Portugal é grande quando abre horizontes

18
Jun 19

Hoje, no meu blog em inglês, escrevo sobre a visita de Federica Mogherini a Washington, uma visita que está a decorrer e que tem a situação à volta do Irão como tema.

Na verdade, a UE deixou-se enredar numa teia que não lhe concede qualquer tipo de autonomia estratégica em relação aos americanos. Sabe que a política actual do EUA em relação ao acordo nuclear com o Irão não está certa, mas não vê outra alternativa senão subordinar-se e pôr em prática o regime de sanções unilateralmente decidido pelo Presidente Donald Trump. O mecanismo criado de propósito pela UE para continuar, de modo reduzido, algum comércio com o Irão -- chama-se INSTEX – é um nado-morto. Tem um âmbito demasiado reduzido, não assenta em nenhum sistema de compensação de pagamentos credível e segue fielmente a política de sanções dos americanos. Estes, mesmo assim, estão já a preparar novas medidas legislativas para tornar o INSTEX completamente inviável.

Tudo isto mostra que um dos grandes desafios que a Europa tem pela frente é o de ganhar espaço político, na cena internacional, que lhe permita estar em pé de igualdade com as grandes potências. Nestas coisas das relações internacionais, os interesses contam mais do que as amizades. A Europa precisa de saber defender os seus.

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/06/europe-and-iranian-situation.html

 

publicado por victorangelo às 21:00

16
Jun 19

Pensar na crise que se está a desenrolar à volta do Irão sem ter em conta os interesses e os jogos políticos do Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é como fazer um prato de bife a cavalo sem ovo por cima.

publicado por victorangelo às 20:54

14
Jun 19

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/06/hormuz-tensions.html

O meu post em língua inglesa sobre a situação no Estreito de Hormuz. As Nações Unidas devem tomar a iniciativa. Essa é a única maneira de fazer baixar a tensão, que neste momento é muito elevada.

publicado por victorangelo às 16:50

08
Mar 19

Neste Dia Internacional da Mulher, uma referência de homenagem a todos os que lutam, homens e mulheres, para combater a violência doméstica e os mais variados tipos de violência praticados contra as mulheres e as raparigas. Também, uma menção especial para o grande desfile pela democracia que as mulheres da Argélia hoje organizaram. E à decisão do governo britânico de dar protecção diplomática a Nazanin Zaghari-Ratcliffe, uma britânica de origem iraniana, que os clérigos que controlam o poder no Irão mantêm em detenção há cerca de três anos, por razões injustificadas e inaceitáveis.

publicado por victorangelo às 20:08

05
Mai 18

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10359

O link para o meu programa desta semana na Rádio de Macau, um trabalho semanal de equipa com Hélder Beja, um homem de letras, e a jornalista Catarina Domingues. Ambos vivem em Macau há vários anos.

publicado por victorangelo às 17:16

23
Mar 18

Donald Trump, ao nomear John Bolton como Conselheiro de Segurança Nacional, abre um novo capítulo na via da política de confrontação internacional que resolveu seguir como opção. John Bolton é um extremista de ideias simples, que vê as transacções dos EUA com o resto do mundo como uma relação de forças. O que conta, nessa óptica, é a imposição da vontade americana, e dos seus interesses, a todo o custo, por todos os meios, incluindo os militares. Ao assumir a nova função, que é de sobremaneira importante, Bolton vai poder dizer, com a brutalidade que define a sua maneira de ver o mundo, “esfola”, “esfola”, quando o Presidente disser “mata”.

Temos assim um par ideal para criar um catástrofe internacional de grandes proporções.

Existem, é evidente, razões de sobeja para que fiquemos preocupados.

Com todos os problemas legais e políticos, de política interna e da justiça americana, que Donald Trump tem pela frente, há que esperar por tudo. Por exemplo, por uma distracção guerreira, um bang aqui, acolá, no Irão ou na Coreia do Norte, possivelmente ainda noutro sítio, algo a sério, que desvie as atenções e que caiba dentro da estupidez internacional que prima cada vez mais na Casa Branca.

publicado por victorangelo às 12:52

11
Fev 16

Contra o “Estado Islâmico”

            Victor Ângelo

 

            Escrevo enquanto decorre em Bruxelas uma reunião de alto nível para coordenar as ações futuras contra o Daesh, o grupo terrorista que gosta de se autointitular de “Estado Islâmico” (EI). Estão presentes os vinte e sete países – e mais uma mão cheia de penduras – que se dispuseram a participar na coligação militar que combate o EI. Ainda assim, a contribuição de alguns destes governos tem sido meramente simbólica. Na verdade, há vários membros da coligação que não consideram a derrota dos terroristas do EI como uma prioridade nacional. Fazem de conta. Por isso, convém recordar as razões que justificam a intervenção internacional. Trata-se, por um lado, de libertar da opressão mais desumana as populações dos territórios ocupados na Síria e no Iraque. Por outro, de uma questão de legítima defesa e de interesse estratégico, tendo em conta a ameaça que o EI efetivamente representa, quer no Médio Oriente quer noutras partes do mundo, em especial na Europa e no Norte de África.

            Não tenhamos ilusões. Continuaremos a assistir a uma coligação incoerente. Mas há que apreciar cada tentativa que procure dar-lhe algum nexo. O EI é um perigo que deve ser levado muito a sério.

            Reconheço, porém, que combater o EI no terreno é uma missão de grande complexidade – sublinho de grande complexidade – e com riscos elevados. Mas têm-se registado alguns progressos, nos últimos tempos. A pressão evoluiu no sentido de colocar o grupo na defensiva. O EI perdeu recursos, quadros e território. É fundamental continuar nessa via. Para além dos bombardeamentos aéreos e dos ataques a alvos precisos com drones, deve-se investir mais na recolha e análise de informações e na infiltração no terreno de pequenos grupos de militares de elite. Assim, e sem esquecer o papel muito significativo que as Forças Especiais americanas, britânicas e alemãs já estão a desempenhar, é essencial proceder sem mais demoras à mobilização de comandos árabes sunitas. Viriam em reforço das unidades iraquianas e em complemento das operações levadas a cabo pelos combatentes curdos. O assunto está em cima da mesa, agora que vários estados da região anunciaram, nas vésperas da reunião de Bruxelas, que estariam dispostos a enviar tropas de infantaria para a frente de combate. Será ver para crer, como diria o outro, pois duvido bem que isso venha a acontecer. De qualquer modo, se acontecesse colocaria sempre uma ressalva, no que diz respeito à Arábia Saudita. Qualquer destacamento saudita tem que ser visto à luz das rivalidades já existentes com o Irão, que está alinhado com o regime de Damasco. Sem esquecer, para mais, a proximidade que existe entre Bagdade e Teerão, o que torna impensável qualquer presença saudita nas terras iraquianas.  

            Outro tema em debate tem que ver com a definição dos alvos prioritários, no ataque à cadeia de comando do EI. A minha opinião é que os esforços, nesta fase, devem ser concentrados na neutralização dos quadros intermédios do aparelho terrorista, em especial os de origem europeia e outros estrangeiros. Esses quadros constituem uma malha importante no sistema de controlo territorial e no recrutamento de novos combatentes vindos de fora. São, ao mesmo tempo, alvos mais fáceis de identificar – se alguma coisa pode ser considerada fácil, nesta campanha contra um inimigo bem organizado e disposto a tudo. A eliminação desses quadros enfraquecerá a cadeia de comando, desencorajará outros candidatos europeus, e acabará por isolar e expor o topo da organização. Dito isto, é também evidente que se deve explorar toda e qualquer oportunidade que possa surgir e que leve à destruição da liderança do EI.

            Apesar de tudo, espera-se que o encontro de Bruxelas resulte num maior empenho de alguns. E que se vá além das dimensões militares. Ao nível do terreno, será importante contribuir para a reconstrução das cidades e vilas que entretanto foram recapturadas pelas forças da coligação e que estão sob administração iraquiana. O restabelecimento, na medida do possível, de um certo grau de normalidade faz parte da luta contra os extremistas.

            Chegámos aliás ao momento em que é preciso começar a discutir esta crise de modo compreensivo. Há que pensar nas dimensões políticas. Incluindo, ouso acrescentar, na autonomia das regiões libertadas, no respeito pelos direitos das pessoas e dos grupos étnicos, incluindo os curdos, talvez mesmo no possível desenho de um novo mapa político para a região.

 

(Artigo que publiquei hoje na Visão on line)

publicado por victorangelo às 21:16

04
Jan 16

Este novo ano foi anunciado com preocupação. E está a começar de modo preocupante.

O xadrez de crises no Médio Oriente está hoje mais complicado e imprevisível. A confrontação entre a Arábia Saudita e o Irão passou para um nível mais arriscado. E tem um impacto em toda a região, sobretudo na Síria, no Iraque e no Iémen. Mais a Oriente, as tensões entre a Índia e o Paquistão ganharam um novo impulso, com o ataque que acaba de ter lugar contra uma base da aviação indiana, na zona de fronteira com o país rival. Ainda mais a Leste, a rivalidade marítima entre a China e o Vietname agravou-se este fim-de-semana.

Na Europa, a questão das migrações levou a Suécia a adoptar medidas de controlo fronteiriço em relação a quem vem da Dinamarca por terra. Esta, por sua vez, apertou hoje as verificações na fronteira com a Alemanha. Fala-se de Schengen e dos riscos em que este acordo fundamental para a construção europeia se encontra. Talvez haja um certo exagero quanto ao futuro de Schengen, uma morte anunciada prematuramente, mas a verdade é que não surgiram ainda medidas comunitárias que nos tranquilizem.

E do lado russo, a retórica continua a não ser das melhores. As cabeças de quem manda em Moscovo continuam a ver as relações com a Europa e os Estados Unidos à moda da Guerra Fria. Ora, essa época já passou. Do lado Ocidental, já são poucos os que sabem o que isso queria dizer.

Quanto aos mercados, as bolsas entraram em 2016 com quedas acentuadas. Por causa da China, que está a crescer menos do que o previsto, e também por motivo das incertezas geopolíticas. Curiosamente, foi o mercado de acções alemão que mais perdeu, no conjunto da Europa. A razão é clara: as empresas alemãs estão em boa medida dependentes das suas exportações para a China.

Vai ser um ano com muito pano para mangas.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:46

30
Dez 15

             "O ano de 2015 ficou muito a dever a John Kerry.

            O nome do Secretário de Estado norte-americano apareceu intimamente associado a momentos altos das relações internacionais, nomeadamente ao acordo nuclear com o Irão e ao plano de negociações sobre a Síria, que acaba de ser adotado pela ONU. Em paralelo com o Presidente Obama, que decidiu concentrar uma boa parte da sua atenção nas questões internas e retrair-se em matéria de política externa, Kerry comprometeu-se pessoalmente na solução de problemas que pareciam insolúveis. Com uma idade que já vai para lá dos setenta, num momento da vida em que muitos outros passam o tempo a jogar golf, foi infatigável e um exemplo de força de vontade e otimismo. Projetou uma imagem de maturidade e confiança, de seriedade e limpidez de intenções, características que são raras na política dos nossos dias. Lembrou-nos, entre outras coisas, que em diplomacia o que conta é estar presente, que a resolução das crises passa por se falar diretamente com os protagonistas, por não ter medo dos insucessos de hoje, mas sim, por conseguir transformá-los nas etapas necessárias para os acordos de amanhã. Teve ainda a habilidade e o arrojo de nos lembrar que com Benjamin Netanyahu no poder e com a coligação que agora o apoia, o conflito entre Israel e a Palestina continuará a agravar-se até se tornar quase irremediável. Para mim, pois, John Kerry foi o modelo do ano. Um político com uma vida e uma prática que nos inspiram e fazem refletir."

 

(Parágrafo final do meu texto na Visão online de hoje, texto publicado sob o título "Um político de referência em 2015"

 

publicado por victorangelo às 15:56

30
Out 15

A reunião de hoje em Viena abriu pela primeira vez a possibilidade de uma via diplomática para a resolução da grave crise que a Síria vive há quase cinco anos. É evidente que se trata de um processo negocial muito difícil e que pode falhar. Mesmo assim, deve reconhecer-se que se deu um passo em frente. A política da paz tem agora a oportunidade de tomar a primazia.

Entretanto, é fundamental intensificar a luta contra os terroristas do Estado Islâmico. Há que destruir a sua estrutura dirigente e cortar as suas fontes de financiamento. E, ao mesmo tempo, ter a coragem de denunciar os governos que, sub-repticiamente, continuam a apoiar esses fanáticos. Esses governos não podem estar em Viena, à volta da mesa das conversações a dizer uma coisa enquanto prosseguem, na região, políticas e acções que favorecem os interesses do Estado Islâmico.

publicado por victorangelo às 17:38

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