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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Os amigos portugueses do ditador Putin

Temos por cá uns cidadãos que não hesitam, perante a agressão decidida por Vladimir Putin e a falta de liberdade que existe na Rússia. Estão de unhas e dentes com o ditador. Mesmo sendo claro que este é um fascista, um xenófobo e, agora, um criminoso de guerra.

Um ou outro desses cidadãos tem um nível escolar elevado. Mas isso não os impede de se alinhar e engolir todas as patranhas que Putin e os seus inventam.  A mim, parece-me incompreensível que tal possa acontecer. As teorias e narrativas criadas para justificar o injustificável saem directamente de falsas e aberrantes invenções conspiratórias. Mesmo assim, essas pessoas vão na cantiga. Na maior parte das vezes, o engodo que as leva a morder o anzol tem de ver com ataques à NATO ou aos norte-americanos. Quando o isco é desse tipo, até os peixes gordos se deixam apanhar.

Alguns desses cidadãos enviam-me textos a justificar os seus pontos de vista, ou seja, em defesa dos crimes praticados por Putin contra os seus e contra os ucranianos. Esse encaminhamento de textos deixa-me boquiaberto. Certas pessoas, que eu considerava esclarecidas, acabam por se revelar assim como amigos do fascista e admiradores dos seus métodos. E fico a pensar o que seria de Portugal se essa gente conseguisse de facto chegar ao poder.

Os "progressistas" que vivem no passado

O desassossego dos intelectuais confusos

Victor Ângelo

 

Alguns dos nossos intelectuais andam algo confusos, nomeadamente quando se trata da guerra na Ucrânia. Queixam-se, por exemplo, da comunicação social e dos meios políticos, que estariam empenhados na perseguição dos que não seguem o que designam por “uma cartilha do pensamento único”. Pretendem, mesmo, que existe por aí um ataque contra “a faculdade de pensar”. Deve ser um ataque muito sub-reptício, pois as televisões e os jornais estão cheios de opiniões de todo o tipo e das teorias mais tolas e enviesadas, incluindo algumas das suas.

Essa manifesta confusão leva-os a tentar explicar o inaceitável, a todo o custo e com pretensas abordagens geopolíticas e históricas, que foram desenvolvidas durante a Guerra Fria e estão hoje em boa parte obsoletas. E o inaceitável é a violação das normas internacionais pelo regime antidemocrático e agressor que Vladimir Putin personifica. E esquecem também os crimes de guerra e contra a humanidade que as tropas de Putin levam diariamente a cabo, conforme a Amnistia Internacional nos lembrou esta semana. Crimes que já estão a ser objeto de investigação por parte do Tribunal Penal Internacional de Haia, bem como documentados pelo Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, com base numa resolução dos Estados-membros, aprovada a 4 de março.

Esses intelectuais acrescentam ao seu desalinho ideológico várias investidas contra instituições intergovernamentais a que Portugal pertence e que são fundamentais para garantir a nossa defesa, segurança e prosperidade. Ao procederem assim parecem não entender a gravidade da crise em que a nossa parte da Europa se encontra, face ao revanchismo de Putin e à sua agressão contra o povo da Ucrânia, incluindo contra os ucranianos russófonos.

Quero acreditar que o alinhamento político com o adversário faz parte de uma atitude visceral de oposição à ordem vigente e ao senso comum, uma filosofia da contrariedade de bom tom, própria de quem se julga mais esperto do que os demais. Num momento como o de agora, poderá haver quem veja nesse posicionamento algo próximo da traição aos interesses nacionais. Penso ser exagerado caracterizar essa gente desse modo, porque não estamos numa guerra aberta contra nenhum Estado e, por isso, não é apropriado falar de traição.

Para entender a Europa de defesa de agora, seria bom lembrar que os países do antigo espaço de influência soviética, que aderiram à NATO no final dos anos 90 e já neste século, poderiam ter soberanamente optado por uma aliança com a Rússia. Moscovo havia criado uma estrutura militar paralela à NATO, em 1992, atualmente conhecida pelas iniciais CSTO – Organização do Tratado de Segurança Coletiva. Ora, na parte europeia, apenas a Bielorrússia e a Arménia fizeram essa opção. A esses Estados e à Rússia, juntaram-se apenas três países da Ásia Central, antigas repúblicas soviéticas: o Cazaquistão, o Quirguistão e o Tajiquistão. Os outros países, e são vários, ou ficaram de fora ou preferiram a Aliança Atlântica. O chamado alargamento da NATO foi, na realidade, o resultado de uma série de decisões nacionais soberanas. Por muito mediático que seja, que autoridade tem um pensador português para dizer aos povos polaco, letão, romeno ou qualquer outro, que não deveriam ter feito a escolha que fizeram? A mesma pergunta pode ser dirigida a Vladimir Putin.

À teoria das zonas estratégicas de influência, uma construção analítica que data do início dos anos 60 do século passado, mas que teve a sua origem nas movimentações coloniais e imperialistas do século XIX e que foi consolidada na Conferência de Yalta, em 1945, as Nações Unidas propõem uma nova visão. Uma alternativa que tem como fundamento o respeito dos direitos humanos e das normas universais, a resolução pacífica dos conflitos e a cooperação internacional. Isto poderá soar a idealismo e irrealismo geopolítico, sobretudo quando se tem presente a maneira de agir de Putin ou a competição estratégica entre os EUA e a China. Mas esse sim, deverá ser o estandarte dos intelectuais progressistas e de todas as pessoas razoáveis.

 

Dúvidas escritas

A maior parte das colunas de opinião que aparecem publicadas nos nossos jornais são escritas de forma superficial, atabalhoada e tosca. São uma maçada intragável. Perante essa conclusão, fico a interrogar-me se não será o mesmo com o que escrevo? E se vale a pena continuar a escrever para meia dúzia de fiéis leitores.

As televisões e a ideia que se fazem do povo

As redes sociais contêm vários comentários sobre as entrevistas televisivas dos candidatos presidenciais. Devo confessar que ainda não tive a oportunidade – esta é uma maneira diplomática de pôr a coisa – de ver nenhuma dessas entrevistas. Mas pelos comentários que vou vendo parece que os entrevistadores não têm estado à altura. A ser verdade, é uma pena. Uma campanha presidencial deveria ser o momento para levantar algumas das grandes questões sobre o futuro do país. E para perceber se os candidatos têm uma visão nacional. Perder tempo em questões da hora e navegar na espuma do tempo que passa não será a melhor maneira de tratar os candidatos. Mostra falta de inteligência, de respeito pelos candidatos e pelos eleitores.

A verdade é que temos jornalistas muito bons. Mas não são esses que têm acesso aos ecrãs. Quem manda nas televisões parece pensar que os jornalistas mais intempestivos, mais primários, mais arrogantes são os que atraem audiências. Isso significa que os patrões das televisões vêem os portugueses como uma série de brutos que apenas querem circo político e violência verbal.

10 de junho e um discurso que enobrece as gentes

Pessoa amiga chamou-me a atenção para o discurso proferido pelo Cardeal D. José Tolentino Mendonça na cerimónia do 10 de Junho de 2020. Esse discurso está disponível no You Tube. São 22 minutos de reflexão sobre a nossa condição de portugueses. Foi pensado com um espírito positivo e uma visão generosa do que podemos ser. Por vezes é um pouco lírico, mas vale a pena ouvi-lo. O Senhor Cardeal representa o que de melhor existe entre os nossos intelectuais. Comparar as suas palavras com as dos comentadores do costume é como contrastar um dia de Sol com uma tarde feia de neblina e sem visibilidade.  

Navegação à vista

Num momento muito grave, que combina uma pandemia com o colapso de grandes sectores das economias da maior parte das nações, que andam os meus amigos a discutir? Estamos no meio de um tsunami, que tem consequências humanas e económicas de uma profundidade e extensão que ainda não sabemos medir, mas que nos parecem gigantescas, e os meus amigos focalizam-se em quê? Qual é o assunto que os preocupa tanto e que agita as águas em que gostam de navegar?

 

Intelectuais

Intolerância e confusão mental, acudam-me, os nossos intelectuais estão infectados. Basta ver o que escrevem no Facebook. Não sabem o que é debater. Só conhecem o verbo bater.No meio da confusão, esquecem-se que a política é feita de mensagens e símbolos. Exige coerência entre o que se faz e a maneira como isso é entendido pelos cidadãos.

Os burros e as saias

Quando uma parte da elite intelectual se entretém com reflexões sobre um homem de saias, podemos ter a certeza que algo está muito mal, neste nosso pequeno canto do mundo. Rimos e espraiamo-nos na parvoíce, como se procurássemos fazer chorar as pedras da calçada. Uma boa fatia da nossa classe intelectual é, pura e simplesmente, bacoca.

Num dia de reflexão

Os nossos intelectuais gostam de produzir opiniões definitivas sobre questões complexas. Têm opinião sobre tudo e de modo categórico. Cortam a direito, quando haveria necessidade de fazer um percurso cuidadoso das ideias e dos contextos, de proceder a uma escolha criteriosa das opções e da hierarquia das prioridades.

Assim acontece, por exemplo, quando se levanta a questão de saber qual é o principal problema que Portugal enfrenta. Este tema apresenta uma grande complexidade, requer um leque de análises e de pistas conectadas. Mas as nossas inteligências públicas não hesitam. Têm pronta uma resposta directa, uma espécie de verdade indiscutível, uma linha que explica tudo.

Depois disso, deixa de haver espaço para o debate. A opinião emitida por quem tem banca na praça é definitiva e dogmática. Qualquer desvio, ou interpretação diferente, é vista como uma aberração. O diálogo é substituído pela disputa, a argumentação pela guerra das palavras e dos egos.

A falta de diálogo não será o problema mais sério que o país enfrenta. Mas que é um problema, disso não tenho dúvidas.

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