Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Joe Biden na ONU

Tive a oportunidade de ver o vídeo da intervenção do Presidente Joe Biden na Assembleia Geral das Nações Unidas. Foi um discurso forte, bem articulado e positivo. Agora a questão é traduzir as palavras em acções concretas e convincentes.

Saliento de seguida uma série de pontos extraídos da sua comunicação ou resumindo algumas das ideias principais.

Este é um momento de viragem na história. Estamos mais interconectados do que nunca. As novas tecnologias podem dar mais poder às pessoas ou serem utilizadas para as reprimir. Por toda a parte, pode ouvir-se um apelo ao respeito pela dignidade humana. Não queremos uma nova Guerra Fria. Os EUA estão prontos para aprofundar a ajuda ao desenvolvimento e humanitária. É preciso desenvolver as infraestruturas nos países em desenvolvimento. Apoio à acção contra o aquecimento global. Mais solidariedade americana no que respeita ao combate contra a Covid-19. A questão palestina passa pela criação de dois Estados na região. Os direitos das pessoas devem estar no centro dos sistemas políticos. As intervenções militares são um último recurso, as políticas devem ter a primazia.

Imagino que António Guterres gostou do que ouviu. Eu gostei. Mas sou um optimista moderado e desconfiado.

A relação entre a Europa e os Estados Unidos

A questão dos submarinos australianos alterou profundamente a política nacional francesa no que respeita ao seu relacionamento com a administração do Presidente Joe Biden. Mas é ainda mais séria, por ter feito perder a confiança na cooperação de defesa entre uma parte da Europa, representada pela França, e os Estados Unidos.

Vai, entre outros aspectos, ter um impacto no funcionamento político e operacional da NATO. A França já não se sentia à vontade numa organização que tem a Turquia como membro. E ficou ainda menos convencida, perante o comportamento americano, que decide sem consultar e tem apenas em conta a preocupação com o crescimento da influência global da China. Ora, a China, para a França e para outros dos seus aliados europeus, é um problema distante, secundário e mais aparente do que real. Para esse grupo de aliados, os desafios de defesa e segurança estão bem mais perto das fronteiras europeias, quer a Leste quer a Sul.

Temos aqui um momento de viragem. Mas ainda não é possível medir todas as suas dimensões.

A cena internacional está cada vez mais complicada

A cena estratégica internacional está a mudar a grande velocidade. Começa a ser difícil acompanhar as mudanças, quando não se tem uma equipa de apoio. Os observadores a título individual, como é o meu caso, precisariam de trabalhar 24 horas por dia.

Hoje, por exemplo, aconteceram duas situações que são estruturalmente importantes.

Primeiro, foi o anúncio do acordo de defesa entre os EUA, o Reino Unido e Austrália, a que chamam AUKUS, sem qualquer consulta prévia com os aliados europeus e acompanhado, para cúmulo, da anulação de um contracto que a Austrália fizera com a França. Esse contracto, da ordem dos 56 mil milhões de euros, dizia respeito ao fornecimento de uma dúzia de submarinos de propulsão convencional, que a Austrália encomendara à França. A Austrália assinou agora uma nova encomenda com os EUA, para o mesmo número de submarinos, mas de propulsão nuclear.

Segundo, temos o Parlamento Europeu a aprovar uma resolução claramente hostil a Vladimir Putin. Essa resolução pede à Comissão Europeia que tome um determinado número de medidas retaliatórias e de sanções contra o grupo no poder em Moscovo. A resolução leva o conflito com a Rússia para um patamar mais elevado de tensão. Mesmo que não leve a um qualquer resultado prático, dá ao Kremlin a oportunidade de tirar dividendos desta manifesta hostilidade. A relação com a Rússia deve ser firme, estou de acordo, mas não pode fechar as portas do diálogo. Tem de ser construída com pilares positivos. As sanções e outras medidas devem sempre deixar uma possibilidade de se encontrar uma solução.

Um G7 em vão

A reunião do G7 sobre o Afeganistão, presidida por Boris Johnson, foi um fracasso. Na realidade, foi um embate de todos contra Joe Biden, para pedir ao presidente americano o que este não pode fazer: manter uma presença militar no aeroporto de Cabul para além de 31 de agosto. A realidade mudou e quem manda são os talibãs. Precisam de mostrar firmeza perante as forças estrangeiras. Por isso, não irão aceitar uma extensão do destacamento militar ocidental no aeroporto.

  

Donald Trump e os Talibãs

Hoje escrevi a minha crónica semanal para o Diário de Notícias, depois de uma pausa de duas semanas. A crónica será publicada na edição de amanhã. E tinha forçosamente de ter como tema o Afeganistão. Esse é o assunto por excelência, neste momento. Mas muito se tem escrito sobre o Afeganistão. Incluindo prosas emocionais e pouco realistas. E muita repetição de ideias feitas.

O desafio era enorme. Que escrever, a partir de que ângulo, de modo a acrescentar algo ao debate, sem maçar o leitor com mais do mesmo? O leitor verá como tentei dar a volta a esta questão. E como procurei não esquecer as pessoas, mesmo quando a escrita é sobre questões geopolíticas.

O papel nefasto de Donald Trump esteve sempre presente na minha mente, à medida que o texto avançava. Tinha a intenção de mostrar o que aconteceu à volta do acordo que Mike Pompeo assinou, a mando de Trump, a 29 de Fevereiro de 2020, e de como esse processo abriu o caminho para a tomada do poder pelos Talibãs.

Acabei por não o fazer. Mas é algo que terá que voltar à baila. Joe Biden assumiu as suas responsabilidades. Trump também deve ser confrontado com as suas.  

  

 

Biden e o seu lugar na história

A história que perdura nas memórias colectivas é feita de frases curtas. Quando se fala de personagens que marcaram o passado, há sempre uma referência breve que liga o nome a um facto determinante. Por exemplo, o Imperador Nero ficou conhecido como o incendiário de Roma. O Infante Dom Henrique, como o Navegador, embora nunca tenha embarcado num qualquer navio que se tenha feito aos mares. O nome de Estaline aparece ligado aos goulags da Sibéria. Mais perto de nós, Passos Coelho ficará para sempre associado à troika. E agora, Joe Biden arrisca-se a ser lembrado por causa da catástrofe política e humanitária que está a acontecer no Afeganistão. Biden irá rimar com abandono. Assim entrará na história, com esse rótulo infame. Sim, abandono dos progressistas afegãos, das mulheres e raparigas afegãs, com o abandono de um governo que, por muitos problemas que possa ter, sempre representa a parte melhor da nação afegã. Não é apenas uma questão de derrota das tropas ocidentais, das americanas e das aliadas no seio da NATO. É o deixar chegar ao poder gente que não pertence ao século XXI.

Cidadania e responsabilidade

O Presidente dos EUA está visivelmente preocupado com o facto de uma parte importante dos americanos ainda não estar vacinada contra a Covid-19, apesar de todos os esforços que têm sido feitos nos últimos seis meses. Mais ou menos 50% dos cidadãos, por razões várias, está por vacinar. Uns porque associam a campanha à presidência democrata e são visceralmente do partido oposto, outros por não acreditarem na eficácia da vacina e um certo número porque não querem perder o salário de umas horas de trabalho, por estarem na fila à espera da sua vez.

O discurso de Joe Biden foi muito bem articulado. Mas nestas coisas, só aceitam a argumentação os que já estão convencidos. Por isso, Biden teve de propor incentivos financeiros e adoptar medidas, ao nível federal, que tornam a vacina uma necessidade. É lamentável que assim seja. A eficácia da vacina está mais do que provada. Cada cidadão deveria considerar a sua imunização como um acto cívico indispensável para o seu bem e o de todos.

Sou dos que defendem a obrigatoriedade da vacina. O vírus é algo de muito sério. Tem um impacto humano, social e económico muito profundo. Quanto mais rapidamente for combatida a sua propagação, melhor será.

Cuba e as suas circunstâncias

É verdade que o bloqueio americano contra Cuba, que foi seriamente agravado durante o mandato de Donald Trump, tem um impacto enorme na economia do país. A pandemia veio agravar ainda mais a situação, ao reduzir a zero, ou quase, o turismo vindo de fora, que fazia viver alguns sectores da população. A tudo isso acrescentam-se mais duas dimensões negativas: uma burocracia muito pesada, com um número excessivo, injustificado e dispendioso de funcionários; e o erro ideológico de não querer abrir o campo de acção da iniciativa privada, que, por causa das limitações impostas, não consegue crescer.

O resultado não poderia ser outro: agravamento da pobreza, privações de toda a espécie, lojas estatais vazias, sem os alimentos básicos em número suficiente, e crescimento exponencial dos mercados clandestinos, a preços inabordáveis. Sem esquecer as repercussões sobre o sistema de saúde, numa altura em que a pandemia está em força.

Por tudo isto, muitos cidadãos, nos mais variados pontos do país, vieram para as ruas este fim-de-semana, para manifestar o mal-estar existente e a oposição aos líderes actuais. Também clamaram pela liberdade política, que é um bem ainda mais raro do que a carne de frango, que só está disponível duas vezes por mês, um frango por família, nos armazéns oficiais.

O chefe do Estado reagiu como sempre viu fazer e foi aprendendo ao longo dos anos de militância no partido dos Castros – opondo aos cidadãos as milícias do partido e as polícias, e insultando as pessoas. Mostrou não estar à altura. O pouco prestígio que ainda tinha levou um grande abanão.

Felizmente para ele, os americanos continuam a implementar o embargo e a dar-lhe uma desculpa e um inimigo a quem atribuir as culpas.

Nós, os americanos e o Afeganistão

https://www.dn.pt/opiniao/afeganistao-tantos-sacrificios-para-que-13918806.html

Acima partilho o link do meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

E agradeço desde já a todos os que me enviaram comentários sobre esta análise, bem como aos que a partilharam com outros possíveis leitores. 

Como é habitual, cito de seguida um parágrafo do meu texto.

"Para Washington, o Afeganistão passou a ser visto como uma guerra sem fim e como uma distração em relação ao novo foco agora bem mais importante: a China. E vê a rivalidade entre as duas superpotências como resolvida na região onde se insere o Afeganistão. Por issso, não quer perder mais tempo e recursos nesse espaço geopolítico onde a China já conta com a subordinação dos dois países que mais importam: o Paquistão e o Irão. O corredor económico China-Paquistão, que termina no porto paquistanês de Gwadar, no Mar da Arábia, é talvez o projeto mais relevante da Nova Rota da Seda. Aos olhos de Beijing, está garantido. Por outro lado, o Irão assinou um acordo económico de longo prazo com a China em março de 2021. Os investimentos chineses deverão atingir os 400 mil milhões de dólares nos próximos anos. É a passagem do Irão para a órbita da China. No meio, restará o Afeganistão do caos e do radicalismo, mas sem capacidade para prejudicar os interesses chineses na região. Os talibãs dependem desses dois vizinhos, sobretudo do Paquistão, e não deverão agir contra os seus interesses."

A nossa fragilidade estratégica

https://www.dn.pt/opiniao/taiwan-aqui-tao-perto--13895355.html

Aqui fica o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. E também fica um parágrafo desse texto. É o parágrafo de abertura, que só por si, diz muito. 

"Taiwan faz parte do nosso quotidiano. Assim acontece porque a empresa que produz a quase totalidade dos chips ao nível mundial, usados em tudo o que é electrónica, telemóveis, autómatos e veículos automóveis, é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). Um colosso omnipresente, mas discreto, que vale na bolsa duas vezes o PIB de Portugal. E que convém lembrar, nesta semana em que se fala tanto da China."

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D