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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Desconectados

Passei os dois últimos dias perdido no labirinto das incompetências da NOS. E chego ao fim do dia de sábado com a linha do telefone fixo avariada e com um router novo, instalado na quinta-feira, que só trabalhou vinte e quatro horas. Desde então, e depois de várias chamadas de assistência técnica, está fora de jogo. Dizem-me agora que mandarão cá a casa um técnico, amanhã, domingo. Que esteja de alerta, a partir das oito, é o que me pedem.

Isto parece ser tão complicado como a cimeira da União Europeia em Bruxelas. Só que a NOS exige uma fidelização do cliente, coisa que a UE não pode pedir a nenhum dos Estados membros, depois do que se passou com os britânicos.

Por falar da cimeira, que continua neste momento em que escrevo, disse a um antigo embaixador português que considero normal que estas coisas levem o seu tempo a ser discutidas – estamos a falar de montantes excepcionais, com regras inéditas e implicações muito complexas, incluindo para o bom funcionamento da Comissão Europeia, para já não falar nas situações catastróficas que certas economias vivem. E também é de esperar que cada país veja a matéria tendo em conta a opinião pública interna. A construção da Europa não é apenas um assunto de líderes políticos. Precisa de uma base de apoio cidadão muito forte.

O embaixador explodiu, como lhe acontece de amiúde, agora que está reformado e que pode dizer o que pensa, pela primeira vez na vida. Os estilhaços partiram todos na direcção da Holanda. Mas eram de fraca qualidade, com muito ruído e pouco chumbo. Deixaram-me, no entanto, na dúvida se vale a pena insistir para que as minhas comunicações sejam restabelecidas. É que sem net, sempre me refugio nos escritos de Confúcio e de Nietzsche.

Perdido no Mar da Net

Ontem à hora do jantar, pedi à companhia belga que me fornece os serviços de telecomunicações que procedesse à rescisão do meu contracto no final deste mês. A funcionária, do outro lado da linha, foi de uma eficácia que me deixou os cabelos em pé e à beira do colapso mental. Ou seja, cortou tudo, de imediato, sem esperar pelo primeiro de Junho. Num instante, fiquei náufrago no oceano da internet, desconectado do mundo. Senti-me como um Robinson Crusoe dos tempos modernos.

Notei o erro sem demoras. Telefonei de volta, através de um número que está fora desse circuito, mas já era tarde. A partir das 20:00 horas não há resposta a questões comerciais. Com a ajuda da minha filha e depois de muitas tentativas, consegui chegar a um chefe de serviço, por volta das 21:00. Disse-me que sim, que estava a ver o erro, que iria providenciar para que fosse reparado sem demoras. Nestes tempos de Covid e de mudança, não se pode estar sem comunicações, sem internet, acima de tudo. Foi muito rápido, no que respeita à factura dos custos da reposição do serviço. Cinco minutos depois, a conta já estava na minha caixa de correio. Mas nada de reposição do serviço. O mundo para lá do horizonte pareceu ainda mais distante, inteiramente fora do alcance do novo Robinson.  

Hoje, logo pela manhã, voltei a telefonar. Disseram-me que sim, que tinha sido bom que eu os tivesse contactado tão prontamente, ontem à noite, antes que o corte se tornasse final. Fiquei feliz com a informação, mas profundamente infeliz quando acrescentaram que a ligação seria estabelecida entre hoje e amanhã. O que havia demorado uns segundos a desligar, iria demorar dois dias a ligar. Robinson Crusoe diria que Proximus ainda não chegou ao ano 2020 e à época do Covid.

A próxima etapa da Inteligência Artificial

É evidente que não estou aqui para ofender seja quem for. E ainda menos, em Agosto, numa altura em que os leitores têm mais que fazer do que estar a ler estas linhas. Mas ficar calado também não é opção, pelo menos no meu caso. Por isso, vou acrescentado umas linhas, mais ou menos diárias, ao muito que já aqui foi dito. E continuo a apreciar os que me lêem e divulgam o que escrevo. A internet dá-nos uma voz e é importante que a aproveitemos.

Mas dentro de alguns anos, deverão existir programas de Inteligência Artificial que escreverão estes blogs a nosso pedido. Bastará dizer qual deve ser o tema e força, o programa gerará um texto, com uma redacção que terá em conta a nossa maneira própria de pensar e será fiel à nossa linha ideológica. Isso poderá acontecer dentro de cinco anos, se tivermos presentes os investimentos que estão já a ser feitos em matéria de AI.

Desde 2012 tem havido um progresso considerável na área da AI. Se se comparar o que se consegue fazer agora com o que se fazia então, estaremos a falar da noite para o dia. E, neste momento, estão em curso quatro ou cinco pesquisas de grande vulto que irão acelerar a capacidade da AI. Os super-computadores já estão na calha. Serão tão completos em termos de informação e tão rápidos, que nos irão colocar num canto, apenas a dar ordens e a ser surpreendidos pelos resultados.

Outros problemas surgirão.

 

Inteligência Artificial e Ciberespaço

A Plataforma de Associações da Sociedade Civil (PASC) e a Associação para a Promoção e o Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI) querem que eu e mais três especialistas - eles são os especialistas nessas coisas da Sociedade da Informação e da Inteligência Artificial - respondemos às cinco questões enumeradas mais abaixo.

Não é nada fácil. Iremos falar disso no dia 11 de Julho às 17:00 horas na Quinta do Bom Nome, em Carnide, Lisboa. Mas não sei se sairei dessa sessão - que é pública, pode lá vir quem se inscrever - com bom nome...

Mas que é uma excelente iniciativa conjunta da PASC e da APDSI,  isso sim.

Dizem eles: A inteligência artificial está a alterar o equilíbrio de poder no ciber e no geo-espaço e é necessário responder a novos desafios:
- Quais os pressupostos da política e da soberania dos estados, dentro e fora das fronteiras nacionais?
- Será que as atuais alianças internacionais sobreviverão?
- Será que irão surgir novas soberanias no ciberespaço?
- Quem vai governar a Internet e mandar em todos nós?
- Qual o papel da cidadania num contexto de transformação digital e nestes novos espaços de poder?

Que direi eu?

O definhamento da imprensa escrita

Estima-se que apenas pouco mais do que 10% da população adulta francesa leia um jornal diário. E uma boa parte dessas pessoas fá-lo pela internet, sem qualquer tipo de contacto com o papel. A maioria informa-se através da televisão, ou então, ao ouvir as rádios, nas suas viaturas, enquanto se desloca na prossecução dos seus afazeres quotidianos. Porém, na verdade, a televisão é que conta.

Estas constatações obrigam a uma interrogação muito séria sobre o futuro da imprensa escrita. E não apenas em França, onde um jornal de referência como Le Monde está endividado até ao nariz, mas também em Portugal e noutros países.

Serpa

Almoço e início da tarde em Serpa e a constatação que essa parte do Alentejo está a mexer e acredita que é possível trabalhar para um futuro melhor.

Deu também para notar a influência dos sítios da internet de conselho aos turistas. Os locais que aparecem mencionados no Trip Advisor, por exemplo, atraem clientes. Mesmo numa terra como esta, que está longe dos circuitos nacionais e internacionais de turismo.

 

Das trevas

Depois de vários dias de viagem, o regresso a Bruxelas foi como cair num buraco escuro. A internet estava avariada, era fim-de-semana, o apoio técnico, com visita a casa, só estaria disponível hoje, segunda-feira. Fiquei mais ou menos furioso, por não compreender que no ano de 2013 não haja assistência técnica presencial ao domingo. Mas o pessoal da Belgacom assegurou-me que hoje de manhã, e certamente antes das 14:30 teria a ajuda técnica requerida.

Passei o dia todo à espera. O jovem informático, pessoa de uma grande simpatia, o que travou as minhas ganas de o engolir vivo, chegou às 18:00 horas. Levou cerca de uma hora para consertar a coisa.

 

E esta noite, voltei das trevas, daquele inferno que é o de não estar ligado à rede.

 

Amanhã volto à escrita regular.

As redes sociais

Escrevi, para publicação, um texto sobre o Egipto, num dia em que ainda não se entende bem para que lado vão cair as coisas: reforma ou mais do mesmo?

 

Ao pesquisar a matéria, vi que alguém disse que as revoluções, nos tempos de agora, surgem quando os advogados estão a tiritar de frio, nos seus escritórios, já não têm dinheiro nem para comer um macdonald, mas continuam com acesso à internet.

 

As palavras não seriam bem estas. No entanto, a ideia é que, quando os diplomados deixam de ter perspectivas de futuro, e já não acreditam na classe política, começam a fazer a revolução através das redes sociais.

Ataques cibernéticos

Creio que ficou claro, nos corredores da conferência de Munique, que existem quatro tipos de ataques cibernéticos:

 

- Os provenientes de jovens fanáticos da informática, os chamados "hackers", que pelos mais diversos motivos e causas, todos eles muito anárquicos, resolvem atacar certos computadores;

 

- Os preparados pelos gangs criminosos, que procuram, acima de tudo, roubar contas bancárias e códigos de cartões de crédito; William Hague disse, na sua intervenção, que haverá, por ano, cerca de 13 milhões de ataques desse género;

 

- Os relacionados com a espionagem científica e industrial; a economia chinesa é a maior produtora, de longe, desse tipo de ataques;

 

- Os dirigidos contra os sistemas de computadores militares, de defesa e de segurança, bem como contra alvos de interesse estratégico; estas acções são preparadas por serviços oficiais, de governos hostis; também aqui se fala, nos cantos escondidos da conferência, da China, em particular, mas não só; sabe-se que Israel tem um centro a trabalhar nesse campo.

 

Perante isto, a que se junta os milhões de mails dos particulares, que todos os dias são filtrados pelos serviços secretos americanos, britânicos e outros, fica-se a pensar a internet é muito mais do que aquilo que se vê. É um mundo.

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