Jardim. O ministro volta, novamente, a "aconselhar" o Alberto João a pensar num programa de ajustamento, com o FMI, como se a Madeira fosse um estado vizinho, ao qual se daria uma conselho de boa vizinhança. E nada mais.

 

Só há uma palavra para resumir tudo isto: inaceitável.

 

 

publicado por victorangelo às 19:50

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